Disclaimer: Naruto não me pertence. Naruto pertence a Masashi Kishimoto. E espero muito que ele aproveite o enredo que tem em mãos, sem fazer nenhuma tolice.

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III – Encorajado

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O sol matutino ameaçava um clima não muito quente, mas também sem ser frio. Um dia fresco. O ambiente exato, ainda mais para quem tinha pela frente uma peleja que prometia ser dura. Não seriam poucos os minutos que ele passaria sob o céu extremamente azulado, nenhuma sombra a oferecer conforto na luta intensa que ele deveria travar dali a algumas horas.

Naruto esperara um mês inteiro por aquele momento. Aquele era mais um passo, valioso e indiscutível, na sua caminhada para o reconhecimento da vila e a conquista do posto de Hokage. Não importava que todos os outros sempre rissem da sua proposta, julgando que o menino estabanado, por três vezes repetente na Academia e o último da classe, jamais teria o brio necessário para um cargo tão difícil. Não importava os olhares tortos das outras pessoas, que confundiam a sua própria personalidade com a do monstro que nele fora selado. Ele venceria tudo aquilo – a luta do Chuunin Shiken era só o começo.

É, ele estava certo de que venceria mais aquela prova, tiraria o primeiro lugar, e seria aclamado, por todos os outros ninjas, como o mais novo chuunin de Konoha. Talvez então o respeito por ele se tornasse uma realidade, talvez o rótulo de inconveniente que lhe fora pespegado mudasse para o de capaz, de vitorioso, quem sabe até o de genial – título que os mestres atribuíam aos herdeiros dos dois maiores clãs da vila. Um deles, seu rival e ao mesmo tempo companheiro de time. O outro, seu adversário daquele dia.

Hyuuga Neji. O ninja que ele jurara aniquilar – e contra o qual poderia arriscar até a própria vida em batalha, contanto que saísse superior. Derrotá-lo era uma questão de honra, pura e simplesmente. A razão daquilo ia mais além até mesmo do que a sua ideologia shinobi; e aquela constatação o assustava, de certo modo. Mas não voltaria atrás em hipótese alguma, porque o motivo verdadeiro, o mais profundo para a sua certeza, residia em um par de olhos baixos, tão claros quanto água.

Ainda podia sentir o sangue de Hinata escorrendo entre seus dedos trêmulos. Fechara a mão em uma convicção desmedida, inédita até mesmo para ele, que era perseverante por natureza. E jurara, a alma inteira colocada naquela promessa que começara como um sussurro e terminara como um grito, que a herdeira Hyuuga teria sua vingança, pelas mãos dele. O opositor apenas rira, pousado na montanha de seu escárnio – Neji sequer cogitava a possibilidade de uma derrota para o fracassado de olhos azuis. Pois bem, Naruto o surpreenderia.

Naquele último mês, ele treinara com o esforço redobrado por suas ambições. Projetou seu melhor sorriso e sentiu-o murchar-se em sua face, frente à recusa de Kakashi, que preferia treinar um garoto mais genial, em cujas chances o ninja copiador acreditava com muito maior intensidade. Como sempre, Sasuke levava a primeira atenção, enquanto a Naruto restava uma segunda opção, um substituto. Ebisu podia ser bom sensei para outros, mas não para ele. E só havia um mês, quatro semanas, para superar o número um do ano anterior.

Do nada, o senhor de cabelos brancos aparecera. Naruto sentia dificuldade em acreditar que aquele homem desbocado e bêbado, espião das mulheres da vila, podia ser mesmo um ninja de respeito, como o sama acoplado ao seu nome, quando se apresentava, parecia sugerir. Um sennin, era como Jiraiya se proclamava? Só se fosse um sennin pervertido, pensava Naruto, divertido. Mas seu novo sensei sabia muita coisa. E o moldara, ainda que por meio de treinamentos escusos e nem sempre periódicos, pelos caminhos que deve percorrer um shinobi que nunca desiste.

Agora Naruto estava pronto. Capacitado por seu treinamento e encorajado pela lembrança do corpo de Hinata, que tombara. Tinha todas as motivações e todas as certezas – só que lá no fundo uma voz cínica murmurava que não, que nada era certo, que a derrota era até previsível. Era a insegurança querendo se aproximar, minando aquela resistência tão espantosa. Ele não sabia esnobar. Ele era realista demais. E a obviedade atestava que Hyuuga Neji era um adversário terrivelmente forte.

Não era preciso prestar muita atenção para notar os murmúrios que corriam de boca em boca. Em síntese, o Chuunin Shiken era uma grande vitrine, onde Konoha poderia exibir os adolescentes que, no futuro, viriam a compor a sua força militar. Não se esperavam surpresas em um torneio de tal porte. O mais forte e poderoso vencia – sem cenas desnecessárias. E entre Hyuuga Neji e Uzumaki Naruto, ninguém tinha dúvidas sobre qual escolher. Havia um abismo de diferenças, que o boletim escolar só demonstrava.

Aquela certeza o abateu. Pela primeira vez, sentiu-se pequeno, quase ínfimo. Nunca o descrédito das outras pessoas o afetara tanto, simplesmente porque, naquele momento, ele também se diminuía. Precisava reunir forças de novo, encontrar uma fonte, algo que lhe despertasse para o próprio potencial adormecido. Era nesse propósito que seus pés o levaram para seu antigo campo de treinamento, local dos seus primeiros passos como gennin. Talvez ali estivesse a resposta.

Aquele era um cenário tão nostálgico para ele. O tronco onde ele fora amarrado por não ter conseguido pegar o guizo que estava com Kakashi. Sakura lhe dando comida na boca, e como ele havia ficado contente com aquilo, minimizando para si mesmo o fato de ela não estar gostando nada da situação e de só ter sido solícita com o outro integrante do time, alegando uma dieta aleatória para que Sasuke não sacrificasse o próprio almoço. Pedaços de um passado tão recente, e ao mesmo tempo tão distante.

Uma nova figura preenchia o local das suas recordações. Era Hinata quem estava ali, recostada a uma das toras, o olhar baixo como sempre, um sobressalto espalhado pelo corpo ao ouvir a voz de Naruto, que a chamava. Ao ninja hiperativo, por mais distraído que fosse, não haviam escapado as múltiplas referências a um parentesco entre ela e Neji. Kakashi os apontara como primos. Ela o chamava de irmão mais velho. Os dois compartilhavam ainda daqueles orbes sedentos, ainda que tão diferentes: se os dela eram translúcidos, os dele eram assustadoramente gélidos. Tudo isso fora a pista gritante do sobrenome. Hinata deveria conhecer bem Neji – e era a mais indicada para confirmar se todos aqueles boatos sobre a extrema capacidade deste tinham algum fundamento.

Foi o que ele perguntou. E sua menina tão tímida, tão encantadora dentro do seu recato, não sabia mentir. Sim, Neji era digno da genialidade que se lhe impunha. Um ninja forte. A voz da insegurança veio atormentar Naruto novamente, insinuando a possibilidade do seu desengano, da sua humilhação estirada aos olhos escancarados da plateia. Só que ele venceria seu próprio medo, confessando-o à única pessoa na qual ele sentia que valia a pena confiar. A dona do seu juramento, Hyuuga Hinata.

Ela estava dizendo que o considerava forte. Mas aquilo soava tão mentiroso, não que ela o enganasse, mas porque as convicções de Naruto o traíam. Por mais bem intencionada que Hinata fosse, a imagem que ela trazia dele era ilusória. Em resposta a isso, ele falou. Rendeu-se às evidências do seu próprio temor, dizendo a ela o que nunca dissera a ninguém. Seus gritos extremos, suas peripécias, tudo aquilo ajudava a esconder o seu receio de não ser aceito, o pânico de perder. Em nenhuma luta se sentira tão acuado quanto naquela, onde tudo conspirava contra sua própria sorte.

No entanto, ela o interpelara mais uma vez. E as palavras seguintes de Hinata eram sagradas, porque revelavam a ele aquele que seria o seu estranho dom, o poder de mudar as pessoas, fortalecê-las. Só que ali não era só reconhecimento do caminho de um no outro, como fora com Haku, como começava a ser com Sasuke. Era algo mais. Era uma alegria intransponível ao saber que, por ele, pelo caminho ninja de ambos, ela mudara. Ainda que quem olhasse de fora não o percebesse. Mesmo ele próprio tendo sido quase iludido pela armadilha dos olhos brancos.

Hinata agora dizia que ela o considerava forte, que apostava nas suas chances de vitória. Por pena? Não, ela era mesmo crédula, a voz baixa totalmente sincera, toda ela transmitindo confiança, fé naquele por quem torcia. A insegurança dentro dele foi se silenciando, substituída por um sussurro ainda breve, ainda pequeno, apenas uma semente que a sua cabeça de menino aos doze anos não podia perceber, mas que já se alojava dentro ele, latente, esperando a oportunidade certa para desabrochar.

Ele tinha que confessar a ela aquele segredo. E, como já podia sentir o rubor se espalhando por sua face só de cogitar a alternativa, despediu-se, deixando a revelação para quando estivesse de costas, quando ela não poderia olhá-lo e perceber em seu rosto todas as evidências. Ele tinha acabado de descobrir a verdade por trás do esbranquiçado daqueles olhos e do violeta daqueles cabelos.

Ele gostava de pessoas como ela.

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Lutando contra Neji, Naruto soubera a verdade sobre os métodos segregacionistas do clã Hyuuga. No fim das contas, o seu adversário em batalha vivera uma vida isolada e brutal. Ele podia entendê-lo, de certa forma, pois também fora refém de um destino que não escolhera. Nem todos lidavam com a fatalidade como ele lidava. Ainda assim, era injusto. Mas um dia ele seria Hokage, e mudaria o clã para ele.

Por mais que tentasse, não conseguia filiar a imagem de Hinata, doce e solícita, àquele clã repressor. Ela era a herdeira e era provável que um dia, seguindo os passos do pai, fosse ela a responsável por marcar em esverdeado o semblante atônito dos membros secundários. Uma tarefa inglória e que Naruto não podia associar a ela. Sentira repulsa pelos métodos Hyuuga assim que soubera de sua existência. Mas todo ódio sumia perante o sorriso adorável de Hinata, que devia estar na arquibancada, em algum lugar, aplaudindo sua vitória.

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CONTINUA...

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Oi a todos!

Esse capítulo ficou um pouquinho maior do que os outros. Levem em consideração o fato de que é nele que aparece a cena mais NaruHina de TODAS as cenas da fase clássica (é óbvio que a declaração do 437 supera qualquer coisa). Eu tinha que dedicar um espacinho maior a esse momento.

Gostou do que leu? Não gostou? Tem alguma opinião a manifestar? Deixe uma review! Oras, se eu escrevesse fics só para mim, as deixaria salvas no pc, ao invés de exibi-las na internet! É claro que eu quero a opinião de todo mundo que acompanha – e não são poucas pessoas, como as estatísticas do FF me mostram toda vez que eu clico em Traffic. Chegou até aqui? Clique no botãozinho verde aí embaixo e faça uma autora feliz!

Momento surto: Quem aí leu o 441, hein? A Hinata está vivíssima, pra quem ainda duvidava. Gente, O QUE FOI aquela cena em que o Naruto olha apavorado para Konoha e diz: "Eu fiz isso com Hinata e com as pessoas da vila...". Percebam a frase: HINATA e as pessoas da vila. Ela em especial. Owwww, a parte em que ele lembrou dela no chão foi linda... E o choro de alívio ao descobrir que todos estavam bem, então?

QUEM DISSE QUE ELE NÃO SE IMPORTA COM ELA? HEIN? HEIN?

(Desculpem o desabafo... mas eu amo NaruHina acima de todas as coisas e ando meio irritada com algumas pessoas que não conseguem enxergar certas obviedades do mangá. Já entrei em várias discussões de casal desde que comecei a acompanhar Naruto... nada mais justo do que eu comemorar tanto NaruHinatismo seguido. Kishimoto, eu te amo!)

Respondendo reviews por aqui...

Hissatomi: Obrigada por acompanhar e se mostrar presente! O capítulo dois foi difícil para sair e eu o tinha achado meio ruim... que bom que você gostou! Espero que esse aqui te agrade também. Beijo!

nanetys: Yes, ela está viva e o 441 só deixa isso confirmadíssimo! Quase surtei ao ler o capítulo, não só por ver Hinata viva, como também por ver Naruto preocupado com ela... Juro que quase choro só de lembrar! Kishimoto demora a colocar romance, mas quando coloca... ele tem a manha!

Também adoro aquela luta, foi o primeiro grande momento NaruHina do mangá. (O Naruto fez um juramento sobre o sangue dela, isso em um shonen!) O segundo grande momento é esse aí que está nesse capítulo, e eu espero que você goste muito também.

Cara, esse elogio que você me fez me encheu de orgulho, sério! Poxa vida, tão bom saber que estou sendo fiel ao mangá – e não tenho tido tempo de reler as páginas NaruHina, tudo está saindo de memória e de uma olhada ou outra em alguma passagem do anime. Fiquei muito feliz MESMO! Obrigada por acompanhar e um beijo!

Nara T'shu: Owwwww, que bom que você gostou! Aí está a continuação – não vou parar de escrever enquanto eu tiver inspiração e leitores acompanhando e correspondendo! Infelizmente, não tenho muito tempo disponível para as fics, mas procuro fazer o meu melhor e atualizar o mais rápido possível – demorei pouco mais de uma semana entre o capítulo dois e o três! Espero que você tenha gostado, beijos!

Lust Lotu's: Olá, moça! Em sua review, você disse tudo o que eu acho sobre NaruHina: é aos poucos que ela caminha em direção a ele, vencendo suas próprias barreiras. O momento em que eles conversam antes da luta Naruto X Neji também é sagrado para mim: fico arrepiada só de lembrar do "Eu gosto de pessoas como você...". Ah, vou chorar! Ando muito emotiva ultimamente... XD

Kishimoto tem amor a sua própria vida, e por isso não matou nem vai matar Hinata... Agora só falta ele corresponder ao clamor da comunidade internacional e mostrar como será o reencontro de Naruto e Hinata quando essa luta acabar! (ah, como eu sonho com uma cena romântica, mesmo sabendo o quanto tio Kishi é cético...)

Espero que você tenha gostado do capítulo. Beijo!

Megume A. : Ah, também adoro o sorriso do Naruto – e sou fã de carteirinha do Yondaime, noooossa! Loiro de olho azul, inteligentíssimo, shinobi brilhante, carismático, simpático, com uma personalidade de líder! Além de caidaço pela esposa e super fiel! Gente, o Minato é perfeito! [minatete mode on]

Ah, eu também chorei quando o Jiraiya morreu. Sabe aquela passagem em que a Tsunade lembra dele, aí vai mostrando o rosto do Jiraiya, desde quando ele era mais velho até a infância? E ela lembra do "Prazer, meu nome é Jiraiya, não se preocupe, você pode me dar uma carta de amor mais tarde!"? Pow, aquilo acabou comigo... Chorei mesmo...

Tomara que você tenha curtido o capítulo, moça! Beijo!

Snarly: Olá! Obrigada pelos elogios, espero que esse capítulo tenha correspondido às suas expectativas. Continue acompanhando e opinando! Beijos!

Marina: Oi, moça! Tão bom receber reviews daqueles que começaram a acompanhar e estão gostando! É, eu preferi focar nessa coisa mais sentimental, mais subjetiva – mostrar o que o tio Kishi esconde atrás das lutas... Se ele só insinua os romances, eu escracho mesmo! No entanto, espero estar sendo sempre fiel ao mangá e sem inventar cenas (por mais que eu ame NaruHina, só escrevo sobre o que de fato houve entre eles, e não forjo situações só para beneficiar o meu casal preferido). Espero que você goste desse capítulo, beijos!