Apresentação

Meg e eu estávamos no camarim da Opera Royal de Versailles nos arrumando para uma apresentação de balé. Não precisamos de muitos ensaios, pois no mês passado tínhamos apresentado o mesmo em Paris, Coppelia, era o nome.

Desde os últimos 5 dias que estávamos ali, descobrimos que três pessoas haviam sumido, todas elas mulheres e todos os seqüestros não deixaram rastro algum.

Terminei de colocar minha sapatilha quando um grito lá fora me chamou atenção. A moça que organizava o balé gritava:

– Socorro! A bailarina principal sumiu! Socorro! Faltam 30 minutos para a apresentação.

– Ela sumiu? – comecei – Como?

– Ah, não – a mulher se queixava – mais uma! Ah, minha querida ela sumiu como as outras sem dar pistas.

–Onde ela estava antes de sumir? – Meg indagou.

– No seu camarim, é o último do corredor. Ah meu Deus, a apresentação!

– Meg, acho que você pode substituí-la.– sugeri, já que a preocupação da mulher era o espetáculo, não a moça desaparecida. – Faça os últimos ensaios, eu já volto.

Corri até o último camarim, parei em frente à porta. Não era sensato entrar em um quarto onde alguém havia desaparecido! Além do mais, o anjo da música não estava por perto para me proteger.

Mas não teve jeito, entrei. Não havia nada, apenas o grande e solitário camarim, algumas velas acesas, roupas espalhadas...

Achei, em cima da penteadeira, um endereço, peguei o papel e voltei, pois a apresentação estava para começar.

Entramos no palco, e no meio da apresentação uma presença quase me fez perder meu equilíbrio. O anjo! O fantasma da Ópera estava lá no camarote 5, como fazia em Paris, me assistindo. Voltei à atenção para o espetáculo e fiz uma boa apresentação, eu presumo.