N/T: Queria agradecer todos os comentários e e-mails. Muito obrigada a Cuca Malfoy, Sly, Carol Manson pela presença e paciência. Valeu meninas. Agora vamos ao capítulo.
Capitulo 8
"Não vai falar de verdade?", perguntou Emmett enquanto parávamos no estacionamento da escola.
Bufei.
"Não vou ter essa discussão outra vez".
"Só estamos preocupados com você, Edward", suspirou Alice. "Não precisa se alterar assim".
Não gostei da acusação de que era o único que estava inquieto com a situação, mas não estava com humor para discutir isso por mais tempo. Havia passado a maior parte da manhã discutindo com minha família sobre minha decisão e os perigos que isso acarretava. Eu sabia de todos, já que estava me culpando a mim mesmo por toda a noite, por isso estava muito irritado para que eles sentissem a necessidade de me lembrar os riscos que estava correndo.
Levei alguns segundos para passar a vista por todos os outros carros e perceber que Bella ainda não havia chegado a escola. Minha família saiu do carro e rapidamente foi para o colégio, tentando fugir da chuva, antes de perceberem que eu não os estava seguindo. Se viraram um por um para me olhar diretamente, preocupados.
Não vem?
Não faça isso, Edward.
Tem certeza de que pode resistir?
Não vá muito longe.
Sacudi a cabeça
"Não se preocupem comigo. Ficarei bem depois de ter falado com Bella".
Quatro pares de olhos me olharam com incredulidade antes de se virarem e me deixar sozinho. Esperando a minha sina, meu destino.
Estava feliz com o silêncio do momento. Era a primeira vez desde que havia voltado de casa a noite passada que não era atacado por uma tormenta de pensamentos contrários a mim. Agra estava rodeado de desvarios internos dos rapazes e da chuva que me molhava.
Me aproximei dela, reparando como era agradável a forma em que seu cabelo caía sobre suas costas. Uma brisa me trouxe sua deliciosa essência. Inalei-a lentamente. Suas chaves caíram numa poça, franziu o cenho. Não tinha percebido que eu estava ali. Fiz-me notar pegando as chaves e me inclinei até seu carro. Deu um pulo.
"Como fez isso?"
"Fiz o que?", perguntei largando as chaves na palma da sua mão aberta.
"Apareceu de repente"
"Bella, não é minha culpa se você é excepcionalmente distraída"
Fez uma careta e olhou, repentinamente, para a calçada.
"Por que o engarrafamento de ontem? Pensei que você devia fingir que eu não existo, e não me matar de irritação".
Achei o comentário ligeiramente incômodo, mas de qualquer forma ri.
"Aquilo foi pelo Tyler, e não por mim. Tive que dar uma chance a ele".
"Você...". Abriu a boca como se as palavras lhe fugissem enquanto buscava o insulto adequado. Seu rosto ficou vermelho de raiva e eu podia sentir o calor de seu corpo até a certa distância.
"Não finjo que você não existe". Pelo menos não mais.
"Então está tentando mesmo me matar de irritação? Já que a van do Tyler não fez o serviço?"
Olhei para ela com raiva, estressado porque repetia outra vez que a queria morta. Se soubesse a verdade...
"Bella, você é totalmente absurda"
Girou sobre seus calcanhares com os punhos fechados e uma cara que mostrava irritação. Caminhou afastando-se de mim com fúria. Não havia sido minha intenção falar daquela maneira. Não achava que ela ia ficar brava comigo agora que estava tão obstinado em sua sobrevivência. Não aceitaria se eu sugerisse que queria escoltá-la em sua viagem se estivesse chateada comigo.
"Espere", chamei-a. A alcancei facilmente colocando-me ao seu lado. "Desculpe, tenho sido descortês". Se manteve calada, ignorando-me. "Não estou dizendo que não é verdade, mas, de qualquer forma, não foi educado".
"Porque não me deixa em paz?", grunhiu contestando.
"Quero perguntar uma coisa, mas você me desviou do assunto".
Ri com a idéia de que Bella e somente Bella, tinha a habilidade de me fazer perder o fio de meus pensamentos, graças ao fato de que não podia escutar os dela. E assim não sabia o que viria depois.
"Você tem distúrbio de personalidade múltipla?" Sua voz era pungente e seu corpo estava rígido.
"Está fazendo outra vez", acusei.
"Ok, O que quer perguntar?"
"Eu estava me perguntando se, no sábado que vem... Sabe como é, no dia do baile de primavera..."
Virou-se tão rápido que me pegou de surpresa.
"Está tentando ser engraçadinho?" Seu rosto se contorceu de tanta raiva, olhando-me, quase cai na risada.
"Por favor, me deixe terminar?"
Bella respirou fundo e apertou as mãos com força, juntando-as, me mostrando assim que havia se forçado a esperar pacientemente que continuasse.
Ficava linda quando se irritava.
"Eu a ouvi dizer que vai a Seattle nesse dia e estava pensando se..."
Pestanejou devido à surpresa.
"O quê?"
"Quer uma carona para Seattle?"
"Com quem?"
"Comigo, é claro". Articulei as palavras lentamente para me assegurar de que não havia perdido o significado outra vez.
Seu rosto mostrava confusão. Ou seria desgosto. Não tinha certeza.
"Por quê?"
"Bom, eu pretendia ir a Seattle nas próximas semanas e, para ser sincero, não tenho certeza se sua pickup vai agüentar". Pensei nessa desculpa mais cedo, de madrugada, quando Jasper havia assinalado que Bella não ia acreditar se lhe dissesse que queria ir com ela sem nenhum motivo.
Mas não estava convencida.
"Minha pickup funciona muito bem, obrigada por sua preocupação" Se afastou de mim, ainda nervosa.
"Mas sua pickup pode chegar lá com um tanque de gasolina?" Insisti alcançando-a de novo.
"Não vejo como isso pode ser da sua conta"
"O desperdício de recursos não-renováveis é da conta de todos"
"Francamente, Edward", quase ofeguei ao ouvir meu nome sair de novo de seus lábios, lembrando-me o quanto havia desfrutado quando o escutei a noite passada. "Eu não consigo te entender. Pensei que não quisesse ser meu amigo".
"Disse que seria melhor que não fôssemos amigos, e não que eu não queria ser", corrigi.
"Ah, obrigada, agora está tudo muito claro". O sarcasmo impregnava sua voz.
Paramos embaixo da cobertura do refeitório onde a chuva não podia nos molhar e ela levantou o olhar, cravando seus profundos olhos chocolates nos meus, enfeitiçando-me.
"Seria mais... prudente para você não ser minha amiga", disse com ênfase uma vez que havia encontrado a palavra mais apropriada. "Mas estou cansado de tentar ficar longe de você, Bella".
Manteve o olhar, como se quisesse entrar em minha alma. Seu rosto se suavizou e se ruborizou. Poderia passar minha vida inteira olhando para este rosto. Para sempre.
"Vai comigo a Seattle?", perguntei suavemente.
Vacilando, assentiu com a cabeça como resposta. Um calor surpreendente percorreu meu peito ao ver essa afirmação, mas o seu rubor em sua tez me lembrou que era humana.
"Você realmente deve ficar longe de mim", afirmei.
Não confiava em mim mesmo o suficiente para ficar com ela mais tempo. Terminei a conversa dizendo que a veria mais tarde na aula, e me virei, obrigando-me a me afastar dela.
Andava pelas salas da escola desejando encontrar algum tipo de distração para não me deixar levar pelas súbitas reações de Bella que, claramente, me afetavam. Tinha umas poucas horas antes de voltar a vê-la, e precisava desse tempo para clarear meus pensamentos e me preparar para me sentar com ela durante uma hora inteira. Seria complicado, mas em meu íntimo desejava isso.
Parei, cismado com o primeiro período de aula, quando Emmett me bombardeou e me empurrou para um canto, em uma área mais afastada. Sua voz gritava em minha mente.
Não vá a aula de Biologia. Fique longe a qualquer custo.
"Emmett, não vou ter outra vez essa discussão com você. Já te disse que..."
Estão fazendo tipagem sangüínea.
Fiquei estarrecido, sem acreditar. Apesar de ter escutado seus pensamentos.
"O quê?"
Sangue. "Só picam o dedo, mas ainda assim..." Sangue.
"Tem certeza?"
"A semana que vem terá coleta de sangue em Port Angeles, assim hoje estão testando o grupo sangüíneo das pessoas em caso de alguém querer doar".
Amaldiçoei baixinho. Uma coisa mais a acrescentar ao complicado assunto. Sangue... não importava quão pequena fosse a ferida, sabia que não ia ser capaz de agüentar uma sala fechada com vinte dedos sangrando – e menos se um deles for o de Bella. A tentação de prová-lo seria muito forte.
Você não pode ir à aula de Biologia hoje.
"Eu sei, Emmett, obrigado"
"Bom, parecia que você estava considerando se ia ou não".
"E estava", admiti.
"Mas, Edward..."
"Não vou correr o risco, por isso não se preocupe em me convencer a não ir"
"Nós planejamos cabular", explicou, "Jasper queria ir para casa agora e evitar a situação todos juntos, mas Alice não o deixaria".
"Bom para ela"
"Então... também vai cabular"
"Não tenho outra alternativa. Me preocupo com..." Deixei a frase inacabada. Não queria manifestar meus sentimentos por Bella novamente.
"Não pode vê-la hoje, Edward", declarou Emmett como se fosse capaz de escutar meus pensamentos. "Sei que quer, mas não pode".
Olhei para ele com determinação.
"Quer apostar? Se não a vejo ela vai achar que estou bravo com ela outra vez. Agora que consegui fazer um progresso não vou parar".
Emmett suspirou com os olhos quase fechados.
Não acredito. Não pode ignorar...
"Almoço", disse interrompendo-lhe o pensamento. "Vou falar com ela no almoço. Desta forma, posso dizer a ela que não vou a aula e vai saber que não tem nada a ver com ela".
Apesar de tudo ter a ver com ela.
Sorri, mas não disse nada.
"Seria melhor do que ir a aula"
Assentiu com a cabeça e me deixou sozinho de novo com meus pensamentos. Era bom que tivéssemos aulas separadas, às vezes, pois seria suspeito se todos nós decidíssemos cabular juntos, já era muito difícil encontrar razões convincentes para não ir quando fazia sol. Mas se tivéssemos biologia todos juntos e deixássemos cinco assentos vazios quando todos estávamos no colégio mais cedo, alguém iria perguntar o porquê. Carlisle havia insistido reiteradamente que nos mantivéssemos em classes separadas por este motivo.
Rosalie não gostava, nunca havia gostado de ficar sozinha com um grupo de humanos sem algum membro da família. Jasper também, mas por outras razões. Por mais que gostasse de ser o centro das atenções, Rosalie não gostava que as outras pessoas especulassem sobre como ela era diferente. Se tivesse escolha, seria humana de novo. Jasper, por outro lado, não confiava em si mesmo o suficiente. Vivia assim por Alice, já que não teria nenhum problema em beber sangue humano. Havia sobrevivido alimentando-se de humanos, e o faria outra vez se não tivesse outra opção.
Lutei durante o resto do dia, mas não por conta da análise de sangue, mas porque parecia que o tempo passava devagar demais. Ansiava por voltar a ver Bella, escutar a suave melodia de sua voz, ver o adorável ruborizar de sua pele, inalar a doce fragrância de seu sangue. Depois de haver me negado durante tanto tempo, sabendo que não teria oportunidade de estar em sua presença de novo, algo se remexeu dentro de mim. O almoço não estava suficientemente perto. Ri comigo mesmo ao pensar na ironia disso tudo.
Quando cheguei, me sentei no lado oposto do refeitório onde normalmente sentava com minha família. Rosalie me deu um olhar fulminante, mas podia escutar a mente de Emmett enquanto tentava acalmar sua ira. Alice, aparentemente, parecia ter tido êxito em convencer Jasper, já que não escutei nenhum pensamento desagradável de sua mente, só palavras de precaução. Tomei nota mentalmente para agradecer Alice. Ela tinha me ajudado mesmo que seus motivos fossem suspeitos.
Meus sentidos me alertaram da presença de Bella no exato momento em que entrou no refeitório. Seus olhos se desviaram para minha mesa habitual, e vi uma chama de decepção em seu rosto quando percebeu que eu não estava ali. Estava me procurando. Era gratificante saber que queria me ver. Desejei que seus olhos me procurassem no outro lado da sala, mas virou-se para Jessica, pesarosa, disposta a se sentar.
Quase gritei para que olhasse para mim, mas sabia que isso chamaria muita atenção. Já que meus poderes mentais estavam longe de funcionar em Bella, dirigi minha atenção a Jessica e lhe mandei uma ordem silenciosa para que me visse. Fiz isso. Foi muito fácil.
Edward Culle está olhando para nós... não... para Bella... BELLA!! E está sozinho? Porque não está com sua família?
Os olhos de Bella encontraram os meus num lampejo. Formosos. Não queria confundi-la com meus desejos, então, movi o dedo indicador para ela, sugerindo-lhe que viesse e se sentasse comigo. A surpresa em seu rosto era intoxicante.
Tá de brincadeira. Não está se referindo a ela, né? Lição de biologia! Ele quer algo. Oh, uau.
Seus passos foram rápidos, e se aproximou da mesa parando ao lado da cadeira que estava na minha frente. Seu rosto refletia tantas perguntas que me doeu não ser capaz de respondê-las. Em vez disso, disse para se sentar.
"Por que não fica comigo hoje?"
Para minha surpresa, se sentou sem discutir. Quase fiquei decepcionado já que tinha bons argumentos para rebater qualquer objeção que pudesse ter. Só me olhava com total curiosidade. Seus olhos em meu rosto, sorri.
"Isso é diferente", disse ela depois de uma pausa.
"Bom", suspirei, "Eu concluí que já que vou para o inferno, posso muito bem fazer o serviço completo".
Era a verdade, apesar de me olhar de soslaio, incrédula.
"Sabe que não faço idéia do que você quer dizer"
"Eu sei", e isso era algo bom também. Se soubesse, ainda que fosse uma idéia remota estava certo de que sairia correndo no mesmo instante. Talvez devesse fazê-lo. Fugir de mim.
De uma parte de minha mente escutava os pensamentos distantes de Mike e de Jessica.
Por que ela está com o Cullen?
Não sei. Ficaria tão nervosa.
Não gosto disso. Não deveria estar com ele.
Queria que Mike prestasse toda essa atenção em mim, e não em Bella.
"Acho que seus amigos estão com raiva de mim por ter roubado você", informei.
"Eles vão sobreviver". Quase se virou para olhar para eles, mas seus olhos continuavam fixos nos meus.
"Mas é possível que eu não a devolva". Apesar de querer que meu comentário soasse como uma brincadeira, Bella, em dúvida, escutou a verdade além de minhas palavras e engoliu em seco. "Parece preocupada", completei.
"Não", respondeu. "Surpresa, na verdade... Qual é o motivo disso tudo?"
Ainda não acreditava em mim.
"Eu lhe disse. Fiquei cansado de tentar ficar longe de você. Então estou desistindo".
"Desistindo?", repetiu.
"Sim, desistindo de tentar ser bom. Agora só vou fazer o que eu quiser e deixar os dados rolarem". Condenemos o destino.
"Está me confundindo de novo"
Oh, como me fez sorrir.
"Eu sempre falo demais quando converso com você... Este é um dos problemas"
"Não se preocupe... Eu não entendo nada mesmo".
"Estou contando com isso"
"Então, numa linguagem clara, agora somos amigos?". Havia certa incerteza em sua voz, pelo que pude perceber, estava pensando que queria dizer algo mais que amigos, mas então, provavelmente estava escutando o que queria ouvir, mais que a verdade. Nunca saberia já que não era possível escutar sua mente.
"Amigos", disse em um breve sussurro pensando na palavra em questão.
"Ou não", murmurou.
Um sorriso se formou em meu rosto outra vez. Era totalmente impossível resistir o desejo de sorrir para ela, apesar da conversa confusa.
"Bom, acho que poderemos tentar. Mas estou avisando desde já que não sou um bom amigo para você".
Não me passou despercebido que estremeceu ligeiramente e empalideceu.
"Você já disse isso muitas vezes".
"Sim, porque você não está me ouvindo. Ainda estou esperando que acredite nisso. Se for inteligente, vai me evitar". Mas sabia que não seria capaz de fazê-lo. Por mais que tentasse facilmente podia convencê-la a voltar para minha vida. Era como um círculo vicioso do qual não havia saída.
Aparentemente, havia dito algo incorreto de novo, porque os olhos de Bella se estreitaram quando falou.
"Acho que também já deixou clara sua opinião sobre o meu intelecto".
Sorri, arrependido.
"E aí, como estou sendo ... nada inteligente, vamos tentar ser amigos?". Fez uma careta deliciosa tentando entender os detalhes da nossa conversa confusa.
"Isso parece bom"
Seus olhos se desviaram para a garrafa de soda limonada que tinha nas mãos. Torceu os lábios e sabia, se é que sabia, que estava pensando sobre isso. Não pude me reprimir mais e deixei escapar.
"No que está pensando?"
"Estou tentando entender quem é você".
Mais uma vez, me pegou desprevenido porque não era isso o que achava que estava pensando.
"Está tendo sorte?"
Esperava que dissesse não e fiquei levemente aliviado quando confirmou sua negativa.
"Quais são suas teorias?"
O sangue se acumulou em suas bochechas e sua pele adquiriu um tom rosado encantador. Pressionou com seus dentes o lábio inferior, numa deliciosa careta... e quase perdi a cabeça ao me imaginar como seria sentir seus lábios entre os meus dentes.
Me forcei a eliminar esse pensamento de minha cabeça.
"Não vai me dizer?", supliquei.
Sacudiu a cabeça negando e espalhando sua essência pelo ar.
"É constrangedor demais"
"Isso é muito frustrante, sabia? ", me queixei.
"Não consigo nem imaginar por que seria frustrante", o sarcasmo em sua voz regressou junto com seu cenho franzido, "Só porque alguém se recusa a contar o que está pensando, mesmo que o tempo todo esteja fazendo pequenas observações obscuras que pretendem especificamente que você passe a noite toda se perguntando o que poderiam significar... Ora, por que isso seria frustrante?"
Minha respiração se cortou com a menção de que não podia dormir porque estava pensando em mim.
"Ou melhor", continuou sem inibição nenhuma, liberando seu rancor, "Digamos que a pessoa também tenha tido uma série de atitudes estranhas... de um dia salvar sua vida sob circunstâncias impossíveis a tratá-lo como um pária no dia seguinte, e nunca explicar nada disso, nem mesmo depois de ter prometido. Isso também não seria nada frustrante".
Era ruim achá-la mais atraente quando ficava irritada? A maneira em que suas veias bombeavam seu sangue era fascinante.
"Você tem um gênio e tanto, hein?", observei.
"Não gosto de dois pesos e duas medidas".
Nossos olhos se encontraram enquanto tentava averiguar seus verdadeiros sentimentos por mim. Me concentrei tentando alcançar sua mente, mas de novo, nada! Vazia. A única mente que podia escutar claramente vinha da mesa onde Bella se sentava normalmente.
Ele a está incomodando. Ela está irritada com ele. Talvez devesse ir lá e falar para Bella se sentar conosco. Me pergunto o que o Cullen faria.
O que faria? Te desafio a vir conferir.
"Que foi?", perguntou Bella.
"Parece que seu namorado acha que estou sendo desagradável com você... Está se perguntando se vem ou não interromper nossa briga". Era motivo de risada que pensasse uma coisa assim.
"Não sei de quem está falando. Mas tenho certeza de que está enganado", sua voz era fria, mas o calor se espalhou por seu corpo.
"Não estou. Eu lhe disse, é fácil interpretar a maioria das pessoas"
"A não ser a mim, é claro"
"Sim. A não ser você", reparei nela durante um momento, perguntando-me se sabia de algo da luta que tinha tido para ter uma conversa coerente com ela. Talvez fosse por isso que tínhamos a tendência a discutir. Não compreendia suas palavras tão bem quanto gostaria. Me deixava desconcertado. "Fico me perguntando o porquê disso".
Afastou os olhos de mim e bebeu sua limonada. Pela primeira vez desde que havia se sentado comigo, notei que não tinha trazido nenhuma comida.
"Não está com fome?", perguntei preocupado.
"Não. E você?"
"Não, não tenho fome". Oh! A ironia da pergunta! A presa perguntando ao caçador se o alvo estava pronto. Imediatamente me repreendi por me referir a ela desta forma.
"Pode me fazer um favor?", hesitou.
Ia dizer que sim, mas tinha que ser prudente. Ainda que soubesse que faria qualquer coisa que me pedisse mesmo que tivesse sido que me afastasse dela.
"Depende do que você quer"
"Eu só pensei, se, para meu próprio bem, você podia me avisar com antecedência da próxima vez que decidir me ignorar. Para que eu fique preparada."
Tentei não rir e disse:
"Parece justo".
"Obrigada", replicou.
Mas havia aberto a porta e, simplesmente não podia resistir ao convite.
"Então Possi ter uma resposta em troca?"
"Uma"
"Me dê uma teoria". Pela expressão de seu rosto – olhos bem abertos – provavelmente foi pega de surpresa, mas tinha que saber.
"Essa não"
"Você não qualificou", apontei, "Só prometeu uma resposta".
"Claro, e você nunca quebrou uma promessa". Tentava me distrair de novo mudando de assunto. Não funcionaria.
"Só uma teoria... não vou rir"
"Vai sim"
Tinha razão, provavelmente riria, já que sinceramente, duvidava que tivesse chegado perto da verdade. Olhei para ela, desejando com fervor que me dissesse, mas como não respondia, recorri ao tom suplicante. Me inclinei para mais perto dela e murmurei um simples:
"Por favor?"
"É... O quê?", disse parecendo deslumbrada, ou algo assim.
O feitiço devia ter funcionado nesse momento. Não querendo confundi-la, articulei meu pedido, lentamente, muito lentamente.
"Por favor, me conte só uma teoriazinha"
"Hmmmm, bom, foi picado por uma aranha radioativa?", gaguejou. Sua conclusão era inverossímil.
Tinha que admitir que era um começo, se bem que nada original.
"Isso não é muito criativo"
Franziu o cenho.
"Sinto muito. É só o que tenho"
"Nem chegou perto". Graças a Deus.
"Nada de aranhas?"
"Não"
"E nada de radioatividade?"
"Nada"
"Droga". Estava levemente decepcionada.
"A criptonita também não me incomoda", terminei sem ser capaz de não brincar com ela uma vezinha sequer.
"Não devia rir, lembra?"
Me obriguei a manter uma expressão solene, mas não foi preciso depois que a escutei falar:
"Um dia eu vou descobrir"
Todo o humor desapareceu com sua advertência.
"Gostaria que não tentasse"
"Porque..."
"E se eu não for um super-herói? E se eu for o vilão?" Agora estava sendo tão honesto com ela quanto podia, tentei sorrir.
"Ah, entendi"
Podia ver sua cabeça funcionar e fiquei com medo de pensar que ela soubesse de algo.
"Entendeu?"
Perguntei desejando com todas as minhas forças poder saber o que estava acontecendo em sua adorável cabecinha.
"Você é perigoso?", perguntou como se de repente, houvesse percebido que todos os meus comentários tinham certa consistência. Isso a havia conduzido até esse momento.
Forcei meu corpo a permanecer quieto e não manifestar que estava nervoso. Estava nervoso por que havia chegado a uma conclusão não desejada.
"Mas não é mau", concluiu. Sua voz não era maus que um suspiro. "Não, não acredito que você seja mau".
"Está enganada", peguei a tampa da garrafa e comecei a girá-la sobre a mesa para me distrair. Era mau. Era muito mau por estar com ela. Era mau por desejá-la da forma que a desejava. Mesmo falar com ela poderia se considerar como quebrar as regras. Mas não podia ignorá-la mais. Tinha que protegê-la. Mas como protegê-la de mim?
De repente, deu um salto.
"Vamos chegar atrasados"
Quase esqueci que estávamos no colégio. Estava tão distraído com sua presença...
"Eu não vou a aula hoje"
"E por que não?"
"É saudável matar aula de vez em quando". E só o demônio sabia o que faria com você se estivesse tão perto do seu sangue.
"Bom, eu vou". Disse, mas não parecia muito confiante.
"A gente se vê depois, então", prometi, deixando claro que desejava vê-la. Muito mesmo.
Ficou quieta, esperando algo, ou, simplesmente me olhando. Ficava louco por seu incapaz de conhecer seus pensamentos. Não se moveu até que o som do sinal a sobressaltou, tirando-a de seus silenciosos pensamentos e se foi correndo.
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