Capitulo 7 – Desabafo
Lucy correu para um local não muito longe dali, ainda ficava no parque, era ali que as pessoas costumavam fazer pic nic. Ela parou logo ao lado de uma mesa e, logo atrás dela veio Rose.
-Nós não estávamos tentando interromper vocês dois, desculpe. Mas eu acabei cedendo as ameaças do Severus e contei o que a Lily e o James haviam armado. Mas eu prometo que vou encontrar outra chance para vocês dois terminarem o que estavam fazendo!
-Não é isso. Pelo contrario, estou aliviada!
-Como assim?
-Não sei o motivo pelo qual o Remus se tornou uma pessoa tão assustadora. Imagino que tenha sido por minha causa, mas não imaginava que aquele garoto tão sensível poderia se transformar desse jeito. – ela respirou fundo e continuou – eu disse que ele não era aquilo que ele acreditava que eu fosse, e ele ficou...furioso comigo. Sinto como se não pudesse mais encontrar nada do que eu gostava nele.
-Eu não te entendo, é claro que ele ficaria furioso Lucy! Ele tem todos os motivos para estar furioso!
-Eu sei! Mas é que...será que eu devo continuar planejando meu futuro nele? Com ele? Então...quando o Severus apareceu, eu suspirei aliviada.
-Você...não está gostando do...espera! Lucy, você sabe que o que disse para o Remus foi muito errado?! Ele gosta tanto de você, você lutou tanto para ficar com ele e no final o que ele consegue? Uma pessoa confusa e irresponsável como você que apenas o machuca! E depois você não entende por que ele ficou furioso!
Dessa vez quem saiu correndo foi Rose, Lucy ficou ainda mais arrasada com as palavras da amiga. Ela não estava lá, não sabia o que havia acontecido e muito menos entendia os sentimentos que se passavam dentro do coração de Lucy.
*Mais tarde*
Já era noite. Severus desceu as escadas após ter tomado um longo banho, ele havia recebido uma coruja de Lily alguns minutos antes de descer, perguntando como Lucy estava e, como não havia a encontrado no quarto resolveu procura-la lá em baixo.
-Mãe, cadê a Lucy?
-Que? Ela não estava na casa da Lily?
Uma sobrancelha de Severus arqueou-se e, sem dizer nada saiu. Como era possível ela não ter ido para casa desde aquela hora?
"Espero que não tenha acontecido nada com aquela tonta" – pensava ele enquanto caminhava depressa.
Ele seguiu primeiramente até o parque, incrivelmente parecia ter dado sorte, Lucy estava lá sentada num balanço, chorando. Severus a principio permaneceu em silencio, ela ainda não havia percebido que ele estava ali, ele então se abaixou logo a frente dela.
-Eu estava imaginando que tipo de pessoa sentaria sozinha num balanço chorando. Não achei que poderia ser minha irmãzinha. – Lucy levantou a cabeça lentamente – por que ainda está chorando?
-Não estou chorando.
-Sem duvida você está chorando.
-Não estou.
-Está!
-Não estou!
-Isso tem a ver comigo?
-Não...dessa vez não. É problema meu. Por que eu me transformei assim? Querendo proteger a mim mesma acabei ferindo os outros...sou muito egoísta, não sou?
Lucy lembrou-se das palavras de Rose, naquele momento ela sentia-se tão mal que imaginava que a amiga estava realmente certa. Severus, apesar de dessa vez não ter ouvido a conversa imaginava o que Rose poderia ter dito a ela, e que as duas deveriam ter brigado. Ele a encarava serio, mas não ameaçador côo de costume.
-Eu não tinha percebido até agora, escondi as partes ruins de mim mesma muito bem, você sabe o quão ruim eu sou?
-E agora? Como vai recuperar a confiança deles em você? Suas amigas realmente se importam com você.
-Não...elas me odeiam, quer dizer, pelo menos a Rose me odeia!
-Ninguém é tão sincero com alguém com que não se importa, essas coisas que a Rose deve ter te dito normalmente são verdadeiras, e ela disse para o seu próprio bem, porque acredita que você é capaz de entender.
O choro cessou, Lucy agora olhava-o apenas com os olhos um pouco vermelhos e sorria levemente quase que inconscientemente. Era como se seus sentimentos tivessem se acalmado misteriosamente, não se sentia mais tão triste.
-Severus...você não veio aqui só para me levar para casa, não é?
-Que piada, eu só estava entediado. – ele corou e se levantou, virando-se na direção do caminho de casa – Estou com fome, vamos para casa.
Lucy levantou-se sorridente, ela sabia que a resposta de Severus não havia sido sincera. Agora ela não se sentia mais solitária, mas sim feliz e animada. Os dois foram caminhado lado a lado, a caminho de casa. Quando já estavam quase chegando, próximos a um pequeno barranco, Severus pegou a mão de Lucy, fazendo o coração dela disparar, e sorriu desafiador.
-Vamos correr, quero chegar logo em casa – antes que ela pudesse responder ele já estava correndo, o mais rápido que podia, na direção do barranco – e se não quiser morrer é melhor não soltar de mim.
-Mas se eu não soltar e você é que eu vou cair mes...ahhhhhh!
Os dois rolaram barranco a baixo, parando logo que chegaram ao chão reto. Não foi nada que se possa chamar de queda horrível, Lucy ralou o cotovelo e Severus machucou um pouco mais gravemente a palma da mão esquerda graças a um galho de árvore. Os dois começaram a rir, Severus levantou-se e ofereceu ajuda a Lucy, estendendo a mão direita.
-Por que sempre que e estou com você acontece alguma coisa estranha ou perigosa?
-Eu não posso evitar que essas coisas aconteçam...mas, posso te proteger porque... – Severus, que ainda segurava a mão da garota puxou-a rapidamente em sua direção, fazendo seus corpo se encostarem – eu sou o perigo real.
Ele a beijou, a principio Lucy se assustou, mas dessa vez foi muito diferente da anterior, pois segundos depois ela entregou-se a ele, abrindo levemente os lábios para que a língua dele pudesse passar. Assim como ele, dessa vez, parecia realmente sincero e não alguém que queria apenas provocá-la para que se irritasse ou arrumasse brigas com os marotos. Eles permaneceram por mais alguns minutos ali, sentindo seus corpos tão próximos, envolvidos por aquele beijo quente.
-É melhor...a gente ir logo para casa, sua mãe dele estar preocupada – disse Lucy, corada.
-Tá...- respondeu Severus andando rapidamente a frente de Lucy – e hoje você lava a louça.
-Que?
-Não ta vendo minha mão? – disse ele mostrando o corte.
-Ahhh deixa de ser folgado! É só fazer um curativo nisso daí!
Os dois corram até em casa, ao entrarem Eileen e John os aguardavam na sala, Michael brincava na varanda.
-O que aconteceu crianças? Por que estão tão sujos? E estão machucados!
-Não foi nada não tia...a gente caiu do barranco.
-Como assim? Mas vocês estão bem.
-Claro que sim mãe...
-Não fale assim Severus! Bom,acho melhor vocês dois irem tomar um banho enquanto eu sirvo o jantar.
Os dois subiram as escadas, Severus na frente e Lucy logo atrás. O coração de Lucy ainda batia forte, mas sua mente estava confusa com tantas coisas que haviam acontecido aquele dia.
-Severus – disse ela entrando no quarto – se você quiser depois posso fazer um curativo na sua mão.
-Te espero no meu quarto então – respondeu ele, olhando-a desafiador e enquanto no quarto em seguida.
