Palavra usadas: 030. Erro; 076. Pecado; 099. Vitória
I need this
Por B. Wendy Witch
You tell me that you love me
But you never wanna see me again
"Eu te amo, Ginny. Mas não posso ficar com você."
Quando ele disse isso, eu não aguentei. Foi como a confirmação de todas as minhas dúvidas sobre o "amor" dele. Era simplesmente sexo. Só isso. E como ele ainda ousava dizer que me amava?
"Você diz que me ama, mas você nunca mais quer me ver de novo."
Ele murmurou um "me desculpe". Me desculpe. Ah, claro. E então eu iria beijá-lo, ia perguntar se ele não queria transar pela última vez e depois ele ia me trazer para aquele mesmo bar ridículo, do qual eu já estava enjoada. É tão simples pedir desculpas, não?
Eu fui burra. Essa era a conclusão que eu finalmente havia tomado. Olhei para o anel dourado em meu dedo e tomei coragem para lhe dar o último beijo. De leve, apenas para sentir pela última vez aquele gosto amargo de cigarro e bebida que seus lábios tinham.
Levantei e saí a passos rápidos, tropeçando em meus próprios pés e empurrando as pessoas. Passei pela porta do bar e um segurança me olhou desconfiado. Não me importei. Sentei na calçada, o vestido vermelho novo ficando sujo e se desfiando. Nada importava.
Sentia que tinha chegado ao fundo do poço. Na frente de um bar, sentada na calçada, vestida naquela roupa vulgar só para agradá-lo e chorando. Imaginava o que as pessoas – apesar de poucas – que passavam na rua pensavam de mim. Provavelmente pensavam que era uma prostituta que havia sido abusada, extorquida e abandonada. Não deixava de ser, na verdade.
Malfoy me usara, enquanto eu só queria agradá-lo, levara uma parte de mim com ele, a minha dignidade e me abandonara. Ele me fez a prostituta que as pessoas imaginavam, realmente.
Não sei o que me machucava mais. Saber que ele havia me enganado, que não me amava como dizia, que eu era apenas aquela que ele usava nas noites em que não tinha ninguém para transar ou o fato de que eu nunca mais o veria de novo. Nunca mais. Isso doía.
Com certeza fora um erro apaixonar-se por ele. No começo eu queria apenas sexo, como ele. Não que eu e Harry não transássemos, mas com ele era diferente. Com meu noivo era tudo com tanto sentimento, tudo tão certo, que não tinha muita graça. Já com Draco eu sentia a adrenalina de estar com alguém que eu devia odiar, e a loucura de estar traindo Harry. Era tudo mais emocionante com o perigo.
Agora já não é mais erro, na verdade. É pecado. Porque erro é o nome que se dá àquilo que se faz para ser feliz, sem se importar com as consequências. Pecado é o nome que damos aos erros quando eles não dão certo e nos fazem sofrer. É um pouco complicado, mas sempre funcionou comigo. O que era erro quando eu estava feliz e tudo era bom agora era pecado. E no final sempre se sofre.
As lágrimas agora estavam secas em meu rosto, e eu levantei. Tinha apenas um destino na mente. Caminhei quase perdida por vários minutos, sem ter medo do que poderia encontrar nas ruas escuras por que passava. Eu não tinha nada a perder, na verdade.
Depois de meia hora, talvez mais, talvez menos, não me lembro ao certo, cheguei e me anunciei ao porteiro. Ele falou pelo interfone com Harry e me mandou subir. O apartamento do meu noivo ficava no quarto andar.
No elevador, eu me olhei no espelho. Estava com um aspecto horrível. Era de se esperar, afinal. Meu vestido estava imundo e rasgado em algumas partes, e minha maquiagem estava completamente borrada, descendo em linhas pretas por meu rosto, o lápis preto misturado às lágrimas. Não importava, como nada mais importava.
Quando o elevador chegou ao quarto andar, meus pés me levaram até o apartamento de Harry sem mesmo que eu pensasse. Acho que se não fosse isso, talvez eu sequer lembrasse onde ele morava. Bati à porta duas vezes, de leve, com certeza Harry já estava na sala, me esperando. Ele abriu-a rapidamente.
"O que aconteceu?" ele me perguntou ao me ver, com uma expressão assustada. Realmente minha aparência não estava nada agradável. Eu não disse nada, e por alguns segundos permaneci olhando fixamente nos olhos dele. Ele me olhou de volta, e eu passei meus braços por seu pescoço, o abraçando involuntariamente. As lágrimas voltaram a rolar por meu rosto e eu estava chorando alto, sem perceber. Ele passava as mãos por minhas costas carinhosamente, na tentativa de me confortar. Mas não era o suficiente.
"Está tudo bem, Ginny. Está tudo bem. Me diga o que aconteceu" ele falou ao meu ouvido, sua voz doce me fez sentir ainda mais culpada, e eu chorei mais alto, quase me engasgando com os soluços.
"Me perdoa" eu disse, olhando em seus olhos preocupados.
"Por quê, Ginny? O que aconteceu, me explique!" Harry ficava cada vez mais nervoso. Eu respirei fundo, tentando tomando coragem para falar. "Por favor" ele pediu. Eu tinha que falar.
"Eu... Malfoy..." fiz uma pausa, soluçando mais "nós dois, Harry..." eu encostei a cabeça em seu ombro novamente e respirei fundo. "Nós estávamos nos encontrando".
Eu me surpreendi quando percebi que ele ainda acariciava minhas costas, e estava com a cabeça pousada sobre a minha. E foi com a voz calma e ainda doce que ele falou "acalme-se".
Ele me levou até o sofá e sentou-se ao meu lado. Eu não estava entendendo nada. Será que ele tinha entendido o que eu lhe dissera? Me sentia cada vez pior ao vê-lo entando me acalmar, me acariciando. Até que não suportei e gritei "HARRY, ESTOU DIZENDO QUE EU ESTIVE COM MALFOY! NÓS TRANSAMOS!" chorava mais compulsivamente agora, depois de ter gritado aquilo e me soltado dele.
"Eu sei" ele disse, calmo. "Mas você sabe que me ama".
Então ele me abraçou com força, me beijando com desejo, passava suas mãos pela minha cintura, e em poucos instantes já estava deitado sobre mim no sofá de sua casa. "E sabe que eu também te amo" ele sussurrou em meu ouvido, entre um beijo e outro. "Foda-se o Malfoy".
Eu estava assustada. Harry estava agindo de um modo estranho, como eu nunca esperava que ele reagisse a isso. "Você não está com raiva?" Ele parou de beijar minha orelha e olhou em meus olhos.
"É claro que estou" sua voz estava mais forte agora. "Mas não vou deixar que Malfoy acabe com tudo".
Não era assim a vitória? Não era passar por cima do que acontecia de ruim e se entregar a algo bom? Então porque eu não estava feliz, me sentindo bem por estar nos braços de meu noivo e não nos de Malfoy? Porque?
E, mesmo lutando para suportar tudo aquilo, o amor que eu não merecia de Harry, eu não consegui e o afastei. Ele me olhou surpreso e eu não chorei quando disse "Desculpe, Harry. Na verdade, eu não sei". E saí rápido, abrindo a porta e correndo para o elevador. Minha vida se resumiria a sair correndo de lugares, sempre machucada?
Não reparei em minha própria imagem no espelho. Quando me olhei, tudo o que vi foi uma sombra de Harry e de Draco. A sombra que eu havia me tornado. Cheguei a portaria e saí do prédio sem olhar para trás. Andei pelas ruas escuras mais uma vez, dessa vez sem rumo.
Sempre tentamos fugir de nossos medos, nossas tristezas, nossas fraquezas e de nossas próprias trevas. Mas não percebemos que precisamos delas tanto quanto precisamos das alegrias, da doçura e do amor. É uma troca. E sempre parece que oferecemos o que temos de bom e recebemos o contrário. Os opostos se atraem, afinal.
Quando me dei conta, estava de volta ao bar tão conhecido. Entrei e o segurança deu uma risadinha. Draco ainda estava ali. Queria encontrá-lo, mas não esperava que ele ainda estivesse ali. Fui até sua mesa e sem dizer nada, joguei meus braços em torno de seu pescoço e colei meu corpo ao dele, o beijando com intensidade. E ele correspondeu ao beijo, como sempre.
No final, sempre voltamos para as trevas, as tristezas e as fraquezas. E para a doçura. É a nossa vitória.
I need the darkness, the sweetness, the sadness, the weekness
Oh, I need this
N/A: Tá, tem H/G demais pro meu gosto também, mas fazer o que, né? Review!
