Capitulo 7

Os ensaios seguiram dia após dia. Sempre vinha alguém me elogiar e me perguntar quem era meu grande professor. Às vezes recebia uma carta ou uma rosa de Erik, porém ele não apareceu em nenhum ensaio. Isso intrigou Armand, era visível a forma que ele me olhava com um grande ar de curiosidade.

Era véspera da estréia, o ensaio geral havia terminado e todos comemoravam. Meg veio me abraçar e começou a contar sobre o balé; enquanto ela falava, Daphné me olhava. Não parecia com raiva, mas com medo.

– Christine? Está me ouvindo? – Meg chamou.

– Sim. – menti. – Meg, preciso de sua ajuda, sabe a bailarina que apareceu? Belle. Pergunte a ela sobre o seqüestro e sobre o tutor dela. – expliquei o plano.

– Está bem, mas por quê? – ela perguntou.

– Depois eu te explico. – respondi e fui andando em direção a Daphné.

No meio do caminho seguraram meu braço.

– Senhorita Daae. – Senhor Armand tinha um olhar maldoso para mim, terrível.

– Olá! Ah, me desculpa, estou ocupada. – tentei me soltar.

– Será que não tem um tempo livre à noite? Talvez para jantar? – ele convidou.

– Não. Irei jantar com o anj..., meu mestre hoje. – respondi o mais breve possível, mas ele não soltava meu braço, chegava a me machucar.

– Mentira. – ele falou.

– Verdade. Além do mais, amanhã é a apresentação, tenho que descansar. – me soltei e corri para fora do teatro o mais rápido possível.

Já fora da Opera, percebi que ele me seguia. Andei mais rápido, a rua estava escura e vazia. Senti ele se aproximando. Foi então que avistei a carruagem, a carruagem do fantasma da opera. Entrei nela, e esta passou bem rápido em frente ao Armand.

– Tem que aprender a cuidar-se sozinha! Não posso estar sempre como um fantasma a sua volta. – sua voz tinha um tom de ironia.

– Sempre foi assim! – falei virando o rosto – Por que agora iria mudar? Não quer mais ser o fantasma da ópera?

Ele não me respondeu.

Paramos em frente a um hotel. Entramos, ele pegou a chave na recepção e me levou até um quarto.

– Boa noite. – disse ele entregando-me a chave.

– Vou dormir aqui hoje?

– Sim, se precisar estarei no quatro ao lado. – ele respondeu já andando em direção ao seu quarto.

O jeito pelo qual respondia minhas perguntas me irritava. Sempre entreguei minha mente cegamente, porém agora não sabia mais se devia obedecê-lo.

O quarto do hotel era claro, a luz da lua entrava iluminando de tal forma que não eram necessárias as velas. Achei uma camisola num pequeno baú. Vesti-me, soltei meu cabelo, olhei-me no espelho. Ali fiquei por um momento, olhando o espelho como se algo fosse aparecer dele. Voltei à realidade.

Deitei-me na cama e rapidamente adormeci.