CAPÍTULO V
Lar, doce lar?
Dawn caminhava silenciosamente. Atravessou a sala escura e abriu a porta que ficava parcialmente escondida ao lado de uma estante. Assim que fechou a porta atrás de si sussurrou, "Lumus". A ponta da varinha se iluminou e pôde-se ver que ela estava num corredor estreito, escuro e úmido. A poucos passos estava uma escada que levava ao porão da casa. Ela suspirou e começou a descer. A cada passo ela lembrava o quanto odiava aquela casa. Chegou a uma sala. Ali não era tão úmido como no corredor, mas a iluminação e a ventilação eram precárias. A sala tinha apenas um tapete cobrindo o chão, um toca-discos, uma cama e uma poltrona. Cerrou os punhos. Logo não precisaria mais voltar àquele lugar. E o mais importante: poderia finalmente tirar sua mãe dali. Caminhou até ela. Estava sentada na poltrona. O rosto pálido, o cabelo negro, os olhos frios e sem vida. Era assim que ela permanecia a maior parte do tempo agora. Sentou-se aos pés dela. Gostava de conversar com a mãe, tinha certeza que ela podia ouvir, apesar de não responder.
"Cheguei hoje cedo de Hogwarts. Tentei vir antes, mas... Bem, ele não deixou. Preferi não discutir, ainda vamos ter que conviver com ele por mais alguns meses... É o último ano de escola, mãe... Época de NIEM's, Níveis Incrivelmente Extenuantes de Magia. Vai ser um ano difícil, muitas coisas pra estudar... Mas eu venho te visitar sempre que eu conseguir", ela suspirou e sorriu, "Tantas coisas aconteceram esse ano... Mas vamos ter tempo de conversar", ela se levantou, "agora vou voltar pro meu quarto. Amanhã tenho que acordar cedo. Até amanhã".
Dawn saiu do porão. Mais uma vez a mãe nem ao menos se mexeu. Não demonstrou ter ouvido uma única palavra dita. Mas era só com ela que Dawn conseguia desabafar, só pra ela que conseguia contar seus sentimentos. Doía muito ter que deixá-la nessa casa. A casa de seus avós não era o lugar certo para sua mãe, não era o lugar certo pra ninguém, na verdade, mas era preciso. Seu tio estava certo: ela só poderia dar uma vida digna para a mãe depois que concluísse seus estudos. Depois as coisas voltariam a ser como antes: só ela e a mãe.
Os primeiros raios de sol começavam a despontar no horizonte e naquela casa, que estava em pé apenas pelo uso de mágica, todos dormiam. Melhor, quase todos. Uma pequena garota de cabelos ruivos, como todos ali, caminhava carregando sua pequena boneca que usava a mesma camisola rosada que a menina. Ela entrou num dos quartos e deitou na cama ao lado de um garoto, Gui. Ela então o chamou ao pé do ouvido:
"Guizinho! Eu tô com fome..."
Após alguns segundos ele resmungou, ao levantar-se da cama, "Já volto, só vou ao banheiro..." Gui realmente não acreditava na sua sorte: sua pequena irmã, Gina, tinha mais cinco irmãos além dele, e, de todos, ele tinha que ser seu preferido. Isso seria ótimo, se não fosse o fato dela o acordar todos os dias antes das seis horas da manhã para que ele lhe preparasse comida. Pegou sua irmã no colo e desceu até a cozinha. Como todas as manhãs, preparou o café para os dois e, depois de comerem, deitaram no sofá e cochilaram, até que sua mãe, Molly, apareceu com o restante da família. Estava pensando em voltar a dormir quando um farfalhar de asas chamou sua atenção.
"Era o correio, não?"
"Esperando cartas, Gui?", riu Carlinhos.
"Ah, não é isso... É que... Bem, só curiosidade...", disse sem graça. Como confessar que estava esperando ansiosamente por uma carta há dias?
"É pra você mesmo", fez a Sra. Weasley entregando o envelope para Gui. Ele o segurou tremendo. Tinha o timbre de Hogwarts. Era agora que ia saber. Estava tão compenetrado em abrir a carta que não notou que os olhos de todos os membros de sua família estavam fixos nele. Abriu a carta e ali estava o que tanto esperava. Sorriu e disse, "Agora eu sou monitor-chefe, mãe". A senhora Weasley não pode conter a alegria e correu até o filho o abraçando fortemente e chorou. Gui começou a rir. Sua mãe se emocionava muito facilmente. Agora tinha certeza.
Dawn caminhava cabisbaixa pela rua suja. Ao seu lado caminhava seu tio, Severo Snape. Ao longe se avistava a casa de seus avós, a prisão de sua mãe. A confusão tomava conta de sua mente: estava triste por deixar a mãe ali, mas, por outro lado, estava contente de voltar a Hogwarts. Estava ainda mais contente porque ia ver Gui novamente. Enrubesceu com este pensamento e se censurou em pensamentos, "Que bobagem... Estou contente de voltar pra Hogwarts porque é o último ano, depois posso ir pra onde quiser. Gui não tem nada a ver com o assunto".
"Preocupada?", perguntou o tio.
"Um pouco... Não sei se mais por causa dos NIEM's se aproximando ou se por deixar a mamãe..."
"Se preocupe só com os teus exames. Alexia ficará bem. Eu me assegurarei disso". Dawn confiava no tio, sabia que ele protegeria a mãe dela sempre. Mas ele não poderia estar ao lado dela sempre, não é mesmo? Como se pudesse saber de seus pensamentos seu tio continuou, "Pare de se preocupar, sim? Já nos afastamos o suficiente, agora se concentre. Não quero ter que juntar seus pedaços por causa de uma aparatação mal feita".
"Pode ter certeza que isso não será preciso", respondeu ela com um sorriso. Se aproximou do tio para fazer a aparatação conjunta. A sensação era horrível, mas, apesar disso, era um meio prático de locomoção, não havia dúvida. Infelizmente não havia conseguido passar no teste ainda. Afastou esses pensamentos e se concentrou em seu destino. Com um estalido seco eles aparataram até a Estação King's Cross. A estação estava bastante movimentada, apesar de ainda faltar pouco menos de uma hora para o trem partir. "Vou encontrar uma cabine. Até mais tarde, professor". Ela guardou suas coisas e entrou no trem com um livro pesado nos braços. Assim que encontrou a cabine que sempre utilizava, sentou-se próxima à janela e afastou as cortinas. Leu por alguns minutos, mas volta e meia lançava um olhar pela janela. Por mais que tentasse, não conseguia deixar de procurar Gui entre os que estavam na plataforma. Faltavam quinze minutos para as onze horas quando ela o avistou. Chegou acompanhado de vários outros ruivos, provavelmente a família dele, ele já tinha comentado que tinha vários irmãos. Quando ele entrou no trem, ela não pôde conter um fio de esperança de que ele viesse procurar por ela, "Quanta bobagem... Ele provavelmente nem lembra mais que eu existo", com isso ela fechou as cortinas e voltou sua atenção para o livro. Alguns minutos depois que o trem partiu, eis que Gui surgiu, na porta da cabine em que Dawn estava, mas ela não pôde deixar de perceber que ele não estava sozinho.
"Oi, Dawn. Podemos entrar?", com um aceno afirmativo de Dawn, Gui entrou, "Queria te apresentar a Anne, minha namorada".
N.A.: E então? O que acharam? Estive meio ocupada, mas finalmente história atualizada! Beijos! E obrigada a todos que comentaram, vocês fizeram uma autora feliz!
