Mãe, por que você está tão triste?
Mãe, por que eu estou sofrendo tanto?
Mãe, por que você escolheu o papai de novo?
Mãe, por que nós nunca fomos sua prioridade?
Mãe, por que eu nunca fui sua prioridade?
Mãe, você nunca me amou?
Mãe, todo esse medo que eu sinto, é só revolta por conta do papai,
ou é pesar que eu sinto por você ter sempre me visto como "a filha indesejada"?
Mãe, você sempre me viu como filha do vovô e da vovó e não como sua, não é?
Mãe, por que sua memória me atormenta até hoje?
Mãe, por que eu choro tanto antes de dormir?
Mãe por que eu não consigo amar?
Mãe...eu não quero nunca ser para ninguém a mãe que você foi para mim.
Diana chora diante do espelho novamente. Amaldiçoa seu passado por ele destruir seu presente.
Limpa as lágrimas e passa o lápis, vestindo a armadura arrogante outra vez.
Fred bate à porta do banheiro, todos querem se arrumar.
Diana sai, deslumbrante e beija os esposos. Sai para trabalhar.
No outro lado da cidade, Mary penteia os cabelos apressadamente, está atrasada. Se não se apressar, não chegará a tempo da entrevista para curandeira.
Sai do quarto enfiando os sapatos nos pés, quase tropeça em Dobby, elfo que foi contratado por ela.
-Senhorita, seu café da manhã...-Tenta ele.
-Como alguma coisa na rua, Dobs. Me deseje sorte!-Grita ela, já da porta.
-Boa sorte.-Murmura o elfo entrando no quarto para arrumá-lo.
-Então... você não tem experiência profissional...?-Concluía a velha encarquilhada sentada na cadeira.
-Não dá para eu ter experiência profissional se ninguém me contratar...-Mary tentou argumentar.
-...E sua família está profundamente envolvida com a Guerra?-Perguntou, cortante.
-Sim, senhora.-Respondeu Mary, com um suspiro cansado.
-Nós lhe mandaremos uma coruja caso tenhamos alguma novidade, querida.-Disse a velha com desprezo.
-Ainda por cima tem ligação com Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado...-Foi o que Mary ouviu a velha resmungar antes de fechar a porta.
Ajeitou o capote de forma melhor junto ao corpo, faziam 10º Celsius na rua e ainda era Julho.
"Efeitos do Aquecimento Global" diziam os trouxas. Mal sabiam eles que era culpa de Voldemort e seus maníacos seguidores.
Mary praguejava chutando pedrinhas na rua, quando tromba violentamente contra uma pessoa atulhada de papéis.
-Você está... Mary?!-Indaga a figura.
Mary ergue os olhos, massageando as costas que haviam batido contra o chão.
-Luna?!-Se espanta Mary.
As duas mulheres se encaram durante alguns minutos e explodem em uma gargalhada desenfreada.
Mary olha melhor para Luna e repara uma aliança dourada em sua mão esquerda.
-Você... se casou?-Pergunta, enquanto ajuda a outra a recolher os papéis que caíram.
Luna dá um sorriso.
-Você também. -Afirma ela.
Mary deixa cair todos os papéis e repara que havia saído sem luva. Enfia a mão no bolso, calça as luvas e se abaixa para recolher os papéis novamente.
-Por que ficou tão nervosa? Casou com o Rony, foi?-Pergunta Luna, brincando.
-Não gosto de tocar no assunto. -Diz Mary, desgostosa.
Depois disso, tenta se livrar de Luna o mais rápido o possível e corre para casa.
Haviam se passado três anos desde o "casamento" de Mary e ela ainda não havia conseguido remover a aliança do dedo.
Foi se curando do trauma aos poucos e apenas há pouco tempo conseguira sair na rua novamente.
Como ela freqüentou as aulas em Hogwarts para concluir o curso? Ninguém sabe. Não se aproximava de ninguém. Ainda mais homens. Qualquer um que se aproximasse dela, se esquivava e evitava o convívio.
Não conseguia sair na rua sem luvas, eram raros os lapsos em que se esquecia de colocá-las por um minuto apenas e era o bastante para atormentar o resto do seu dia. Remus ainda não a procurara para colocar tudo em pratos limpos. Isso era o suficiente para fazê-la odiar-se. Sentir-se impura.
Diana estava ocupada demais com a própria vida pessoal para ficar se preocupando com a irmã. As "Gemialidades Weasley" abrira várias filiais por todo o país e administrar isso era uma barra. Fred e George também não lhe davam sossego. Mal tinha tempo para cuidar de si mesma, coisa que sempre dedicara muito tempo de sua vida. Ficavam insistindo para terem filhos. Coisa que Diana não queria, ainda.
Uma pessoa bate à porta da Mansão do Largo Grimmauld. Dobby atende, meio agitado, manda Diana entrar. Ela pergunta por sua irmã e ele avisa-lhe que está trancada no quarto desde o dia anterior. Enquanto sobe as escadas, Diana cogita seriamente a hipótese de internar a irmã no Saint Mungus na ala psiquiátrica.
Bate suavemente na porta do quarto de Mary. Não obtém resposta. Entra assim mesmo.
Encontra o quarto todo desorganizado, coisas atiradas para todo o lado e Mary dormindo nua em uma cama sem forro ou lençóis. No chão, vários produtos de limpeza trouxas e uma escovinha de unhas suja de sangue. Olha para as mãos de Mary, estão em carne viva.
-Mary...-Chama.
Sem resposta. Encaminha-se para a cama da irmã e senta (com certo nojo) na ponta.
-Mary...-Chama novamente, relutando em tocar na irmã para acordá-la.
Mary nem se move. Diana pensa na possibilidade de ela ter tomado água sanitária e morrido.
-Dada a situação nem seria tão ruim assim.-Resmunga, entre dentes.
Diana bufa e grita:
-MARY!
A irmã acorda assustada, procurando a varinha para se defender de um possível ataque. Seria até engraçado, se a situação não fosse tão séria. Olha para todos os lados até que repara na irmã, que a encara, curiosa.
-Ah, Diana, é você...-Murmura, sem jeito.
Vai esfregar os olhos para espantar o sono, mas então nota o estado de suas mãos. Cora furiosamente e ergue o olhar para uma Diana que a encara, impassível. Desvia o olhar e se percebe nua. Olha para o quarto e sua expressão é de vergonha e frustração.
Começa a chorar.
Diana finalmente toma uma atitude. Mete a mão espalmada na face esquerda da irmã. Um barulho estalado ecoa por todo o quarto.
-O-o que você está fazendo...?-Pergunta, desapontada.
Diana a olha, fria.
-Não sou Remus John Lupin. Não estou aqui para te consolar, Mary. Não espere colo de mim nessa situação que não é o que você terá. Estou aqui para te dizer que tenho emprego para você e te oferecer ajuda para sair do fundo desse poço que você cavou.
-Obrigada Diana, muito obri...-Mary começa a chorar de felicidade.
-Não me agradeça. Não estou fazendo favor nenhum.-Diana retruca, fria e cortante.
Após dizer a proposta, Diana se retira do quarto a passos rápidos e desesperados.
Ao chegar na primeira esquina que vê, vomita todo o almoço. Escorrega pela parede do prédio trouxa e se encolhe, chorando.
Ela odeia aquela casa e odeia ainda mais ver a irmã naquela situação.
Não é de ferro.
Diana sente nova ânsia e põe tudo para fora.
-Ah não...Por favor não...-Murmura, desesperada.
A menstruação não vem já tem dois meses e tem tido, cada vez mais, ataques de vômito. Ela gostaria muito que fosse psicológico, todo o drama vivido. Mas sabe que é mentira. Seus seios estão enormes e sensíveis. Seus quadris se alargaram e tem estado muito emotiva. Se pegou chorando por uma abelha morta.
Ele virou mais um copo de firewhisky. Tudo para esquecer aquela dor horrorosa que dilacerava o seu peito. Será que fazia parte da maldição do lobisomem só se envolver em relações doentias?
Remus entrava no quarto de Corine, podia sentir que ela o chamava. Ela precisava dele, Sirius havia acabado de morrer, não era garantida a sua saúde mental.
-Corine...? –Ele chamou-a, hesitante.
Tinha medo e não sabia por que. O quarto estava em uma penumbra assustadora. Acendeu sua varinha. Teve de se apoiar na parede para não cair com a cena que via.
Snape estava parado, de pé, ao lado de sua amiga. O corpo dela jazia na cama, com uma paz que só os mortos possuem.
O homem de cabelos negros virou-se e encontrou o olhar com o homem de cabelos claros. Severus Snape mordeu o lábio inferior, hesitante.
-O que... o que você fez com ela? –Perguntou Remus, engolindo o bolo que se formava em sua garganta com determinação.
Ele nada respondeu. O silêncio se arrastou por segundos. Até que o ex-comensal decidiu quebrá-lo.
-Ela gostaria que vocês fizessem um túmulo simbólico para si e o Black.
E saiu. Deixando Remus sozinho, com as lágrimas silenciosas que escorriam pelo seu rosto. Se aproximou da pessoa que fora o seu último refúgio nestes anos todos.
-Corine... Corine... –Ele a chamava, sabendo que ela não ia responder.
Um soluço partiu seu peito. Chegou mais perto ainda do rosto sereno da sua amiga, da sua confidente, do seu porto seguro. Sentiu um cheiro de poção vindo de seus lábios, poção do morto - vivo.
-Você que escolheu isso...?-Perguntou-se, ao reparar que ela sorria.
-Você elegeu o Sirius de novo. Elegeu-o como sua prioridade. Acima de tudo, todos e até de seus filhos.
-Como prioridade acima de mim... –Ele resmungou, com a voz pastosa dos bêbados. –Tsc... Cale a boca, Remus, você nunca foi prioridade dela.
E jogou a garrafa na lareira, fazendo o fogo crescer momentaneamente.
-Você devia aprender a deixá-la ir. –Disse uma voz vinda da porta.
Remus olhou para a pessoa, não queria acreditar que ele estava ali.
-O que é, agora? Você, a Diana e os "não bem-vindos" estão conspirando para me encher o saco e me dar lições de moral? É isso, Severus? –O castanho resmungou.
Snape rolou os olhos, num gesto de impaciência.
-Você é um bêbado muito chato, Lupin. Tome um banho que conversamos depois. –Dizia o segundo homem enquanto o ajudava a subir as escadas.
Mais tarde deu-se início a uma conversa, entre um Remus melhor e envergonhado e um Severus irritado e sem paciência sentados em frente à lareira.
-Vou te contar a verdade, Lupin. Não pense que é por você. Mas as irmãs Black conseguem ser bem irritantes quando querem. E não temos muito tempo para crises pessoais. Estamos no meio de uma guerra, caso você não se lembre disso. –Começou o moreno.
-Eu estava passando pelo corredor da Mansão dos Black, após uma reunião, quando ouvi Corine me chamando. Ela me recebeu em seu quarto. Me contou uma história esquisita sobre a vida da mãe dela, sobre a própria vida. Chegou em um ponto que me deixou confuso. Todos no mundo temos um "duplo", um ser dentro de nós que é o oposto da nossa personalidade. Na linhagem das mulheres a qual ela e Mary pertencem, esse duplo é muito forte. Tem vida própria e pode tomar o corpo da pessoa às vezes. Ele e a "persona¹" dominante da pessoa tem de viver em constante equilíbrio, quando este acaba, a pessoa enlouquece. A sua parte mortal fica dividida entre os dois lados. Corine morreu no sexto ano em Hogwarts. Mas, como a sua missão na Terra era essencial, a sua parte mortal foi sacrificada e ela não poderia morrer. Tecnicamente.
Quando chegou a este ponto, ela me deu um sorriso doce e triste. Falou que as mulheres da linhagem dela tinham de escolher um único homem em suas vidas, uma vez escolhido, elas não amariam mais ninguém. Corine disse: "...o Sirius está morto. Eu estou morrendo por dentro, Severus, mas aos poucos e dolorosamente. Não conseguirei nunca me encontrar com ele. Quero dizer, dependendo da natureza e de mim, não."
E prosseguiu, me deixando em um beco sem saída: "Existe uma poção. Que você também conhece, a 'poção do morto – vivo. Eu não sou boa em fazer poções, nunca fui. Só conheço duas pessoas que o são o bastante de alterar a poção na medida certa para fazer meu corpo dormir para sempre e minha alma se separar dele. Minha filha Mary, que jamais concordaria com isso e você Severus. Você é bom, eu sei que é. Faça isso para mim. Eu lhe rogo. Acabe com o meu sofrimento. Me dê a libertação, não me condene à morte em vida."
Ao chegar nesse ponto da narrativa, o homem de cabelos negros, correu as mãos nervosamente por estes.
-Entende a situação que eu fiquei? Eu fiz a poção. Matei a Corine. Agora pode me odiar Lupin. –Disse Severus, suspirando pesadamente.
Remus cerrou as mãos.
-Por que está me contando isso? Por que eu preciso saber? –O castanho perguntou, se sentindo um lixo.
Corine estava ao seu lado, sofrendo o tempo todo e ele não percebera. Não pudera fazer nada. Nada.
-Antes que você comece a se martirizar e acreditar que é culpado de tudo, como vocês Griffindors tem o hábito de fazer, saiba que ela escolheu não ser "salva". A vida era uma tortura para si. Eu estou lhe contando isso, Lupin, para que você levante dessa poltrona e haja como o homem que foi escolhido como porto seguro por uma mulher que está precisando de um. Ou banque o Jesus Cristo e traga a salvação para o mundo se matando e condenando as pessoas que ama. Não faz parte da maldição dos lobisomens se envolverem em relações doentias. Faz parte das suas escolhas.
Concluído isso, Severus se retirou tão silenciosamente quanto entrou. Ter o peso de suas escolhas nas costas, sem escamotear para nada, pode machucar bastante e agora Remus John Lupin sabia disso.
Nota da Autora:
Olá pessoal!
Mais um capítulo de M.J na rede!
É o penúltimo T-T
Este explica um bocado sobre a Corine e a família, não?
Qualquer comentário, podem me adicionar no msn: niia666 hotmail .com
Estou disponível, viu?
Beijocas,
Miss Nii
Dicionário:
1- Persona: vem do latim, de "pessoa". Já vi, em textos, ser usado como "personalidade"
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