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Epílogo

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Jared abriu os olhos lentamente, um pouco incomodado pela claridade que entrava pelas janelas do quarto. Remexeu-se um pouco, como se não quisesse ter de levantar dali tão cedo. Afinal, ele estava deitado em uma grande e confortável cama ao lado de um homem simplesmente maravilhoso, a quem ele amava com todas as suas forças. Quem, em sã consciência, iria querer sair de uma situação daquelas?

Aconchegou-se um pouco mais a Jensen e voltou a fechar os olhos.

Quando, porém, o despertador começou a tocar na mesinha de cabeceira, foi a vez de Jensen se espreguiçar na cama. Sentiu o peso do braço de Jared sobre seu peito e riu, satisfeito. Não havia jeito melhor de acordar, sem dúvida.

"Jared, o que você ainda está fazendo na cama?" Perguntou o mais velho, sacudindo de leve o moreno, que choramingou um pouco, e depois apenas se virou, sem parecer se importar com o que o outro acabara de perguntar.

"Jay." Disse Jensen. "Levanta ou você vai se atrasar. De novo." E então o acertou com um travesseiro.

Jared finalmente se mexeu, bufando e sentando-se na cama.

"Já estou levantando, okay." Disse, tentando parecer chateado. É claro que seu sorriso o entregaria, se Jensen pudesse vê-lo. "Parece até que quer me ver pela costas, Jen."

"Ah, claro." Jensen abriu um sorriso. Sentou-se na cama também, aproximando-se de Jared por trás. "É que hoje eu combinei com meu amante mais cedo". Finalizou a frase com um beijo na orelha do mais novo.

Jared então se virou totalmente, empurrando Jensen de volta para cama, fazendo-o cair deitado de costas e ficando por cima do loiro.

"Você não devia me provocar desse jeito de manhã cedo, principalmente se não quiser que eu me atrase para o trabalho." Pousou um beijo nos lábios do companheiro e saiu de cima dele, levantando- se da cama e partindo para o banheiro.

Jensen permaneceu na cama, por alguns instantes, apenas curtindo aquelas sensações. Ele tinha uma vida ótima, no final das contas. Sete maravilhosos anos ao lado de um cara realmente incrível. Ele podia se considerar um homem de sorte.

Alguns minutos depois ambos já estavam na cozinha. Jared preparava o café enquanto Jensen virava panquecas no ar.

"Eu vou chegar um pouco mais tarde hoje, amor. Quero deixar tudo resolvido antes da licença." Disse o moreno, e Jensen apenas balbuciou um "Anhan", sem desviar a atenção das panquecas.

"Eu nem acredito que faltam só três dias." A empolgação era clara na voz de Jared. Jensen então desligou o fogão, depositou a última panqueca num prato e se aproximou de Jared, abraçando sua cintura.

"Três dias." Repetiu o loiro. "Três dias e o nosso Connor vai estar em casa."

Jared se virou e eles se encararam sem dizer nada, apenas sorrindo um para o outro.

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Eles haviam tomado aquela decisão há três anos. Adotar uma criança, ter um filho deles. Não que não fosse maravilhoso cuidar de Megan, mas, a menina estava crescendo, crescendo bastante rápido, por sinal, e ambos sabiam que poderiam dedicar tanto amor e carinho para outra criança quanto dedicaram a ela, então por que não fazer novamente?

Eles conversaram com a garota e ela simplesmente adorou a ideia de ter um "irmãozinho". Megan era sem dúvida quem demonstrava a maior empolgação e ansiedade entre os três. E quem menos entendeu toda a demora no processo de adoção, também. Mas três anos se passaram, muitos papeis forma lidos, relidos e assinados, sempre com o intermédio dos pais de Jensen, até que um dia o telefone da casa dos Ackles-Padalecki tocou.

Susan, a assistente social que cuidava do caso deles estava eufórica do outro lado da linha quando Megan atendeu ao telefone. A mulher pediu que ela chamasse o pai, e a reação imediata da garota foi perguntar "Qual dos dois?".

Quando Jensen desligou o telefone, Jared permaneceu de pé, na porta da cozinha, abraçado a Megan e o ouviu contar a novidade quase sem acreditar que era real. O processo deles finalmente havia sido aceito, eles poderia voltar ao orfanato para um contato com as crianças disponíveis para adoção, e finalmente poderiam ter mais uma criança em casa.

Os três foram no dia seguinte ao Saint Francis, o orfanato que eles já visitavam desde que tomaram aquela decisão. Eles já haviam tido contato com uma série de crianças daquele local. Muitas já haviam sido adotados, outras permaneciam lá. Mas nem Jensen, nem Jared, tinham a menor noção de quem seria o filho deles. Eles apenas sabiam que ele estava ali, que uma daquelas crianças era a criança. E que eles saberiam quando vissem. Eles sentiam que não estavam ali para escolher, mas para serem escolhidos.

E quando Susan os encontrou na entrada e disse que havia uma criança nova, que chegara há algumas semanas e que ela gostaria que eles a vissem, Jared e Jensen apenas concordaram, meio sem acreditar ainda, e a seguiram por um longo corredor até o berçário. Megan ia à frente, falando animadamente com Susan, enquanto ambos os homens sentiam pontadas cada vez mais fortes em seus estômagos.

E ele estava lá. Acordado, brincando distraidamente com um carrinho verde e com um sorriso no rosto que qualquer um só poderia definir como... divino. Connor tinha quase dois anos e havia perdido a mãe logo ao nascer. Do pai nunca se soube nada. Ele havia sido mandado para um orfanato pelo restante da família que lhe sobrara, e que não tinha qualquer interesse em ficar com ele. Vivia assim, de abrigo em abrigo. Até agora.

O verde do brinquedinho que segurava entre as mãos realçava o verde vivo de seus olhos. Seu cabelo era escuro e bastante vasto, e sua pele era levemente mais morena que a de Jared. E era incrível, porque, havia baba por todo lugar, nas bochechas gordas e nas mãozinhas pequenas, mas ninguém naquela sala podia imaginar um bebê mais perfeito.

Connor sentou-se no berço e encarou as quatro pessoas que o observavam por breves segundos antes de começar a sorrir. Os três adultos permaneceram parados, e foi Megan quem deu o primeiro passo. Aproximou-se devagar do berço, sorrindo de volta para Connor, testando, observando suas reações. O menino não pareceu nem por um instante amedrontado. Ela chegou à borda do berço, e então voltou-se para Susan, sussurrando um "Eu posso?" para a mulher. Jared ainda abriu a boca para falar algo, mas o toque quente e firme de Jensen em seu ombro o fez se calar.

Quando Megan pegou Connor nos braços, o menino não chorou. Não riu. Não fez nada que pudesse ser considerado extraordinário. Ele apenas continuou como estava. Como se aquele toque já lhe fosse familiar. E quando Jensen e Jared se aproximaram, por trás, segurando cada um umas das mãos de Connor, Megan sorriu e disse:

"Oi, Connor. Meu nome é Megan, e nós somos a sua nova família."

A escolha já havia sido feita.

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Os dois homens permaneciam abraçados no meio da cozinha apenas se olhando quando foram interrompidos pelo barulho de passos descendo as escadas.

"Bom dia pra vocês também." Megan disse, olhando para os dois com certa indignação no olhar enquanto se encaminhava para a mesa.

"Bom dia, Meg." Respondeu Jensen, soltando-se do abraço e indo até a garota, dando um beijo na ponta de sua cabeça e sentando-se ao seu lado na mesa.

"Bom dia, Megan." Jared também sorriu para a sobrinha, que não retribuiu seu gesto, fazendo o sorriso do tio murchar.

"Parece que alguém acordou de mau humor hoje." Disse Jensen, encarando o jornal que estava sobre a mesa.

Megan olhou para ele com os olhos apertados, e deu o seu pior sorriso forçado proposital. "Não sei do que você está falando."

"Ah, por favor, café da manhã, lembram?" Jared sentou-se à mesa também. "O que está incomodando você, Megan?" Ele perguntou, encarando a sobrinha sério.

"Nada." Ela respondeu, seca.

"É óbvio que não é nada, Megan, tem que ser alguma coisa. Você geralmente é doce, não azeda." Jensen também encarava a garota.

Ela abriu a boca para responder, mas a fechou no mesmo instante. Encarou os dois homens sentados ao seu lado, bufou, levantou-se e saiu.

"Vocês não me entendem." Ela ainda conseguiu gritar da porta.

Jared e Jensen se encararam e ambos deram de ombros, claramente confusos. Os dois terminaram o café, e antes que Jared fosse de uma vez por todas para o trabalho, ele se volta para o mais velho e pergunta.

"O que você acha que está acontecendo com a Megan?"

"Não sei, Jay. Você a viu ontem. Chorando, trancada no quarto, achando que nós não podíamos ouvir..."

"Você acha que é... você sabe, por causa do Connor?" Jared estava realmente preocupado.

Jensen parece refletir por uns segundos e responde. "Não."

"Então por quê?"

Jensen pensou mais um pouco, como se procurasse palavras para explicar para Jared.

"Jay, a Megan tem quinze anos. O que você acha que é motivo para uma garota de quinze anos chorar?" Disse e arqueou as sobrancelhas.

"Ah, não." O moreno finalmente compreendeu. "Não me diga que ela tem um... Oh, meu Deus... Espera aí, ela te contou isso?" Havia quase indignação naquela pergunta.

"Não. Pra todas as perguntas." Jensen estaria rindo se não soubesse o quanto Jared ficaria irritado. "Ela não me disse nada, mas eu acho que é mais do que previsível que ela esteja assim por causa de algum garoto. Que não necessariamente é o namorado dela."

"Mas, Jen, por que ela não diz nada? Quer dizer, cara, qual é, nós somos um casal gay, do que ela pode ter medo?" Jared realmente não entendia.

Jensen apenas balançou a cabeça.

"Sabe, Jay, existe uma coisa que eu realmente detesto." Jensen se aproximou e pôs as duas mãos no peito de Jared. "Pessoas que esquecem que já tiveram quinze anos." Sorriu e empurrou o mais novo de leve.

"O que você quer dizer?"

"Eu quero dizer que nós podemos ser um lindo casal gay, mas ainda assim somos... meio que... os pais da Megan. Você acha que ela contaria isso para nós? Os pais dela?"

Jared acabou assentindo com a cabeça.

"É, olhando por esse ângulo você tem razão. Mas eu não consigo vê-la desse jeito e não fazer nada, Jen, não consigo."

"Okay, eu falo com ela."

"Tem certeza?"

"Depois da aula, eu e a Megan vamos ter uma conversinha, não se preocupe. Aliás, preocupe-se, porque você já deve estar atrasado." Jensen aproveitar para dar um tapinha no traseiro do moreno, tentando enxotá-lo para fora.

"E não esquece de passar no orfanato, a Susan quer que um de nós dois assine uns papeis." Jared disse, já do lado de fora.

"Sim, eu vou passar por lá assim que sair da editora." Jensen já ia subir as escadas em direção ao banheiro quando Jared o segurou pelo braço. Já ia perguntar o que diabos ele ainda fazia em casa quando o moreno o beijou.

"Você não acha que eu ia sair sem meu beijo, acha?"

"Eu te amo." Jensen não podia ter sido mais sincero.

Jared correu para a porta, e gritou antes de sair um "Eu também te amo" para que Jensen ouvisse, quase no topo da escada.

-J2-

Jensen havia passado na editora e acertado tudo com Eric para poder ficar trabalhando em paz – o que significa sem os telefonemas e e-mails dele a cada 15 minutos – em casa durante o período de "licença paternidade" que ele e Jensen estavam tirando dos seus empregos. O chefe, é claro, não ofereceu nenhum obstáculo, pois sabia muito bem que Jensen produz muito mais quando não é contrariado.

Passou no orfanato e assinou os papeis, e ainda tentou dar uma olhadinha rápida em Connor, mas não conseguiu autorização. Embora ele soubesse que em três dias o garoto estaria morando com eles, nunca era demais ver o menino. Seu filho.

Chegou em casa e Megan já havia preparado o almoço dos dois, estava apenas o esperando por ele para por a mesa. Os dois almoçaram e o humor da garota parecia bem melhor do que pela manhã, eles até conseguiram conversar como de costume. Megan quis saber sobre Connor, se já estava mesmo tudo pronto para a chegada do menino.

Mas Jensen não esqueceu o que prometera a Jared, que teria uma conversa com a menina, então resolveu acabar com aquilo de uma vez por todas.

Foi até onde Megan estava, na pia da cozinha, lavando a louça, e se ofereceu para enxugá-la. Foi puxando o assunto aos poucos, até que resolveu ser mais direto.

"Megan, está tudo bem com você?"

A menina pareceu se irritar um pouco. "Olha, se é sobre hoje de manhã..."

"É sobre hoje de manhã, sobre ontem à noite, sobre todos esses dias em que você se tranca no seu quarto e fica a tarde inteira sozinha."

Megan baixou os olhos, como se estivesse envergonhada. Jensen percebeu, mas continuou mesmo assim.

"Olha, eu sei que eu não sou seu pai, mas..."

"Não, Jen. Como assim você não é meu pai? Você e o tio Jay são meus pais desde que eu tinha sete anos." Disse a menina, encarando o loiro. Depois inclinou um pouco a cabeça. "Bem, pra falar a verdade o Jay tem sido um pai pra mim desde que eu nasci, então, reformulando: você tem sido um pai pra mim desde que eu tinha sete anos."

Jensen sorriu. Era bom ouvir isso.

"Bem, mas o que eu quero dizer é que você pode confiar em mim pra contar qualquer coisa. Como um pai ou como um amigo."

"Acho que você é as duas coisas."

"Então, não vai me dizer o que está acontecendo?"

Megan mordeu o lábio inferior. Esse sinal Jensen conhecia muito bem. Megan não teria mais como negar, estava escondendo alguma coisa.

"Vamos lá." Insistiu o homem. "É o Connor? Você está tendo problemas para aceitar isso?"

"Não." Megan já estava cansada de dizer que estava tudo bem quanto a isso. E realmente estava. Ela sabia que uma criança pequena requer muitos cuidados e atenção, mas também não é como se ela ainda fosse uma criança. Não havia ciúme nem competição entre ela e Connor. Ela sempre teria seus dois pais, Megan sabia disso. "Você sabe que eu não tenho problemas com o Connor, eu quero aquele garotinho aqui em casa mais do que vocês, se duvidar."

"Então o que é?" Jensen não desistiria tão fácil. "É um... garoto."

Megan voltou a baixar os olhos. Depois de alguns instantes voltou a encarar Jensen.

"Por que vocês homens tem que ser tão complicados?"

Por essa Jensen não esperava. Ele abriu a boca e a fechou no mesmo momento, pensando melhor sobre o que falar.

"Os homens não são complicados, Megan. Nem as mulheres. Pessoas são complicadas. Se relacionar com pessoas é complicado."

"Oh, você tem razão." A menina respirou fundo e Jensen a sentiu mais relaxada.

"E quem é esse garoto complicado, posso saber? O que é tão complicado nele?" Megan pareceu pensar se respondia ou não às perguntas de Jensen.

"Nate Smith." Ela disse. Finalmente, com um sorriso de canto de boca.

"Nate Smith? O neto da Norma? Filho do Damien?" Jensen estava boquiaberto.

"Não ria, Jensen." Megan o fuzilou com o olhar.

"Uau, essa me pegou de surpresa. Eu pensei... achei que vocês fossem... melhores amigos?"

"Nós somos. Esse é o problema, é só assim que ele me vê. Como a melhor amiga."

"E como você queria que ele te visse?" perguntou Jensen, chegando mais perto da garota. Ela pensou um pouco antes de responder.

"Queria que ele me visse da mesma forma como vê a Amanda Mitchell, a garota nova na escola."

"E como ele vê essa tal de Amanda Mitchell?" Jensen perguntou, colocando um tom debochado no nome da garota.

"Ele diz que ela é linda." Aquilo era simplesmente terrível para Megan. "Ela é daquelas que fazem os meninos ficarem mais bobos do que de costume e quase quebrarem os pescoços pra tentar olhar o máximo possível pra bunda delas."

Jensen não segurou o riso. "Vai entender esses garotos." Fez uma cara de nojo.

Megan revirou os olhos. "Eu estou falando sério. Queria que ele olhasse pra mim como olha pra ela. Queria que ele me visse do jeito que ele a vê." Havia tristeza na voz da garota.

Jensen passou um braço pelos ombros de Megan e a abraçou, trazendo-a para mais perto de si.

"Eu acho isso bobagem. Por que você iria querer que o Nate te visse da mesma forma como essa tal de Amanda Bitchell?" Megan soltou uma breve gargalhada, que terminou um pouco amarga demais.

"Por que ela é linda e eu... bem, eu sou isso." Ela abriu os braços.

"Você também é linda, Megan."

"Sua opinião não conta, Jen. Você não diria que eu sou feia nem que eu fosse a Susan Boyle." Jensen não conseguiu segurar o riso.

"Mas eu estou sendo sincero, eu acho você linda." Disse, depois de se controlar.

"Oh, então os padrões de beleza mudaram muito nos últimos tempos. O que está na moda agora? Ser grande demais – culpa do Jay -, desengonçada, ossuda, magra e ter um lindo cabelo desgrenhado?"

"Oh, meu bem. Algumas garotas matariam para ter a sua altura, e o seu corpo. E quanto ao seu cabelo, ele é elegantemente revolto. E aposto que um dos únicos ainda naturais naquela escola. Mas não era disso que eu estava falando."

"Não me venha com esse papo de beleza interior." Megan disse em tom de aviso.

"É clichê, mas é verdade, meu bem." Jensen olhou nos olhos de Megan. "Um corpo bonito um dia acaba. Tudo acaba. Mas o que você é de verdade, seu caráter, sua personalidade, é isso que fica. Não se compare com ninguém, garota. Você é única, e você é linda, em todos os sentidos. E se Nate Smith não consegue ver isso, ou ele tem sérios problemas de vista, ou ele é um imbecil. Ou talvez só precise olhar um pouco melhor."

"Como assim?"

"Bem, você já contou ao Nate como se sente?"

"Não, claro que não." Megan olhava para Jensen como se ele tivesse uma doença mental.

"Ótimo, não conte. Não com palavras. Mas tente mostrar a ele, Megan, sutilmente. E se mesmo assim ele continuar não percebendo, ou ignorando, então ele é realmente um imbecil. E eu não quero ver você com um imbecil. Você quer isso para si mesma?"

"Não."

"Ótimo. Agora eu quero ver aquela Megan de sempre de novo, não essa emburrada chatinha dos últimos dias."

Ambos riram e Megan voltou a lavar a louça, ainda sendo ajudada por Jensen.

-J2-

Três dias se passaram como uma eternidade para Jensen e Jared, mas quando finalmente chegou a hora, quando eles finalmente se encontravam no orfanato, com Connor nos braços pronto para ser levado para sua nova casa, para sua nova vida, eles tiveram a certeza de que toda espera havia valido apena. E não apenas aqueles três dias, mas os três anos que demoraram para que o garoto entrasse em suas vidas.

No caminho de volta para casa, dentro do Impala, ambos os homens observavam de vez em quando o garotinho no banco de trás, preso à cadeirinha de segurança, brincando e balançando os bracinhos.

Quando finalmente chegaram, forma recebidos por todos aqueles que acompanharam todo o processo de adoção de Connor. Roger e Donna, Josh e Sandy, com Violet, que agora já era o segundo mais novo membro da família Ackles, Jeff e a namorada, que vieram somente para receber o sobrinho, a Sra. Smith, Damian e os filhos, para a felicidade de Megan, e até mesmo Bobby, que largou a oficina no meio da semana e veio felicitar Jared e Jensen também. E qual não foi a surpresa do moreno ao ver que Melinda e Eric também estavam lá. Ele havia desenvolvido uma ótima relação com a ex-sogra de Jensen, e ela se sentia meio avó de Connor também.

Jared saiu do carro meio atordoado com a quantidade de pessoas que estavam em sua casa. Ele imaginou que viesse alguém, mas de onde saira toda essa gente?

Jensen por sua vez apenas sorria para ele, e o moreno percebeu no ato que havia algo que ele não estava sabendo acontecendo ali, com certeza. Jared foi até o banco de trás e pegou Connor nos braços. O menino já se sentia totalmente à vontade com seus novos pais.

Jensen se aproximou dos dois, tocando o rostinho do filho e dando um beijo em sua testa.

"Você sabe que hoje é um dia especial, não sabe?" Perguntou, encarando o mais novo.

"Claro que eu sei. Tão especial quanto o dia em que nós que ganhamos a guarda da Megan."

"Exatamente. E eu queria que fosse perfeito, por isso todo mundo aqui." Ele sorriu de canto de boca para Jared. "Você vai entender quando a gente entrar em casa."

E antes que eles chegassem à porta, Donna veio recebê-los e se encarregou de arrancar Connor dos braços de Jared.

"E esse garotinho agora vem com a vovó." Disse a mulher, sem dar tempo para que nenhum dos dois homens retrucasse.

Quando entraram em casa, estavam todos reunidos na sala e havia duas grandes faixas no local: Bem vindo, Connor e Feliz Aniversário, Jared. O moreno não conseguiu conter o riso nem disfarçar a surpresa. Era difícil de acreditar, mas ele já havia esquecido totalmente que era véspera de seu aniversário.

"Acha mesmo que eu deixaria seu aniversário de trinta anos passar batido?" Disse Jensen, no ouvido do mais alto.

E logo estavam todos vindo cumprimentar o mais novo pai e o mais novo trintão dali.

Minutos mais tarde, Jared observava da porta da cozinha como Connor e Violet brincavam juntos, na sala, sob a supervisão de Sandy e Donna. Jensen estava nos jardins conversando com Eric e Melinda, provavelmente.

"Para de babar, Jared, vai estragar sua camisa." Disse Josh, aproximando-se do cunhado.

"Olha quem fala, você estava aqui babando antes de mim." Retrucou o moreno.

"É verdade." Josh sorriu, eram os filhos deles, afinal, como não babar? "Cara, eles são mesmo incríveis, não?"

"Sim. Totalmente."

"Olha, sete anos atrás, se alguém chegasse pra mim e dissesse que no futuro, eu estaria na sua festa de aniversário de trinta anos, casado com a Sandy, com uma filhinha de quase dois anos, e você estaria casado com o meu irmão e com uma filho também, eu perguntaria de que hospício essa pessoa tinha fugido."

Jared riu. Era verdade, se anos atrás se alguém contasse tudo que aconteceria em sua vida ele também não acreditaria.

"Mas no fim isso é uma coisa boa, não?" Perguntou Jared.

"Se é uma coisa boa?" Josh sorriu. "Cara, eu preciso te agradecer, de verdade."

"Me agradecer pelo que?"

"Por ter se apaixonado pelo meu irmão. Talvez eu e a Sandy nunca tivéssemos nos entendido e você estivesse casado com ela hoje em dia."

Jared riu do comentário de Josh.

"Cara, a Sandy me deu um pé na bunda antes do Jensen entrar na história."

"Eu sei, eu sei. Mas quem me garante que vocês não fossem se reconciliar, principalmente comigo do outro lado do mundo?"

"Então agradeça ao Jensen por ser tão encantador e por fazer aquilo..."

Josh se apressou em tapar a boca de Jared com a mão e tentar impedi-lo de continuar a frase.

"Jared, eu já pedi pra você não me contar os detalhes da sua vida sexual com meu irmão, por favor." Ele tentou parecer irritado.

Jared soltou uma gargalhada e logo Josh estava rindo também. A relação de amizade dos dois não mudara em nada nesses últimos anos. Aliás, se houve alguma mudança, foi que ela ficou mais forte. Os dois passaram pelos momentos mais importantes de suas vidas juntos. Jared foi o primeiro a saber quando ele e Sandy começaram a namorar sério. Ele foi com Josh a joalheria quando o rapaz comprou as alianças de noivado, uma semana antes de fazer o pedido à Sandy. Ele e Jensen foram os padrinhos do casamento, um ano depois. Ele e Jensen estavam na sala de espera do hospital quando Violet estava nascendo, e foi Jared quem segurou Josh para que ele não caísse quando o rapaz segurou a filha pela primeira vez. Eles eram mais do que amigos, eram família.

"Às vezes eu nem acredito que tudo isso é verdade, sabia. Que tudo ficou tão bom no final." Disse Jared, se recompondo do ataque de risos.

"E quem disse que esse o final, amigo? Além do mais, Jared, coisas boas acontecem."

E antes que Jared pudesse responder, os dois homens ouviram o choro das duas crianças na sala, e correram para pegar seus filhos no colo e fazê-los pararem de chorar. E enquanto Jared segurava e acalentava Connor, ele pensou que Josh estava mais do que certo, coisas boas realmente acontecem.

-J2-

Quando a última pessoa finalmente foi embora, Jared fechou a porta e suspirou aliviado. Foi até a sala e viu Jensen no sofá, segurando um Connor adormecido nos braços. Ficou parado por alguns segundos observando, apenas observando.

Jensen tinha os olhos fixos no garotinho em seus braços. E um brilho totalmente novo tomava conta daqueles olhos. O homem mais novo lembrou-se de anos atrás, quando vira Jensen naquela quadra de basquete na casa dos pais dele, e de como aquele encontro havia sido intenso. Desde o primeiro momento, Jensen mexeu com algo dentro dele, e por mais que na hora ele simplesmente não fizesse ideia do que aquilo significava, ele ainda lembrava perfeitamente do todos os detalhes. Isso tinha que querer dizer alguma coisa.

Sete anos e agora a vida dele não fazia mais qualquer sentido sem aquele homem ao seu lado. Sete anos se passaram, muitas coisas aconteceram, e eles continuavam ali, juntos e... felizes. Sim, poderia facilmente definir aquilo como felicidade. Porque embora tenha havido vários momentos difíceis nesses sete anos, embora muitos ainda estejam por vir, Jared não ousaria jamais dizer que não era felicidade o que ele e Jensen haviam construído juntos. Não que ficasse se questionando sobre aquilo o tempo todo, mas agora que parou para pensar, realmente poderia dizer que era um homem feliz.

"Você vai ficar aí só olhando ou vai me ajudar a levá-lo para o quarto?" Jensen falou e tirou o mais novo de seus pensamentos.

"Claro. Ele devia estar exausto, com tanta gente querendo segurá-lo e apertar essas bochechas." Disse Jared, enquanto se aproximava de Jensen e de Connor.

Os dois homens subiram as escadas, Jensen tomando cuidado para não acordar o filho, que ainda dormia em seus braços.

Puseram-no no berço e ficaram olhando Connor respirar suavemente, sem dizer nada, por um bom tempo.

Foi Jensen quem quebrou o silêncio.

"Mamãe disse que isso ia acontecer."

"O que?" Jared perguntou, ainda sem tirar os olhos de Connor.

"Isso. Ficar olhando para ele o tempo todo e achar que tudo que ele faz, até respirar, é perfeito."

"Mas é." Jared finalmente olhou para Jensen. "Ele é perfeito, e é nosso."

Jensen apenas sorriu. Não tinha como não concordar, afinal. Ele deu a volta no berço e parou ao lado de Jared. Quando o moreno se virou, ficando de frente para ele, Jensen o beijou.

"Sabe no que eu acabei de pensar?" Perguntou o loiro, depois que eles se separaram, com um sorriso travesso nos lábios.

"No que?"

"Que a gente podia terminar de comemorar o seu aniversário no nosso quarto." Jensen disse num sussurro, próximo à orelha de Jared.

"Ótima ideia."

Jensen saiu primeiro do quarto de Connor. Jared o viu passando pela porta em direção ao quarto deles. Olhou para o filho uma vez mais antes de seguir o mais velho, tendo a certeza de que sim, aquilo era felicidade.


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N/A: E acabou! Eu disse que não demorava! u_u

Sei que ainda não respondi a algumas reviews, mas tentarei fazer isso o mais breve possível. .

Espero que tenham gostado dessa leitura, porque eu adorei escrever essa fic.

Um grande beijo a todos que chegaram até aqui!

Obrigada por lerem e pelos comentários! *-*

E é claro, deixa eu fazer o meu jabá: vou postar uma nova Padackles, UA, espero que vocês acompanhem...

Laços de Família

Teaser:

Encararam-se por apenas alguns segundos, Jensen Ackles e Jared Padalecki. Mas foi como se faíscas saíssem dos olhos de ambos. Ao mesmo tempo em que nehum dos dois gostaria de não precisar manter nenhum contato um com o outro novamente, havia ainda muita coisa que gostariam de dizer também. Muitas mágoas. Muitos ressentimentos. Mas nada disso seria dito agora.

- Vamos? - Disse Danneel, chamando a atenção de Jensen ao segurar seu braço.

- Vamos - O homem apenas acenou com a cabeça, seguindo a esposa.

Mais ao fundo, Jared acompanhava tudo com o olhar. Realmente havia rancor ali.

*___* Reviews, please!

Bjinhos! ;*