A DOR DE UMA TRAIÇÃO – 3O. CAPÍTULO
OS GAROTOS...
Ikki estava fazendo ainda sua representação de bom moço, quando um ronco de motocicleta os avisou de que alguém se aproximava.
-Pelo som, deve ser o Salvador Hyoga. – avisou Penélope.
"Então o noivinho pato se aproxima... E a vagabunda nem está aqui para recebe-lo... Daria tudo para saber com quem ela está se esfregando agora. Só para ter um bom trunfo nas mãos." Pensou Ikki.
Uma bela Harley Davidson clássica parou ao lado dos carros e um rapaz alto e magro se ergueu. Tirou o capacete, revelando belos cabelos alourados. Os tranqüilos olhos azuis se escondiam atrás de óculos Ray-ban. Sorriu para a irmã da noiva, franzindo discretamente o nariz ao avistar Ikki ao lado dela "A fera está ao lado da bela, procurando a melhor maneira para devora-la... E ela nem desconfia... Se fosse mais esperta como minha Nielle Consuelo Lucrecia, não se deixaria enganar dessa forma... Enfim, não é pra qualquer um ter uma noiva como a minha..." todos esses pensamentos rodaram pela mente de Salvador Hyoga ao se aproximar da porta da mansão.
Shura também tinha ouvido o ronco da motocicleta e assim que Hyoga já estava na soleira abriu a porta, sorrindo:
-Buenas tardes, señor Hyoga. Madame está na biblioteca, tomando um refresco. Convidou o señor a acompanha-la...
-Gracias, Shura. E mademoiselle Nielle?
-Oh! Saiu... Não disse aonde ia, mas talvez Madame saiba. Seu capacete, señor...
-Si, gracias. – deu o capacete para o mordomo guardar e o acompanhou até aonde estava a dona da casa.
-Salvador, carino mio...- saudou Pipe Magdalena com um sorriso. – Que bom que veio. Aceita um chá, suco? Prove destas bolachinhas, as meninas na cozinha fizeram agora à tarde, estão ótimas... Pena que quando cheguei, Nielle não estava... E pra variar, não deixou recado. Mas já deve estar retornando. Você avisou que viria?
-Um chá, por favor. Sem açúcar, com creme e limão. Não, estava aqui perto, visitando um amigo, resolvi esticar até aqui.
-Conhecido?
-Talvez. Sabe o florista que fica na outra esquina, da travessa que dá para o parque?
-Oh, si, si... Ele tem sempre flores belíssimas, além de ser extremamente simpático. O nome dele é... Ele me disse uma vez... Lourenço?
-Camus Lourenço, sua memória é excelente, señora. Sim, somos amigos de infância, apesar da diferença de classe social. A família dele sempre trabalhou, o pai era jardineiro, incutiu no filho o amor pelas flores. Agora, Camus está trabalhando duro para abrir sua própria floricultura.
-Que maravilha! Deve conseguir em breve, porque sua banca está sempre vazia no final da tarde...
-A señora é muito observadora...
-Não se vence nos negócios sendo lerda de raciocínio e curta de visão, carino. Ouço um carro que se aproxima. Deve ser Nielle. Shura! – Pipe tocou uma campanhia – Assim que minha filha entrar, informe-a que seu noivo está na biblioteca e estamos esperando por ela para lancharmos.
-Si, Madame. – o mordomo se curvou brevemente e foi para a porta, pensando "A vadia vai querer subir pra tomar um banho, lógico. Não se recebe um macho cheirando a outro... Cornuto! Se fosse comigo, ela não faria um décimo do que faz com ele... Enfim..."
Foi a decisão de Nielle Consuelo Lucrecia. Pediu para avisar a mãe e ao noivo que iria tomar um banho primeiro porque tinha chegado suada da rua. Mas seria breve, porque estava morrendo de saudades do noivo... Ikki só não foi embora porque esperava ser convidado para jantar, mas já estava entediado com aquele namoro de pegar em dedos e beijos castos. Quando Nielle entrou na biblioteca, Pipe Magdalena pediu licença e saiu, para dar mais privacidade aos noivos... Hyoga sorriu, Nielle piscou e nem bem a porta foi fechada, colou seu corpo ao loiro, esfregando-se nele:
-Saudades, amor...
-Eu também... Vamos trancar a porta?
-Nhaaaaa, deixa aberta... Dá mais emoção...
Pipe Magdalena enquanto isso pedia a Afrodite Guillermo que colocasse na agenda uma passada na banca de flores de Camus Lourenço.
No aeroporto da cidade, um rapaz de belos cabelos castanhos e olhos doces desembarcava, suspirando:
-Hola, ciudad querida! Não me agüentava mais de saudades... Meu irmão vai ficar surpreso com minha chegada. Onde será que se enfiou aquele meu empregado desmiolado? – e virou a cabeça procurando alguém.
-Shun! Shun Daniel! Aqui! – gritou alguém, acenando com um chapéu de vaqueiro.
-Ay, lá está ele... Oras, Seiya Augusto, achei que você não vinha me buscar.
-Ara, patrão. O senhor mandou eu vir, eu vim, certo? Nem precisei dar sastifação lá no haras, pruque ta todo mundo ocupado e o seu irmão foi noivar, então vamu rapidinho que ninguém nota que faltou uma caminhonete...
-Ele ainda não se casou com a tal Penélope Maria Catarina?
-Oi, patrãozinho, inda não. A moça mesmo não ta com pressa, sabia? Seu irmão chega sempre soltando fogo pelas ventas depois que encontra com a mujer lá dele... Parece que ele não consegue muita coisa com ela...- e deu uma cotovelada no patrão, para salientar o "muita coisa".
Shun Daniel riu, mais do jeito simples do seu vaqueiro favorito. Ele também tinha uma noiva, Graça, que estava esperando ele voltar com um diploma pra casarem. "Nesse caso, sou eu que não tenho muita pressa..."
N/A: Mais personagens e seus enredos... A novela vai se complicando...
