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Cap 5
Ao retornar para casa, no dia seguinte, Tala encontra Rei sentado no meio da sala seguindo atento o movimento das chamas na lareira acesa, enquanto Kai o observava pensativo. O ruivo retira seu casaco pesado e se dirige ao neko-jin chamando a atenção dos dois.
- Você precisa tomar um banho para evitarmos que seus ferimentos se infeccionem e para dar um jeito em seu cabelo – mas a campainha soa o interrompendo. Ele dá um suspiro – Você consegue fazer isso Hiwatari? – diz com ar zombeteiro saindo da sala antes que recebesse uma resposta.
Depois de alguns segundos parado Kai levanta da cadeira e se aproxima do chinês com uma expressão séria. Olhando pros curiosos globos amarelos ele ameniza a expressão e com gestos lentos guia o rapaz em direção às escadas, empurrando de leve as suas costas. Eles chegam em pouco tempo ao banheiro e entram.
Ainda um pouco receoso em confiar completamente nas pessoas, apesar de, sem perceber, já ter começado o processo de restaurar a sua capacidade de confiança nos outros, ainda que só para os dois humanos com quem estava, o neko-jin olha em volta.
O banheiro não é muito luxuoso, tendo uma pia de mármore com um espelho retangular acima, um vaso, uma pequena mesa com flores e outra com toalhas de banho e rosto cuidadosamente dobradas. Mais distante estavam a banheira e o chuveiro, escondidos por cortinas brancas com detalhes em verde escuro.
- Rei, quero que fique aqui por enquanto, está bem?
O Tigre vira a atenção à ele, com medo evidente no rosto. Mesmo assim Kai o deixa sentado na tampa do vaso sanitário e sem olhar pra traz começa a preparar o banho. Depois de terminado, ele desperta o outro ao chamá-lo e o guia mais perto da banheira cheia de água quente. Mas antes que pudesse dar mais de dois passos ele sente os músculos das costas onde sua mão estava tensionarem.
Ele se depara com olhos completamente abertos e em pânico, uma postura rígida de defesa, a expressão apavorada e de dor.
Em segundos seu instinto de sobrevivência domina o neko-jin. Tentando escapar do local de qualquer jeito luta para se libertar da pessoa que o segurava com firmeza pelos seus braços torcidos para trás, a única coisa em sua mente sendo a lembrança ainda muito fresca e dolorosa dos seus dias de "tratamento".
- Rei? Rei! – automaticamente, ao perceber o perigo que o neko-jin desesperado oferecia a ele, Kai o segurou forçando os braços em uma posição desconfortável, o imobilizando. - O que foi? Qual é o proble- por milissegundos seu olhos arregalam se lembrando de uma parte crucial do relatório sobre o ex- Bladebreaker.
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25 de Fevereiro – 2°ano
A terapia mental não mostrou resultados satisfatórios.
Algumas técnicas seletas serão aplicadas no sujeito n° 79 por tempo indeterminado.
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Técnicas aplicadas:
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Choques elétricos
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A porta se abre e Tala rapidamente se aproxima perguntando com o olhar o que aconteceu. Recebendo um gesto de cabeça, com uma rápida olhada pra onde Kai apontou, ele compreende a situação, estando ciente de todas as informações contidas nos documentos sobre Kon.
Segurando a cabeça do moreno, se mantendo longe dos caninos pontiagudos, o ruivo tenta acalmá-lo ao fazê-lo focar nele.
Por alguns minutos eles se mantiveram parados no banheiro. O neko-jin se debatendo e soltando sibilos como um gato assustado, enquanto Kai o segurava com firmeza imobilizando seu corpo impedindo que fugisse e se ferisse, e o ruivo segurava a cabeça do neko-jin falando em tom baixo palavras em japonês.
Se ambos os russos não possuíssem força e resistência superiores a de um humano comum não conseguiriam segurá-lo. Mesmo estando apavorado e fraco o neko-jin os forçava ao limite de suas capacidades.
Cansado e emocionalmente esgotado o moreno pára de lutar, algumas teimosas lágrimas descendo em seu rosto. A respiração ofegante junto com o som baixo, lembrando o de um animal assustado, eram os únicos barulhos que conseguia produzir no momento.
Seus braços são liberados e por causa da fadiga vinda do aumento de adrenalina que acontecera a alguns minutos atrás suas pernas falham, mas alguém o segura, apoiando seu tórax e cabeça em algo quente. O cheiro agradável e familiar de quem o segurava o tranquiliza e lhe dá uma sensação de confiança que ha muito tempo não sentia. Querendo sentir melhor o cheiro, tentando manter essa agradável sensação, ele pressiona mais o seu corpo contra o outro.
Quando estava quase adormecendo com o ritmo constante e hipnotizante das batidas cardíacas que escutava, uma mão lhe puxou suavemente de sua posição.
Não tendo opção ele afasta o rosto da blusa do rapaz e pelos ombros vê o ruivo recolhendo a mão e falando algo que não pôde entender.
Sentindo os braços que o rodeavam fazer um pouco mais de pressão ele volta a atenção no cabelo-azulado, curioso.
Satisfeito com o estado calmo e levemente mais seguro visível na linguagem corporal de Rei, Kai o guia para perto da banheira e começa a lhe tirar a roupa, deixando somente a cueca estilo boxer e, com ajuda de Tala, retira todos os curativos e bandagens. Fazendo um pouco mais de pressão nas costas, o ex-capitão dos Bladebreaker faz o chinês entrar na água ainda morna com um pouco de dificuldade, este segurando firmemente a sua camisa com ambas as mãos, cansado demais para oferecer mais alguma resistência.
Ao fazer contato com o líquido ele enrijece o corpo mesmo sentindo uma onda de prazer lhe subir pelas pernas com o calor que seus músculos tanto precisavam. Ele ouve um barulho do seu lado. Virando a cabeça descobre o ruivo ao seu lado sem a calça e camisa. Alarmado, rapidamente ele começa a se levantar, mas dois braços, que sabia pertencerem ao ruivo, o envolvem mantendo-o sentado dentro da banheira.
Ainda com Rei agarrado a sua roupa, Kai pega o sabonete e começa a ensaboá-lo tomando cuidado para não atingir nenhum ferimento aberto, querendo acabar com tudo o mais rápido possível.
Após meia hora o ensaboando e esfregando, acreditando já ser o suficiente e não querendo assustá-lo ainda mais se fosse lavar áreas muito pessoais, ele pega o xampu. Desta vez Tala o ajuda com a mão direita, o braço esquerdo ainda envolvendo a cintura do chinês que cedeu ao prazer da água morna, relaxando a ponto de fechar seus olhos e se apoiar quase totalmente no ruivo, o fato não escapando despercebido pelos dois russos.
Depois de enxaguá-lo bem, o ex- Bladebreaker pega o neko-jin no colo, não se importando por se encharcar no processo e o cobre com uma toalha.
Percebendo o cansaço do rapaz Tala seca rapidamente o cabelo preto o máximo possível. Depois, com um movimento rápido, retira a cueca encharcada que Rei ainda usava, recebendo um som de surpresa do moreno, e o enrola melhor na toalha seca. Vestindo o roupão branco pendurado em um canto ele os segue até o quarto.
No quarto os russos conseguem vesti-lo com uma cueca boxer e enfaixar os ferimentos antes de cobri-lo com um cobertor. Quando terminam eles deixam Rei dormindo exausto pela condição em que se encontrava, e saem do quarto em silêncio.
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Os próximos cinco dias não foram muito diferentes. Rei continuava agindo como um animal tímido e inseguro, apesar de se assustado, o que ocorreu mais de uma vez durante a noite, ele reagia com ferocidade e sem hesito.
Mesmo com a ausência de melhoras no estado racional do neko-jin, os dois amigos decidiram apresentá-lo à Bryan e Spencer o mais cedo possível para que aprendesse a confiar nos dois pelo fato de que eles os ajudariam a cuidar dele. No início Rei demonstrou estar mais nervoso com a presença do russo de cabelo lilás, gerando um comentário sarcástico do próprio russo de que ao menos ele poderia ter se esquecido daquele dia, mas logo se acostumou com a presença deles, se mostrando curioso e ousado nas raras vezes em que se sentia a vontade o suficiente com os outros dois russos para deixar sua hesitação de lado.
Á noite Kai dormia na cadeira ao lado da cama para acalmar o neko-jin de seus sonhos, mesmo que muitas vezes Rei nem chegasse a acordar. Para Tala, Kai tentava ao máximo deixar o chinês à vontade e sempre mantinha um olho nele para ter certeza de que tudo estava indo bem, pois, no fundo, o ruivo sabia que Kai tinha muito medo de perdê-lo novamente. Esse medo também está presente nos outros, mas principalmente pela possibilidade de também perderem o Kai se algo acontecesse ao chinês.
Durante o dia Rei seguia a maior parte do tempo o ex-capitão dos Bladebreaker, mas conforme os dias iam passando ele alternava algumas horas de sua atenção para os outros três russos, encontrando em cada um deles características diferentes que, de certo modo, o entretiam, e recebendo tratamentos diferentes os quais procurava em determinadas situações. Ele se mantinha mais próximo da pessoa que estava "acompanhando", mas não a ponto de ter contato físico, com exceção de Kai o qual segurava a echarpe quando o seguia. Todos estavam cientes deste estranho comportamento, no entanto o máximo que faziam era dar olhares de risada entre eles deixando o neko-jin agir como bem queria, dando tempo para ele se recuperar.
No vigésimo dia os Demolition Boys perceberam uma leve diferença na atitude do moreno. Sua atenção parecia estar mais focada em algo distante em sua mente, seu entusiasmo diminuíra consideravelmente e muitas vezes eles o pegavam olhando concentrado pelas janelas, como que procurando por algo. Por um lado isto confirmava que Rei já se sentia confortável com a presença de todos os quatro russos, mas por outro, esses momentos de desligamento do presente os deixam inquietos, pois não sabiam o real dano que o moreno sofrera e sem a ajuda de especialistas, os quais não podiam contatar, não teriam como saber o que os aguardavam.
... ... finalmente vai começar a ação ... ... ... ... isso se meu computador não estragar de vez T T
