A DOR DE UMA TRAIÇÃO – CAPITULO 06
NÃO HÁ SEGREDOS ENTRE N"S...
Penélope desceu correndo, o coração acelerado por ver seu amado logo de manhã e a surpresa foi maior, porque ele a agarrou logo na escada, rodando com ela e dando-lhe um enorme beijo, sinal de bom humor, algo tão raro em Ikki Manuel.
-Ooohh, posso saber o que aconteceu pra você estar de tão bom humor?
-Eu estou sempre de bom humor, minha cara. Apenas não tenho costume de arreganhar os dentes pra tudo e pra todos feito bobo.
-Já tomou café?
E foram para o jardim, de mãos dadas, conversando futilidades. Ou melhor, Penélope Catarina falando e Ikki Manuel balançando a cabeça, murmurando um "hã-hã" de vez em quando. Sua mente só voltava a seus planos para sua cunhada, tentando fechar qualquer brecha que houvesse neles.
Foi somente na hora do almoço, quando ouviu o carro da mãe voltando, que Nielle Consuelo resolveu descer. Ainda não tinha resolvido se ia almoçar ou não. Encontrou-se com seu "amado" cunhado.
-Parece pálida.
-Hoje não acordei muito bem...
-Vai almoçar conosco?
-Ah, você vai almoçar aqui? Mais um motivo pra eu pensar em fazer jejum hoje...
-No seu estado, não é muito bom fazer jejum, sabia? Você agora tem que pensar que não está mais sozinha...
Nielle abriu a boca e fechou umas duas vezes. Até que achou a voz e os movimentos. Puxou Ikki Manuel para a biblioteca e fechou as portas:
-O que você disse?
-Você escutou muito bem. No seu estado não é bom fazer jejum...
-Como você sabe do meu estado? Acabei de receber o resultado dos exames...
-Boas fontes, querida cunhada.
-Realmente boas...
-Já decidiu o que vai fazer?
-Tirar, oras. Sou muita nova pra deixar o meu corpo se estragar assim...
-Como alguém tão vivido feito você deixou isso acontecer?
-Acidentes de percurso, acho.
-Pois não acho que seja um acidente... acredito que essa oportunidade caiu do céu...
-Como assim, oportunidade?
-Eu precisava mesmo da sua ajuda, cunhadinha querida.
-E você acha que pode me chantagear com a minha gravidez? – jogou a cabeça pra trás, gargalhando maldosamente. – Ah, Ikki. Minha mãe não vai me jogar pra fora de casa porque sou uma filha desonrada... Nem meu noivo iria brigar comigo por estar grávida... Somente teria que enfrentar um casamento apressado...
-Mas seu noivo gostaria de saber que você está grávida de mais de três meses, uma feliz coincidência com o tempo que ele passou no exterior trabalhando...
Nielle até tentou não demonstrar que o odiado cunhado estava certo, mas um músculo debaixo dos olhos começou a tremer.
-Bebês nascem prematuros... – sussurrou ela, ainda tentando se firmar.
-Com unhas, cabelos e pulmões desenvolvidos? Sem falar do peso. Sou dono de um haras, conheço gestações de éguas, de quatro e de duas patas, meu bem.
Nielle rosnou e acendeu um cigarro, sentando-se e cruzando as pernas.
-Ok, reconheço que perdi. Diga seu preço, Ikki Manuel.
Ele se aproximou dela, tirando o cigarro e apagando:
-Não prejudique meu investimento. – levou a baforada que ela estava segurando. – Simples e barato, cunhadinha. Preciso que você se livre daquele cão de guarda cor-de-rosa que acompanha sua mãe pra baixo e pra cima por uns momentos. Tenho que conversar com ela em particular.
-Só isso?
-Só isso. Acredite.
Nielle franziu a testa. Parecia fácil, mas não era... Afrodite Guillermo até dormia num quarto contíguo ao da mãe, com a porta de comunicação aberta. Desconfiava-se de que dormiam juntos, mas isso era irrelevante. Como tirar a sombra da mãe por algumas horas?
-Tem uma semana, Nielle. E não sou homem de blefar...
Nielle Lucrecia se levantou de um salto, batendo os pés no chão e a porta ao sair. Foi a vez de Ikki Manuel dar uma gargalhada irônica. Nada podia dar errado agora.
N/A: A Nielle e eu tamos perdidas agora. Como tirar o Afrodite Guillermo de perto de Pipe Magdalena? Quem será o pai do filho de Nielle? Ikki Manuel vai cumprir sua parte e não contar nada ao Hyoga Salvador? O que vocês acham?
Não percam o próximo capítulo...
