Disclaimer: Naruto não me pertence. Naruto pertence a Masashi Kishimoto. E espero muito que ele aproveite o enredo que tem em mãos, sem fazer nenhuma tolice.

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II – O dom do sorriso

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Desde as suas primeiras lembranças, aquele sorriso. Virou um corredor na Academia e se deparou com o som gostoso, o brilho no olhar inusitado, o jeito todo expansivo daquele menino. Carisma ele tinha.

Mas estranhamente ninguém parecia perceber. Ela observava as outras meninas em êxtase, disputando a atenção do garoto Uchiha, um prodígio aos doze anos. Em comparação com Sasuke, Naruto era o irritante, o pouco atraente, o infantil. Talvez Hinata fosse um tanto quanto torta, deslocada da lógica feminina predominante entre as candidatas a gennin – era o que ela se dizia, em monólogo interior –, mas ela simplesmente não via daquele modo. Naruto era esforçado, e, se não era um gênio, compensava o fato sendo duplamente obstinado. Por que o renegavam, por que seu carisma não atingia em cheio os que o cercavam? Ela não sabia.

Seu menino de olhos azuis estava tão perdido, tão triste por detrás da pupila cintilante. Assim que o olhou, ela compreendeu. Ambos carregavam a mesma tristeza de mundo, a mesma sensação de exílio; e ela sabia o quão pesado era o fardo de se estar no meio de tanta gente e no fundo não conhecer ninguém. Ele disfarçava sua maldição, nos olhos de um azul pleno. Ela carregava seu destino, emitindo uma luz ocular tão opaca.

Doía vê-lo sozinho assim, tão mais contente quanto mais despedaçado. Só que a retração não a deixava se aproximar, insinuante e fatal. Se ele era solitário, ao menos tinha a própria convicção como companhia. Com o tempo, se aprende a ser assim. Aparecendo, Hinata temia transgredir o santuário da mansidão no qual Naruto se colocara. Para que atiçar feridas já doloridas? Por isso, ela se mantinha à distância, a mão estendida, mas sem que ele o desvendasse.

Um dia o destino quis brincar com ela, dando-lhe a breve ilusão de que poderia tê-lo junto a si. A sua tortura particular fora através de um sorteio na Academia, Iruka anunciando os nomes dos grupos com habilidade, explicando que os núcleos foram formados devido às capacidades shinobis de cada um. Se ela tivesse coragem o suficiente para falar, gritaria a todos que o motivo que ela tinha para estar junto de Naruto era o mais profundo de todos, o mais verdadeiro e relevante...

Só que coragem lhe faltava. Não seria ela a escolhida, no fim das contas. Hinata teria em sua companhia Kiba e Shino, dois ninjas habilidosos, rastreadores como ela, e que se tornariam, rapidamente, seus melhores amigos. Aquele carinho tão intenso por Naruto teria de ficar guardado, esperando a oportunidade propícia para despontar. Nesse meio tempo, ela se alimentaria das lembranças doces, que cultivava, das raras vezes em que ele a olhara sem a ver.

Veio o exame chuunin, e com ele todo um senso de responsabilidade, por saber que precisava superar a imagem que tinham dela e que lhe imbuíam, a mácula da incapacidade, do retraimento. No dia da prova, sentia Naruto tenso ao seu lado, duelando com a folha em branco, as difíceis questões teóricas a devorarem sua tranquilidade. Ofereceu a ele a sua escrita, envergonhada de um ato tão clandestino, a tentativa de fraude feita sob os olhos inquisidores dos vigias. Tão estranho, achar a própria felicidade na realização dele. Mas era assim.

O murmúrio que corria pelo amplo salão, pasmando os olhos dos senseis incrédulos, reproduzia o que Hinata constatava: todos os novatos haviam chegado até aquela etapa, vencido os percalços da Floresta da Morte. Só que nenhum dos outros importava. Tudo o que ela via era Naruto, a roupa laranja mais surrada do que nunca, o pó espalhado pela pele, e aqueles orbes tão resplandecentes que era quase um escândalo, o azul brilhando de alegria, em concordância com o sorriso imenso. Ela queria aprender a sorrir como ele.

A única coisa com a qual Hinata não contara era com o jogo do destino, mais uma vez, ao reunir seu amigo e seu amado no mesmo campo de batalha, um contra o outro. Era constrangedor desejar a vitória de Naruto, sobrepujando assim o sentimento de amizade que nutria pelo Inuzuka. Mas era loucura desejar a vitória de Kiba, porque jamais toleraria uma ruga de tristeza sobre a face divertida do ninja imprevisível. Perante tal impasse, mentia para si mesma, dizendo que qualquer resultado seria satisfatório para ela. A ilusão se desfez quando Naruto desferiu o golpe final, e Hinata sentiu-se a liberar o ar que reprimira nos pulmões sem nem mesmo perceber.

A ambos ela atendeu com igual presteza. Levou um pote de curativo para cada um dos lutadores, na ingênua tentativa de fazê-los sarar com uma poção caseira. De Naruto, ela recebeu um sorriso agradável, dedicado só a ela – aquilo preencheria suas noites insones por muito, muito tempo. De Kiba, ganhou um conselho e muitas doses de preocupações. Sabaku no Gaara e Hyuuga Neji eram inimigos poderosos. Nenhum hesitaria em matá-la.

Pela terceira vez, o destino interveio. E seu último movimento fora o mais sádico, forçando-a a lutar contra seu parente, seu primo, seu irmão mais velho. Hinata sabia que Neji era muito melhor ninja do que ela. Sabia também que sua força vinha redobrada pelo ódio que ele nutria por todo o segmento familiar principal do qual ela era a representante. Ninguém dominava tanto o juuken quanto o adversário a sua frente, de olhos esbranquiçados como os dela mesma. Debaixo das ondas de dor, a menina pensava se haveria alguma redenção.

Lá longe, uma voz a alcançou. Alguém acreditava nela? Alguém torcia por ela? Sua vitória era possível, na avaliação de alguém? De dentro do torpor no qual se colocara, Hinata ouvia a voz de Naruto a gritar palavras de incentivo. E uma força estranha começou a brotar em sua mente, tímida a princípio, depois mais e mais crescente, até se tornar uma razão motriz, enquanto algo dentro de si parecia gritar que sim, que ela agora sabia produzir energia do abandono, que ela aprendera!

A dor de seu corpo não significava nada diante daquela imensa verdade. Sofreria duas vezes só para ver o rosto de Naruto sobre o seu, o semblante refletindo primeiro preocupação para com ela, depois ódio contra aquele que a machucara. Era tão preciosa aquela correspondência íntima, jurada no rubro do seu sangue, estabelecendo um elo tão sublime entre eles que nada, nem mesmo o tempo e a distância, poderiam quebrar.

Enfermeiros a carregaram, ferida, para fora dali. Antes de resvalar para a inconsciência, Hinata pensava que nada daquilo tinha importância. A maior lição de todas, o que lhe dava o mais profundo orgulho, fora uma revelação motivada dentro de si própria, a partir dos gritos daquele que ela amava. Agora sim, ambos eram iguais. E Hinata inteira sorria, os olhos opacos pela primeira vez cintilantes, sob as pálpebras cerradas.

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CONTINUA...

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Oi a todos!

Antes de mais nada, me perdoem pela demora! Eu sei que prometi que atualizaria com bastante frequência, mas inspiração é uma coisa complicada para mim. Às vezes as coisas simplesmente fluem; às vezes não. Foi difícil pra sair esse capítulo, revisei milhões de vezes. É nisso que dá postar uma fic por impulso, sem o menor planejamento XD. Ao menos agora, depois de tanto preparo, As invisíveis verdades já tem um propósito bem definido na minha cabeça.

Fiquei muitíssimo feliz com todas as reviews, não só porque vocês gostaram da fic, mas porque consegui juntar um bom número de pessoas dispostas a torturar o tio Kishi de todas as maneiras até ele escrever o nosso final de Naruto – com muito, MUITO romance NaruHina! E só pra constar: a Hinata não morreu!!!! eba!!!! *vibrações positivas para o mangá*

Agora, aquele pedido básico: se você chegou até aqui, não custa nada deixar uma review, certo? Clique nesse botão aí embaixo, deixe seu comentário e faça uma autora feliz! =D

Respondendo reviews por aqui...

tomoyodaidouji2007: Taí o segundo capítulo, espero que você tenha gostado. E a Hinata não pode morrer mesmo, é um absurdo! Mas já apareceu ela viva depois do 437, ainda que muito ferida. Tenho fé que ela será curada e ficará vivíssima para se tornar a primeira dama de Konoha! XD Beijos!

nanetys: Você me deixa muito feliz por ter adicionado a história nos Favoritos, viu? E tenhamos fé que a Hinata não está morta – pode estar ferida, mas é para isso que Tsunade estudou medicina... =]

Por que tio Kishi faz essas coisas? Para ver os fãs chegarem perto de um ataque cardíaco, só pode! E ele jamais faria algo assim com o Sasuke... vamos combinar que Kishimoto é Sasukete demais... =O

Nem eu sei daonde tirei essa ideia de fazer uma revisão do mangá... XD Enfim, o que vai acontecer nessa fic é uma releitura dos acontecimentos da saga clássica, explicitando o romance que o tio Kishi apenas deixa subentendido. Espero que tenha gostado desse cap! Beijo!

Snarly: Eu entendo você, pois me senti exatamente assim quando o 437 saiu. Não falei aqui para não causar polêmica logo de cara, mas o fato é que se a Hinata morresse eu muito provavelmente abandonaria Naruto, e por consequência o fandom e as fics. Acho bom o Kishimoto deixar ela bem viva! =D Espero que você esteja melhor agora e que tenha curtido o cap, beijos!

Hissatomi: Obrigada pelos elogios! Também sou fã da Hinata, acho que ela e o Naruto formam o casal mais perfeito de TODOS os mangás já lançados no mundo (ou ao menos dos que eu conheço, hehehe). Eles são kawaii e hot ao mesmo tempo! Eles são perfeitos!

Melhor eu parar por aqui, antes de surtar =D. Espero que você curta o cap, beijo!

kah!: Yes, somos companheiras de NaruHinatismo! Bate aqui, colega! =D E se o Kishimoto cometer a loucura de matar a Hinata depois desse clamor mundial pela vida dela (nem sou exagerada hohoho), iremos juntas ao Japão para dar um jeito nele! Taí a continuação, tomara que você tenha gostado. Beijos!

p.s.: acho que se juntarmos as lágrimas do povo com o 437 daria uma lagoa! Também, foi impossível se conter com aquele cap!

Hatara-L: Que bom que você gostou! Você está certíssima: a Hinata é perfeita pro Naruto, o Naruto é perfeito pra Hinata, e nada muda isso. Espero que você tenha gostado do segundo capítulo, continue acompanhando! Beijos!

Uchiha Yuuki: Querida, quanta saudade! Como vai esse ano de vestiba? Frenético, imagino... Nem sei se você vai ter tempo de dar uma passadinha por aqui, mas de qualquer forma aí está: espero que tenha curtido o capítulo.

Também não consigo acreditar na morte da Hinata. Se ninguém da nova geração morreu, por que justo ela iria para o cemitério? Ela tem que ficar vivíssima e com o Naruto, óbvio XD. A propósito, sua teoria sobre o Kishimoto é perfeita. Ele é mesmo um mal amado! Huahauaahau

Como ele não curte o romantismo, eu reescrevo a história inteira, enchendo do amor que ele apenas deixou subentendido... =D Beijo grande e até a vista, moça!

Lust Lotu's: Eba, mais uma pessoa convertida ao NaruHinatismo e disposta a ir comigo para o Japão ameaçar o Kishimoto com todas as armas possíveis! =D Acho que esse capítulo deixa ainda mais claro o quanto a Hinata admira e se espelha no Naruto. E que fique claro que não é só admiração, e sim amor, muito amor!

Tomara que você tenha curtido o segundo capítulo. Beijos!

Megume A.: É, eu também sinto falta de boas fics de Naruto para ler (aceito recomendações...). E me sinto muito honrada (de novo!) por minhas fics merecerem a sua atenção.

Olha, nem eu sei daonde eu tiro essas analogias... Simplesmente saem da minha cabeça sem prévio aviso e eu deixo fluir. O segundo capítulo também é cheio de referências – principalmente com o sorriso do Naruto –, espero que você tenha gostado.

Como assim você não chorou com o 437? Primeira pessoa que eu vejo, sério... (tirando os Hinata haters, lógico, mas eu perdoo o ódio incubado deles) Enfim, de qualquer forma a emoção está presente na sua reação XD. Beijo, até!

p.s.: a atualização de Sina está a caminho!