Disclaimer: Naruto não me pertence. Naruto pertence a Masashi Kishimoto. E espero muito que ele aproveite o enredo que tem em mãos, sem fazer nenhuma tolice.

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V – Indo para o vazio

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Tanta coisa tinha acontecido para que ele pudesse pisar aquele chão sólido, de terra batida, que fundamentava toda uma vila. Para que ele sentisse na pele o queimar mágico daquele sol que abatia as casas, devorava tudo.

Houve um passado. E sim, ele agora sabia, porque foi preciso que alguém lhe contasse. Antes, quando descobrira, depois de doze anos de vida, que um monstro dividia com ele o espaço caótico de seu interior, achara que não havia mais meias verdades a serem demonstradas. Doce engano. Ser um jinchuuriki implicava muitas coisas, algumas das quais ele jamais imaginara. Naruto sempre quisera ser um ninja em nome do reconhecimento, do olhar cúmplice que, até então, só percebera em duas pessoas. Agora, ele descobria que era preciso ser forte em nome de algo dentro dele mesmo – esse algo que era preciso dominar, que outros desejavam.

O valor de tudo aquilo era insuspeito. Quando a shuriken cruzou os céus e acertou, certeira, as costas de Iruka, posicionadas no lugar das suas, ainda além do saber sobre sua origem, fora tão essencial notar que alguém apostava alto nele; mesmo que a orfandade desse alguém fosse devida aos atos insensatos do bijuu que atacara, sorrateiro, a vila anos antes, e que então dormia dentro de si. Iruka poderia talvez odiá-lo, culpando-o pela desgraça da qual, de certa forma, ele era o portador. No entanto, a mente do professor não fundia a figura de Naruto com a de seu estigma – e o ninja loiro seria grato até a eternidade. Aquele seu mestre chuunin fora a primeira pessoa.

A segunda fora uma menina de olhos ao mesmo tempo assustadores e receptivos. Medo de se perder, convite para o mistério. E ela teria toda a sua gratidão, sempre. Porque ela lhe dera força no momento de cansaço; porque ele a mudara, ao gritar, com sua voz de menino, todo o incentivo para que ela se saísse sempre melhor. Sim, Hinata era a outra pessoa a aparecer na galeria dos que ele considerava e que o consideravam, em recíproca. E, vaga como fumaça, uma inquietação saborosa dançava pela mente de Naruto, tomava-lhe de súbito os lábios: por quanto tempo não estaria ela por ali, em que medida não fora a primeira, registrando, com seus olhos claros, o percurso atabalhoado de seus passos?

Tinha noção de que, por mais que desejasse certo par de olhos verdes pousados nele, a dona daqueles olhos só os voltava para Uchiha Sasuke, o garoto prodígio da Academia. Mas a relação ali transportada começava a parecer, até mesmo para a percepção confusa de Naruto, algo mais do que capricho de menina, sensação momentânea. Ele já sabia desde antes. Ele saberia depois. Só que o abraço arrancado que Sakura buscou, no leito de hospital onde Sasuke se recuperava, enquanto lágrimas grossas e compulsivas rolavam por sua face, dizia tudo, machucava só de lembrar. De um golpe, ele se via alijado da esperança e de alguma fé. Na rivalidade com o colega de grupo, ele perdia em mais um quesito, assim como perdera um sino, uma subida na árvore, um pergaminho.

De mais a mais, talvez não fizesse diferença. Porque, na histeria pelo Uchiha, Sakura era mais uma de um coletivo; não era individual e nunca fora. E agora, que os sentimentos dela ultrapassavam a primeira condição, é que ela se destacava no meio da massa, mas em rumo oposto ao seu. A menina rósea chorava por Sasuke, mais uma vez, na transparência de um sentimento sincero e verdadeiro. Por outro lado, Naruto descobria que as suas bochechas queimavam, agora, quando ele pensava em certa garota de cabelos curtos e azulados. Um tipo diferente da média. Sim, aquele era, com certeza, um estilo de garota – tão diferente, tão a antítese de Sakura – que ele apreciava.

Mas tudo agora tinha de ficar para trás. Seu caminho ninja o chamava para mais uma das voltas imprevisíveis que o destino sabia dar. Havia uma organização da qual se sabia pouco, mas o suficiente para que ele devesse ficar alerta. Nos caminhos com Jiraiya, em busca daquela que seria a nova Hokage, ele aprendera o golpe criado pelo Yondaime – o homem que nele selara a Kyuubi e que Naruto admirava, discípulo de seu atual tutor. No entanto, apenas o Rasengan não o protegeria dos inimigos, da Akatsuki, das armadilhas que o bijuu travaria dentro dele, na ânsia de se libertar. Era preciso o poder para controlar seus próprios instintos, domar a fera que o habitava.

E por isso ele partia. Guardara o material na mochila, limpara o pequeno apartamento, palco de muitas de suas angústias solitárias, e dedicou um último olhar para aquele espaço acolhedor e íntimo, se perguntando quando, outra vez, seus olhos encontrariam o sol quente e os telhados avermelhados de Konoha. Naruto abandonava toda uma vida de genin, suas tramas e seus romances, os amigos que cativara, em busca da excelência para ele mesmo. Sasuke também tivera a coragem do abandono, mas sorrateiro, quieto na noite, fugindo da vila em nome de poder e de vingança. Naruto também desejava poder, mas para os seus propósitos. Buscava esse poder na distância porque Jiraiya, seu novo mestre, sabia que aquilo era necessário.

Naruto tinha duas pessoas especiais. De uma delas se despediu. Iruka o levou para a barraca de Ichiraku, já tão nostálgica, a saudade antecipada surgindo em cada bocado de comida, no odor e no gosto incríveis que se desprendiam do imenso prato a sua frente. O jovem professor lhe disse as palavras de advertência e as de aconselhamento: que ele aproveitasse cada instante do aprendizado, que não matasse as aulas, que voltasse muito mais forte do que quando saía. Era mesmo aquele caminho que o ninja hiperativo pretendia tomar. Tinha consciência da bandana que usava; e a honraria, acima de tudo.

O grito de Jiraiya o apressou. Saiu correndo; não sem estender a mão para o rosto talhado na pedra, como a pedir a benção do Yondaime, seu tutor indireto, mais influente na sua vida do que poderia então conceber. O passo apressado não lhe permitiu ver que ela, a outra pessoa especial, o espreitava; como sempre oculta, como sempre constante. A despedida inexistente se tornaria o reencontro de três anos depois, ambos crescidos e mudados. Nesse meio tempo, ele e ela entendiam. Porque o que os honrara um para o outro, a identificação que os aproximara, era a posse de um único jeito ninja – que Naruto iria priorizar, e que o tornava ainda mais digno mediante os olhos doces de Hinata.

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CONTINUA...

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Amores,

Demorei, mas aí está o capítulo. Desisto de apresentar desculpas – nenhum de vocês é culpado pelas complicações da minha vida –, só espero que entendam a demora e que gostem da atualização. Confesso para vocês que essa fic surgiu por impulso na minha cabeça (lá na primeira postagem eu comentei que a estava postando sem nem pensar duas vezes) e agora eu vejo que é difícil terminá-la. Decidi escrever só sobre a parte clássica – já que nunca se sabe que loucuras o tio Kishi pode inventar na fase atual – e, agora que Naruto parte, tecnicamente o próximo capítulo é o último, contando a perspectiva da Hinata sobre a ida do loirinho. No entanto, é provável que eu faça alguma espécie de capítulo extra, para as coisas não terminarem do nada. Aceito ideias! XD

Beijo, galera, e até a próxima!

p.s.: por que tio Kishi não faz Naruto e Hinata se reencontrarem no mangá, depois daquela declaração linda de morrer? Pow, vou surtar! aaaaaaaaaaaaah!

Respondendo reviews por aqui...

nanetys: Sei como é essa coisa de ter preguiça de logar, volta e meia tenho isso, hehehehe... ;D Owwww, que bom que você gostou do outro capítulo! Em geral as pessoas tiveram a impressão dessa coisa fofa, mas tudo com a linda da Hinata é assim. Ela é tão meiga e ao mesmo tempo tão firme e corajosa, que essa mistura toda só a faz perfeita pro Naruto! Hahaha (tio Kishi, enxergue isso!). Ela tem essa personalidade sensível, como você bem disse.

NaruSaku é bonitinho? Eu não acho! Acho horrendo! hehehehe Agora sério: antes mesmo de ser NaruHinática como sou, eu já não via a menor coerência nesse casal. Ela sempre foi paga pau do Sasuke, e eu, como fã oficial do Naruto, achava o fim ela ser o restinho, a segunda opção dele. Daí, eu fui conhecendo melhor o mangá, me encantando pela história que Naruto e Hinata começaram a desenvolver juntos e pensei: por que ele seria a segunda opção da Sakura, se pode ser a primeira opção da Hinata? =D

Também não sou muito fã do Sasuke, assim como não sou da Sakura. Então, juntar dois personagens pelos quais não tenho maior simpatia é mais do que conveniente para mim, hehehehe. Além do mais, todo mundo que é NaruHina acaba torcendo um pouco por SasuSaku, e vice-versa. Os casais estão muito relacionados. E eu duvido que o Kishi dê esse final trágico que você quer para o Uchiha Boy: ele é tremendamente sasukete... =] Beijo!

Megume A.: Obrigada pelos elogios, fico muuuuuuito feliz com eles! Nem fale: é difícil escrever sobre a Hinata exatamente por ela não aparecer tanto. Mas vou te dizer que esse capítulo, apesar de ser do Naruto, também foi difícil de escrever. Era uma coisa mais de sentimento do que de descrição de ações, e, embora eu viva puxando o lado sentimental quando escrevo sobre a Hinata, as partes do Naruto são mais marcadas pela ação. Enfim, espero que você goste.

Aaaaaaaaaah, disfarça que o Dia dos Namorados no Japão é em fevereiro mesmo! (morrendo de vergonha) Mas o que importa é que ele se inspire... porque tá mal de romance aquele mangá! Ou ele faz o Naruto e a Hinata se reencontrarem logo ou eu não respondo por mim! hehehe Beijo!

Viic Girotto: Moça, eu SEMPRE faço caras fofas quando leio sobre o amor da Hinata, único e especial, forte até mesmo na distância, como você mesma colocou na sua review... aaaaaaaaaaaaaah! É por essas e outras que tio Kishi tem que colocar o casal junto – e caso alguém ainda duvide que a coisa tem sido recíproca, que confira certos capítulos da luta Naruto X Pain... =]

Muito obrigada mesmo pelos elogios, me sinto muito honrada! E que coisa é essa que você anda bolando, UchihaCest com NaruHina??? Não costumo ler yaoi – nada contra o gênero, ainda bem que estamos em um país livre – mas admito que sua sinopse chama a atenção... Além do mais, tudo que tem NaruHina merece nossa atenção! hehehehe Beijo!

Yoko Yuna-chan: Linda, que bom que você descobriu minha fic! =D Não sei se você já chegou no capítulo quatro e vai ler essa review (tomara que sim!). De qualquer forma, junte-se ao time NaruHinático, ueba! hahahaha Nem eu sei de onde saiu essa ideia da releitura, mas acabou fluindo, e dei esse caminho para a fic, que ainda falta descobrir como vai terminar, hehehehe... ;D Beijo!

Lust Lotu's: Você, de fato, falou tudo: o encontro antes da luta foi fundamental tanto para o Naruto quanto para a Hinata. Isso tudo além de ser uma das cenas mais lindas, românticas e perfeitas de todo o mangá – na minha opinião, só perde para a imbatível declaração do 437. Sim, a ideia é mesmo essa de ela retribuir, foi daí mesmo que tirei o nome do capítulo ("Retribuição"). Ah, e o fato de ela confiar nele acima de todas as coisas... de acreditar nele... de esperar por ele... aaaaaaaaaaaaah, meu coração vai derreter! Não consigo falar de NaruHina sem ficar assim, toda boba! =D Eles são lindos, eles são fofos, eles são perfeitos! (olhinho do gato do Shrek)

Melhor parar por aqui, antes que eu surte definitivamente! hehehe Beijo!

Hissatomi: Fico muito grata mesmo por você ter gostado do capítulo! E obrigada por se mostrar disposta a esperar pelos capítulos, isso alivia um pouco a minha culpa pela demora – embora, é claro, eu permaneça procurando postar por aqui o mais rápido possível. Espero – sempre – que o atraso nas atualizações compense, então tomara que você tenha gostado desse novo post!

Ah, nem me fale dessa história de o Naruto ainda não ter ido falar com a Hinata depois de tudo o que aconteceu. Eu entendo que o tio Kishi tem que desenvolver o lado político do mangá, coisa da qual eu gosto, inclusive, mas deixar essa janela IMENSA e sem explicação está realmente me deixando indignada. Espero que ele reserve um capítulo no mínimo espetacular com os dois para compensar essa lacuna, ou eu não respondo por mim! hahahahaha Beijo!