Capítulo 3

Outubro 1996

Eileen acordou com um peso na cabeça.

Era sábado.

Tomou café, preguiçosamente, e se vestiu para um passeio. Parecia que esquecera algo importante... todos os dias era assim. Mas hoje estava meio tonta, meio enjoada. Um passeio lhe faria bem. Visitaria Eileen Snape.


Como sempre, ao sair na rua, encontrou a vizinha brincando com os cachorros.

- Bom dia, Dora! - cumprimentou Eileen.

- Bom dia, Lyn!

Ninfadora Tonks, sua vizinha há poucos meses, muito querida. Se tornaram amigas facilmente. Adorava os cabelos coloridos dela.


Eileen caminhou duas quadras, chegando na Rua da Fiação. Meia quadra depois, já via a casa da "sogra", não que ela fosse realmente sua sogra... isso não passava de uma brincadeira das duas. Eileen Snape dizia que ela era a nora do coração e que sempre seria, mesmo que Severus se casasse algum dia.

Viu a Sra. Snape abrir a porta da casa e um homem alto de vestes longas e completamente negras se despedia dela. Mas, antes que pudesse identificar quem era, a sensação de tontura ressurgiu. Eileen caiu no chão. Alguém veio em sua direção, lhe puxando pelos ombros.

- Você está bem?

Ela reconheceu a voz.

- Severus? - murmurou, tonta.

- Sim. Eileen. - ele se controlou a muito custo para não beijá-la, dizer a saudade que sentia, nesses dois meses separados. - Se apóie em mim.

Ele a levou para dentro da casa de sua mãe, colocando-a sentada no sofá.

- Minha querida, o que aconteceu? - perguntou Sra. Snape.

- Estou um pouco tonta e enjoada, Sra. Snape... eu acho que vou ter de ir ao médico. Tenho me sentido mal durante as manhãs... todos os dias.

Snape olhou para ela e, então, para a mãe, entre assustado e feliz.

- Há... alguma chance de você estar grávida, Lyn? - perguntou a Sra. Snape.

- Não. Eu não tenho namorado, nem saio com ninguém há mais de um ano!

- Eu posso ir ao médico com você, se quiser, querida.

- Sim, Sra. Snape. Eu adoraria.


Segunda-feira.

Foram ao médico.

Eileen fez vários exames.

Voltaram dois dias depois, para saber os resultados.

- Então, Dra. Trentini, o que tem de errado com a Lyn? - perguntou a Sra. Snape, aflita.

- É grave? Por favor, me diga.

- Não, acalmem-se. Você não está doente, Srta. Warwick. Você está grávida. - disse a doutora.

- Eu... não, eu não posso estar grávida! Eu não... a sra. tem certeza? - Eileen estava confusa.

- Sim, o exame de sangue confirma que você está grávida. Eu gostaria que vocês me acompanhassem à sala de ultrasonografia, para ouvirmos os batimentos do bebê e saber de quantos meses a senhorita está.

Elas seguiram a médica.

Eileen deitou numa maca, tendo a blusa erguida. Um gel foi passado em seu ventre quase plano, e a médica começou a procurar na tela a sombra do feto.

- Aqui... estão vendo? Está muito pequeno ainda... calculo que você está grávida de uns dois meses, Srta. Warwick. Escutem... o coração...

Eileen tinha lágrimas nos olhos, não sabia se de choque ou de felicidade.


E os meses foram se passando, a barriga foi crescendo e Eileen já não se importava de que maneira ela engravidara, ela amava aquele bebê que crescia dentro dela, que chutava e se mexia, continuamente.

Snape era uma visita constante na casa dela, e quando ele não podia vir, mandava uma carta pela mãe.

Ela estava completamente apaixonada por ele, de novo. Mas não alimentava esperanças. Estava grávida, não fazia ideia de quem era o pai de seu filho. Snape era diretor em uma escola na Escócia, era prestigiado pelas altas rodas, era um homem de posses. Enquanto ela era uma qualquer, mãe solteira.


Fevereiro 1997

Numa manhã, depois de muito rolar na cama, Eileen sentiu uma vontade de tomar um café com muito chocolate... ela fechou os olhos e se espreguiçou, imaginando as delícias que queria comer. Então, seu pé bateu em algo e ela ouviu um tilintar de copos. Sentou o mais rápido que a barriga de 6 meses permitia e, nos pés da cama, havia uma bandeja maravilhosa com tudo aquilo que ela havia desejado tomar no café da manhã. Eileen se assustou, tocou na comida, verificando se aquilo era real... levou um pedaço do bolo de chocolate à boca e mordeu.

- Delicioso... - murmurou.

Trouxe a bandeja para perto, se escorou na cabeceira da cama, ligou a tv e começou a comer, vendo desenhos.

A Sra. Snape entrou no quarto ao ouvir a tv ligada.

- Bom dia, Lyn. Nossa, da onde tirou essas delícias?

- Não sei. Não foi você quem colocou aqui?

- Não.

- Então, foi mágica! - brincou ela. - Porque eu desejei um café da manhã à base de muito chocolate, me espreguicei e isso aqui apareceu!

A Sra. Snape olhou para Eileen, um sorriso surgindo, uma suspeita em mente.


Era tarde da noite, naquele mesmo dia.

Snape saiu da lareira, batendo o pó das vestes. Sua mãe o esperava no sofá.

- Boa noite, meu filho.

- Aconteceu alguma coisa, mãe?

- Não, Lyn e o bebê estão ótimos. É seu o filho que ela está esperando?

- Sim... - falou ele, num suspiro, sentando-se. - Lyn está grávida de um filho meu.

- Eu só quero entender, meu filho... como ela está grávida e não se lembra de nada?

- Rosier estava atrás dela. Ele descobriu que eu e ela fomos namorados por um longo tempo. Ele a quis. Na noite do ataque ao supermercado da outra rua, há quase dois anos atrás, ele e Travers invadiram a casa dela, Lyn fugiu pela janela. Eu a segui e a peguei antes que Bellatriz o fizesse. A levei para Hogwarts, contei tudo sobre mim e a pedi em casamento. O Ministério descobriu e quis mandá-la de volta para o mundo trouxa. Eu e Albus a escondemos, mas eles a encontraram, apagaram sua memória e a mandaram para casa. A Ordem da Fênix a está protegendo desde então. Mas quando você cogitou que ela pudesse estar grávida eu... não pude me afastar mais. Eu sonho com ela e meu filho todas as noites...

- Eu soube que você era o pai, no momento em que entrei no quarto dela, nesta manhã, e ela me disse que uma bandeja de café da manhã apareceu feito mágica sobre a cama.

- Mágica? - os olhos negros brilharam.

- Sim. Meu neto fez mágica antes mesmo de sair do útero da mãe! - falou ela, sorrindo.

Eles ficaram em silêncio. Cada um perdido em seus prórpios pensamentos.

- Lyn está dormindo? - perguntou Snape, depois de um tempo.

- Acho que sim...

- Eu quero vê-la.

Ele subiu as escadas, entrando no quarto de Eileen. Ela estava acordada, vendo tv, comendo chocolate.

- Severus! - sorriu ao vê-lo. - O que aconteceu?

- Nada. Eu apenas quis te ver... - ele sentou na beira da cama, pegando nas mãos dela, olhando, encantado, o ventre proeminente.

- Não fale assim, por favor. Não me dê esperanças...

- Por que?

- Sev... eu estou grávida e não faço ideia de quem é o pai!

- Eu não me preocupo com isso. Eu vou ser o pai dessa criança, se você permitir.

- Você está falando sério?

- Sim. Eu quero estar junto, quando você entrar em trabalho de parto. Me chame, me avise. Eu virei correndo.

Os olhos azuis se encheram de lágrimas. Ele se aproximou, puxando o rosto dela para si, beijando-a, lentamente, aprofundando o beijo, colocando nele toda a saudade que sentia. Ao final do beijo, Eileen o encarou, a expressão estranha.

- Por que eu tenho a impressão de que estou esquecendo algo? Sempre que eu olho pra você eu sinto que devia lembrar de alguma coisa!

- Não se preocupe com isso, Lyn. Eu amo você, vou cuidar de vocês... - ele acariciou a barriga, sentindo o filho chutar.

- Você sentiu? - sorriu ela.

- Como eu não sentiria! Pequeno ativo... já escolheu um nome?

- Nicholas. Gosta?

- Gosto, sim. Nicholas. - ele beijou a barriga dela, sentindo os chutes, sorrindo. - Não dói?

- Depende de onde ele chuta. Se é o meu estômago, eu tenho vômito, se é meu diafragma, tenho um ataque de soluços. E minha bexiga não pode ficar nem um pouco ocupada!

- Já sabe o dia que ele nascerá?

- É para ser em maio... mas a médica teme que Nick não espere tanto para nascer. Ela calcula que ele já esteja com um quilo e oitocentos gramas!

Snape ficou a olhando, apaixonadamente.

- Você pode ficar aqui? - perguntou ela, a voz pidona.

- Você quer que eu fique?

- Quero!

- Então, eu preciso tomar um banho e comer alguma coisa.

- O que você quer comer? Diga que eu faço aparecer!

- Faz aparecer? - ele sorriu, estava louco para ver as mágicas de seu filho. - Eu quero um sanduíche de filé com salada e um brigadeiro enorme.

Eileen fechou os olhos e um bandeja apareceu ao seu lado, com o que Snape pedira, mas com dois brigadeiros, ao invés de um.

- Eu ia dar o brigadeiro pra você. - falou ele.

- Ótimo, então eu como os dois, um por mim e o outro por Nick!

Snape tomou um banho, vestiu um pijama tranfigurado a partir de umas roupas de Eileen e deitou ao lado dela, que já dormia. A abraçou, acarinhando a barriga, beijando as mãos dela, passando as mãos ao seu redor, puxando-a para seu peito, o máximo que Nicholas permitia. Assim, ele dormiu, com a mulher amada nos braços, com seu filho entre eles.


Respondendo às Reviews...

TatiHopkins e NinaRickman: infelizmente, sim, Eileen esqueceu tudo o que viveu com o Sev (pelo menos nos ultimos tempos). E sabe que eu até estava pensando em escrever uma fic com uma protaginista chamada Tatiana Sciarra... poderia dar certo, o que vocês acham?

Ana Paula Prince: obrigado pela prece de "Deus abeçoe essa mente criativa"! E devo informá-la que seu pedido foi atendido... fazia mais de duas semanas que eu estava com um bloqueio criativo em relação à Só o Amor Salva, e então, ontem à noite, simplesmente consegui escrever três capítulos! Muitos beijos!

Bem, people of the fanfiction world, estamos nos encaminhando para o final, já!

O capítulo 4 e último virá (acredito eu) na próxima semana!

Beijos!

Reviews!