cap 11

Cap 11

A cada passo uma nova dificuldade, olhares tortos, risos abafados e julgamentos. Tudo que Sakura e Kakashi tinham naquele momento eram palavras de reprovação, mesmo que dos amigos, viesse à aprovação... A palavra que sempre ressoava mais alto era a reprovação.

Ao que eles deixaram claro perante toda a cidade que se amavam, ninguém soube compreender. Um amor como aquele não poderia ser aceito pela sociedade, mas por quê? Ninguém sabia responder ao certo, mas o que perdurava era a reprovação.

Kakashi era taxado de mal caráter, pedófilo, mulherengo, mentiroso, insensível, irresponsável, tantos adjetivos que não somavam... Sakura não conseguia entender o porque, ele não estava fazendo nada de errado, se estava errado estavam errando juntos, não apenas ele. Ela procurava argumentar ou até mesmo mostrar a todos que ela queria estar ali e que não estava sendo forçada a nada e que estava ali por livre e espontânea vontade.

Aquela noite seria complicada, Kakashi para não colocar mais lenha na fogueira preferiu dormir no próprio apartamento. Sakura nada tinha a argumentar, afinal ele deveria estar cansado de ouvir seu nome ligado a adjetivos não muito felizes, ele deveria querer sossego e calmaria. Ela apenas despediu-se com um beijo, nada mais.

Seu apartamento naquela noite lhe parecia mais vasiu do que nunca. Ela não conseguia entender o sentimento que crescia dentro de si. Uma profunda tristeza lhe arrebatava a alma, e a levava para um lugar escuro, onde ninguém pudesse ajudá-la. Sakura sentia-se sozinha, seu peito parecia apertado, ela não sabia explicar o porquê daquilo, mas a dor expressada em seu rosto era visível.

Os tênis jogados a beira da porta, as roupas largadas no chão do banheiro. Ela não estava preocupada em manter a ordem do apartamento, que sempre fora impecável. O ato, talvez, fosse proposital, visando ocupar seu tempo posteriormente. Parada em frente ao espelho, ela tentava entender o porquê das olheiras, do rosto parcialmente inchado e da boca num tom avermelhado.

O olho ficara raso em lagrimas, mesmo contra sua vontade. Elas simplesmente surgiam, estavam fora do seu controle. Os pés descalços rente ao piso, levavam uma onda de frio que percorria todo o corpo da kunoichi.

A água estava gelada, ela não se importava, queria acordar, mas aquela tristeza que invadia seu peito não foi jogada longe. A água aos poucos se aquecia, lentamente, ela sentia na pele a mudança. Seus músculos iam relaxando, a cabeça saindo da órbita, ela estava apagando tudo o que acontecera naquela tarde da sua mente. A briga, os xingamentos, a repulsa, tudo. Nada permaneceria ali.

O banho demorado fez com que o sono invadisse a mente cansada daquela menina que cheirava a cerejas, ela maquinalmente foi até seu quarto, e apenas desmoronou o amontoado de músculos em sua cama. Um leve lençol guardava seu corpo, ela esquecera de tudo, o sono era o único dono de sua mente.

Os primeiros raios de sol começaram invadir seu quarto, aos poucos despertando aquela que dormia sobre sentimentos incompreensíveis. Os olhos abrindo lentamente, sua cabeça doía, latejava, como se ela tivesse dançado a noite toda em uma festa tecno. Os pensamentos não se formavam, seu cérebro apenas pulsava.

Rapidamente a kunoichi vestiu-se, ela começaria a trabalhar novamente naquele dia. Tsunade não permitiria atrasos, Sakura sabia. A roupa impecável, como sempre, Sakura saia para um novo dia de trabalho no hospital de Konoha, seria cansativo, ainda mais com ela naquele estado.

A única coisa que passara na cabeça de Sakura naquele dia, era o momento em que ela conseguia pousar seus lábios sobre os dele, e repousar em seu colo, sendo protegida por seus braços, apenas aquilo acalmaria o coração da kunoichi. Infelizmente este momento não veio, ela sabia que agora começaria uma guerra a qual ela tinha de ser forte para poder vencer. Kakashi havia saído em uma missão às pressas, as ordens eram de saída imediata, sem tempo para despedidas.

Os dias passavam, ela na mesma rotina. Trabalhava conforme sua escala lhe pedia. Nas folgas tentava ver Kakashi, quando seus horários combinavam. Ao vê-lo constatava que ele estava cada vez mais magro e pálido. Aquilo com certeza era resultado das seguidas missões que Tsunade teimava em dar ao ninja. Ela não dava folga, ele poucas vezes no ultimo mês conseguiu ver a kunoichi de cabelos rosa que continuava a sua espera todas as noites, um beijo que fosse para saciar sua sede por algo que a reconfortasse.

A situação estava insuportável, Tsunade realmente conseguira tornar a vida do casal um verdadeiro inferno. As brigas que quase não existiam começaram a aflorar, pelo simples fato dos dois estarem estressados, no limite, do físico e do mental.

Sakura estava cumprindo uma carga horária excessiva, catorze, quinze horas de trabalho por dia, era sobre humano. As olheiras no rosto daquela que sempre ostentou um rosto limpo e saudável, denunciavam a jornada ingrata de trabalho. Tsunade não sentia culpa, apenas argumentava que seria melhor se ela percebesse de uma vez que Kakashi não era para ela.

Kakashi por sua vez tinha missões incontáveis, em nenhum momento a Godaime lhe deu folga de mais de um dia, alegando que ele era um bom ninja investigativo e que ela precisava de seus serviços, apenas o dele servia. Tsunade estava exagerando na doze com o mascarado, ele havia emagrecido cerca de sete quilos, sua aparência estava quase cadavérica. Os olhos sem expressão, a face desanimada, nada mais conseguia por para cima o copiador. Os beijos de Sakura eram a única coisa que ele tinha para tentar sobreviver.

Mais um dia, mais uma manha. Sakura arrumava os cabelos quando ouviu o telefone tocar, por um instante seu peito falhou, ela sabia que ele poderia estar do outro lado da linha.

- Alô.

- Oi meu anjo, que saudade de ouvir a sua voz.- ao ouvir a voz conhecida e cheia de carinho, os olhos de Sakura chegaram a marejar, fazia quase uma semana que eles não se viam.

- Eu te amo, Kakashi. – aquilo estava entalado na garganta da kunoichi que não hesitou em desferir tais palavras.

- Eu também flor, liguei para te dizer que amanha a noite chego à vila se tudo der certo, passarei ai para dormirmos juntos... Eu preciso do teu cheiro, flor. – a voz cheia de emoção do mascarado era como a mais suave melodia aos ouvidos da kunoichi, que deixava o coração se inundar de felicidade.

- Eu estarei te esperando meu amor! Amanha saio um pouco mais cedo do hospital, farei um jantar para te esperar. – Sakura já começara a pensar nas coisas que deveria comprar para preparar o jantar para seu amor, como num ato maquinal.

- Está bem meu amor, agora não devo me demorar... Tenho que ir. – o pesar na voz daquele homem era visto em sua voz, que fosse um minuto a mais ele queria escutar a voz da sua amada.

- Te amo te esperarei, meu anjo.

- Até mais, te amo. – Sakura ouviu o telefone silenciar, ele não estava mais lá. Como fora bom, como aquilo enchera sua alma de esperança. Ela sentia-se feliz por ouvir mais uma vez a respiração daquele que guardava as chaves do seu coração, ele estava bem. Isso importava.

Sakura rapidamente terminou de arrumar seus cabelos, em seguida conferiu o uniforme e saiu rumo ao hospital. O dia fora cansativo, muitas coisas a fazer mas a hora dela ir para casa já estava próxima. Um conforto na mente da Kunoichi, ela o veria esta noite.

Três horas da tarde. Sakura sai do hospital e vai ate o mercado para comprar algumas coisas que faltavam para o jantar que ela iria preparar para seu amado. Sem demora reuniu todos os itens, ela estava radiante. Um sorriso lhe invadia a face, há muito tempo ela não experimentava sorrir daquela forma.

Ao chegar em casa Sakura teve um surpresa. Um jovem alto, magro, com os cabelos compridos e escuros, que lhe escondiam a face pálida. Ela de inicio não soube reconhecer o homem que estava escorado na parede, braços cruzados, com uma expressão invisível aos olhos da kunoichi, o cabelo solto do jovem cobria boa parte do seu rosto. Algum tempo depois, analisando bem a figura que ali estava, Sakura lembra, e liga suas recordações ao homem que permanecia estático.

- Desculpe vim sem avisar. – a voz grave ecoava pelo corredor, Sakura tinha certeza, era ele.

- Não há problema, mas o que te trás aqui? – as sacolas soltas ao chão, ela procurava a chave que teimava em se esconder dentro da pequena bolsa da kunoichi.

- Tenho que te pedir desculpas... – Sakura fitou-o desconfiada, procurava em sua mente algo que fosse digno de um pedido de desculpas de alguém como ele, definitivamente ela não achava um. Os cabelos do rapaz eram opacos, porém belos, ela notava cada detalhe nele como sempre fazia a cada vez que via o rapaz. Uma calça jeans preta, uma camiseta cinza e uma camisa social preta por cima, All Star nos pés e nada mais. Ele parecia mais bonito que da ultima vez, a analise estava certa, a cada dia ele se tornava mais masculino, mais bonito e gentil, a agrecividade na voz a muito fora extinguida.

- Desculpas pelo que? – ela destravava a porta – Pelo que me lembro você não me fez nada!

- Fiz sim. – ele agora estava de frente para a kunoichi que abria a porta e pegava algumas sacolas para entrar no apartamento. Ele pegou-as gentilmente de suas mãos e sem pedir licença, entrou no apartamento, abandonando-as em cima da mesa, Sakura apenas sorriu.

- Então me faça lembrar... O que você fez? Eu realmente não me recordo. – Sakura se dirigia à janela, abriu-a deixando que a luz invadisse o ambiente.

- Eu beijei você a força, lembra?

- Ah... Mas aquilo já faz tanto tempo, por que isso agora? – ela parecia realmente intrigada com aquele pedido de desculpas.

- Eu não vim antes por que estava resolvendo uma serie de missões, agora que me sobrou um tempo, vim conversar com você... E não tanto tempo assim... Passaram-se apenas um mês e meio desde a minha festa. – O rapaz estava em pé, com as mãos colocadas nos bolsos da calça, ele parecia serio Sakura, no entanto não entendia o porquê da seriedade.

- É verdade, não faz tanto tempo assim. – a kunoichi ponderava.

- Sakura, eu não posso me demorar... Tenho que me apresentar no quartel da ANBU daqui a pouco. – sua voz atingia cada vez um tom mais serio, e a noticia de Neji estar indo para o quartel da ANBU, ele provavelmente estaria entrando para a organização.

- Você vai entrar para a ANBU?

- Sim... Tenho que melhorar minhas habilidades, e não há lugar melhor para esquecer um amor. – uma pausa longa na fala daquele que direcionava um olhar mais que intimidador para a menina que procurava entender o significado daquelas palavras. – Sakura, você me desculpa pelo que fiz naquela noite?

- Claro Neji, aquilo foi algo impensado, nós estávamos bêbados e não tínhamos consciência dos nossos atos. – A kunoichi parecia entender aquilo como um ato impensado, mas para Neji aquilo fora um dos momentos mais felizes de sua vida.

- Obrigado. – o Garoto que tinha os olhos marejados seguiu até Sakura envolvendo-a num abraço carinhoso. Ele mantinha os olhos fechados e com uma das mãos acariciava a nuca da rosada que apenas retribuía timidamente o gesto.

- Sakura, me desculpe mais uma vez... – A kunoichi não entendia as palavras do rapaz que demonstrava certo medo em pronunciá-las. Ela afastou-se levemente do abraço para poder fitar os olhos perolados que deixavam escapar lágrimas que não eram bem vindas.

- Mais desculpa Neji, por quê? Você não fez nada... Não tem do que se desculpar! – com um lindo sorriso nos lábios Sakura abre os braços, para acolher o amigo num abraço, e tentar conforta-lo, mesmo sem saber o real motivo do choro do rapaz.

Ele pousou os olhos perolados sobre as orbes verdes de Sakura, como era lindo aquele rosto, aquele olhar, aquele sorriso, tudo era inigualável... Sakura era a mulher mais bonita que ele já vira, provavelmente a mais bonita do mundo. Neji estava cego pra outras coisas, a única coisa que via era Sakura, aquele anjo sem asas à sua frente.

Sem conter o impulso ele foi de encontro aos lábios dela. Um beijo desajeitado, mas não repelido, rápido e simples, cheio de sentimento por parte dele, de surpresa por parte dela. Aquilo não deveria ter acontecido, Sakura não queria, mais uma vez ele a beijara a força, mas desta vez ela não teve reação. Sakura apenas tentava entender o que estava acontecendo.

- Perdoe-me... – Neji se afastava com um sorriso nos lábios. – Eu precisava disto, nunca mais perturbarei sua vida, eu apenas queria um ultimo beijo. – ao terminar de falar ele virou as costas e foi embora, buscar seu novo caminho. A partir dali, ele deixaria Sakura enterrada num passado distante. Pelo menos assim queria ele.

Sakura sem conter o impulso leva uma das mãos aos lábios, ela estava perplexa. Ele saíra dali sem ouvir nenhuma palavra da boca dela, ela apenas continuou parada, sem reação diante daquele beijo. Um suspiro de alivio foi desferido pela boca recém beijada da garota, ela precisava esperar seu amado. Os pensamentos voltavam a inundar sua mente. O melhor a se fazer era ignorar aquele fato, e seguir adiante, como se nada tivesse acontecido.

Sakura respirou fundo e seguiu até a mesa retirando de dentro das sacolas potes com doces e coisas que seu amado gostava sua felicidade não fora abalada, naquela noite ela veria seu amor novamente.

xXx

Um sorriso preenchia os lábios do mascarado que corria cada vez mais rápido, ele queria chegar o quanto antes no apartamento onde a amada o esperava. Ele conseguira encurtar seu caminho pegando um atalho e com a ajuda de Pakkun chegara mais rápido a Konoha.

A cada passo ele sentia-se mais feliz... ele estava chegando perto dela, mais uma vez estaria em seu braços, estaria deitado em seu colo recebendo um cafuné gostoso comendo pipoca e olhando um filme antigo na Tv. Era tudo que ele queria, e o que necessitava.

Ele entrou em Konoha por um portão lateral, não queria que ninguém soubesse da sua presença. Ele queria surpreende-la e queria esconder sua presença de Tsunade, certamente quando ela descobrisse que ele havia voltado à vila, ela o mandaria em mais uma missão.

De telhado em telhado, rapidamente Kakashi atingiu o telhado do prédio visinho de Sakura. Ele tentava chegar mais perto possível da janela o apartamento da amada, ao constatar que esta estava aberta, concentrou seu olhar para dentro do aposento.

--xXx--

Não tenho nada a dizer... A não ser que o fim se aproxima.

E com certeza... Este foi o inicio do fim. Espero que estejam gostando. Obrigada!