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1 – " " – Aspas e itálico: Pensamento.

2 – * * - Asterisco e Negrito: Carinha que eles tão fazendo.

3 – N/A: Nota das autoras

4 – Não copie nada deste fanfiction, seja original, crie tudo! Garantimos que vão adorar.

5 – Kissu, boa leitura.


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~Tennki no Hana~

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-Especial de Natal-

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-Tokyo, 3 anos atrás-

Apesar de nevar, uma grande multidão formava-se no centro da cidade. Era fim de ano, e todos faziam suas compras para o natal. (Como a maioria da população do Japão não é cristã, essa data tem uma conotação de feriado comercial.) Uma mulher e duas pequenas garotas de longos cabelos podiam ser vistas no meio de tal cenário.

Kagome:- Okaa-san, okaa-san! Vamos comprar mais massa para biscoitos! O Houjou-kun adora biscoitos! Vamos! – ela puxou a mãe na direção da loja, mas foi interrompida.

Sra. Higurashi:- Kagome, nós já temos massa suficiente para todos da sua sala! Acalme-se.

Kagome:- Hm... – ela fechou a cara.

Sra. Higurashi:- E nem adianta fazer birra, mocinha. Nós vamos comprar apenas o que precisamos. – ela sentiu que alguém a puxava do seu outro lado – O que foi, Rin-chan?

Rin:- Estamos precisando de fermento, não é?

Sra. Higurashi:- Sim, estamos.

Rin:- Aquela loja vende fermento e está com uma fila pequena. – Apontou para uma loja bastante discreta, onda havia duas senhoras comprando uma torta.

Sra. Higurashi:- Muito bem, Rin-chan! Você me ajudou bastante. – Fez um cafuné na cabeça da pequena e levou as duas até a loja.

Após comprar o fermento, elas foram até uma loja de decorações, de onde voltaram com diversas luzinhas coloridas que as meninas já escolhiam onde colocar.

Kagome:- Essa daqui pode ficar na frente do templo.

Rin:- É!! E essas outras nós colocamos nas árvores. Assim, o Papai Noel vai enxergar onde aterrissar o trenó! – seus olhos brilhavam.

Kagome:- Não seria mais lógico colocá-las no telhado?

Rin:- Mas sua casa nem tem chaminé... – Passou um breve momento, e então, as duas arregalaram os olhos.

Rin e Kagome:- Como o Papai Noel vai entrar?!!

Rin:- E eu que me esforcei o ano inteiro para ser uma boa garota, nem vou ganhar presente...

Kagome:- Já sei! Que tal a gente pedir para ele deixar os presentes na soleira da porta?

Rin:- Nãaao, a neve vai encharcar todos!

Elas continuaram discutindo as possibilidades de como fazer o Papai Noel entrar, sem ser pela chaminé, quando, após sair de uma loja, a Sra. Higurashi parou.

Sra. Higurashi:- Acho que com isso terminamos as compras. Já podemos ir embora.

Kagome:- Que bom! Já não agüentava mais andar...

Rin:- Kagome preguiçosaaaa!

Kagome:- Eu NÃO sou preguiçosa!

Sra. Higurashi:- Parem, garotas. Sem brigas, ok? Senão não vou deixar que me ajudem a fazer os biscoitos.

Imediatamente, as duas pararam de discutir. Elas adoravam fazer biscoitos.

Uma semana, antes, Kagome havia anunciado na sua classe que daria uma festa de Natal na sua casa. Todos foram convidados. Kagome estava bastante ansiosa, pois seria a primeira vez que Houjou iria à sua casa e ela queria lhe passar uma boa impressão. Havia comprado comidas que sabia que ele gostava e escolhido a roupa que iria usar com um mês de antecedência.

Rin achava engraçada toda aquela preparação da amiga. Ela nunca havia tido problemas ao lidar com garotos, na verdade, nunca havia se apaixonado, então não entendia o nervosismo da amiga, mas, estava ajudando a amiga no seu 'grande plano'.

Ao chegar à casa dos Higurashi, as meninas foram logo dividindo as tarefas. Primeiro cuidariam da decoração, e só depois que terminassem, iriam ajudar a fazer a ceia. Souta as ajudou a colocar pisca-piscas no lado externo da casa e perto da escadaria (seria bastante inconveniente subir aquela imensidão de degraus na escuridão).

Dentro da casa, uma decoração bem básica, com exceção do sal grosso colocado nas janelas e de um enorme artefato místico que o avô da Kagome fez questão de colocar na frente da porta. "É para afastar os maus espíritos!" – dizia ele sempre que o perguntavam se havia necessidade daquilo tudo.

Kagome:- Pssst! – ela assobiou discretamente – Rin-chan! Vem cá...

Rin atravessou a sala na ponta dos pés.

Rin:- O que foi?

Kagome olhou pros lados e cochichou: "Me ajuda a tirar esse sal das janelas. O vovô é míope, nem vai notar... Mas aquela carranca feia a gente vai ter que deixar lá mesmo.", fez uma careta ao lembrar do objeto exótico que seu avô tanto amava.

Rin:- Ok.

Elas foram bem discretas e quase não fizeram barulho. A Sra. Higurashi surgiu na porta, com o avental um pouco sujo de farinha.

Sra. Higurashi:- ...Hora dos biscoitos! – disse com uma fisionomia gentil.

Menos de um minuto depois, as garotas já estavam de mãos lavadas à sua frente.

Sra. Higurashi:- Nossa, vocês estão cada dia mais rápidas... – falou um pouco desnorteada com a rapidez das duas – Já que vocês estão tão ansiosas, vamos começar! – Sorriu animadamente.

Elas literalmente meteram a mão na massa. E do forno saíram biscoitos de vários formatos: anjinhos, estrelas, corações, presentes, sinos... Ao provarem, sorrisos formaram-se em seus rostos.

Rin:- Eu sabia que o chocolate ia dar um toque especial. – disse ao saborear uma estrela com pingos de chocolate branco.

Kagome:- Não tem como o Houjou-kun não gostar! – disse eufórica.

Rin:- Ele vai adorar, Ka-chan! – elas sorriram uma para a outra.

Sra. Higurashi:- Garotas, não quero pressioná-las... ...Mas, já não está passando da hora de vocês se arrumarem? – disse olhando para o relógio. Os convidados tinham marcado para chegar dali a uma hora.

Kagome:- É mesmo!! Ahh, o que eu vou fazer? E eu nem tomei banho ainda! Meu cabelo ta um horror! – Ela mudou completamente seu estado de espírito. Estava completamente nervosa.

Rin:- Calma, Ka-chan. – abraçou a amiga, solidariamente – Eu to aqui e vou te ajudar a fazer dar tudo certo, ok?

Kagome pareceu se acalmar ao ouvir a amiga.

Kagome:- Ok.

Rin:- Mas, vamos rápido! Temos pouco tempo! Vem, vamos ficar lindas! – Elas desapareceram ao atravessar a porta que levava a outro cômodo.

Cerca de 50 minutos depois, estavam prontas. Kagome usava um vestido branco de alças com um lindo bordado de flores de cerejeira, bem delicado e simples, mas que caiu perfeitamente nela. Os cabelos estavam meio presos por um pente oriental, caindo em cachos sobre seus ombros. Desde pequena Rin já era ótima para montar estilos, combinava peças, calçados e acessórios perfeitamente. Ela adorava planejar o visual dos outros, principalmente o da amiga. Rin estava com um visual mais tradicional, vestia um vestido oriental, prateado. E seus cabelos estavam presos num coque bem feito.

Sra. Higurashi:- Vocês estão lindas, garotas. – disse simpaticamente – Tudo simples, mas tão bonito! Só podia ter sido ideia da Rin-chan, nossa mini estilista. – sorriu para Rin, que ficou um pouco encabulada. – Vejam, alguns de seus convidados já chegaram

Ali, perto da porta, algumas garotas se recuperavam do duplo susto que tomaram: 1º com o avô de Kagome lhes jogando sal grosso na cabeça; 2º com o 'lindo' artefato que os esperava na porta.

Kagome:- Ah, não. Ele está estragando tudo! – ela ficou triste. Com uma recepção dessas, nenhuma pessoa ia querer ficar ali.

Sra. Higurashi:- Não se preocupe, eu dou um jeito nisso. – ela caminhou a passos firmes até o idoso. Deu-lhe uma bronca, e o levou para outro lugar da casa.

Na porta de entrada, só restaram a carranca e as meninas convidadas.

Rin:- Ok, vamos cumprimentá-las. – como se fosse treinada para isso, Rin dirigiu-se até as convidadas e as recepcionou.

Ela agia como se morasse ali. Era como se aquela casa fosse a casa dela. Era como se ela e Kagome fossem irmãs. E aquela casa definitivamente também era a casa da Rin. As duas sentiam isso.

Algum tempo depois, Kagome juntou-se a ela. Apresentando sua casa e desculpando-se pela atitude de seu avô.

Conforme os outros convidados iam chegando, as duas repetiam o processo da recepção. Às 21:00, Kagome começou a ficar nervosa, Houjou ainda não havia chegado.

Kagome:- Será que ele não vem, Rin-chan? – disse sentando-se na poltrona.

Rin:- Claro que vem. Você me fez perguntar a ele se ele viria pelo menos umas mil vezes. Ele só 'tá um 'pouco' atrasado. – ela enfatizou o pouco com ironia.

Kagome:- E se ele não quiser vir? Se disse que viria só para ser educado?

Rin:- Kagome, eu não te entendo. Se ele disse que vem, ele virá. E além do mais, você está dando essa festa para todos, não só para o Houjou! Tem um monte de pessoas que querem falar com você, mas você só se preocupa com a chegada do Houjou. Esquece ele um momento!

Kagome:- Mas... O Houjou-kun v... – ela foi interrompida.

Rin:- Ka-chan, desculpa, mas eu não vou passar a noite toda me preocupando com esse cara. Se ele quiser vir, que venha. Eu tenho mais o que fazer... – ela saiu, deixando Kagome perplexa.

Do lado de fora, Rin podia vislumbrar uma fina camada de neve caindo sobre a terra. Ouviu um ruído atrás de si, e virou-se. Era a Sra. Higurashi, acompanhada por Souta.

Sra. Higurashi:- Rin-chan, parece que todas as bebidas que nós compramos se acabaram em menos de duas horas.

Souta:- Esse povo tem a bexiga furada. – Disse com os olhos arregalados.

Sra. Higurashi:- Nós iremos comprar mais. Não está nevando muito, então acho que voltaremos rápido. Too-san ficará aqui, então, se houver qualquer problema, comunique a ele.

Rin:- Ok, eu cuido de tudo.

Sra. Higurashi:- Voltamos logo.

Souta:- Tchau, Rin-chan!

Rin observou-os descer a escadaria. Seus pensamentos migraram para Kagome. Havia sido dura demais com ela? Mas ela estava sendo tão obsessiva com aquilo... Era definitivamente irritante.

Houjou ainda não dera sinal de vida. Será que aquele idiota ia deixá-las esperando muito mais? Se ele não viesse Kagome ia ficar tão triste...

Rin:- Se ele não vier, ele vai se ver comigo. Nenhum garoto vai fazer a Ka-chan sofrer! – disse para si mesma. – Brrr – ela se arrepiou.

Estava ficando frio lá fora. Parece que começara a nevar mais. A escadaria estava adquirindo um tom branco, devido à neve. Mas havia algo mais. Um pequeno ponto subindo a escadaria. Ela conhecia aqueles cabelos castanhos...

Rin:- Houjou-kun!!! – ela acenou para o rapaz, que retribuiu o cumprimento.

Aquilo era ótimo! Ele não ía dar um bolo nelas, afinal. Ele chegou até onde ela estava esbaforido.

Houjou:- Desculpa o atraso. Onde eu moro 'tava nevando muito. Foi um pouco difícil chegar aqui.

Rin:- Não importa. Você chegou e todos vão ficar felizes em te ver! – Ela sorria animadamente, a amiga teria uma bela surpresa...

Houjou:- Hm... Er... Cadê a Kagome? – ele perguntou, um pouco vermelho.

Rin:- Ta lá dentro. Vai lá falar com ela. Aposto que ela ta louca para te ver.

Houjou:- É mesmo? – ele ficou surpreso.

Rin:- Claro que sim, seu bobo. Vai lá! – ela sinalizou a casa.

Houjou:- Então, eu tô indo... – ele andou desajeitadamente até a casa.

Os apaixonados são tão bobos. Experimentam tudo em excesso. Ora ficam nervosos demais, ora ficam felizes demais ou tristes demais. E vêem a realidade de forma diferente. Rin tinha curiosidade para conhecer essa realidade dos apaixonados, que deixara sua amiga tão boba, sensível, melosa e... Feliz! Mas não tinha pressa.

Algo se mexeu escada abaixo. Rin, então percebeu a presença de outra pessoa, que subia a escadaria debilmente. Aqueles cabelos pretos e longos... Era Kikyou. Uma garota que entrara na sua sala na metade do ano, e que agia de forma bastante estranha. Não tinha amigos. Vivia sempre encostada em algum canto, apenas observando os outros, com um olhar melancólico.

Rin e Kagome sempre tiveram pena dela, talvez as pessoas a excluíssem. Então, elas resolveram incluí-la de alguma forma. Mas era difícil alcançar Kikyou. Ela se esquivava de qualquer aproximação. Chegava mais tarde e saía mais cedo das aulas. Raramente falava. E, outro dia, Kagome havia contado a Rin que a tinha visto numa praça perto de sua casa, sentada num banco, olhando para o nada com uma feição triste.

Mas, apesar de seu comportamento anormal, ela tinha vindo para a festa. Isso era um bom sinal, e Rin viu nisso uma boa chance de tentar se aproximar.

Rin:- Kikyou-san! – ela acenou e desceu as escadas na direção da outra.

Kikyou:- Er.. O-Olá. – ela ficou surpresa com a recepção.

Rin:- Que bom você veio! – ela abraçou a garota, que ficou completamente sem jeito. – Vamos! – Ela pegou a mão de Kikyou e puxou-a para a casa.

Dentro da casa, as pessoas ficaram surpresas com a presença de Kikyou, era estranho vê-la ali. Mas vieram cumprimentá-la, receptivos. Essa, por sua vez, ficou completamente retraída, como se todas fossem atacá-la. Rin procurou Kagome, para mostrar quem viera. Mas, ao ver Kagome e Houjou sentados lado-a-lado conversando timidamente, mudou de opinião, um sorrisinho pairava em seu rosto.

Rin:- Kikyou, você pode ficar à vontade para comer o quanto quiser. – Ela mostrou uma grande mesa, que já perdera 2/3 da quantidade inicial de comida.

Kikyou:- E-eu já comi em casa.

Rin:- Ah, você tem que comer pelo menos uns biscoitos! – ela pegou um prato e colocou alguns – Você tem que provar esses daqui, fomos eu e a Ka-chan quem fizemos. – ela empurrou um prato nas mãos de Kikyou, que estava visivelmente sentindo-se pouco à vontade.

Kikyou comeu um biscoito por educação.

Rin:- Não está uma delícia? – ela perguntou na sua empolgação natural, aproximando-se de Kikyou.

Kikyou:- Está bom. – disse desviando o olhar. Não é que estivessem ruins, mas, o jeito de Rin estava aborrecendo-a. Era como se estivesse sendo encurralada. Para onde se virasse, encontraria Rin.

Rin:- Kikyou-san, vamos falar com o pessoal. Aposto que todos querem conversar com você. – Ela puxou Kikyou até a principal concentração da festa. – Gente, hoje é um dia muito especial, porque a Kikyou-san está conosco. Espero que, a partir de hoje, ela esteja sempre conosco.

Logo, um grupo se reuniu ao redor da garota.

Garota 1:- Kikyou, por que você é tão calada? Você tem medo de pessoas?

Garota 2:- É verdade que você é filha do dono daquela multinacional super famosa?

Garoto 1:- Ohh, então você já viajou o mundo todo?

Aquilo já era demais. Estavam sufocando-a com perguntas sem nexo. Kikyou não agüentou e saiu dali, sem dizer nada.

Garota 2:- Que metida! Só porque é rica se recusa a falar com a gente. Hunf – cruzou os braços.

Garoto 2:- Então, ela acha que é melhor que os outros?

Rin:- Acho que houve um mal entendido, gente. Kikyou-san não é assim, deve ter acontecido algo... Eu vou falar com ela. – e saiu correndo na mesma direção que a outra.

Rin correu por toda a casa, mas não achou a garota. Onde estaria Kikyou? Será que tinha ido para fora? Mas estava nevando mais forte, provavelmente uma tempestade ia se iniciar. Ela precisava achá-la logo. Deu algumas voltas perto da escadaria, até vislumbrar a figura de Kikyou perto do templo. Correu até ela.

Rin:- Kikyou-san? – ela tocou o ombro da garota, que se esquivou.

Kikyou:- O que você quer? – ele tinha as mãos pressionando a cabeça, e lágrimas corriam em seu rosto. Estava muito perturbada.

Rin:- Daijoubu ka*? – ela tentou aproximar-se mais uma vez e foi repelida.

Kikyou:- Não, não está! Esses rostos, essas palavras, essas pessoas... – sua fala era interrompida por soluços - É muita pressão. Eu não consigo, eu não consigo. – ela pressionava a cabeça.

Rin:- Mas eu estou aqui para te ajudar, eu vou te ajudar. – ela abraçou Kikyou.

Rapidamente Rin foi repelida, com tal força que caiu dentro do templo e bateu a cabeça, desmaiando.

Kikyou:- Você não pode me ajudar.

Rin abriu os olhos, fazia um imenso breu dentro do templo. A porta havia sido fechada. Rin levantou-se desnorteada e empurrou a porta. Nada. Então, ela a empurrou de novo, mais forte. Nada aconteceu.

Rin:- Kikyou-san? Abra a porta. Eu estou presa. – não houve resposta – Kikyou-san? Por favor, abra a porta... – ela começou a se desesperar. Rin tinha nictofobia, em outras palavras, pavor do escuro. E não era qualquer medo, ela tinha surtos, ficava completamente alterada. – E-eu, eu não posso ficar aqui. – ela começou a chorar. Teve a impressão de ter visto algo se mexer, talvez fosse somente algum efeito de luz, mas, para ela, pareceu uma figura assustadora. E foram surgindo cada vez mais figuras dessas, figuras sem formas, figuras escuras, cercando-a. – Não, parem. P-parem. – ela começou a andar para trás para se desvencilhar das figuras. Então, ela esbarrou em algo. Seus pés deslizaram e ela caiu. Com um baque surdo, ela chegou ao fundo do poço. Tentou levantar-se, desesperada, mas sentiu uma forte pontada em sua perna.

Rin:- Itai... – ela passou a mão na região. Estava sangrando.

A pontada transformou-se em dor, uma dor horrível, era como se algo tivesse se rompido em seu corpo. Ela choramingou baixinho, as trevas a sufocavam.

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_.--._.--_.--Em um supermercado da região--._.--._--._

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Rádio:- "Uma tempestade de neve inesperada cairá sobre nosso bairro. O que era previsto como uma leve friagem, agora foi anunciado como uma forte tempestade. Recomendamos que não saiam à rua. E permaneçam em um abrigo."

Souta:- Oh, não. Vamos ter que ficar aqui até a tempestade passar.

Sra. Higurashi:- Souta, ligue para seu avô. Avise que demoraremos a chegar e que não deixe nenhuma criança sair da casa.

Ele foi para um local menos barulhento, e pouco tempo depois, voltou dizendo:

Souta:- O jii-chan* está dormindo, então falei com a Ka-chan. Ela prometeu que vai avisar a todo mundo.

Sra. Higurashi:- Esse seu avô... Era para ele cuidar das crianças, e não o contrário. – suspirou - Só espero que a tempestade passe logo.

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_.--._.--_.--Dentro da casa--._.--._--._

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Como já estava tarde, muitos convidados, como Houjou, já haviam ido embora. Mas os que ficaram não podiam sair, por causa da tempestade. Kagome fiscalizava se estava tudo bem. Entrando em todos os cômodos da casa. Mas deu por falta de duas pessoas.

Kagome:- Onde estão Rin-chan e Kikyou?

Garoto 1:- Eu vi a Kikyou descendo a escadaria há um tempo atrás.

Kagome:- Então ela já foi para casa... Mas cadê a Rin?

Garota 3:- Pensando bem, eu não a vejo desde que ela foi atrás da Kikyou...

Kagome:- Ela foi atrás da Kikyou? Por quê?

Garoto 3:- A Kikyou saiu da festa e a Rin foi atrás dela.

Garota 2:- Mas, a Kikyou já foi embora...

Garoto 4:- Pode ser que Rin ainda esteja lá fora.

Garota 2:- Mas a tempestade vai piorar... Temos que achá-la rápido!

Algumas pessoas se ofereceram para procurar Rin. Algumas foram atrás do avô de Kagome. E outras murmuraram algo como: "Estou resfriado/a não posso ir lá para fora." Os que foram, dividiram-se, indo cada um para uma direção.

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_.--._.--_.--No templo--._.--._--._

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Rin ouviu um barulho vindo de fora. Talvez alguém estivesse por perto, então, ela resolveu gritar.

-Rin-chan? Rin-chan responda! Você está aí?

Ela imediatamente reconheceu a voz de Kagome.

Rin:- Estou aqui, Ka-chan! Estou aqui!!

Kagome:-Eu vou te tirar daí!

Rin:- Hayaku*, Ka-chan. Acho que quebrei a perna!

Ela ouviu apenas o barulho de neve sendo removida. A porta devia estar emperrada por causa da neve. No começo, Kagome sempre perguntava se ela estava bem e dizia para ela ficar calma. No começo, o barulho estava regular, mas, com o passar do tempo, foi ficando cada vez mais fraco, até parar de vez. E o barulho da tempestade ficara mais forte.

Rin:- Ka-chan? – ela ficou assustada.

Não houve resposta.

Rin:- Ka-chan!!! – ela gritou.

E ficou sem receber resposta por um bom tempo. Já havia perdido as esperanças, quando o barulho voltou. Agora eram várias pás removendo a neve. Reconheceu a voz da Sra. Higurashi e de outros adultos. Ouviu um barulho de ambulância. Teve a certeza de que Kagome não a havia abandonado, devia ter ido buscar ajuda. Algum tempo se passou, escutou a porta se abrir e ela pôde ver uma luminosidade vinda de fora. Um bombeiro se apoiou sobre o poço.

Bombeiro:- Menina, você está bem? Está machucada?

Rin:- Minha perna está doendo. Doendo muito.

Bombeiro:- Nós vamos te tirar daí.

Logo, o bombeiro desceu com uma corda até onde ela estava, e os dois foram puxados para cima. Lá fora, foi colocada numa maca. Estranhou o fato de não ver Kagome em lugar algum.

Sra. Higurashi:- Rin, você está bem? – Ela tinha os olhos umedecidos e fortes olheiras marcavam seu rosto.

Rin:- Cadê a Ka-chan? – ela ignorou a pergunta.

Sra. Higurashi:- Não se preocupe, ela já foi socorrida. Está na ambulância.

Socorrida? Kagome já tinha sido socorrida? Peraí, então, ela também tinha se machucado.

Rin:- O que aconteceu? – perguntou com os olhos arregalados.

Sra. Higurashi:- Parece que ela estava tentando te tirar de lá de dentro, estava cavando. Mas, a tempestade ficou mais forte. Ela não estava agasalhada... – ela aprecia bastante abalada – A temperatura corporal dela baixou muito. Ela está com hipotermia.

Rin ficou chocada. Kagome tinha o corpo bastante frágil e, mesmo assim, tinha se esforçado até não agüentar mais para tirá-la do poço.

Rin:- Ela vai ficar bem, não é?

Sra. Higurashi:- Claro que vai, querida. – disse reconfortando-a, embora sua voz não tivesse um tom de certeza.

Rin foi colocada na ambulância. Ao lado da maca de Kagome. Sua aparência estava assustadora: estava inconsciente, algumas partes de seu corpo estavam acinzentadas, sua respiração estava fraca.

Rin:- Ka-chan... – seus olhos umedeceram rapidamente.

No caminho para o hospital, Kagome teve alguns delírios, dizendo "Rin-chan... Temos que ir... Poço... Tá escuro lá dentro... Rin-chan não pode...", e sua mãe a acalmava.

Sra. Higurashi:- Calma, querida. Vai ficar tudo bem. – e acariciava seus cabelos.

Rin ficou muito frustrada com aquilo tudo. Principalmente quando descobriu que, enquanto ela poderia ir para casa apenas com a perna engessada, Kagome teria que passar no mínimo uma semana no hospital, se recuperando da hipotermia.

Ela se encheu de ódio.

Dois dias depois, ao voltar à escola, ela explicou a todos o que havia acontecido com sua perna e com Kagome. Todos foram bastante solidários, oferecendo-se para visitá-la no hospital e para copiar sua matéria. Todos, exceto uma pessoa: Kikyou. Ela continuou no seu canto, mais retraída do que nunca.

No final do expediente, Rin e Houjou estavam se encaminhando para o hospital. Kikyou estava poucos metros à frente deles, indo embora. Ao passar por ela, e sem olhar para o rosto de Kikyou, Rin murmurou:

-Eu nunca vou te perdoar.

...

Especial de Natal - fim.


Vocabulário:

*Daijoubu ka: Está tudo bem?/Você está bem?

*Jii-chan: Vovô.

*Hayaku:Rápido/ligeiro