Capítulo 9 - Histórias Mal Contadas
Há alguns quilômetros dos destroços do atracadouro, uma figura encapuzada caminha solitariamente pela noite. Os fogos dos destroços ainda eram visíveis. Ele fez a vontade do seu Mestre. Tudo estava indo conforme planejado. Ele teria o poder prometido. A vingança aconteceria muito em breve.
O speeder roubado pousou há algumas distâncias das Pirâmides de Furmat. Karonte e seus amigos andaram alguns passos e pararam.
- Eu sei que tem um alçapão secreto por aqui. - Ela agora pulava no chão arenoso até que seus pés bateram em algo duro - Ahá! Eu sabia.
A garota espalhou um pouco a areia e viu uma porta feita de concreto. Não havia alças para abrir. T.J. se aproximou e olhou para o alçapão parecendo achar graça:
- Ah, e agora? - falou em um tom de ironia - Que droga, vamos ter que voltar?
Shire examinou a situação, olhou para trás, as silhuetas das Pirâmides estavam realçadas pelo fogo do atracadouro. A idéia surgiu em sua cabeça:
- Sabe, acho que deveríamos tomar o exemplo do Orion.
O garoto olhou pra ela:
- Como assim?
- Afastem-se.
Os guardiões estavam sentados na grande sala circular, parados, não havia muito que fazer. Restava apenas esperar que o grupo de escolhidos não fizesse algo estúpido. Harry Potter estava sentado em uma cadeira. Suas feições mais pareciam uma imagem borrada. Ele botava a fé naquele grupo, sabia que Karonte, seu irmão e a garota Shire estavam a altura da tarefa.
Um grave estrondo, seguido de um temor, ecoou por toda a sala. Potter levantou-se de súbito e olhou para a porta que os levaria para fora das Pirâmides. Harry não teve tempo de puxar a varinha, quando uma voz, do outro lado da porta, gritou:
- EXPELLIARMUS! - a porta explodiu e Karonte, Orion e Shire entraram pela passagem.
O senhor Kenobi era morador de uma fazenda ao longo do misterioso castelo na Escócia. Durante anos passou sua vida, solitário por lá. Como todo dia, estava sentado em sua varanda, admirando os contornos da grande construção, enquanto o Sol ia nascendo. Um súbito "craque" o assustou, pulando de sua cadeira e olhando para os fundos da casa, haviam duas figuras encapuzadas. Elas não estavam aí antes. Ambas ergueram as varinhas e disseram ao mesmo tempo: "Avada Kedavra!".
Kenobi estava morto antes de atingir o chão. Enquanto isso, mais dessas figuras apareceram e rumaram para o castelo. Destruindo sua casa enquanto passavam.
-Você vai nos explicar! Eu sei que há coisas que você não nos contou! Tem mais gente capaz de fazer magia! Eu sei que o tal Voldemort está por trás disso! - Karonte fervia de raiva. A varinha apontada para Harry. Eles quase foram mortos e são foragidos da polícia, tudo por culpa dele.
Um jato de luz vermelha saiu da varinha da garota e atravessou o peito de Harry, chocando-se contra a parede do outro lado. Ele sorriu:
- Então você aprendeu os feitiços não-verbais? Impressionante. Eu levei tempos para aprendê-lo. Meu antigo professor de poções que o diga.
Um guardião que estava imóvel ao lado de Shire sibilou algo muito parecido com "ranhoso".
- Esta bem. Irei contar pra vocês - os Guardiões trocaram olhares receosos - Sim eles têm o direito de saber. Voldemort voltou, de fato.
- Como você pode ter certeza? - perguntou Orion.
Harry não respondeu, apenas coçou sua cicatriz.
- Quando o matei, Voldemort foi destinado a viver para sempre no mundo dos mortos, sob a forma de um humanóide, a criança da qual eu falei anteriormente. De algum modo, ele foi capaz de retornar assim que vocês ativaram a pedra.
- Mas como...- começou Karonte, mas Harry a interrompeu.
- Voldemort possui poderes que muitos desconhecem. Ele foi capaz de enganar a morte uma vez. Pode enganar novamente. Acredito que ele não tenha corpo. Ainda. Mas pode ser capaz de possuir certas pessoas. Enquanto eu falo aqui com vocês, ele pode estar recrutando seguidores agora.
- Que tipo de seguidores?
- Eu já mencionei que existem pessoas sensitivas a Magia, como vocês. A diferença é que elas não conseguem demonstrar que são capazes sem treinamento adequado. A magia se manifesta ao redor deles apenas pelo o que eles chamam de "algo incomum" como, por exemplo, o fato do cabelo do Orion ser feio e despenteado e sempre ser assim.
- Ei! - protestou o garoto - Eu gosto do meu cabelo!
- Por isso ele nunca cresce nem fica arrumado! Imagine o poder da magia nas mãos de pessoas gananciosas, com uma sede enorme de poder. Não é tão difícil convencê-las. Vocês ficarão aqui. Nessa porta fica os alojamentos - Harry apontou uma porta a sua esquerda. Depois apontou para uma porta a suas costas - aqui fica uma sala de treinamento, tem espaço suficiente lá para treinarem feitiços. E aqui - apontou para sua esquerda - vocês conhecem, é o corredor em que vocês caíram dias atrás.
Karonte abaixou a varinha e concordou.
- É melhor que vocês destruam aquela nave que roubaram, não queremos levantar suspeitas. E traga seu amigo com o robô. Eles serão úteis. E vocês irão treinar. Muito em breve iremos recrutar mais sensitivos. Pessoas boas. E aprender a duelar pode ser útil se algumas negociações saírem errado.
Orion pareceu animado e correu para checar a sala de treinamento, enquanto Karonte e Shire subiram para convencer T.J. a descer. Ao abrir a porta, o garoto prendeu a respiração. A sala de treinamentos era colossal. Do tamanho de cinco campos de futebol e era tão alta, que não se via o teto.
- Vocês têm espaço sobrando por aqui. - comentou Orion.
Em um canto da sala, havia um armário com um baú e várias vassouras, e em grandes fileiras, uma gigantesca quantidade de livros.
Karonte e Shire entraram na sala.
- Orion, eu acho que...Nossa! - Shire exclamou ao entrar na sala. - E isso é só pra gente treinar? Quanto espaço desnecessário.
- Relaxem. - falou Orion confiante - Eu sei o que fazer com esse lugar.
Dois anos e meio se passaram desde que Karonte ativara a Pedra. Não houve mortes misteriosas nem sinal algum que Voldemort estava atacando. Era, segundo Harry, a calmaria antes da tempestade.
T.J. concordou em ficar nas Pirâmides. Harry lhe deu a tarefa de toda manhã, vestir a capa da invisibilidade e pescar algumas notícias na cidade de Hilldalle.
P-3OC era muito útil quando algum aparelho moderno, que T.J. trazia para Orion, dava problemas.
Orion fez um excelente trabalho com a sala de treinamentos. Dividira a sala em partes. Uma enorme biblioteca. Um campo de Quadribol, para treinamento de combates aéreos, e para prática de esporte. Um labirinto com diversos obstáculos, para treinamento de feitiços. Uma arena para duelos entre eles. E finalmente, uma sala de controle para comunicar, e se descontraírem com jogos entre outras coisas.
O garoto agora mostrava seu trabalho a todos.
- Cada sala pode ser acessada por esse vagonete - ele apontou para o alto um carrinho com espaço suficiente para 8 pessoas. - Subimos num elevador, entramos nele (o vagonete), digitamos a parte da sala que queremos ir e ele nos leva até lá. Além do mais, eu diminuí a velocidade dele. Era muito rápido.
- Puxa! Deve ter dado um trabalhão para construir isso sozinho! - exclamou Shire, impressionada. Orion sentiu suas bochechas queimarem.
Após as garotas saírem da sala, P-3OC virou para Orion e murmurou:
- Você me deve mil pratas por ter te ajudado.
A Toca, nome dado pelos garotos em homenagem à casa do amigo de Harry, Rony Weasley, parecia um imenso quartel-general. Os garotos passavam a maior parte do tempo treinando feitiços e horas mergulhados em livros sobre a história do mundo da magia. Estavam ficando muito bons nisso.
Karonte simplesmente não imaginava o mundo que se abriu para ela. Estava em suas mãos o destino do mundo e ela adorava essa idéia. A fazia sentir poderosa.
Em uma noite fria de dezembro, Harry chamou os garotos para a já familiar sala circular, pois tinha grandes notícias.
- Consegui estabelecer contatos com mais sensitivos.
Os garotos gritaram de felicidade, P-3OC caiu da cadeira que estava sentado se carregando. T.J. cuspiu no chão.
- Mas como? Com quem? - perguntou Shire afobada.
- Bom, detectei esse grupo há algum tempo e venho observando suas atividades desde então. Eles eram diferentes, unidos, não rancorosos como as pessoas de hoje em dia. É esse o tipo que devemos treinar para se tornarem bruxos. Conversei com eles ainda ontem. Foi uma longa conversa, mas eles conseguiram acreditar. Quero que vocês vão até eles, levem as varinhas que fiz para os garotos e tragam eles para cá. Usem vassouras. Vocês estão mais do que aptos com o vôo nesse maravilhoso meio de transporte. Agora, arrumem suas coisas.
Os garotos foram saindo, T.J. se levantou seguindo os amigos quando Harry falou:
- Você não, Thomas. Você vai ficar aqui.
O garoto, sem olhar para Harry Potter, nem se despedir dos amigos, rumou para a sala de treinamento. Um guardião se aproximou de Harry e murmurou em seu ouvido:
- Você se lembra do que eu lhe falei sobre... - e apontou com a cabeça o local onde T.J. estava.
- Eu sei. - respondeu Harry com um ar preocupado.
Karonte, Orion e Shire arrumaram suas malas, brigaram para ver quem usaria a Firebolt (Shire levou a melhor), e saíram para se despedir de Harry e dos Guardiões.
- Uau! Acabei de falar com T.J. agora. - falou Orion com uma cara de dor - Preciso me lembrar de não falar com o T.J. quando estou com a mão em cima da mesa. Muito menos quando tem um grampeador perto de T.J. – o garoto mostrou que havia um corte em forma de grampo no braço.
Os garotos e Harry Potter se dirigiram para o lado de fora da Toca. As Pirâmides continuavam imponentes. O ar de inverno estava frio e incomum naquele deserto.
- Espere, Harry, você não nos disse para onde ir. - lembrou Karonte montando na vassoura. Orion e Shire a imitaram, cada um em sua vassoura.
- Verdade, eu me esqueci! O grupo se encontra em Nova York. Ou o que sobrou da cidade. Agora vão! Não há tempo a perder.
Os garotos deram um impulso com os pés e partiram para o céu estrelado.
