Desculpem a demora, mas meu computador não colabora mais comigo T T Estou dependendo de outros computadores, por isso é melhor esperarem sentados pelos próximos capítulos... sorry

Feliz Natal e um ótimo Ano novo

e, principalmente, Boas Festas!! ;-D


Cap 6

Tala se encontrava sentado à mesa, tomando uma xícara de café, observando de canto de olho Rei tomar pequenos goles de seu chá com olhos distantes. Ele volta a atenção a Bryan que entra na cozinha com o jornal do dia e lhe dá um olhar inquisitivo.

Não estando com ânimo para responder ele volta à atenção ao neko-jin que ainda bebia o chá alheio a nova presença no ambiente. Sua expressão se fecha preocupado.

O outro russo se senta à frente dele e começa a ler em silêncio o jornal, fingindo prestar atenção ao que lia, enquanto pega distraído uma fruta da fruteira em cima da mesa. Imediatamente olhos amarelos se focam e parecem momentaneamente surpresos por sua presença. Fingindo não perceber a atitude do moreno, Bryan pega a fruta e olha irritado para ela como se a culpasse por ter sido pega, e a devolve. Vendo que o único pêssego que sobrou estava na frente de Tala ele desiste de comer e volta a ler o jornal com um pequeno grunhido de irritação.

Alguns segundos depois um som muito parecido com um miado o faz abaixar as folhas do jornal para ver o mesmo pêssego de antes, o único pêssego, parado a sua frente na mesa. Levantando uma das sobrancelhas ele vira para Tala, que parecia tão surpreso quanto ele e um pouco incrédulo com o ocorrido.

Ele recebe uma expressão de 'olhe só isso' do ruivo, logo depois Tala pega o pêssego e a troca pela maçã que estava à sua frente, tudo isso sendo cuidadosamente observado pelo neko-jin.

Tala lhe dá uma expressão de divertimento enquanto aponta com a cabeça o moreno ao seu lado. Bryan cerra as sobrancelhas e estava prestes a perguntar se finalmente o ruivo tinha enlouquecido de vez quando um braço enfaixado aparece em cima da mesa e troca as duas frutas para como estavam anteriormente.

Uma sobrancelha sobe intrigada, enquanto o ruivo parecia se divertir com alguma piada não contada. Novamente Tala pega o pêssego, mas dessa vez um som de protesto é ouvido do moreno, e o coloca na frente do chinês pegando uma pêra para por na frente de Bryan.

Desta vez, o russo de cabelo lilás vê a pêra ser posta, com mais força do que necessário, de volta a fruteira enquanto o pêssego vai parar em um lugar a salvo do alcance do ruivo, nas mãos do neko-jin escondidos embaixo da mesa.

- Qual é a graça nisso? – perguntou um pouco irritado por não entender a graça que Tala achava da situação, recebendo uma expressão incrédula do ex-capitão.

Tala dá um meio sorriso para o moreno que decide procurar outra pessoa para fazer 'companhia' saindo da cozinha. Estando as sós, Tala volta a atenção à Bryan.

- Isso foi o máximo de interação que eu o vi fazer hoje sem que um de nós tenha forçado.

- Você fala da brincadeira com a comida? – pergunta meio incrédulo da capacidade intelectual do seu ex-capitão.

- Não. Quero dizer sim. Ele não estava brincando com a comida, ele viu que o único pêssego estava comigo então ele o trocou por uma maçã. – disse como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.

- ...

Tala suspira irritado – Ele sabe que você prefere pêssego e pelo jeito também sabe que eu prefiro maçã a outra fruta... – termina esperando o outro entender. Os olhos lilases se arregalam de leve, surpresos, para depois um canto da boca subir formando um meio sorriso. – Mas parece que eu irritei o Gatinho. – continuou o ex-líder abafando o riso.

Entrando na cozinha Kai pergunta qual era a graça e Bryan o responde, com a voz mais leve do que de costume.

- O Kon é mais observador do que esperávamos – mas em seguida ele olha sério para Kai – Ele ainda mantém um lado racional, mesmo neste estado. Mas ele está ficando inquieto com o passar dos dias.

- Não é surpresa, já que muitas de suas atitudes são as mesmas do Rei que conheço incluindo a necessidade de liberdade. Vamos ter de deixá-lo sair por alguns minutos. Se tratando dele não podíamos esperar que ficasse aqui dentro por um longo período de tempo... – Suspira conformado. Mudando de assunto e se dirigindo à Tala ele pergunta sério – Você consegue lidar com ele por alguns dias, certo?

- E qual seria a razão de sua ausência? – ele franze a testa dando ênfase na última palavra.

- Eu não gosto da idéia daquelas pessoas quererem algo do Kon e não saber o que. Há muito mais nessa história.

Tala e Bryan afirmam com a cabeça. As informações que conseguiram eram superficiais e tinham muitos buracos em branco, o melhor modo de se prepararem era saber o máximo que conseguiriam sobre as verdadeiras intenções da Abadia.

Bryan se levanta. – Eu vou com você.

- Não. É melhor ir sozinho, Rei vai precisar de todos vocês se elesdecidirem vir atrás dele, e quanto mais gente para manter um olho nele enquanto está fora da casa, melhor. – Bryan consente com a cabeça enquanto senta para discutirem como agiriam daqui pra frente.

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Tala vigiava disfarçadamente o moreno que investigava toda e qualquer novidade no jardim da casa. O jardim não possuía nenhuma planta viva graças ao inverno se aproximando, mas era o suficientemente grande e decorada, com objetos como estátuas e uma fonte de água seca, para acalmar a ansiedade do neko-jin por novidades e ar fresco. Toda a casa era rodeada por um muro de concreto alto com cerca elétrica no topo e câmeras de segurança de alta tecnologia que asseguravam de que não houvessem surpresas vindas de fora.

Só de passar alguns minutos ao ar livre o moreno parecia mais animado e tranqüilo.

O ruivo olha pro céu ao sentir algo gelado no nariz. Nuvens grossas confirmavam que muita neve cairia hoje. Olhando pro neko-jin que agora fazia movimentos precisos e complexos de artes marciais apenas como diversão, o ruivo tem a sensação de que ele se preparava para algo, assim como um filhote de tigre 'brinca' com os irmãos se preparando para quando fossem lutar. Ele suprime o sentimento ruim que o pensamento lhe dá e vira sua atenção á porta traseira da casa, o único acesso ao jardim.

Kai e Sr. Dickenson saem da casa sendo seguidos por Bryan e Spencer, este último se juntando ao neko-jin que se distraia com algo no canto afastado do jardim.

Acenando a cabeça para o Sr. Dickenson, Tala volta a observar o moreno, os outros três fazendo o mesmo em silêncio. Alguns minutos se passaram antes que o senhor de idade avançada falasse.

- Como ele está?

- Melhorando... – responde Tala, não demonstrando nada em sua voz. O homem grisalho volta o olhar para o neko-jin agora interagindo com o grande, mas amigável loiro. Quando olhos amarelos chocantemente diferentes e ao mesmo tempo iguais ao do jogador que o Sr. Dickenson conheceu a alguns anos lhe notam ele dá um sorriso amigável.

Sem esperar muito o homem idoso se vê de frente com um rosto exótico. A curiosidade que o moreno demonstrava era facilmente visível, mas o coração do velho homem se aperta um pouco ao perceber insegurança, receio e uma emoção que nunca iria ver no Kon que conhecia, a melancolia de uma pessoa sofrida. Não que a vida deste rapaz em particular não lhe era sabida, nem mesmo os outros White Tigers tinham o conhecimento sobre Rei como ele, mas vê-lo exibindo esse sofrimento tão abertamente era desconcertante por saber o quanto o chinês se esforçou durante toda a vida por manter os outros alheios ao que aconteciam a seu respeito.

Alguns segundos sobre o olhar atento do moreno de cabelos longos e o Sr. Dickenson recebe um sorriso despreocupado, soltando um pouco o nó em seu peito sabendo que Rei o reconhecera.

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Todos estavam na sala, Sr. Dickenson olhava pensativo para os homens presentes, principalmente o moreno de olhos amarelos. Rei estava sentado no tapete a sua frente e parecia concentrado nas chamas da lareira acesa. Conhecendo a história por trás da presença deste neko-jin em especial, ele esperava esta atração pelo fogo.

- Eu não sei bem o que dizer a vocês rapazes – falou sério, segurando o olhar frio e calculista do ex-capitão do neko-jin. – O que posso fazer é trazer as pessoas que saberão como agir nesta situação.

Kai cerra os olhos, irritado com o mistério que o homem mantinha, enquanto os outros se mantém em silêncio surpresos com o que ouviram.

- Então isso já aconteceu antes com outro da espécie do Kon – surpreendentemente quem falara fora Bryan, e sua desconfiança era bem visível pelo tom áspero que utilizou. – ou com o próprio Kon. - Mas o homem grisalho não se abala e responde, com os olhos fechados, seu tom brando e cansado.

- O estado em que Rei se encontra é relativamente comum nos neko-jins... Não é algo irreversível... com a ajuda destas pessoas...

A incerteza, mesmo que velada, do Sr. Dickenson lhes dá a certeza de que algo muito importante está sendo escondido. Agora, mais do que nunca, Kai está decidido a fazer sua viagem, o qual pensara em adiar até Rei ficar mais a vontade com os Demolition Boys.

- Quando eles chegarão? – Tala se reclina mais no sofá em que sentava, seus olhos azuis fixos no neko-jin que estava alheio a conversa.

- O mais cedo possível. Mas a situação não representa nenhum risco à saúde dele. – o rosto do senhor se fecha, aparentando-o mais velho – Ele não pode voltar pras mãos da Abadia. Façam todo o necessário para mantê-lo distante deles, isto é de extrema importância rapazes, ele não pode voltar.

Os Demolition Boys sentem que há algo maior em jogo, do que somente a preocupação pelo bem estar do moreno.

- Verei uma semana vaga, assim que possível, para voltar. Devemos agir com cautela e sigilo; não podemos deixar que outros saibam do paradeiro dele, nem mesmo os Bladebreaker e os White Tiger – Spencer assente com a cabeça enquanto Bryan grunhe afirmativamente, os outros dois russos se mantêm em silêncio. – Provavelmente só poderei vir à Rússia novamente nas próximas semanas. Mas vocês estão lidando muito bem com a situação – o senhor sorri – Telefonem para meu número caso precisem. – O número do telefone particular do Sr. Dickenson só era dado para poucas pessoas que se apresentavam em situações especiais. Todos os Demolition Boys tinham este número e já o usaram algumas vezes quando mais necessitavam de ajuda. Não lhes é estranho que Rei Kon também tivesse acesso a ele.

O senhor grisalho coloca uma de suas mãos no ombro do neko-jin o assustando levemente. Seus olhos se encontram com o do moreno e por alguns segundos as pessoas presentes tem a impressão de enxergarem uma ligação paternal entre eles. Depois de dar dois tapinhas no ombro do moreno, ele se levanta dando um sorriso amigável para os Demolition Boys.

Sabendo que não tirariam mais nenhuma resposta dele, eles o acompanham até a porta.

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Ouvindo a porta ser trancada sua expressão se fecha. Dickenson pega o celular do bolso interno do paletó, aperta duas teclas e espera. Quando atendem, sua voz, agora pesada e séria, soa baixo para não ser ouvido por terceiros.

- É uma linha segura?

- Sim senhor. – uma voz feminina responde.

- Prepare o time. Nós podemos estar lidando com o que temíamos.

O celular se silenciona por alguns segundos.

- Mas Senhor, a ameaça foi neutralizada há alguns anos.

- A situação mudou, Nem mesmo eu tenho certeza o do porque de somente agora isso está acontecendo. Chame os irmãos, mas mantenha a discrição.

-Sim senhor.

- E mande alguém para seguir Kai Hiwatari, alguém extremamente discreto, Ana. Se o conheço bem, ele planeja buscar respostas o mais cedo possível, e não quero mais uma fatalidade nesse caso.

- Mandarei o de sempre. E os outros, senhor?

-Deixe comigo. Ana?

- Sim?

-Prioridade Um.

- Imediatamente, senhor!

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Ele se mantém em silêncio enquanto seus olhos amarelos brilhantes observavam o rapaz de cabelo azulado dormindo. Nos últimos dias ele se sentia mais inquieto e a visita daquele homem grisalho só aumentara sua urgência, mas ele terá que esperar. Não era a hora.

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Na manhã seguinte Kai esperava o taxi para levá-lo ao aeroporto internacional. Spencer e Bryan já se instalaram na casa, algo muito fácil e rápido de ser feito já que nos últimos dias passavam mais tempo lá do que em qualquer outro lugar.

- O taxi chegou. – falou Tala.

Kai suspira silenciosamente e pega as malas.

Rei percebendo que algo está diferente tenta se aproximar mais do rapaz de cabelo azulado, mas o ruivo o segura pelo ombro. Ele é puxado para trás onde sente o calor do ruivo ás suas costas e a outra mão lhe segurar firmemente o braço.

O ex-capitão dos Bladebreaker sai da casa sem olhar pro neko-jin.

"Tala e os rapazes cuidarão bem de você, Rei. Eu vou descobrir o que está acontecendo."

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