Diana estava sentada na penteadeira de seu quarto e ajeitava o penteado complicado que sua irmã havia feito para si. Na tiara feita com tranças do próprio cabelo havia fios de prata entrelaçados, o resto estava solto. A maquiagem era leve (comparado ao que ela costumava usar) e a roupa "decente". Usava um longo vestido rosa sem mangas e com decote nas costas. As jóias eram de prata incrustada de diamantes. Sandálias prateadas de salto e tiras amarradas aos tornozelos.
Levantou-se, se encaminhou para a saída. Porém, lembrou que havia esquecido algumas coisas. Voltou-se para a penteadeira e pegou sua bolsa e duas rosas vermelhas.
No pé da escada estavam Fred e George. Pôs as rosas em suas lapelas. De braços dados, se encaminharam para o jardim. Bancos de madeira, longos e confortáveis estavam a disposição dos convidados. Vários arranjos de flores de tons suaves estavam espalhados pelo jardim. Um perfume delicioso emanava de tudo.
Uma garota jovem, de seus dezessete anos, se encaminhou para Diana.
-Ai, meu Merlin. Não vai ficar tudo pronto a tempo, Di. Vai dar tudo errado...
Diana sorriu e tocou no braço da irmã mais velha.
-Vai dar tudo certo.-Murmurou, calma.
Era uma linda tarde de Maio. Uma Primavera exuberante havia sido o presente da natureza para os noivos.
Diana era a madrinha do noivo e Harry o padrinho. Mary, que havia organizado toda a festa, estava com um vestido azul celeste tomara-que-caia. Era relativamente longo, a barra do vestido ia até os pés, que estavam calçados de sandálias da mesma cor. Os cabelos, ainda cor de algodão, estavam presos em uma trança única e ela não usava maquiagem. Os únicos acessórios eram pulseiras e brincos de ouro branco com diamantes incrustados e, claro, o colar que nunca tirava.
Remus e os rapazes estavam vestidos "como pingüins" de diferentes cores. O noivo andava de um lado para o outro, como se quisesse abrir um buraco no chão e sumir. Harry tentava consolá-lo, sem sucesso, dizendo que todas as mulheres se atrasavam mesmo.
Mione ajeitava a lapela de Rony e ria, com o anel simples de noivado na mão direita. Fleur e Bill¹ estavam totalmente sorridentes. Ele brincando com a pequena barriga de três meses dela.
Tudo era amor e alegria. Sempre assim. Por mais que se perde, quão mais pessoas morrem, os humanos sempre acham algo para se apoiar e mascarar a sua dor. Pelo menos era esse o pensamento de Harry Potter ao ver Diana e Mary Black rindo de uma piada dos gêmeos Weasley.
Como é possível? Elas perderam a mãe, o pai, o irmão e ainda acham motivo para rir...
Pensava o rapaz.
Porém, teve seus pensamentos interrompidos com a chegada da noiva.
Naquele dia, Tonks usava um vestido amarelo, longos cabelos loiros bem claros e olhos castanhos. Alguns convidados gelaram.
Eu não acredito que ela fez isso...
Remus Lupin estava indignado com a conduta da noiva.
Todos estavam.
Mary sentiu uma pontada de tristeza no coração. Era a cópia idêntica de sua mãe. Diana abaixou a cabeça e se agarrou aos namorados, não queria que ninguém visse suas lágrimas.
Tonks chegou ao altar e viu os olhares que eram lançados para si. Não eram nada felizes. Olhou fixo para o juiz, porém sentiu os olhos marejarem. Sentiu-se envergonhada, adorava Corine, era, originalmente, para ser uma homenagem...Os cabelos foram mudando de cor até chegarem ao rosa e cachearam nas pontas. Os olhos aumentaram e ficaram negros.
Remus sorriu da infantilidade da noiva ao dar o braço para ela.
O clima de alegria havia voltado.
O juiz falava, falava...Todos estavam meio sonolentos, Diana conhecia aquela fala arrastada de algum lugar...Mas estava com sono demais para pensar nisso.
O juiz sorriu. Todos já estavam muito fracos.
Jogou o capuz que cobria o seu rosto para trás. Revelando uma basta cabeleira loura, olhos cinzas e o rosto fino de Lucius Malfoy.
Um grito se ouviu no meio dos convidados, Mione, que nascera trouxa, fora atacada por um feitiço.
-Mione!-Gritou o seu noivo, Ron.
Outro feitiço cortou o ar e foi a vez de Fleur cair, se contorcendo.
-Aaaah! Mon bébé!(Meu bebê!)-Gritava ela agarrando a própria barriga enquanto sangue escorria de suas pernas.
Se contorcia de dor. Bill correu para ajudá-la.
Bellatrix Lestrange apareceu com a varinha apontada para a loura e um sorriso sádico nos lábios. A morena recebeu um feitiço nas costas e caiu, por conta de uma outra loura.
-Odeio pessoas que matam crianças. Ainda mais se elas servem àquele que machucou a minha fantasminha.-Disse Diana entre dentes.
Todos duelavam. Aproveitando a distração provocada pelo ataque à festa, uma figura sombria se aproximou sorrateiramente de Diana e colou uma varinha em sua nuca.
-O que está fa...-Começou ela, indignada.
-Silêncio, pequena abelhinha...-Murmurou o homem em seu ouvido.-Não quero ter de ferir tão delicados traços...
Mal terminou de proferir a frase, um feitiço de cor roxa quase tocou seu rosto.
-NÃO TOQUE NA MINHA IRMÃ!-Gritou uma Mary enfurecida.
As lágrimas estavam quase caindo. Ela estava muito assustada, com muito medo. Já perdera tantas pessoas importantes para si, que não sabia o que ia fazer da vida se perdesse Diana também.
O homem sorriu.
-Se sua irmã vai sair ilesa dessa, ou não, é com você, pequenina.-Disse ele, olhando nos olhos de Mary.
-O que vocês querem de mim?-Perguntou-lhe.
Bellatrix, que havia se levantado, sorriu malévola.
-Você.
Mary gelou.
Abriu os olhos devagar, estava amarrada em uma cadeira forrada de veludo. Em sua frente, do outro lado da belíssima mesa de mogno, estava Tom Servoleo Riddle.
-Adeus, Mary.
Foram as palavras que ela ouviu-o proferir antes de um feitiço atingir em cheio o seu corpo.
Nota da Autora:
Eu sei, eu sei, está pequeno. Mas convenhamos, tem muita informação para assimilar, não?
Triste o aborto da Fleur, eu sei. Mas "No fim, tudo acaba bem. Se ainda não está bem, é porque ainda não chegou ao fim." Vamos acreditar nessa frase pessoal.
Beijos, Niia-Chan.
¹Bill -Gui, no original. Bill Will William, que corresponde a Guilhem (pronuncia-se algo perto de William) em francês. Ou seja, Guilherme, em português.
