Capítulo 8 - Fugindo de Hilldalle
Já fazia quatro dias desde o encontro entre Potter e os guardiões com Karonte, Shire e Orion. T.J. e P-3OC continuavam na prisão e Hilldalle. Orion passou os dias desde o encontro mapeando e registrando todos os passos dos guardas. Agora praticavam alguns feitiços como Harry ensinava em suas mentes. O plano estava pronto. Só faltava colocá-lo em ação.
Durante a noite, Orion iria nocautear os guardas da entrada silenciosamente, enquanto Shire desativaria os alarmes e Karonte cobriria a retaguarda. Harry não se comunicou em sonho com os garotos nesses dias que se passaram. Mas tinham certeza que algo aconteceria. Em breve.
-Todos prontos? - perguntou Orion colocando as mochilas nas costas, no quarto do hotel. Shire dormira lá, no lugar de T.J. - Lembrem-se, eu sou o mais velho e conheço essa cidade.
Karonte abriu a boca para reclamar.
- Eu sei que você é herdeira de Potter e dos Peverell, blá blá blá. É a quinta vez que escuto isso. Mas não se esqueça que o sangue que corre em suas veias corre nas minhas. Vamos embora.
A noite estava clara. Sem sinais de tempestades. Resolveram ir a pé do que alugar um speeder terrestre. Seria mais seguro e não chamaria atenção. A prisão era próxima. Alguns minutos de caminhada e já avistaram o alto muro protegido por apenas dois guardas na porta da frente.
"Um feitiço que poderia levá-los a nocaute rapidamente" pensou Orion. E logo a resposta veio:
- Estupefaça! - berrou Orion e um jato de luz saiu da ponta de sua varinha e seguiu em direção aos guardas que rapidamente caíram no chão, bateram a cabeça e perderam a consciência.
- Isso é nocautear silenciosamente? - perguntou Shire enquanto pensava em um feitiço para destrancar a porta - Alorromora - por fim falou, e as portas se abriram.
O saguão de entrada da prisão consistia em uma sala quadrada com um balcão no centro. Atrás do funcionário que sentava atrás do balcão, ouvindo as notícias, havia uma porta que levava aos corredores dos prisioneiros. A Holonet do guarda prosseguia com as notícias:
- E o aclamado cientista Von Konemberg partiu hoje de Hilldalle. Seu plano original era permanecer mais alguns dias, mas uma emergência pessoal impediu-o de. .- o guarda desligou ao perceber as entradas.
- Visitantes? Agora? O que vocês querem?
Karonte ergueu a varinha e gritou:
- Estupefaça! O guarda caiu atordoado.
- Ah, então isso é nocautear silenciosamente! - comentou Orion ironicamente.
O grupo retirou o guarda do caminho enquanto Shire mexia nos computadores para impedi-lo de disparar o alarme assim que abrissem a porta.
- Ainda precisamos saber o número da cela.
Shire acessou outro computador e vasculhava o registro de presos.
- Achei. Número 1138! Vamos lá.
O trio se dirigiu à porta e ela se abriu automaticamente. O corredor de celas era imenso. Cada cela continha números. Não havia como ver os presos. Cada um devia estar em uma pequena sala fechada apenas por uma porta que se abre apenas quando a pena se encerra.
- 1135, 1136, quase lá. - falou Karonte - Aqui achei! 1138! T.J. e o dróide estão aí.
Orion olhou para o alto, distraidamente. A parede estava descascada e podia se ver fios saindo dela em direção...
- Karonte, não! Espera! - o garoto pulou para tentar impedi-la, mas era tarde demais, o feitiço de Karonte fez a porta se abrir, com isso, um alarme soou.
T.J. se levantou da cama de ferro da cela com um pulo. O andróide se ativou com o choque.
- O que vocês estão fazendo aqui? - perguntou o garoto com a cara assustada.
- Resgatar você é claro - falou Orion. - Vamos embora, suas coisas estão no hotel. Anda logo, agora não temos muito tempo.
Os garotos e o andróide saíram em disparada pelo corredor. A única saída era a porta para o saguão. Não havia mais saídas pelo corredor.
Infelizmente, quando estavam a alguns metros da saída, ela se abriu de súbito e quinze guardas entraram pela sala. Todos armados e apontando para eles. Sem saída eles começaram a correr de volta ao beco sem saída. Estavam condenados.
- Esperem, olhem! - Shire apontava para um túnel fechado por grades ao lado de uma cela. - É uma rampa de lixo. Vamos por ela. - Usando a varinha, a garota explodiu a grade. Os guardas, em uma tentativa de passarem todos ao mesmo tempo pelo corredor, tropeçaram uns nos outros e caíram.
- Eles explodiram a rampa do lixo - falou um guarda - devem estar munidos de alguma arma.
Estava óbvio que o feitiço passou despercebido pelos guardas.
Todos pularam na entrada estourada. P-3OC com um pouco de relutância. Eles desceram por um escorregador imenso e caíram em uma fossa cheia de dejetos e lixos de todos os tipos. Havia apenas um cano atrás deles, por onde o lixo passava até atingir a superfície, lançados a uma velocidade imensa em direção ao espaço.
- Eu estou com um mau pressentimento. - comentou T.J.
- E o que você acha que vai acontecer? As paredes não irão se mexer e compactar o lixo. Vamos por esse cano. Espero que o procedimento de liberação do lixo não ocorra enquanto estivermos nele.
Felizmente o caminho de volta a superfície foi tranqüilo. As tropas ainda estavam na prisão tentando localizá-los. Enquanto voltavam ao hotel, Karonte contou tudo o que houve abaixo das Pirâmides para T.J.
- Então fazemos magia hein? - comentou o garoto entusiasmado. - Vamos, me empresta a varinha então.
- Ah, T.J. me desculpe, mas você não é capaz de fazer magia. Sinto muito.
Thomas chutou a porta do quarto do hotel.
- E por que não posso?
- Por que você não pode - respondeu Shire - Não é todo mundo que faz isso. Sinto muito.
O garoto concordou com a cabeça, mas não estava conformado. Orion ativou um comando em P-3OC que o fez reproduzir um mapa em três dimensões e em tempo real de Hilldalle.
- Nosso Mapa do Maroto - falou sorrindo. Todos sorriram, menos T.J. - vamos ver...Pelo menos um dos atracadouros deve estar vazio. Podemos pegar um speeder que está estacionado por lá e voltar para Folkestone, iremos à embaixada e explicaremos tudo. Vejam, o atracadouro 158 está fechado. Podemos roubar uma nave lá.
O atracadouro 158 era uma plataforma suspensa no ar. Apenas um elevador os levava para o alto. De lá, roubariam uma nave e viajariam fora do tráfego aéreo, para despistar a polícia, caso estivessem atrás deles. Passaram facilmente pelo guardas estuporando-os. Subiram no elevador e chegaram ao atracadouro suspenso no ar.
- Olhem, tem uma nave chegando. - apontou T.J. para um vulto enorme, um cargueiro, que estava se preparando para pousar.
Faltando alguns metros para pousar, porém, um projétil luminoso saiu do andar de pousos acima dos garotos e do local que o cargueiro iria pousar. O projétil atravessou o cargueiro, explodindo-o.
Os garotos se abaixaram para se proteger dos estilhaços. Orion se levantou e correu ao andar de cima para procurar o autor do lançamento. Que tipo de arma ele usava? Não havia mais lança-mísseis no mundo.
- Não há ninguém aqui! - gritou o garoto para os amigos que se encontravam na pista de pouso de baixo. - Vou descer e procuramos um speeder.
- Não precisamos mais procurar! - gritou sua irmã - Tem um logo ali! - e apontou para a pista de pouso vizinha da deles, estava seguro dos estilhaços do cargueiro.
- Ótimo, vão para lá, eu estou descendo. - Correndo em direção as escadas, Orion parou em frente a uma porta que não percebeu quando estava subindo alguns minutos atrás.
Na porta estava uma placa dizendo: "Câmeras de segurança do segundo andar". Será que ela registrou quem causou a explosão?
O garoto entrou e ligou o painel. Ativou o controle de acesso dos arquivos. A câmera focalizava a saída para o terceiro andar. O autor provavelmente correu para lá, porque se descesse, toparia com os garotos.
Ele ouviu o grito de T.J.: "Olhem, tem uma nave chegando". E sabia que em poucos minutos a nave explodiria com o míssil. De súbito uma voz saiu da caixa de som: "BOMBARDA!" E um clarão iluminou a escadaria para o terceiro andar. Era o cargueiro explodindo.
- Não pode ser... - falou sozinho, Orion - Não um feitiço. Deve ser outra língua indicando que o autor da explosão disparara o projétil. Mas também não havia sinal dele ter subido as escadas. A caixa de som reproduziu a voz de Orion: "Não há ninguém aqui!". O garoto desligou a câmera e parou para pensar.
Só havia um meio de descobrir. Orion retornou à pista de pouso do segundo andar e puxou a varinha. Mirando para o céu, gritou:
- Bombarda!
Nada aconteceu. Alívio. Não era um feitiço. Orion abaixou a varinha e virou em direção às escadas. De repente, a varinha emitiu uma vibração e um projétil luminoso saiu de sua e rumou para baixo, destruindo tudo que encontrava até chegar no chão. Os estabilizadores que mantinham o atracadouro suspenso estavam incluídos nisso.
A estrutura gigantesca suspensa no ar começou a tremer. Orion correu escada abaixo e em direção ao speeder. Entrou na nave de porte médio, para dez passageiros e sentou na cadeira do piloto. Ao seu lado, o grupo o olhava com uma mescla de assombro e repreensão.
- Desculpem, mas...
- Nós vimos o que você fez. - falou Karonte autoritária - Por que você fez isso?
- Bem, é porque eu vi...
Orion foi interrompido novamente, mas não por sua irmã, nem por nenhuma outra pessoa do grupo. Mas sim por um baque violento. O atracadouro estava se despedaçando. A pista de pouso se partiu. A nave estava despencando muito rápida em direção ao chão.
- Ativa isso! Vamos sair daqui! - gritou Shire.
Orion ligou os propulsores da nave e a fez decolar quase tarde demais. Em poucos segundos, o atracadouro explodiu quando encontrou o chão, mas a nave escapou e agora voava em direção as nuvens. O garoto, após respirar aliviado, contou o que vira nas câmeras.
- Quer dizer que tem mais alguém de posse da varinha do que nós? - perguntou Shire. - Quem é? Ele não passou pela câmera?
- Não, deve ter...Como é o termo que o Harry disse? Ah! Desaparatado. Com toda a explosão não ouvimos o barulho do seu feitiço de aparatação. Pelo menos escapamos. Em algumas horas chegaremos a Folkestone.
O nome de sua cidade-natal fez Karonte acordar de um ligeiro devaneio. Será que poderia? Não! Não podia ser. Não ele.
- Vamos voltar! - falou a garota de súbito - Vamos voltar, OK?
- Por quê? - perguntou o grupo em uníssono.
- Precisamos retornar às Pirâmides. Mais cedo do que esperávamos.
A nave fez uma curva no ar e rumou de volta para Hilldalle.
