CAPÍTULO VI

A Intrusa

"Acabaste de ler aquele livro?" Ao ouvir estas palavras, Dawn ergueu os olhos e viu Gui se sentar ao seu lado. Ficou surpresa com a presença dele por um momento, mas acabou se censurando mentalmente, afinal era aula de História da Magia, era óbvio que ele estaria ali.

"De que livro estás falando?"

"Ora, do livro que estavas lendo no trem. Ele parecia extremamente interessante já que mal falaste comigo pra continuar lendo..." Por um momento, Dawn achou que ele estava bravo com ela, mas ele sorriu e ela pôde ver que tudo continuava bem e se sentiu aliviada.

"Ah...", ela enrubesceu, a verdade é que o livro nem era tão interessante e ela mal chegou a lê-lo, mas nunca teria coragem de admitir isto, "Sim. É um bom livro. Mas ainda não acabei..."

"Bem, quem sabe eu peça emprestado quando acabares... E como foram as férias?"

"Como sempre... E as tuas?" Dawn não havia percebido como sentiu falta de conversar com Gui, de ter alguém conversando alegremente com ela. Gui falava de sua família, de sua pequena irmã e de tudo que aprontou com seus irmãos durante as férias. Uma pontada de inveja tomou conta de Dawn. Ela nunca havia pensado em como seria ter irmãos e irmãs. A muito parou de pensar em como seria se seu pai ainda estive aqui com ela. Estava tentando lembrar de seu pai quando Gui a tirou de seus pensamentos:

"Bem, acho que devemos prestar atenção no Professor Binns agora", e com um sorriso ele se voltou para frente no momento em que o professor começava a lecionar. Dawn pegou sua pena e a preparou para começar a tomar notas. Aquela realmente era sua matéria preferida.

A semana passou tranqüilamente, na medida do possível, claro, pois com todos os professores lembrando a cada cinco minutos que este é um ano crucial, que os NIEM's são extremamente difíceis e que, por isso, passam infindáveis exercícios para serem entregues no dia seguinte, não se pode dizer que o dia seja muito tranqüilo. Mas no momento, Gui não estava se preocupando com isso. Estava no salão comunal da Grifinória, sentado num sofá com Anne deitada em seu colo lendo um livro enquanto ele corria os dedos pelo cabelo dela. Em alguns momentos, como agora, se surpreendia com o rumo que as coisas tinham tomado. Há menos de dois meses eles era apenas bons amigos, durante as férias a amizade cresceu rapidamente e ele a convidou pra passar um dia n'A Toca. Não conseguiu conter um sorriso ao lembrar deste dia.

Gui estava atrás da casa desgnomizando o jardim com os gêmeos. Ele estava totalmente entediado com este serviço, mas os gêmeos estavam se divertindo bastante, o que animava um pouco Gui. Quando ele era menor também adorava correr atrás dos gnomos. Quando conseguiu alcançar um gnomo bem gorducho, ele o girou algumas vezes mas acabou o deixando escorregar e ele caiu a poucos centímetros da cerca.

"Acho melhor tu te esforçares mais, meu irmão", Gui ouviu Carlinhos dizer da porta da cozinha, "ou então minha amiga aqui vai achar que nem pra desgnomizar um jardim tu serves". Gui então olhou para a casa e viu que ao lado de Carlinhos estava Anne rindo levemente.

"Não tenho culpa se esse gnomo era pesado demais", riu Gui, "Mas agora que minha convidada chegou acho que vou deixar esse serviço pra ti fazeres, meu caro, já que fazes muito melhor que eu".

"Mas quanto a eu fazer melhor que tu não há nem discussão, só que eu já fiz minha parte, este pedaço do quintal é responsabilidade tua".

"Não se preocupe, Gui", Anne falou pela primeira vez, "Eu te ajudo. Quer dizer, se alguém me explicar como fazer..."

"Não precisa, Anne. É um serviço bem chato. Pode deixar que eu termino logo. Espere lá dentro com o Carlinhos, mas se ele ficar muito confiado me chame", riu Gui.

"Serviço chato? Acho que teus dois irmãos não concordam muito com isso, não é mesmo?" disse ela observando Fred e Jorge correndo atrás de um gnomo e gargalhando sempre que ele escapava.

"Bem, quando se é criança realmente é divertido. Tudo bem, vem que eu te ensino", com isso Anne foi para o quintal e Carlinhos voltou para dentro de casa, "É bem simples, mas não muito fácil, se é que me entendes", riram os dois, "Tudo que tens que fazer é pegar um gnomo e depois girá-lo algumas vezes para que fique tonto e então é só jogar ele por cima da cerca. Desta forma ele vai demorar um tempo pra achar o caminho de volta. A parte difícil é que tem alguns gnomos que são bem ágeis, então demora pra conseguir alcança-los. Vou fazer uma vez pra ti veres como é".

Depois da demonstração ficaram os quatro, Gui, Anne, Fred e Jorge, correndo atrás de gnomos pelo jardim. Anne não era muito habilidosa, mas parecia estar se divertindo, ao menos. Já estavam quase terminando quando um gnomo passou correndo por entre as pernas de Anne e, atrás do gnomo, vinham correndo os gêmeos que acabaram por desequilibrá-la e ela acabou caindo. Gui foi rindo ajudá-la a se levantar e foi então que não conseguiu segurar a vontade e acabou beijando Anne. Ela deve ter se assustado porque logo Gui sentiu a mão dela violentamente alcançar seu rosto. Tudo bem, ele havia merecido o tapa. "Desculpe, eu...", ele começou a se desculpar quando, de repente, sentiu os lábios dela colarem nos seus novamente.

Foi assim que a amizade de repente se transformou em namoro, com um grande tapa entre os beijos, como ele costumava dizer. "Posso saber por que estás com essa cara de bobo?", perguntou Anne ao se levantar.

"Lembrando de algumas coisas. Que horas são?"

"Agora são... dez pras cinco", respondeu ao conferir seu relógio de pulso.

"Bem, então vou buscar minhas coisas. Combinei de me encontrar com a Dawn às cinco horas na biblioteca pra fazermos nossa dissertação para História da Magia. Não queres ficar lá conosco?"

"Acho melhor não... Vou acabar atrapalhando vocês".

"Sua boba", disse ele a abraçando pelas costas e sussurrando no ouvido dela, "Tu não me atrapalhas nunca. Além disso, não tinhas dito que precisavas pesquisar algumas coisas na biblioteca? Aproveita que eu já vou estar lá pra carregar os teus livros até o dormitório depois". Minutos depois os dois se dirigiam de mãos dadas até a biblioteca.

"Apesar de muitos considerarem que as navegações para o novo mundo não trouxeram contribuições para o mundo mágico, isso não é verdade. No ramo da Herbologia e de Poções houve um grande avanço com esse contato entre os bruxos dos diferentes continentes. Inúmeras plantas e ervas foram descobertas por ambas as civilizações, servindo para melhorar ou criar poções com os mais diversos efeitos, por exemplo...", com isso Dawn suspirou e abriu o outro livro. "Vai levar anos pra eu encontrar poções relevantes que tenham como ingredientes ervas americanas..."

"E se tu fosses perguntar pro teu tio?", Dawn ergueu os olhos e viu Anne sorrindo para ela.

"Eu tenho capacidade suficiente pra fazer meus próprios trabalhos. Não preciso ir correndo pedir ajuda".

"Calma, Dawn", desta vez foi Gui quem falou, "A Anne só estava querendo ajudar".

"Bem, ninguém pediu a ajuda dela", depois se dirigiu para a garota e disse, "Agora, se puderes me dar licença, eu estou tentando estudar aqui".

"Acho que vou indo então, Gui", disse Anne se aproximando do namorado e lhe beijando a face, "Não quero atrapalhar os estudos de vocês e está claro que ela não me quer por perto".

"Claro que não, Anne. A Dawn não se importa que tu fiques aqui, esse é o jeito dela mesmo. Vai lá buscar teus livros que te espero na mesa, ok?", depois se sentou à mesa em que Dawn estava, "Me atrasei muito?"

"Não. Eu é que não tinha nada pra fazer então vim para a biblioteca. Eu já usei estes três livros, podes pegar", disse Dawn entregando os volumes para Gui. Depois de alguns minutos, cada um escrevendo em seu pergaminho, Dawn notou que alguém se sentava à mesa com eles. Sem erguer os olhos dos livros disse, "Esta mesa está ocupada, caso não tenhas notado".

"Calma, Dawn. É a Anne. Eu convidei ela pra ficar aqui com a gente".

Dawn ergueu os olhos e encarou Anne por alguns segundos. O que ela iria fazer ali se nem ao menos cursava História da Magia? Por que Gui a convidou? Sem pensar duas vezes ela juntou seus papéis e livros e se levantou da mesa.

"Ei, onde vais?"

"Para o meu quarto, tenho que terminar esta dissertação".

"Mas não íamos fazer juntos?"

"Achei que sim, mas, aparentemente, queres ficar namorando".

Com isso ela saiu rapidamente em direção às masmorras. Anne levantou e correu até alcançá-la e então segurou o braço de Dawn e disse, "Espere. Podemos conversar?".

"Solte meu braço, sua sangue-ruim", disse Dawn se desvencilhando de Anne, "Não sei o que eu teria pra conversar contigo", e seguiu seu caminho deixando a outra garota estupefata no meio do corredor.

N.A.: E então? O que acharam? Minha monografia me impediu de atualizar antes, mas aqui está o sexto capítulo! Espero que gostem! Beijos! E obrigada a todos que comentaram, vocês fizeram uma autora feliz!