Mary acordou em sua cama. Ainda achava que tudo não passara de um sonho.
Era estranhamente bom ser normal. Bom, quase, ainda tinha a ofidioglossia hereditária.
Assim como Carlo, Hellen, Juliet, Edward e Alice.
O menininho de cinco anos sentou-se em sua cama.
-Mãe? Mãe, você já acordou? –Perguntou, enquanto sacudia-lhe o ombro.
Mary sorriu e acariciou o rosto dele, nunca pensara que poderia ser tão feliz.
-Já, meu anjo.
Carlo torceu o nariz.
-Mamãe, a titia Diana, os titios e aquele monte de filhos dele tão aí. Papai tá enlouquecido tentando fazer comida para eles. Mas você sabe que ele não sabe cozinhar, né? Já serviu um suflê murcho para a titia, que ficou se queixando de "por que não vamos a um restaurante, queridos?" Mãe, salva o meu aniversário...
Mary se levantou de um salto, tinha esquecido completamente. Começou a se arrumar às pressas, se não, Remus poderia colocar fogo na cozinha.
-Você esqueceu, não esqueceu, mamãe? –Resmungou o menininho de cabelos negros e olhos castanhos.
-Que bobagem, Carlo. É claro que eu nunca esqueceria uma data tão importante como...
Mary se interrompeu ante o olhar incriminador de Carlo.
-Mamãe, é muito feio mentir. A senhora mesmo que diz.
-Tudo bem querido, eu esqueci. Mas não foi de propósito, agora, eu preciso ir lá na cozinha...
-Mãe... Você esqueceu de tirar as calças do pijama.
Carlo sentia vergonha das trapalhadas de seus pais. Ele tinha cinco anos e sabia muito bem se vestir sozinho. Externalizou este pensamento.
-É porque você é muito inteligente, querido. Mamãe e papai são avoados. –Foi a única resposta que recebeu.
Adultos, quem ia entendê-los?
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