Um lugar para chamar de Lar

It had to be perfect

Inuyasha rodou os olhos e suspirou pesadamente assim que a porta bateu no portal. A mulher a sua frente recomeçou a andar murmurando coisas inteligíveis. Passou as mãos pelos cabelos negros, exasperado. Estava cansado e parecia que nada agradava a Kagome.

- Para qual nós vamos agora?

Ele ouviu-a perguntar e ergueu os olhos do chão para encarar abertamente os olhos azuis da parceira. Kagome tinha um pequeno sorriso no rosto e Inuyasha se perguntou por um segundo como ela conseguia.

- O que acha de tomarmos um café e respirarmos por um segundo antes de continuarmos sua caçada interminável? – Inuyasha retorquiu com outra pergunta enquanto os dois entravam no simpático elevador iluminado.

- Não é a minha caçada, senhor insensível. – Kagome respondeu suavemente ao mesmo tempo em que chegava mais perto do acompanhante e lhe enlaçava o braço. – É o nosso futuro.

- Oh não, eu sinceramente espero que nosso futuro seja mais fácil. – Ele respondeu brincalhão, admirando o rosto fino da morena. Deveria ter imaginado que seria assim, Kagome tinha a péssima mania de complicar as coisas. 'Eu não torno as coisas complicadas, apenas quero que tudo saia perfeito', ela vivia repetindo.

- Não seja mau, Inuyasha! – Ela sorriu, aquele sorriso envolvente que encantou Inuyasha dês de o primeiro momento.

As portas metálicas se abriram revelando a portaria do edifício. Os dois saíram lado a lado, caminhando juntos sob o sol suave que banhava a Quinta Avenida de luz branca, apesar de continuar frio.

Na esquina com o MET, o casal entrou na conhecida delicatessen, o familiar tilintar dos sinos anunciou-os e eles se sentaram numa mesa ao lado da grande janela.

- Estou tão feliz. – Kagome comentou distraidamente, enquanto Inuyasha segurava sua mão em cima da mesa.

- Estou tão cansado.

- Você adora cortar o clima. – Kagome suspirou um pouco frustrada e moveu sua atenção para a rua movimentada. – É o nosso apartamento, Inuyasha, vai ser nossa casa, nosso lar, onde nossos filhos vão nascer e nós vamos ficar por anos, senão pelo resto de nossas vidas. Ele tem que ser perfeito.

- E o que, nos últimos oito apartamentos, dos que visitamos hoje, não era perfeito, Kagome?

- Bom... – Ela mordeu o canto dos lábios sem força. – O primeiro era muito pequeno, vamos precisar de espaço. – A morena deu uma piscadela rápida e Inuyasha a correspondeu com um sorriso divertido. – O segundo tinha uns vizinhos estranhos, você ouviu aqueles barulhos? O que era aquilo? Parecia que eles estavam dançando com estátuas de mármore ao som de música dos anos 60! O terceiro era muito caro. Por mais que fosse bonito, não valia aquele preço todo... O quarto era aconchegante, mas a mulher não tinha a escritura oficializada e tudo o mais... –

- Nós podíamos conseguir isso, amor.

- Que parte de 'perfeito' você não entende?

- Ok, continue.

- Hum... Lamento interromper, - O garçom disse um pouco sem-graça, Kagome se virou para encará-lo com um sorriso simpático e o garoto, de no máximo uns dezesseis anos, corou levemente. Tirou a caneta de trás da orelha e colocou-a a postos com o bloquinho. – O que vão querer?

- Eu quero um... – Inuyasha chegou a começar, mas como sempre, não teve a chance de terminar a frase.

- Dois capuccinos com creme e canela, por favor.

- É para já. – O garoto saiu de perto da mesa dos dois para o balcão com um sorriso exultante. Inuyasha quase rosnou para aquele fedelho praticamente engolindo sua mulher com os olhos e por não ter conseguido o expresso que queria.

- Onde estávamos?

A voz feminina tirou Inuyasha de seus pensamentos irritados e puxou sua consciência de volta para a mesa que dividia com Kagome.

- Você parou no quarto apartamento.

- Oh, verdade. – Ela sorriu e puxou uma das mechas soltas do seu rabo-de-cavalo para trás da orelha. – O quinto tinha problema com canos, isso atrasaria a reforma, e bom... – As bochechas delicadas adquiriram um adorável, na opinião de Inuyasha, tom avermelhado. – Eu não agüentaria esperar mais. Mas o ponto não é o quanto eu quero morar com você, e sim o apartamento. Enfim, problemas hidráulicos são motivo mais que suficiente para descartarmos o quinto também. O numero seis era apertado. O número de cômodos era ótimo, mas o tamanho deles estava mal distribuído.

- Ah sim, nem sei como não reparei nisso. – Ele comentou debochado. A morena abriu a boca para discutir mais se deteve.

- É justamente por você não reparar, que eu o faço. – Sorriu satisfeita. – O sétimo não tinha uma vista bonita do quarto principal. E o caminhão de lixo passa lá em frente, duas vezes por semana, às cinco e meia da manhã, eu me informei, e do terceiro andar o barulho seria insuportável.

- E o último?

- Aqui senhores. – O jovem garçom colocou a xícara em frente aos dois, o capuccino fumegava por debaixo das camadas generosas de chantilly. – Espero que esteja de agrado. Desejam mais alguma coisa?

- Não obrigada, pode ir. – Kagome dispensou-o com um sorriso afável. – Bom, o último era alto demais.

- Só isso? E qual o problema de ser alto, afinal?! A vista é bem mais bonita do vigésimo andar.

- Pode ser perigoso. – Ela disse dando de ombros.

Inuyasha resmungou para si mesmo, amaldiçoando tudo e todos, mas sem deixar que nada desagradável chegasse aos ouvidos da mulher que bebia o café em pequenos goles observando a vista calmamente.

OoO

- Ai – Inuyasha suspirou se jogando pesadamente na cama.

- Não acredito que ainda não encontramos. – Kagome disse sutilmente enquanto tirava o casaco e, em seguida, a blusa e a calça jeans, ficando apenas com a lingerie azul marinha. – Já é o quarto dia seguido!

- É... Está com fome? – Ele perguntou olhando para onde ela estava, com as portas do armário abertas ela soltava as mechas negras que cascateavam pelas costas e começou a procurar nas gavetas interiores até pegar uma camisola branca.

- Estou, mas o que podemos pedir? Quero dizer, não tem nada para comer aqui. – Ela riu, eles estavam hospedados em um hotel há cinco dias, ambos recém-saídos da casa dos pais, enquanto procuravam um apartamento, tudo que comiam vinha do serviço de quarto. Kagome se sentou na beirada da cama com os joelhos dobrados e apertou levemente a sola do pé, sentindo-a dolorida do salto alto. Inuyasha ajeitou-se melhor na cama, para poder observá-la mais confortavelmente.

- Hum... Massa iria ser bom.

- É, mas eu prefiro frutos do mar. – A morena disse e sorriu, alcançando o telefone sem fio na mesa de cabeceira. – Alo? Ah, oi, eu gostaria de duas lagostas e vinho tinto para o quarto 1503. Uhum, para agora. Obrigada, tenha uma boa noite.

Então ela desligou o telefone.

- Ainda estou em dúvida sobre o ultimo apartamento. – Kagome disse olhando Inuyasha se sentar na cama. – Talvez devêssemos analisá-lo melhor, é o melhor 'candidato' até agora. E você hein, nem para me ajudar a escolher! Você vai morar lá também, sabia?

- Mas eu ajudei sim! – Inuyasha protestou indignado.

- Não, você não ajudou. – Kagome respondeu irritada, seguindo-o quando ele levantou da grande cama de casal. – Você só disse 'Esse está ótimo, vamos acabar logo com essa tortura.', não vou dar esse passo sem consultar a sua opinião.

- E porque não? – Ele a encarou por um minuto antes de entrar no banheiro. – Você faz isso pra tudo! – Ele disse antes de fechar a porta.

Kagome ficou estática por um segundo, olhando a porta fechada. Até que a campainha tocou, e voilá, frutos do mar.

OoO

Inuyasha desviou a atenção do transito por um momento, para olhar de relance para Kagome. A morena estava sentada, quieta ao seu lado, olhando fixamente pela janela lateral do carro.

- Pretende ficar de cara fechada por quanto tempo?

- Não sei, o quanto eu achar necessário.

- Se durar mais uma semana vai se casar com essa cara.

- Bom, a culpa é sua.

- Olha... Kagome, me desculpa ok? Não devia ter dito aquilo daquele jeito pra você ontem, mas eu estava estressado com todas essas inúmeras visitas à apartamentos e acabei, você sabe, descarregando em você.

- Não é que não devesse ter dito aquilo daquele jeito. Você não devia era ter dito! – Ela frisou o encarando.

- Você sabe que é verdade.

- Você fala como se eu fizesse tudo sem me importar com o que você quer ou sente, isso não é verdade, Inuyasha, admita!

- Faz sim, Kagome. Comida, lugares, cores, coisas, a minha opinião nunca é a definitiva é sempre o que você acha o que você quer. E eu sei que você é assim, eu te amo do mesmo jeito, quando eu te pedi em casamento, eu já sabia que você era desse jeito. Só não quero que aja como se estivesse esperando que eu decidisse, porque eu sei que não está.

- Estou sim!

- Claro que não está. – Ele disse com um pequeno sorriso, mas ela não o correspondeu.

- Você está me dando nos nervos Inuyasha. Quero dizer, tudo bem, digamos que eu decida em geral, e 'ignore' – Ela fez um sinal de aspas com as mãos – o que você quer, não posso fazer isso com o lugar onde vamos morar! Você tem que gostar, pra ser perfeito pra mim, o mais importante é que seja perfeito pra você também!

- E vai ser. – Inuyasha disse, pegando a mão dela, apoiando as duas entrelaçadas entre os bancos do carro. – Qualquer lugar com você, contanto que você goste e esteja comigo, vai ser perfeito, mesmo que seja debaixo da ponte!

Ela ficou em silêncio por um instante.

- Ainda assim... Quero que me diga o que achar, de cada um, com sinceridade. Tudo bem?

- Ta bom, ta bom. – Ele suspirou. – Eu sempre acabo fazendo o que você quer mesmo.

Kagome riu e bateu no braço dele.

OoO

- Enfim sós, senhora Taisho! – Inuyasha sorriu extasiado, adentrando no enorme e recém mobiliado apartamento. Depois da árdua procura, lá estava, pronto e... Bom, perfeito.

Kagome envolveu os braços em volta do pescoço dele enquanto Inuyasha a carregava no colo e o beijou profundamente, sem conseguir evitar de sorrir o tempo inteiro. Inuyasha subiu as escadas apressadamente com sua esposa nos braços até chegarem no quarto, onde foi fingidamente tropeçando até que os dois estivessem sobre a cama.

- Eu te amo.

Kagome acariciou o rosto perfeito dele.

- Eu amo mais, Inuyasha Taisho.

- Ta aí uma opinião da qual você nunca vai conseguir me convencer. – Eles riram e Inuyasha a beijou novamente, começando a abrir com as mãos ágeis os botões do enorme vestido branco-perolado de noiva, e em seguida acariciando as costas nuas.

Quando se separaram, ele se afastou da mulher e se apoiou nos cotovelos, admirando mais uma vez a beleza dela.

- Não importa onde estejamos, é você que transforma qualquer lugar, no meu lar.

OoO

Postando SUPER rápido, vou saiir minha gente.

Olha só, não eu NÃO morri e não vocês NÃO podem me matar por causa de república, apesar de ser tentador. Está difícil conciliar meus projetos, oneshots e a longfic com a escola e tipo, a minha vida. Porque eu não sou, de longe, de ficar em casa.

Entãão, me desculpem, eu estou me esforçando, mas está difícil ;s

Bom, é uma OUTRA one pro 30cookies – é claro –, tema 23. Apartamento. E essa fugiu completamente da proposta. Era pra ter ficado mais fofa e ter me concentrado no apartamento em si, neles pintando, escolhendo as coisas. Mas acabou que... Mudei completamente do rumo e ficou legal no final.

Espero que gostem.

MUUITO obrigada pelas reviews aqui e em república, vocês são uns amores e se eu escrevo é só pra vocês.

Beijinhos, Faniicat.