CAPÍTULO II

O primeiro passo


Desde a ceia de Natal que Dawn estava fugindo dele, Gui tinha certeza disso. Não que fosse muito difícil de descobrir, afinal toda vez que ele entrava em algum lugar que ela estava, ela logo encontrava uma maneira de escapar rapidamente antes que ele a alcançasse. Mas agora recomeçavam as aulas. Ia aproveitar toda e qualquer oportunidade para se aproximar dela dentro de sala. Quem sabe assim, aos poucos, ela fosse se acostumando à presença dele.

A primeira oportunidade surgiu logo na aula de História da Magia. Não eram muitos os alunos que continuavam essa matéria depois dos NOM's, mas Gui não teve dificuldades em descobrir como ele nunca a tinha notado em sala: ela foi uma das últimas alunas a entrar e logo se sentou na última fila e se escondeu atrás de alguns livros ao se debruçar sobre o pergaminho.

Ele pegou um pedaço de papel e rabiscou "Bom dia! Contente com a volta às aulas? Gui", transformou-o num pequeno pássaro e o fez voar até a mesa dela. Ela não chegou a responder o bilhete, mas Gui não pode deixar de se sentir satisfeito. Tinha certeza de tê-la visto esboçar um leve sorriso ao lê-lo.


"Dawn!", ela ouviu chamar quando saía para os jardins para aproveitar a bela tarde de sábado que fazia. Pretendia passar um tempo estudando na beira do lago. "Melhor ignorar", pensou, "assim desistem logo", mas, pelo jeito, estava enganada. Logo foi alcançada por um garoto esbaforido.

"Oi! Estava te chamando. Não me ouviste, acho...", disse Gui com um sorriso estampado no rosto.

"Ouvi", disse ela sem diminuir o passo.

"E porque não paraste?", perguntou ele soando ressentido. Ela não respondeu de imediato, apenas ficou a fitá-lo. Ele realmente parecia magoado com ela.

"Vem", disse ela continuando até onde costumava ficar. Ali largou suas coisas e se sentou na grama. Ele fez o mesmo. "Foi a Sofia que pediu pra fazeres isso?"

"Fazer o quê?"

"Me mandar bilhetes durante as aulas, acenar todas as vezes que passa por mim no corredor e, agora, me seguir até o jardim".

"E por que achas que a Sofia pediria isso pra alguém? Por que ela pediria pra mim?"

"Não se faça de sonso... Essa é a idéia dela de diversão afinal de contas, não é? Ou ela nunca contou pro namorado dela?", ao ver a expressão confusa de Gui, amenizou o tom de voz e continuou, "Pelo jeito não contou... Olha, eu não sei porque ela faz isso, mas ela sempre arruma uma forma nova de me incomodar, não sei o que ela tanto quer de mim e nem me interessa. Provavelmente nem ela sabe, só é uma brincadeira tola de uma garota fútil..."

"A Sofia não faria uma coisa dessas, ela é um doce, ela é..."

"Linda, eu sei...", Dawn o interrompeu, "Mas se não foi porque ela pediu, por que então? Se for pra pedir ajuda em alguma matéria, só quero dizer que não sou tão boa aluna assim não".

"Nossa! É assim tão difícil acreditares que só quero te conhecer? Assim, sem nenhum motivo oculto?"

"De certa forma, é sim. Isso não acontece há dezesseis anos, iria começar a acontecer agora por quê?"

"Bem, eu lhe dou minha palavra que eu vim porque quis e pelo único e singelo motivo de te conhecer, de tentar descobrir que caraminholas circulam aí dentro pra achares que ninguém em sã consciência falaria contigo", ele sorria enquanto falava isso e ela, mais uma vez, se perdeu naquele sorriso, "Se não quiseres conversar, tudo bem. Mas posso ficar aqui lendo?"

"Se eu dissesse que não, tu irias embora?", perguntou incredulamente.

"Primeiro eu tentaria te convencer a me deixar ficar... Daí, das duas uma: ou tu deixarias ou então a gente ficaria discutindo isso até ficar frio o suficiente pra nos espantar pra dentro do castelo".

"Pois então...", disse ela abrindo seu livro, "Faz o que achares melhor", e ali ficaram os dois; sentados silenciosamente lendo, cada um concentrado em seu livro, até que o sol começou a se pôr e eles tiveram que entrar, antes que congelassem na noite fria.


Gui estava sentado no salão principal, próximo à lareira. Estava lendo sobre as revoluções ocorridas no mundo durante o século XVII. Dawn havia sugerido aquele livro a ele quando ele suspirou que não sabia se um dia conseguiria saber a seqüência de todas as revoluções. Já havia mais de um mês desde aquele primeiro encontro à beira do lago. Dawn ainda não conversava com ele, mas Gui não podia deixar de ficar contente com o fato de que agora ela já não mais o mandava embora, ainda mais que hoje ficou comprovado que ela ouvia quando ele falava. Será que algum dia ela abriria a guarda?

Não conseguiu prosseguir muito tempo neste pensamento, logo entraram os jogadores do time da Grifinória depois de um treino sob chuva, o que significa dizer que logo todos estavam ao redor de Gui procurando se aquecer e, como não poderia ser diferente, falar de quadribol.

"Se a gente continuar nesse ritmo", começou Carlinhos, "a Lufa-lufa não vai ter chance no próximo fim de semana".

"Até porque eles só têm um apanhador bom, mas que não chega nem aos pés do nosso caro capitão. O resto do time deles está um lixo esse ano", comentou Diego Simmons, goleiro.

"Além disso, vai ser difícil ter condições piores que a de hoje no jogo", riu Susana, batedora, "Achei que fossemos ficar congelados nas vassouras".

"Ora, minha cara, pode deixar que eu me encarrego de te aquecer hoje", Carlinhos falou passando o braço sobre os ombros da garota.

"Por favor, Carlinhos", ela começou ao tirar o braço dele e, sorrindo, continuou, "Eu te conheço bem o suficiente para não cair na tua conversa", com isso todos os presentes riram.

"Assim tu partes meu coração", fez uma cara de fingida mágoa para ela, "se saio com tantas garotas é porque não me queres. Um cara como eu não pode ficar desacompanhado. Está aqui meu irmão para confirmar como eu sofro quando fico sozinho".

Todos olharam para Gui com caras de grande divertimento. "Realmente. Ele entra em crise sempre que fica sozinho. Ele acha que a beleza e a habilidade no quadribol dele intimidam as garotas. Mas eu já disse que é porque elas não gostam da modéstia dele", e com isso todos soltaram uma grande gargalhada.

"Viu só, Susi? Nem meu irmão me compreende. É por isso que eu preciso de companhia. Ainda mais quando a companhia tem esses belos olhos cinza".

"Sinceramente, ser a única garota nesse time tem seus inconvenientes", sorriu ela ao se levantar e, logo depois de dar um beijo leve na cabeça de Carlinhos, continuou, "Durma com os anjos".

"Só esse beijo que eu ganho?", disse ele se levantando. Ela apenas girou o rosto e piscou de leve um dos olhos, "Não sei como ela resiste ao charme Weasley...". Todos riram e deram boa noite ao subirem aos seus dormitórios.

"Vamos dormir, meu irmão. Acho que só nos teus sonhos a Susi vai te dar mole. Sabes que ela tem namorado".

"Um namorado trouxa... Portanto passo muito mais tempo com ela que ele", Carlinhos parou na porta do dormitório de Gui impedindo a passagem do irmão, "Além disso, até hoje nenhuma garota que eu tenha decidido conquistar resistiu. Com Susi ainda não rolou não porque ela tem um namorado, mas porque eu realmente gosto dela, ela é minha amiga", saiu da frente da porta e sorriu para o irmão, "Mantenha em mente que os Weasley sempre conseguem alcançar seus objetivos mais cedo ou mais tarde: e o meu objetivo não reside na torre da Grifinória, mas na torre da Corvinal". Com isso os irmãos se separaram e foram dormir.


Dawn estava sozinha andando por uma casa escura. A pouca iluminação entrava por pequenos vitrais iluminados pelo luar. Não reconhecia aquele lugar. Era impulsionada a seguir pelo corredor estreito e sem portas. Tinha certeza de estar sendo seguida. Começou a apressar o passo. Coração acelerado. Estava com medo, mas tinha as mãos firmes. Começou a correr. De repente viu ao longe uma fina luz tremulante. Correu com todas as forças para tentar alcançar a luz antes que o que quer que a estivesse perseguindo a alcançasse. Ao se aproximar passou a perceber uma leve silhueta se formar na passagem iluminada. Aos poucos pode ver quem era: Gui. Ele estava com as mãos estendidas, a chamando. Quando achou que iria tocar as mãos dele com as suas o chão sob ela cedeu e ela caiu num abismo sem fundo.

"Finalmente acordaste", ao abrir os olhos Dawn pôde ver que as garotas que dividiam o quarto com ela estavam ao redor de sua cama, provavelmente tinham tentado acordá-la, "E não grite de novo. Estou cansada de me levantar às duas da madrugada. Da próxima vez vamos te jogar porta a fora, quem sabe assim pares de sonhar", grunhia Sofia enquanto voltava à sua cama, seguida por todas as outras garotas. O que elas achavam afinal? Que Dawn gostava de acordar todas as noites com pesadelos? Grandes cabeças de vento, todas elas. E porque afinal aquele sonho volta e meia se repetia?


N/A: Gostou? Não gostou? Bem, deixe um comentário para que eu saiba e possa, talvez, melhorar minha forma de escrever! A todos que já me deixaram comentários, o meu muito obrigada!