Espetáculo e tragédia.
Tinha chegado a hora, todos nervosos atrás do palco esperando que a cortina levantasse e a magia do espetáculo começasse. Pelo menos, era assim que me sentia antes de cada apresentação, era como se no palco houvesse algo encantado no qual eu me envolvia e passava para todos a que assistiam.
Agora, porém, o palco estava repleto de medo, e horror. Minha única esperança estava na platéia, no camarote 5.
– É agora! – alguém murmurou. As cortinas subiram e já se ouvia a música. Os bailarinos entravam primeiro, e então era minha vez.
Entrei no palco com o ar sereno que a minha personagem teria.
– Eu cheguei aqui, sem ti não teria nem começado, agora preciso estar contigo, nossos corações já se uniram e quando nós vamos nos unir? – pronunciei minhas primeiras falas olhando para ele, então comecei a cantar.
Consegui esquecer de tudo enquanto cantava e consegui prender a atenção de todos. Foram muitas as palmas no fim do espetáculo, eu agradeci, primeiro, depois vieram os bailarinos e os outros atores.
As cortinas fecharam, e eu desci do palco indo na direção à entrada, como combinado. Eu andava rápido, cumprimentava algumas pessoas no caminho, até que algo me fez parar bruscamente. Alguém me segurava por trás, não podia vê-lo, tapava minha boca e me forçava andar em direção contrária.
Debatia-me, mas não conseguia me soltar. Estávamos saindo pelos fundos da ópera. Já na rua, havia uma carruagem a espera. A porta se abriu, mas não pude ver quem estava lá pois vendaram meus olhos antes.
