Mary estava deitada na cama, estudando uns produtos novos que Fred e George estavam inventando. Não conseguia entender direito quanto de sumo de salamandra se acrescentava a mais para dar o efeito desejado...
-Nisso que dá ficar enferrujada. –Resmungou.
Não estava completamente bem (ainda não se livrara das luvas), mas sua neurose reduzira consideravelmente. Rabiscou todo o pergaminho e voltou para as experiências. Agora o cabelo estava curtinho, pois ele crescia na cor natural então ela decidiu cortá-lo para não ficar parecendo mais maluca ainda.
Diana estava grávida com uma barriga imensa. Parecia que o surgimento de uma nova vida tinha o poder de tirar a tristeza das pessoas.
Ela desceu para checar os biscoitos. Naquela tarde Di iria à sua casa pegar os projetos dos produtos por isso tinha feito uma fornada muito grande. Se Diana já comia muito normalmente, quando grávida ela parecia um aspirador industrial.
Chegara ao cúmulo de, certa vez, comer 4 pizzas família sozinha e, de sobremesa, comer duas tortas de frutas vermelhas com cobertura de chantilly.
Enquanto punha os biscoitos em cima do fogão, ouviu baterem na porta. Como domingo era o dia de folga de Dobby, ela mesma foi atender de avental e tudo. Não esquecendo as medidas de segurança, carregava a varinha empunhada na mão. Abriu a porta de supetão, se assustando ao dar de cara com uma figura encapuzada à porta. Desabava um temporal do lado de fora. O ser envergava uma máscara branca.
-Boa tarde, Milady. –Ele sussurrou maldosamente.
Mary reconheceu naquela voz cruel o timbre de Rabastan Lestrange. Os olhos arregalaram de pavor, ela não queria voltar para lá nunca mais. Esquecendo de quem era e do uso da varinha, saiu correndo desesperada. Junto dos passos do odioso homem ela pôde ouvir os de outras pessoas. O que pensara, permanecendo ali? Era óbvio que, cedo ou tarde, iam descobri-la.
Subiu as escadas desesperada e tentando não fazer ruído.
-Maryzinha... cadê você? O Lord quer vê-la novamente, querida. Terminar o que começaram... Mary...?
Uma mulher apareceu no vão da escada.
-Ela está aqui! –Gritou, lançando um feitiço e errando por centímetros.
Eles se juntaram ao pé da escada e começaram a subir, Mary corria desesperada.
Não, por favor, não... Diana não chegue Diana. Se atrase, não venha, por favor. Por favor, alguém venha me salvar... Por...
Era mais rápida do que eles, entrou em seu quarto e trancou a porta. Podia ouvir a própria respiração acuada.
-Você não pode fugir! –Gritavam as vozes.
Com os olhos embotados de lágrimas, pôde visualizar o retrato do dia do casamento dos pais. Sua mãe estava linda, sorridente e seu pai também, com aquele jeito maroto dele que o acompanhara até o túmulo. Não pode impedir de rir à menção das lembranças no meio das lágrimas.
Olhar para sua mãe fê-la lembrar do fim de seu pai, de seu irmão Peter, que morrera em batalha, no fim de sua mãe, de Diana que estava grávida... Tudo aquilo foi assomando um ódio em seu peito, uma raiva incontida daquela situação, um desejo assassino. Mary deu um sorriso mau e apertou a varinha com força, talvez estivesse na hora de deixar o seu lado covarde de lado. Talvez estivesse na hora de parar de ser imbecil e provar para si mesma por que era uma Griffindor. Escancarou a porta. Eles tinham razão, não podia fugir. Mas podia lutar.
Ao avistar a Comensal que a denunciara virando o corredor, estuporou-a. Apenas com o intuito de sair viva dali, começou a correr em direção à saída. Rabastan surgiu de um corredor atrás de si e começou a lançar maldições contra ela. Uma delas atingiu seu pé, imobilizando a perna inteira e tornando-a mais lenta. Virou-se para ele com o rosto assustadoramente insano. Uma gargalhada maníaca partiu sua garganta e o chão onde o Comensal estava derreteu, prendendo-o ali até a metade da cintura.
Não precisava se preocupar com o pé, ele se curara da maldição miraculosamente. Às vezes tinha alguma vantagem ser anormal.
Desceu as escadas voada. Aparentemente os outros procuravam-na no segundo andar da casa.
Ao pisar do lado de fora, aparatou para a casa de Diana. Ela estava convenientemente protegida pelo feitiço Fidelis, então, Mary não precisava se preocupar com a eventual e desagradável aparição de Comensais ali.
Bateu na porta com força, mas ninguém respondeu. O peito foi tomado pelo medo, será que a tinham pego também? Como salvá-la? Como?
-Por favor, alguém me ajuda... Por favor... –Murmurou, enquanto continuava a bater com força com o punho na porta.
Tentou a maçaneta. Para a sua surpresa, a porta estava destrancada. Ali, havia sinais de luta em todos os cantos. Será que o fiel os traíra? Como, se o fiel era Fred?
Subiu a escada que dava para os quartos, rezando para não encontrar corpos. Ao abrir a porta do quarto de Diana, encontrou os lençóis ainda bagunçados, a escova de cabelos sem nenhum fio. O robe de chambre de Diana não estava ali, indicando que ela fora surpreendida pela manhã. Um arrepio percorreu a espinha de Mary ao pensar no estado em que sua irmã deveria estar.
Desesperada, escancarou o armário de roupas da irmã, esperando encontrá-la no fundo, choramingando, como ocorria quando eram crianças e Diana se assustava por qualquer motivo. Apenas encontrou suas roupas e o seu perfume de flor de laranjeira impregnando todo o local. Lágrimas escorreram pelo rosto.
Esquecendo-se de que ali não era mais seguro, permitiu que a dor tomasse conta de si por alguns instantes. Diana estava grávida. Diana era o último membro de sua família. Diana era a sua irmãzinha. Diana era sua melhor amiga. Diana era sua confidente. Diana sempre a apoiava. O que fazer sem ela? Como viver sem ela?
Apoiou-se na porta do armário e prensou a testa contra o frio vidro do espelho de corpo inteiro no qual ela imaginava que sua irmã, vaidosa como ela era, se mirava todos os dias.
Assustou-se ao perceber que a imagem não fizera o mesmo, ao contrário, a mirava com certa indignação. Afastou-se, mas quem se afastou foi a imagem. A mulher que se mirava ali cruzou os braços no peito e lamentou em um muxoxo.
-Você é a encarnação mais fraca que eu já vi em toda a minha existência. –Sentenciou.
Ainda surpresa como fora parar no espelho, Mary foi tentar falar. E percebeu que não era mais a imagem e sim a mulher.
-Como assim? –Perguntou, antes de sua consciência voltar ao espelho de um jeito estranho.
-Não faz nada, só fica se lamentando, reclamando, chorando. Todos morrem à sua volta e você só fica "ah meu deus, o que eu posso fazer? Eu sou só o ser mais poderoso de toda a humanidade e não posso derrotar o meu avô. Ah meu deus, como eu sou infeliz." Francamente! Eu achava que Ann era a pior de todas, mas você consegue ser pior ainda!
Mary fechou os olhos com força e sacudiu a cabeça, olhando para a imagem no espelho.
-Quem... quem é você? O que está acontecendo...? –Perguntou.
Dessa vez, a voz veio de dentro da sua cabeça.
-Eu sou você...
Você sabe como encontrá-la, Mary... Você tem o poder para isso. Você sabe como fazê-lo. Você sabe que pode derrotá-lo, que pode salvá-los...
-Como? –Perguntou para o vazio. A imagem já era apenas uma imagem e copiava seus movimentos.
Olhe para o seu coração...
Nisso a voz sumiu, deixando Mary sozinha novamente. Fechou os olhos, esperando encontrar alguma resposta milagrosa, sentir algum poder... Poder. Abriu os olhos de supetão, compreendendo o que tinha de fazer. Deu um sorriso e levou a mão ao seio, mais precisamente, ao coração de diamante que ficava sempre ali.
Encaminhou-se até a lareira do quarto e a acendeu com a varinha. Mirando as chamas, perguntou-se se teria coragem e capacidade para ousar tanto.
Diana tivera coragem para fazê-lo quando os papéis estavam invertidos. Mary tirou a luva da mão esquerda e, com a varinha na mão direita, murmurou um feitiço que transformou-a em uma faca. Fez um talho na mão e deixou o sangue escorrer sobre o fogo.
As chamas se avivaram como que alimentadas por aquele sangue mágico.
-Espíritos do fogo, eu os convoco. Me valho do elo que une todas as criaturas viventes e peço para encontrar a bruxa que atende pelo nome de Diana Weasley.
Mary sentiu o chão tremer e as labaredas criaram faces. Cruéis, elas sorriam e a voz que saiu de lá, parecia saída do fundo da terra e parecia que falava diretamente na cabeça de Mary, em seu coração.
-E o que nos oferta, mortal?
-Já ofertei meu sangue! –Gritou Mary, confusa.
A voz gargalhou e uma luz vermelha preencheu todo o cômodo, forçando-a a fechar os olhos. Quando os abriu, uma figura feminina com o seu rosto e formada pelas chamas, sorria para si, parada em frente a ela. Os pés, Mary pôde reparar, não tocavam o chão, mas o marcavam de cinzas. Os olhos eram brasas e sua respiração, uma fumaça negra de madeira queimada.
-O sangue é a oferta apenas para nos invocar, criança... Tua irmã nos ofereceu algo muito, muito interessante. Espero que a tua oferta seja de igual valor...
-O que... O que Diana ofereceu...? –Ela indagou, confusa.
A criatura sorriu malévola e bafejou no rosto de Mary, fazendo-a tossir.
-Isso você descobrirá em breve... –Murmurou, perigosa.
-O que você quer de mim...? –Sussurrou, amedrontada.
-Teu poder vem junto com uma maldição, um filho eu já tenho, tua alma é partida em mil e não nos pertence... Me diga, o que tendes a nos oferecer?
Involuntariamente, Mary levou a mão ao colar. O ser acompanhou o gesto e seu sorriso se abriu ainda mais.
-Acho que temos um trato, mortal. –Sentenciou e o colar sumiu, indo reaparecer no que seriam as mãos daquele ser.
-A relíquia ancestral de Rowena Ravenclaw... Seu verdadeiro legado... Seu coração está atado aqui mas... O que é isso...? –Murmurava, falando sozinha enquanto observava a pedra preciosa. –Sangue? A relíquia ancestral da humana que esteve mais perto de nós está maculada com sangue humano? Com o imundo sangue da sua ralé? E ainda abriga a alma de um Ser Impuro que deseja se tornar igual a nós? Como ousa ofertar-nos tal coisa, menina?! –Seu rosto foi se transformando e distorcendo conforme a raiva aumentava.
-Eu...eu não sabia... É sangue de minha avó... Ela foi Rowena em uma de suas encarnações... Assim como eu... –Murmurava Mary, tentando se explicar e temendo que o espírito pusesse fogo na casa com ela dentro, inclusive.
-O sangue é até perdoável, mas essa alma nojenta? Como ela veio parar aqui?! –Indignou-se a criatura.
Um ser feito de fogo, uma figura andrógina, pulou da lareira para o lado dela. Era incomparavelmente menor e não tinha toda sua majestade, mas ainda era igualmente mau.
-Se me permite, Senhora, creio que Ele a colocou aí sem a humana saber. Esse ser maculou as relíquias de Slytherin e Huflepuff também. Considerando que a "última Rowena" foi a companheira Dele não é de todo improvável que Ele tenha feito tal coisa.
A mulher feita de fogo olhou para o ser menor e deu um sorriso que poderia ser considerado quase gentil não fosse a aura de maldade que emanava dela. O ser fez uma reverência profunda e pulou novamente em um mortal para a lareira.
A figura majestosa colocou a outra "mão" sobre o colar e fechou os olhos por alguns segundos. Quando abriu-os e retirou-a, uma esfera ligeiramente esverdeada flutuava ao lado de uma outra esfera, azulada. Com um aceno, o ser explodiu a esfera esverdeada e tentou capturar a azulada. Esta última, escapando de seu controle, sumiu no ar.
Mary piscou algumas vezes sem entender e olhou para o ser que sorria quase humanamente. Ela fechou a mão onde repousava o colar e este foi aparecer novamente em seu colo.
-Mas o que...? –Começou Mary.
-Interessante, muito interessante... Acho que teremos uma reviravolta nos fatos, não? –Indagou-se a criatura, mais para si do que para os outros presentes. –Fique com o colar. –Decretou, já se desfazendo.
-O quê?! Mas e o nosso trato?! –Gritou Mary para ela, sem entender nada.
Enquanto o rosto se desfazia, ela pronunciou uma última frase:
-Você já sabe como encontrá-la...
E sumiu, deixando uma solitária Mary com mais frio do que ela jamais lembrara de ter sentido em toda sua vida. Estranhamente, a criatura tinha razão. Mary tinha a impressão de ter o poder para encontrar a irmã. Fechou os olhos e se concentrou.
As imagens vieram primeiramente difusas, mas depois foram clareando.
Diana estava amarrada a uma cadeira. Fred e George estavam desaparecidos. Ela não tinha a menor idéia de qual seria o seu fim.
Voldemort estava perto, observando-a com curiosidade, como se ela fosse um objeto em exposição.
-'Tá olhando o que, nunca viu não? –Rosnou ela, arisca.
Ele riu e se aproximou dela, sua vontade era se encolher, mas seu orgulho não permitia. Diana encheu o peito e se inflou numa vã tentativa de parecer intimidadora.
-Você, definitivamente, tem potencial garota. Posso ler isso em seus olhos... –Ele sussurrou, próximo dela.
Se ela soubesse desde sempre como seus olhos eram odiosamente parecidos, teria desejado nunca tê-lo encontrado. Nunca em sua vida odiou tanto a semelhança como agora. Enquanto Mary herdara os delicados traços de Ann e Peter os fortes traços vigorosos do pai deles, Diana era uma Riddle sem tirar nem pôr exceto pela cor do cabelo.
Ela mordeu o lábio inferior com força. A cor do cabelo... Se alguém soubesse além de Ginny, que descobrira por acidente, que o seu cabelo escurecera com a idade, ela não suportaria.
Diana tinha os cabelos originalmente loiros quando criança, mas foi crescendo e eles foram escurecendo a ponto de ficarem de um tom castanho facilmente confundível com o negro. Diana usava magia em seus pêlos para aloirá-los. Nem Fred e George sabiam da verdade.
-Diana. –Resmungou. Voldemort ergueu uma sobrancelha, intrigado. –Não sou uma garotinha e meu nome é Diana.
-Diana... –Ele murmurou, deixando o nome escorrer pela língua. –O nome da deusa guerreira caçadora, protetora da vida selvagem, impossível de ser domesticada... É... sua mãe sabia escolher nomes... E então, Diana, está disposta a inteirar as fileiras dos Comensais da Morte? Tenho certeza de que os outros perdoarão o seu ato falho de retardamento a se juntar ao lado vencedor e, quanto a esse filho de traidores do sangue que carrega em seu ventre, tenho certeza de que ele pode ser educado para se tornar um bom guerreiro... Ele, eu e você, juntos pela dominação mundial. Pela subjugação de todos aqueles que nos humilharam e desprezaram em toda nossa vida. Peter, a pedra sem sentimentos quando se tratava de qualquer outra pessoa que não Mary; ela, a sonsa que manipulava todos a seu favor, sempre obscurecendo o seu imenso brilho; todos que pisaram em você a vida inteira vão se arrepender, Diana. Todos eles. Vão se arrepender e idolatrar a sua beleza como ela deve ser idolatrada. –Voldemort prosseguiu, tentador.
Diana fez uma cara de quem considerava a sua proposta e então sorriu, tão malévola quanto ele.
-Quer saber? Eu aceito a sua proposta. Aceito me tornar sua serva, sua mais competente serva. Tenho informações muito valiosas comigo. Eu e meu filho seremos seus aliados mais dedicados, Milord. Mas agora, poderia tirar essas cordas daqui e me arranjar uma varinha para que possamos provar nossa competência?
Voldemort sorriu e se afastou. Fez um aceno com a própria varinha e a dela apareceu em sua mão.
-Diana Black, porque Weasley é um nome sujo, não é, Milord? –Perguntou, se curvando.
Voldemort assentiu com a cabeça, sentindo-se vitorioso.
-Pisar e destruir todos aqueles imbecis pretensiosos que tentaram me usar, humilhar e manipular... É um ideal muito bom, não concorda Vovô? –Indagou, sorrindo malévola.
Compreendendo em um lampejo, Voldemort se virou para ela e encontrou a varinha apontada diretamente para seu peito.
-Você não pode me matar... –Ele murmurou, ainda sentindo-se dominante na situação.
Diana deu uma gargalhada fria e maníaca.
-Mas eu não preciso, Vovô. Só preciso te torturar até que a minha irmã e o Pottinho cheguem. Sabe, você é muito, muito arrogante em considerar que todos caem na sua lábia. Ainda mais um descendente seu. Ainda mais um alguém igual a você. Que usou dessa lábia a vida inteira para conseguir tudo o que queria. Um alguém que usa uma máscara todos os dias da sua vida. Um alguém como eu, que vive uma vida falsa e amarga. Você é um idiota, Voldemort, em considerar que eu ia me juntar a você. Não foi nem esperto o bastante para me oferecer um cargo de poder, tipo ser o seu "braço direito". Nós dois sabemos que você só me queria como sua serviçal para ferir a minha irmã. E você devia saber que eu não sou uma idiota tão idiota quanto os idiotas que você está acostumado a lidar. –Elucidou Diana, amarga.
Um grande tremor abalou a casa inteira e ruídos de luta fizeram-se ouvir no andar inferior. Por um único segundo Diana se distraiu e foi o bastante para Voldemort estuporá-la.
-E você, garotinha, foi estúpida o bastante para não me desarmar quando teve a oportunidade. –Comentou com desprezo, depositando o corpo em uma cadeira.
Não sabia se matava-a ou não. Se a matasse, Mary ficaria tão enlouquecida pela dor que a esperança de conseguir o seu poder novamente se tornaria uma utopia. Decidiu-se por não matá-la. Lançou alguns feitiços na porta que impediriam qualquer um que não tivesse seu sangue de entrar. Ouviu um ruído vindo da direção de Diana e se surpreendeu ao ver que ela se contorcia de dor. Fraca e sem magia, os cabelos retornavam à cor original fazendo-a ficar muito parecida com...
Um estampido forte arremessou a porta longe e Mary Black, acompanhada por Harry Potter e a Ordem da Fênix, adentrou a sala.
Tão logo a moça de curtos cabelos pôs os olhos na irmã, uma fúria sem igual tomou conta de si.
-Ah não! Você não vai matar mais ninguém! Nunca mais! –Gritou, lançando uma saraivada de feitiços na direção do Lord das Trevas.
Ele estava sozinho agora, seus Comensais mais competentes estavam presos ou mortos. Bellatrix havia se suicidado ante a perspectiva de retornar à Azkaban.
A luta deu-se início e diversos membros da Ordem, incluindo Mary e Harry, lutavam contra Voldemort com bravura. A moça se perguntava o porquê de, curiosamente, o poder não se manifestar nela como nas outras encarnações de Rowena Ravenclaw.
Ao olhar para Diana, ela compreendeu o que já devia ter sido compreendido havia muito tempo. Aparentemente, Voldemort compreendera também. Isso explicaria o porquê de Diana ainda estar viva. Um segundo de distração foi o bastante para um feitiço atingir Mary no peito. Sem emitir nenhum som, olhou para baixo e viu um buraco imenso na camisa, mas nenhum ferimento e não sentia dor...
Diana começou a gritar. Urrava horrivelmente levando a mão ao tórax como se uma força horrível a tivesse atingido. Mary virou a cabeça rápido o bastante para o pescoço estalar assim como todos os outros naquela sala.
Ela sangrava loucamente, em seu peito havia um enorme buraco, que devia estar em Mary.
A irmã mais velha correu em sua direção e abraçou-a, beijando sua testa. Seus corpos começaram a emanar uma luz muito forte conforme o ferimento fechava-se sob as mãos que Diana e Mary colocaram ali.
Voldemort compreendeu que aquela era a sua última chance de destruí-las. Estendeu sua varinha e gritou.
-AVADA KEDRAVRA!
Os outros presentes na sala tiveram de cobrir com as mãos os olhos para não serem cegados pela luz ainda mais intensa que se fez quando o feitiço de Voldemort foi absorvido pelas irmãs.
Os olhos castanhos e os olhos azuis miraram o homem uma última vez com um sentimento que não era ódio, senão pena, antes dos três corpos caírem no chão desmaiados.
Estavam em um lugar meio enevoado, lembrava quase a imagem que Diana fazia de Avalon.
Mary estava com ela, estavam mais juntas do que nunca, porque eram uma só. Como sempre deveriam ter sido.
Sorriu.
Duas mulheres como elas vieram até si com sorrisos nos rostos. Deram-se as mãos, a energia fluía por elas como por um só corpo.
No centro da roda formada por elas surgiu um menininho de cabelos negros e olhos grandes e assustados.
Elas começaram a entoar uma antiga canção enquanto giravam a roda. E giravam, e giravam. Mais rápido, mais rápido. Confundiram-se e viraram uma só.
Pararam.
Três vozes dissonantes ecoavam na cabeça.
Devemos matá-lo?
Nós o amamos.
Não podemos amá-lo.
O que fazer?
Separaram-se novamente e uma das três aproximou-se da criança e tocou seu rosto. Ela sorriu.
-Eu sempre te amei... –Sussurrou.
O garotinho começou a chorar.
-Ninguém nunca me ensinou o que é amor...
Ela sorriu e limpou suas lágrimas com carinho.
-Eu ensino. Vem comigo, eu te escolhi.
E sumiram na bruma.
A mulher se dividiu em três.
-Para que o Passado possa passar...
-...o Presente se transformar em Futuro...
-..e o Futuro ser um lugar de sonhos outra vez...
-...o Eixo deve morrer.
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