Cap 8

Cap 8

A conversa

Sakura tentava prestar atenção na conversa que vinha da porta do apartamento, mas não conseguia, seus pensamentos estavam desorganizados e a única coisa que martelava em sua mente era que ela o faria sofrer. Sua cabeça pesava, e ela sabia que não era hora de se acovardar perante os fatos, mas saber que por uma bebedeira sem sentido ela o machucaria de forma irremediável, era de assustar a qualquer um. Ele estava ao seu lado, ele cuidara dela, mesmo sem saber o que realmente tinha acontecido naquela noite. Ele queria o seu bem, ele a amava. Ela estava segura disto, mas como ele reagiria ao saber que ela beijou os lábios de outro homem, qual seria sua reação ao saber que ela tinha aceitado aquela dança e tinha se deixado levar pelos braços de outro. Bem quanto a isso Sakura não tinha certeza, ela apenas sabia que seria pior se ela não falasse.

Todos viram a festa estava cheia, ela estava bêbada, dançando com o personagem principal, logo o Neji, o aniversariante. Ela sabia que aquele beijo tinha testemunhas oculares, e disto Sakura não podia fugir, ela sabia que de um jeito ou de outro ele ficaria sabendo pela boca de algum dos seus amigos. A noticia ser dada pela sua própria boca não amenizaria os fatos, mas com certeza amenizaria sua culpa perante isso.

Ela terminou de secar seu corpo e foi até o armário de Kakashi, pegou uma camiseta emprestada, e colocou-a no corpo. Ela pode sentir seu cheiro no tecido, um cheiro másculo, forte, que entrava por suas narinas fazendo-a relembrar de momentos de intimidade que estiveram juntos. Ela sentia-se bem, mesmo estando completamente nua por baixo da camiseta, não se sentia tímida por estar em tais trajes ali. Ele a deixava segura, ela sabia que dele não precisava temer.

Kakashi depois de atender Ino e Shikamaru, vai até a cozinha e prepara rapidamente um chá de maça com canela. Ele serve duas canecas, vai até o quarto com certo pesar. Ele sabia que aquela conversa iria ser dolorosa para ele, e provavelmente para Sakura também. De qualquer forma ele queria entender porque ela se entregou às bebidas naquela noite. Porque ela foi capaz de cometer tal atitude tão grotesca para ela, porque ela queria beber, esquecer, relembrar, se soltar, qual era o motivo para aquilo?

Seu coração quase derreteu ao vê-la, vestida com sua camiseta preferida. Provavelmente ela não sabia disto, mas ao perceber que ela escolheu justamente aquela camiseta, Kakashi se sentiu bobo, ao perceber que dava importância para tais detalhes. Sentada na cama onde eles tinham trocados juras de amor, ela parecia um anjo. Como era bom ver ela ali, ao seu lado. Ele a entrega à bebida quente, sem demonstrar nenhum sentimento, para que não interfira na conversa que eles precisavam ter. Ela aceita o agrado, toma uns golinhos, curtos, pois o chá estava realmente quente. Ela queria te-lo em seus braços, ele era tão gentil e sabia exatamente o que ela queria, isso a deixava encantada. Tudo nele parecia ser perfeito.

Ele procurou manter uma expressão seria em seu rosto, para não demonstrar que ele já estava entregue aqueles olhos verdes esmeralda, que o fitavam entre goles de chá.

- Eu preciso te contar uma coisa. – fala Sakura, olhando fixamente para dentro da xícara, querendo entrar dentro dela, com todas as suas forças.

- Eu sei. – fala ele com a voz seca, doido por dentro. Sakura sem saber como esconder sua vergonha, deixa cair discretas lagrimas de seu rosto. – Pode começar, eu estou aqui justamente para ouvir o que você tem para me dizer. por mais que eu saiba cada palavra que vai sair da sua boca, eu preciso escuta-las de você. Saber se você vai ser verdadeira comigo, se você vai realmente me contar tudo e me dizer que não era aquilo que você queria...

- Quando o Shikamaru falou que você não iria à festa conosco, meu mundo quase desmoronou. Eu queria você do meu lado. Essa idéia de você não estar comigo naquela noite não fazia sentido para mim. Sem você tudo se tornaria chato. – ela limpa as lágrimas com as costas da mão, o medo inundava o coração da kunoichi, que teria que dar a noticia mais dolorosa da sua vida até o instante.

– Ninguém percebeu como eu estava me sentindo, e eu não podia falar para ninguém que o meu coração estava apertado por não ter você lá do meu lado. – ela não desviava o olhar, o conteúdo da xícara, nestas horas parecia o mais interessante do mundo. – Eu não queria ir, mas a Ino, sem perceber me manou para o lugar que eu mais odiaria estar naquele momento.

- A gente chegou lá e a Ino foi dançar com o Shikamaru me deixando completamente sozinha. Eu precisava pelo menos de alguém... Qualquer pessoa que pudesse me manter acordada com a mente longe dali. – ela faz uma pausa para olhar no fundo dos olhos dele que ouvia tudo atentamente - Eu queria você. Queria esquecer que você não estava ali comigo. Eu queria sentir o teu cheiro e adormecer no teu colo, ou então me entregar nos teus braços para uma dança inacabável. – ela falava pausadamente, para não correr o risco de ter que repetir tais palavras novamente. Cada palavra desferida, rasgava sua alma como uma flecha em fogo.

- Me vendo sozinha, sentada naquela mesa onde todos dançavam ao redor, eu quase pirei. Queria esquecer que você não estava lá comigo. Por isso fui até o bar e pedia a bebida mais forte que eles tinham. Comecei a beber. Eu queria algo forte que me anestesiasse. Eu tomei várias doses de uísque, e bebidas variadas, às quais desconheço o nome. – o nervosismo era visível no rosto dela, ele permanecia impassível, ele iria levar aquela conversa ao final, mesmo que aquilo ferisse de morte seu coração. – Quando resolvi parar, senti meus olhos nublados, estava começando a fazer efeito. Quando me dei por conta eu estava completamente bêbada. Já não sentia minhas pernas e o álcool ainda não corria completamente pelas minhas veias.

- Foi nesta hora que o Neji veio e me convidou para dançar. Eu no resto da minha lucidez, percebi que ele também estava bêbado. No inicio eu não quis, mas a musica estava empolgante, e eu não tinha saído do bar nem por um minuto, então resolvi aceitar. – os olhos dela estavam nublados, suas lágrimas escorriam sobre seu rosto, ela soluçava, mas procurava manter a voz firme. – Dançamos algumas músicas, eu me deixei envolver de certa forma. Ele entendeu errado, eu só queria dançar, mas ai já era tarde, ele me beijou. – ela ficou em silencio, esperando algo que deveria vir da boca daquele que tomava calmamente chá a sua frente. Ela fixou seus olhos nos dele, que dando mais um gole no chá, disparou:

- Eu vi. – o tom da sua voz era seco, e ríspido. Ela jamais o vira falar desta forma. Os sentimentos de ver tal cena voltaram à garganta de Kakashi, ele disse apenas duas palavras, mas sua vontade era de dizer mil. Ele sabia o que ela lhe diria, ele sabia que ela iria contar tudo para ele, se não fosse desta forma ele jamais iria cuidar e acolher alguém que o traiu. Mesmo assim ele não se conteve em falar que tinha presenciado a cena.

- C-como as-ssim? Você estava lá? – pergunta ela, pensando que agora tudo estava perdido, e que ele jamais a perdoaria.

- Eu cheguei à festa no exato momento em que ele te beijou, Sakura. Meu coração está muito machucado por ver aquela cena, mas eu espero que você tenha boas explicações para mim. - sua voz era amedrontadora, Sakura sabia que ele estava certo. Se fosse ela, nem daria a chance de explicações, ela sabia que seria sua única chance para explicar o que aconteceu.

- Tudo bem, eu tenho explicações sim. Mas nenhuma justificativa. Afinal que aceitou o convite para a dança fui eu. – ele sentiu a verdade nos lábios da menina que o falava. – Bem, ele me beijou. Eu estava bêbada demais para acompanhar seus movimentos e não consegui impedi-lo no exato momento que ele grudou seus lábios nos meus. Quando me dei por conta do que eu estava fazendo, - os soluços e as lagrimas, aumentavam conforme as palavras da garota iam saindo da sua boca. – Eu apenas o empurrei, tentei dizer algumas coisas, tentei dizer-lhe que eu não queria aquele beijo, nem estar ali com ele, mas percebi que se eu falasse demais a situação poderia se complicar mais ainda, sendo assim sai dali desconcertada. Eu sabia da gravidade do que eu tinha feito, eu sabia que tinha traído você! E sabia que você ficaria sabendo de qualquer forma. Eu jamais esconderia algo assim de você, e mesmo assim... – ela o encarou, e tomou certo fôlego para continuar - Eu te amo! Eu não queria aquele beijo, alias, eu não queria ter ido aquela festa, eu queria você, eu queria teu colo... Eu queria ser sua, estar nos teus braços a cada instante... Eu não pude evitar... Desculpe.

Ele sabia que cada palavra dita era verdade, ele presenciou seu arrependimento, sabia que ela queria estar com ele. Ele sabia muitas coisas, coisas que ele via nos olhos cor de esmeralda que estavam a sua frente aos prantos. Ele queria te-la em seus braços, mas mesmo assim àquela imagem lhe vinha aos olhos quando ele olhava para o rosto de sua pequena.

- Minha pequena, eu vi. – falou ele procurando achar as palavras, para confortá-la e ao mesmo tempo não dar total razão. – eu vi você gritar com ele, eu vi você dançar com ele, e também vi, você correr para minha casa para esperar por mim. O que você fez foi errado, mas quem interpretou mal foi ele, quem te beijou foi ele. Se você tivesse correspondido de qualquer forma eu teria visto. Eu estava lá e na hora confesso que eu queria matá-la, minha raiva era tão grande que não pude conter as lagrimas. Eu me escondi no meio do povo para que você não me visse e eu vi que você não correspondeu aquele beijo em nenhum momento. – Sakura o olhava perplexa, ele sabia que era verdade. Ela sentia-se feliz por isso.

- Eu não posso dizer que você não me machucou, e que não me dói ver essa cena repetidas vezes na minha mente. Mas eu imagino o quanto você deve estar sofrendo, mas eu quero que saiba que minha dor é tão grande ou maior que a sua. Por isso não vou brigar, não vou mexer nisso que me machuca tanto. Brigar com você só ira me machucar e te machucar mais ainda. Eu não quero isso. Você mesmo irá se punir pelo que fez. – falou ele tomando o ultimo gole de chá da sua xícara.

Sakura estava feliz, mas ainda não conseguia conter as lagrimas que corriam pelo seu rosto. Ela estava machucada, porem remediada pelas palavras carinhosas daquele que era o mais atingido, ele a amava e isso a fazia a mulher mais afortunada do mundo.

Ela continuava com a xícara pela metade nas mãos, o liquido ainda estava quente, mas ela não tinha mais vontade de ingeri-lo. Ela estava sentada em cima das suas pernas, sentia seus pés gelados, afinal estavam no meio de uma noite fria, que castigava os que não estavam agasalhados. Ela o analisava, sua expressão era de decepção, mas ainda assim, dava para ver um pouco de felicidade por estar na sua companhia.

- Vem cá, minha pequena... – falou ele, abrindo os braços para acolhe-la num abraço quente e carinhoso – vem no meu colo, deixa eu te esquentar. Já chega de explicações, me deixa cuidar de você.

Ao ouvir o tom grave da sua voz ela estremeceu, e se sentiu novamente protegida e amparada por ele. Calmamente ela engatinhou ate onde ele estava ficando cara a cara com seu amado.

- Eu te amo, sabia? – falou ela num sussurro gostoso de ouvir.

- Sim. – respondeu ele tomando-a nos braços.

Ela sentiu aqueles lábios quentes, tocarem os seus, ainda inchados devido à choradeira. Sentiu-se completa ao ver que estava tudo bem.

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Perdão pela demora...

Espero reviews...

Obrigada a todos que leram!