Hocus Pocus
Sinopse: 'É realmente incrível como algumas pessoas ainda acreditam que bruxas voam pela noite montadas em vassouras...'
Disclaimer: Naruto não me pertence, e qualquer acéfalo no mundo é capaz de saber disso. U.u'
Agradecimentos: Sra. Black - ou Hyuuga Aoi - a minha beta querida! 8D
Capítulo 2 – Indesejado.
A loira deitada preguiçosamente por sobre a escrivaninha abriu os olhos vagarosamente, os resquícios de bebida fazendo-a sentir-se um pouco tonta, mas não era como se ela já não estivesse acostumada com aquela sensação. Deu uma olhada rápida no local; completa desordem. Definitivamente, morar sozinha por tantos anos não estava fazendo bem a ela.
Levantou-se, tentando abrir caminho pelas pilhas de livros e pergaminhos amontoados de qualquer jeito pelo aposento. Encontrou a porta com certa dificuldade e a abriu. O ar gelado de inverno atingiu-lhe em cheio o rosto, provocando calafrios por todo seu corpo mal-agasalhado.
Praguejando em alto e bom som, ela pô-se a caminhar sobre a fina camada de neve que começava a se formar, os braços apertados contra o corpo para tentar reter o máximo de calor, coisa que não estava surtindo grande efeito. Com mais lentidão do que o normal, ela finalmente chegou onde queria. Exatamente no meio de uma plantação de abóboras.
A neve cobria parcialmente os vegetais, deixando claro que eles não poderiam ser aproveitados, mas ela não estava realmente interessada nas abóboras, aliás, elas eram meramente uma fachada. Tsunade levantou os olhos para o espantalho suspenso a alguns palmos do chão, ao contrário do restante da plantação ele permanecia intocado, nenhum único floco branco repousava em seu corpo de palha.
- Ora de acordar, você não acha? – ela falou, sorrindo para ele enquanto tirava o colar do pescoço e amarrava-o ao do boneco. A pedra azul turquesa emitiu um brilho fraco assim que tocou o espantalho. Rapidamente, ela observou a uma estranha metamorfose.
As mãos e pés que antes não passavam de pedaços de gravetos, cresciam e tomavam forma de membros humanos; olhos de botão e boca costurada ganhavam cores de dentes; cabelo de palha tornava-se sedoso e macio. Logo não era mais um espantalho, e sim um garoto de aparentemente dezessete anos, loiro e de orbes azuis.
- Tsunade baa-chan! – ele exclamou alegremente, enquanto se despregava da estaca presa ao chão. A loira riu, ele continuava exatamente igual, irritantemente alegre.
- É bom te ver também, Naruto. – ela sorriu, para logo depois mudar seu tom de voz, mostrando-se aborrecida. – E não me chama de 'baa-chan', gaki. – A loira recebeu um olhar contrariado dele, mas milagrosamente não houve qualquer contestamento.
- Nee, há quanto tempo eu estou dormindo? – ele perguntou cauteloso, a voz exalando preocupação.
- Cinqüenta anos, eu acho. – ela suspirou. – Não presto mais muita atenção nos anos, mas deve ser isso mesmo. – Ele pareceu espantado com a informação, e ela esperou que ele ao menos se recuperasse um pouco para continuar a falar. – E eu tenho uma missão para você, uma muito importante. – completou, tomando o cuidado para enfatizar as palavras certas.
- Missão? – repetiu, os orbes safira cintilando de satisfação.
- É, preciso que você tome conta daqui enquanto eu estiver fora. – falou calmamente, embora estivesse ocupada com certos assuntos.
- Algum problema? – o loiro perguntou sério, qualquer tom de brincadeira totalmente desaparecido de sua voz.
- A vassoura caiu. (1) – ela respondeu, dando claros sinais de que a conversa não tomava um rumo que ela considerasse agradável. – Então cuide de tudo, e nem pense em deixar aquele amaldiçoado chegar perto da vela! – ela instruiu de forma enérgica, apenas para sorrir amigavelmente depois. – Nos vemos em breve.
Imediatamente todo seu corpo começou a tomar uma forma translúcida, até que não restasse nada além dos leves contornos de sua face, os quais também desapareceram da visão do loiro com a mesma rapidez.
Ele abriu os olhos lentamente, milhares de pontinhos luminosos dançavam a sua frente e ele ainda sentia uma dor latejante atrás da cabeça. A porta de madeira abriu-se com um rangido alto e os orbes negros moveram-se naquela direção, encontrando certa dificuldade para focalizar a imagem da garota de cabelos rosa que entrava cautelosamente no quarto.
- Oh, te acordei não foi? – ela perguntou, sobressalta ao perceber aquele par de olhos lhe encarando. Ele meramente concordou com um aceno de cabeça, coisa que provocou uma leve pontada de dor, mas sua face não demonstrou qualquer indício disso.
- Trouxe um chá de ervas. – ela continuou, enquanto depositava um copo com uma solução fumegante na mesa de cabeceira. – O gosto não é muito bom, mas vai ajudar. – sorriu, torcendo para que estivesse agindo do melhor modo possível. Ela podia ser uma especialista em cura, mas definitivamente nunca conseguia perceber quando excedia o limite de cuidados com alguém.
Ele estendeu lentamente a mão até o copo, mirando com desconfiança o conteúdo antes de levá-lo aos lábios. Ela suspirou aliviada, tinha plena certeza de que se fosse Deidara quem estivesse doente e de cama, ela teria muito mais trabalho para fazê-lo tomar a poção. Ele não disse nada quando lhe entregou o recipiente vazio, e Sakura começava a ficar preocupada com essa falta de palavras. O silêncio de Itachi a incomodava, muito mais do que o constante falatório de Deidara.
- Ah, bem...será que posso perguntar o que aconteceu com você? – a voz era vacilante ao falar, e ela notou que apertava uma mão contra a outra involuntariamente. – Sabe, eu poderia fazer algo de mais útil para te ajudar se soubesse o que realmente aconteceu. – completou, temerosa diante da reação dele.
Mais uma vez ele não demonstrou qualquer emoção, o rosto continuava impassível. Aliás, Sakura se perguntava se ele sequer a tinha ouvido, mas quando os olhos negros cravaram-se nos verdes dela, cheios de algo que a jovem não soube identificar o que era – mas que mesmo assim fazia com que tremores tomassem conta de seus braços e pernas – ela soube que ele havia prestado atenção em cada palavra que ela dissera. E que ela escolhera exatamente a pior pergunta para se fazer.
- Já fez o suficiente, Sakura. – a voz calma e tranqüilizante fez com que ela aos poucos relaxasse, parecia que a própria atmosfera do quarto mudara para uma mais quente e acolhedora. – E mesmo que soubesse, não seria capaz de me ajudar. – a indiferença presente no tom a fez piscar, confusa. O esperado de uma pessoa doente era que buscasse uma cura e recuperar a saúde o mais rápido possível, mas Itachi não dava mostrar de se importar com nada, talvez nem consigo mesmo.
- A-ah, tudo bem, então. – ela gaguejou em resposta. Tomada de uma súbita vontade de sair de lá o mais rápido possível. – Se precisar de mim, é só chamar. – murmurou, e sem esperar uma confirmação dele, saiu do quarto o mais rápido que seus pés lhe permitiam.
Yamanaka Ino sorriu alegremente ao encarar o reflexo no espelho. Ela sim, não tinha o menor problema em admitir que possuía certas tendências narcisistas. Um pouco de vaidade não faz mal a ninguém, não é? Ela costumava dizer para si mesma, enquanto penteava as madeixas loiras diante do espelho. Mas ela não faria isso hoje – embora a idéia a agradasse – tinha assuntos a resolver, os quais ela poderia rotular como de extrema urgência.
Rolou os olhos, detestava usar aquele dom, mas certas coisas tinham que ser feitas e ela não via outro modo a não ser aquele, mesmo que este não fosse em nada do seu agrado. Procurou concentrar-se, mantendo isolado qualquer tipo de pensamento que não fosse parte do que pretendia fazer.
Uma vez concentrada, ela esticou a mão adornada de anéis para tocar de leve no vidro frio do espelho. Um pequeno choque passou por seu corpo, ela estremeceu e abrir os olhos – os quais nem se lembrava de ter fechado – para encarar a superfície refletora. Mas não foi sua própria imagem que encontrou.
Do outro lado do espelho uma garota de cabelos cor de areia presos em quatro marias-chiquinhas e íris esverdeadas sorria presunçosa para ela. Ino suspirou, ainda não perdera a prática, afinal.
- Pensei que você não usasse mais esses velhos truques. – a garota comentou, a voz com uma pontada de sarcasmo que fez com que a loira sorrisse de lado.
- Tempos difíceis requerem medidas drásticas, não acha Temari-san? – respondeu do modo mais tranqüilo que pode, mas a situação em si a deixava incomodada.
- Isso depende. – a outra tinha a expressão pensativa. – Você considera este um tempo difícil? – ela devolveu a pergunta de Ino, a voz, assim como o olhar, demonstrando clara dúvida.
- Talvez. – mordeu o lábio inferior de leve, os orbes azuis movendo-se para o lado oposto da tenda, para a mesa onde estavam suas cartas de Tarô. – Tenho o pressentimento de que algo não vai bem, mas eu nunca fui muito boa para premonições, então...
- ...pensou que eu pudesse responder isso. – Temari completou, recebendo um aceno positivo da outra. – É, eu realmente posso. – ela sorriu, ao que parecia, satisfeita com as próprias habilidades. – Mas devo dizer que você não irá gostar da resposta. – A seriedade na voz dela apenas fez com que as suspeitas de Ino subissem para um nível maior.
- Seja o que for, me diga. – ela bufou, irritada. – eu não sou mais uma criança.
- E ainda assim age como se fosse uma. – rebateu, rindo com gosto, para logo depois voltar ao tom sério que o assunto exigia. – Bem, então lá vamos nós...
...Ino nunca esteve tão certa de que não gostaria de ser informada em sua vida. E estava igualmente certa de que passaria longas noites acordada até digerir totalmente aquela informação.
(1) – Quem já assistiu 'Da magia à sedução' sabe do que eu estou falando x3. Quando a Tsunade diz que 'a vassoura caiu' quer dizer que alguém indesejado está por vir.
N/A: Capítulo mais curtinho, mas espero que gostem. Os casais já estão definidos, serão revelados ao longo da história, e eu agradeço a quem enviou sugestões x3. Enfim, aulas estão voltando --' então vou tentar atualizar isso aqui de 15 em 15 dias.
Reviews
Nihal elphic: O título é latim mesmo, 'Hocus Pocus' é o nome de um encantamento utilizado por mágicos do séc. XVII, mas o seu significado não é muito certo, considera-se que venha do galês 'hocea pwca' ( o truque do pwca). Bem, quanto aos casais eu só posso dizer que não vai ter sasuhina, então não se preocupe :P.
Nana-chan: Obrigada! Realmente eu não sou nem um pouco fã deles, mas respeito quem gosta. E para a felicidade geral não terá sasuhina e o Naruto já apareceu \o. E eu concordo com você quanto ao OOC, tem gente que exagera em cenas melosas demais e o personagem fica descaracterizado, mas não se preocupe, isso não vai acontecer aqui x3.
Alessandra: Ah, infelizmente não terá gaasaku, para mim é um casal já bastante explorado :x. E sem sasuhina, eu também acho que eles não combinam em nada, é totalmente sem sal haushu³. Enfim, Naruto apareceu! o/
Aline Agatha: Obrigada, é bem difícil mesmo agradar a todo mundo, mas a história não será totalmente voltada para os casais, então espero que você goste :3.
Hyuuga Aoi: Obrigaada! 8D. Que bom que você gostou dos personagens, eu procuro manter eles o mais longe possível de virarem OOC xP. E menina, como você adivinhou que estava nos meus planos deixar o Neji sozinho? O.o
