A DOR DE UMA TRAIÇÃO – CAPITULO 07
TRAIÇ'ESDepois daquele confronto com Ikki, Nielle se perdia em pensamentos. Afinal, decidiu-se que não queria mesmo pagar pra ver se era blefe e que gostaria de fazer o secretário da mãe passar alguns maus bocados e torturar um pouco a irmã patética... Foi atrás do mordomo:
-Shura!
O moreno abriu um sorriso, pensando: "hola, será que ela se enjoou do motorista e vai dar uma chance ao mordomo?" – Si, señorita Nielle Consuelo?
-Você ainda anda dando em cima do secretário bichona da minha mãe pra fazer ciúmes à sua namoradinha?
Shura arregalou os olhos e só pode concordar com a cabeça...
-Só o pastel do Afrodite não se tocou ainda do truque... Vem cá, que eu tenho um plano. Vai servir aos seus propósitos e aos meus... e ainda rola uma graninha...
-No que yo puder ajuda-la, señorita... sem me por em maus lençóis com a señora...
-Minha mãe nem vai ficar sabendo, não se preocupe... é só fazer tudo de acordo com meu plano... – e abaixou a voz.
Dali uns dias, enquanto Pipe Magdalena tomava banho, Shura chamou Afrodite Guillermo.
-Pois não?
-Quanta formalidade, colega. Afinal, já é quase noite, nosso turno acabou, no?
-O que você quer, Shura?
-Te convidar para um drink... no meu quarto... – e piscou.
Afrodite mudou de cor umas três vezes. Entrou quase em choque, mas Shura não deixou que ele ficasse indeciso. Puxou os dedos longos e foi levando pelo corredor. Nielle Lucrecia esperou até que desse tempo deles se afastarem de verdade e entrou no quarto da mãe. Na mesa, o Martini esperava por ela.
-Seco, uma azeitona, mexido, não batido... – sussurrou Niele, se aproximando do copo. – Agora, um sonífero fraco, apenas pra retardar suas reações.
E colocando umas gotas, mexeu a taça levemente e saiu do quarto. Pipe saiu do banho, estranhando a falta de Afrodite enquanto bebia seu Martini. Ele sempre a esperava para massagear-lhe as costas... Enfim, alguma coisa o distraiu "ou alguém..." sorriu ela, comendo a azeitona. De repente, sentiu um olhar queimando-lhe as costas. Se virou para encontrar os olhos azuis de Ikki Manuel nublados de desejo, os braços cruzados, encostado no batente. Instintivamente, fechou e apertou o robe de cetim branco.
-Boa noite, Ikki. Deseja alguma coisa? O que é tão importante que lhe impediu de te esperar lá embaixo?
Ikki Manuel avaliou a futura sogra de cima a baixo. O plano da cunhada, que parecia uma grande loucura de repente pareceu perfeito. E se aproximou da "vítima".
-Usted, minha cara, me impediu de esperar lá embaixo.
-Como? Bebeu, Ikki Manuel? Perdeu a noção de respeito? Sua noiva está no quarto aqui perto...
-Ahora, nada mais me importa, Pipe Magdalena. Eu sou um macho jovem, de apetites fortes, que faz tempo não são satisfeitos. E acredito que o mesmo acontece com você, já que ninguém sabe de nenhum amante nesses seus anos todos de viuvez...
-Mas o que está dizendo, señor Melendez Rodrigues? Minha vida íntima não é da sua conta. AFRODITE! AFROhhhhmmm.... – uma boca voraz calou sua voz, enquanto mãos a apertavam de encontro a outro corpo.
-Não se exalte, caríssima. Ele também está ocupado no momento... – E pegando a mulher nos braços, levou para a cama, fechando a porta com o pé.
Meia hora depois, Penélope estava na janela, esperando o noivo. Nielle Consuelo desceu e destilou o veneno da segunda parte do seu plano.
-Esperando alguém, querida?
-Ikki Manuel... – respondeu a irmã, distraidamente. A voz da irmã mais velha lhe dava arrepios.
-Ué, mas ele estava lá em cima, te esperando... – disse a megera, sorrindo como uma serpente na frente do ratinho. – Quem sabe ele não está no quarto de mamãe, conversando com ela, pra passar o tempo?
Penélope Maria ficou olhando pra Nielle (que nunca foi tão Lucrecia como agora) e subiu correndo as escadas, entrando no corredor com o coração apertado. A mão na maçaneta do quarto da mãe tremeu, mas ela respirou fundo e abriu a porta assim mesmo. E viu. Viu o impossível, inacreditável, inaceitável. Seu noivo e sua mãe, nus, na cama. O braço de Ikki envolvia os seios da mulher e era visível por baixo do lençol o contorno da perna forte envolvendo os quadris dela. Tudo ficou escuro para Penélope, que precisou se apoiar no batente, ofegando. Depois fechou a porta e saiu correndo. Desceu as escadas velozmente, sob o olhar malicioso de Nielle e atravessou a porta num minuto. Nielle jogou a cabeça pra trás e gargalhou, alto e feliz. Depois se jogou no sofá e acendeu um cigarro, soprando a fumaça pra cima:
-Pois é, Ikki Manuel. Ninguém me ameaça... Eu te dei muito mais do que você vai poder lidar... – e gargalhou de novo.
Penélope Maria Catarina só diminuiu um pouco de correr na guarita, para que o vigia não a impedisse de sair, recusou o táxi que ele ofereceu sem muitas palavras e assim que sentiu fora de suas vistas, recomeçou a correr. Correu muito, sem direção e sem sentir. Começou a chover, mas ela nem se deu conta. Apenas quando se viu num beco estranho é que lembrou de sentir medo. Viu-se alvo de olhares indesejados e tentou escapar. Mas eram muitos e ela achou que ia morrer ali. Até que um carro parou ali perto e uma voz gritou:
-O QUE ACHAM QUE ESTÃO FAZENDO, SEUS VERMES? Larguem a señorita agora!
-Fica na tua, franguinho. – respondeu aquele que seria o líder do trio. – Essa mulher invadiu o nosso território e nós gostamos dela. Vamos nos divertir um pouco... se quiser, espere sua vez...
-E se eu não quiser? – e um click se fez ouvir. Nas mãos do rapaz que chegava, uma arma automática. Ele tinha soltado a trava do gatilho. – Sou campeão de tiro na faculdade. Se quiserem testar minhas habilidades, estoy a sus ordens, amigos...
Os rapazes se entreolharam e acharam que aquela dismilinguida molhada não valia a pena. E largaram-na no chão. O rapaz armado fez sinal pra eles se afastarem mais e puxou a garota pra si. Ajudou-a a entrar no carro e partiu, sempre sem tirar os rapazes da mira. Ao se virar pra conversar com ela, Shun Daniel percebeu que ela tinha desmaiado.
-Que coisa mais de romance barato. Rapaz salva mocinha em apuros e ela desmaia devido às emoções fortes... Bem, vamos continuar o clichê, então.
Shun levou Penélope Maria para o seu apartamento na cidade e carregou-a discretamente até o elevador de serviço na garagem. Se atrapalhou um pouco pra abrir a porta, mas logo estava no quarto, pensando se tirava aquelas roupas encharcadas da garota ou não. Foi quando ela abriu os olhos...
-Onde estou? Quem é você?
-Se lembra do que aconteceu? Eu sou Shun Daniel, te salvei de uns mal-encarados aí na rua... Você não deveria sair sozinha por aí, à noite, sabia?
Os olhos dela se encheram de lágrimas. Tudo voltou a sua mente, inclusive a cena no quarto de sua mãe. Como ela pode? Como Ikki pode? Ela se guardou tanto para ele, porque ele não correspondeu às suas expectativas?
-... e você devia tirar essas roupas molhadas, antes que se resfrie. Vou arrumar umas roupas minhas e...
"Esse rapaz é tão gentil, tão cavalheiro... Porque eu não o conheci antes? Ele é tão diferente do meu... daquele homem lá... Ele está falando do quê? Oh, minhas roupas... Estou molhando todo o carpete dele..."
-Oh, estou encharcando seu carpete!
-Não se preocupe com isso... Aqui, esta camiseta minha vai ficar grande em você, mas pelo menos está seca...
Quando os dedos se tocaram, uma corrente elétrica passou por eles. Penélope agradeceu sem tirar os olhos castanhos dos olhos verdes e começou a se despir ainda mantendo o contato visual. Shun Daniel sabia que devia desviar o olhar, mas não conseguia. A garota saiu de dentro das roupas molhadas e deixou a camiseta seca do outro lado do quarto.
-Você me salvou. Gostaria de agradecer de acordo...
-Não... você não precisa...
-Você não me quer? – o olhar dela ficou triste.
-Claro que eu quero... isto é, você é linda, bem formada, mas... será que é isso mesmo que você quer? Parece meio repentino...
-Não se preocupe com isso. Sei muito bem o que eu estou fazendo... – E puxou-o para cama.
"Porque minha noiva não é decidida e segura assim?" Foi o último pensamento coerente de Shun Daniel.
Ah, vocês querem saber o que aconteceu com Afrodite Guillermo? Shura o arrastou até o quarto e praticamente o empurrando-o pra dentro, trancou a porta.
-Pra quê isso?
-Pra não sermos interrompidos.
-Shura... olha, acho que você está indo longe demais com essa brincadeira...
-Você acha? Nem começamos... – se aproximou da janela, onde haviam copos. Pegou dois, um de cada cor, colocando umas gotas de sonífero forte no copo que escolheu para Afrodite. – Prefere uísque ou xerez?
-Xerez, por favor. Sei que você e a Shina tem um caso...
-Tínhamos. Daí fizemos um acordo. Ela entrou com o pé e eu com o traseiro...
-Então, você está querendo me usar pra fazer ciúmes na arrumadeira.
-Caramba, Guillermo. É tão difícil acreditar que eu queira mesmo algo com você?
-Não me culpe por ser cuidadoso. O maior prejudicado nessa história seria você mesmo...
-Sei disso. Salud! – e bebeu o uísque de uma vez. Afrodite bebeu seu xerez devagar. Shura limpou a boca com as costas da mão, tirou o copo da mão do outro e puxou-o de encontro ao corpo. Ficaram se olhando, os olhos azuis piscinas de Afrodite completamente assustados, os verdes de Shura escurecendo de desejo. "Rapaz! Eu poderia me apaixonar de verdade por este veado. Ele é un chico muy hermoso... quem sabe na próxima encarnação?" – Afrodite...
Sentiu os lábios carnudos se aproximarem dos seus. A um milímetro de se tocarem, a respiração morna já na boca de Shura, o corpo em seus braços amoleceu. Shura soltou o ar que estava prendendo.
-Foi por mucho pouco... Eu devia cobrar o dobro, se ele me beijasse.... – riu Shura. Colocou Afrodite em sua cama, retirando a roupa dele. Ajeitou o secretário da señora, cobriu-o e foi tomar um banho. Depois colocou uma samba-canção de seda e ajeitou os travesseiros para se manter sentado na cama. Puxou o jornal e esperou. Logo Nielle mandaria Shina chama-lo e o flagra forjado se daria... Ele ficaria com a grana e com a mulher, com certeza. Não sabia o que sua patroazinha ganharia com isso, mas pelo jeito, ia ser coisa grande...
N/A: Ufa! Quantas emoções num capítulo só... Agora a coisa piora... Calma, Andréia, que você e o Shiryu voltam no próximo capítulo... E a noiva chifrada agora, hein? E o que vai acontecer quando Penélope perceber que traiu o noivo com o cunhado?
