-Disclaimer-

Naruto e Little Pieces não me pertencem, sendo o último de autoria de O.o Kaoru-chan o.O


Janelas
-Auto-desafio-


Recostada dentro da banheira, envolta por espuma, com sais e óleos para o corpo e música relaxante, Haruno Sakura podia fechar os olhos e dizer que estava nas nuvens.

Como amava os dias de folga!

Havia já várias semanas que não tirava um dia para relaxar, um dia só seu. Para falar a verdade, fazia mais de um mês, quando se encontrara com suas amigas.

Ino, Hinata e Sakura eram amigas pelo tempo de uma vida, que, por razões inevitáveis, quando terminaram o segundo grau se distanciaram seguindo seus próprios sonhos. Mesmo que, agora, já crescidas, se encontrassem uma vez ao mês para pôr a fofoca em dia.

A família de Ino havia inaugurado uma nova Floricultura Yamagata, em Yokohama, motivo pelo qual tiveram de mudar-se; Ino teve de seguir sua carreira de designer de vestuário na Universidade de Yokohama.

Hinata estudava Economia Empresarial em uma das universidades mais prestigiadas de Tóquio, mas essa decisão correspondia ao seu pai e não a ela. Hinata era uma garota muito tímida e sempre tratava de corresponder às ambições dos demais e sentia terror por pai. Temia opor-se aos seus mandos. Depois de longas conversas com suas amigas, Hinata armara-se de coragem para contar ao seu pai que essa profissão não a agradava. O resultado: um senhor quase sofrendo um ataque cardíaco quando descobrira que sua filha mais velha desejava ser professora do jardim de infância.

A disputa se manteve, com a pressão para que seguisse estudando economia para um dia fazer-se cargo da empresa da família. Quando Hinata estava baixando a cabeça e aceitando as ordens de seu pai, Hyuuga Neji, seu primo, saiu em sua defesa.

Foi uma disputa ortodoxa (típica dos Hyuuga) até o momento em que o pai de Hinata insultou o pai de Neji. Sendo demasiado sensível a respeito de seu pai, Neji não pensou uma segunda vez antes de levantar a voz, pela primeira vez, para seu tio, perdendo seu respeito no processo.

Tudo terminou com Hinata e Neji repudiados.

Graças às economias que seu pai deixara antes de morrer, Neji pode comprar um modesto apartamento na cidade de Tóquio. Hinata estudara para tornar-se professora e Neji dedicara-se à carreira de médico legista.

'De agora em diante, eu cuidarei de Hinata-sama'. A pesar de tudo, Neji ainda sentia algo de respeito pela descendência da prima.

'Aa... Arigatou, Neji-kun'. Respondera-lhe Hinata, sem gaguejar e sorrindo amplamente. A timidez havia ficado no esquecimento.

Então, as garotas haviam decidido encontrar-se uma vez ao mês, para pôr-se em dia e assim não perder a amizade que tinham. Como Ino e Hinata, Sakura também havia buscado seu próprio rumo. Graças a suas notas no segundo grau conseguira uma bolsa em uma das universidades de medicina mais famosas. Vivia em Tóquio, como Hinata, mas seus horários diferiam tanto que mal se podiam ver.

Apenas sobreviviam uma vez ao mês. Todas haviam concordado em fazer espaço para um encontro dentro desse período.

Por que tudo isso?

Não importa, prosseguindo.

Haviam fofocado grande parte da noite, pondo em dia todos os eventos do trabalho. Ino conseguira uma oferta de trabalho na revista VOGUE e conhecera um fotógrafo, um tal Nara Shikamaru, que, segundo Ino, era preguiçoso demais. Hinata havia encontrado um trabalho como professora em um colégio inglês. Adorava seu trabalho e fizera "amizade" que um loiro que comia ramen todos os dias em um restaurante próximo, apesar de ele nem ao menos saber qual era o nome dela.

Sakura, por sua parte, já estava trabalhando como ajudante da doutora Tsunade, no Hospital Central de Tóquio. O horário era uma loucura, estudava durante o período matutino e trabalhava no vespertino e em grande parte da noite. Muitas vezes ficava de plantão – especialmente durante feriados e dias festivos. Sua tutora, a grande Tsunade, era uma médica muito respeitada que acabara sendo sua professora na universidade. Havia tomado certo carinho por sua professora; ambas compartilhavam várias qualidades e Sakura muitas vezes a via como uma mãe.

Sobre isso haviam falado durante a maior parte da noite, até o momento em que chegou o sakê e, depois de quatro goles, Ino perguntou.

- Nunca caminhaste nua pelada pela casa?

'Ino atrevida', pensou Sakura. Hinata tomou um grande gole de sakê, escondendo o rosto.

- Claro que não! – exclamou Sakura.

- E por que esse escândalo? – perguntou Ino – É a coisa mais normal.

- É que eu tenho janelas... Grandes janelas – seguiu Sakura.

- Mais um motivo! – saltou a loira – Sabemos que Hinata não pode fazer porque vive com o primo, mesmo que, tendo um primo como o dela, eu não me importaria – ela piscou seu olho azul e Hinata corou – mas assim, talvez, possas te aproximar de Sasuke. Como vão as coisas?

As coisas com Sasuke eram uma névoa. Eram vizinhos de edifício, viviam no mesmo andar, suas janelas estavam bem de frente uma para a outra e podiam ver-se praticamente todas as manhãs.

O havia visto na primeira semana em que se havia mudado. Tão concentrada estava em desempacotar que não prestara atenção em nada além de seu apartamento e em como ia organizar as suas coisas. Foi próximo ao fim do dia, quando finalmente havia terminado de guardar seus livros de medicina em suas estante (enchendo-se de pó) que decidiu abrir as janelas.

Ficou ali, estática, quando viu um loiro hiper-ativo acenar. Educadamente, devolveu o aceno. Depois, viu como o loiro olhava para a esquerda e chamava, a gritos, alguém. Sakura ficou sem ar quando o viu.

O homem mais bonito que ela já havia visto. Belamente alto, de suaves cabelos pretos, olhar sério e profundo, orbes negros e belos. Oh, santo Deus, era perfeito.

Sakura fez tudo em seu poder para não babar, mas tinha certeza que não conseguira segurar a cara de idiota. Abaixou o rosto, envergonhada, quando seus olhos se encontraram. Repreendeu-se mentalmente por estar vestindo pijamas. Era um desastre.

Demorou cinco segundos para recuperar a compostura e levantar o olhar com coragem, mas ele já não estava, e Sakura pode ver o loiro chamar o seu amigo. Suspirou e despediu-se do loiro antes de ir tomar banho. Essa noite faria plantão no hospital.

Havia falado com o loiro e descoberto que se chamava Naruto e o de cabelos escuros não era ninguém mais que Uchiha Sasuke, dono da Uchiha Corp. Naruto era exatamente o que pensara. Hiper-ativo elevado à décima potência. Tinha um sorriso contagiante, era confiável, apesar de um pouco lento, mas inclusive sua estupidez era adorável.

Sasuke era exatamente o oposto. Tinha uma inteligência fria e calculável, ideal para o presidente de uma companhia. Seu olhar era analítico e tinha certeza de que com esse olhar conseguia tudo o que queria. Qualquer mulher se derreteria sob esse encanto. Tinha uma personalidade de garoto sério, vestido de terno, com grande ego, grande auto-estima. Era seguro de si e não temia a nada. Era o tipo de pessoa que, quando ao teu lado, te faz sentir como se nada de mal pudesse acontecer porque estavas a salvo.

Muitas vezes passavam perto do hospital. Naruto sempre falava com ela e a fazia rir, fazendo-a esquecer-se do cansaço do hospital. Era fácil adorá-lo. Já as coisas com Sasuke...

Não sabia por que, mas custava muito a falar com ele. Ou seja, ela falava, perguntava sobre o trabalho, sobre o que fizera durante o dia, ou, até, falava sobre ela mesma, sobre Tsunade, Jiraya, etc. Mas ele sempre cortava a conversa ou respondia em monossílabos. Às vezes, acreditava que a evitava. Às vezes, podia jurar que fugia dela.

Voltando à conversa com suas amigas, respondeu sem hesitar:

- Gay.

Três pares de olhos se abriram enormemente. Hinata cobria a boca com um pequeno corado sobre as bochechas. Ino cuspiu um pouco de sakê e deixou o copo com um sonoro "tap".

- Quê?! – conseguiu articular já recomposta.

- Ele é gay – esclareceu Sakura, tomando um grande gole de sakê.

- Mas... co... mo? POR QUÊ?! – gritou a loira.

Sakura a olhou com cara de poucos amigos. 'Sério que estás perguntando isso?'

- Uh, ok, certo. Desculpa – se apressou a dizer Ino.

- Como sabes, Sakura? – perguntou calmamente Hinata, mesmo com o pequeno rosado cobrindo suas bochechas e tinham certeza de que não era álcool.

- Eu perguntei – respondeu ela, brincando com o copo.

- E ele disse que sim? – perguntou Ino acaloradamente.

- Bem... não exatamente.

Havia acontecido quatro dias antes. Quando Sakura saiu do hospital já era madrugada, eram três da manhã, a claridade da lua era pouca e ela caminhava até o ponto de ônibus. Não lhe agradava a idéia de andar com o jaleco e a roupa branca, atestando seu posto de trabalho, mas a vontade de chegar logo em casa superava isso. Era sexta-feira e havia muitos jovens que saiam durante a noite. Quando chegou ao ponto, notou que um grupo de garotos a olhava de forma muito vulgar. Removeu-se em seu lugar algo desconcertada.

Para melhorar a situação não havia mais ninguém esperando o ônibus e, obviamente, não chegaria ninguém para fazê-lo. Um carro preto estacionou em frente a ela, e Sakura sentira que perdia todas as forças.

Iam seqüestrá-la? Um suspiro de alívio escapou quando, por trás da janela que descia, viu o rosto de Sasuke.

- Entra.

Agradecida e sorrindo, entrou no carro.

- Obrigada, Sasuke-kun.

Havia dias em que suas saídas do hospital no turno da noite coincidiam justamente com a saída do trabalho de Sasuke.

Coincidência, claro!

Em fim, quando Sakura subiu no carro, não pode deixar de sentir-se como um peixe fora d'água. Ele dirigia uma BMW preta, com assentos de couro preto, vestia um terno preto, que combinava perfeitamente com seus cabelos pretos e seus olhos pretos. Já ela estava vestida toda de branco e, pra completar, tinha o cabelo cor de rosa.

Mais contraste impossível.

Suspirou relaxando cada um de seus músculos. Esta noite havia sido desgastante e estava esperando ansiosa por seu dia livre para poder sair para conversar com suas amigas.

Sakura começou a falar a Sasuke sobre o seu dia, sobre as brigas entre Jiraya e Tsunade, sobre os pacientes que teve, sobre as fofocas do quarto andar, sobre a sua universidade, um pouco sobre Naruto e algo sobre doce de leite.

- E como foi o teu dia, Sasuke-kun? – perguntou-lhe com um sorriso.

Sasuke desviou a vista da estrada para olhá-la diretamente, permaneceu alguns segundos observando-a e voltou a olhar a estrada quando uns imensos olhos verdes o fitaram curiosamente.

- És irritante. Falas demais – foi o único que disse.

Sakura conteve a respiração, seus olhos de arregalaram e sentiu uma pontada no peito. Não demorou muito em recuperar-se e sorriu.

- Sinto muito – disse, ainda com os lábios dobrados, mirando Sasuke por uns breves momentos antes de voltar-se para a janela, calada.

O resto do trajeto foi feito em puro silêncio. Sakura não falava e Sasuke nunca falara. Nesse momento Sakura desejou ter tomado o ônibus ou ao menos que Naruto estivesse ali. Mentalmente suspirou. Claramente Sasuke não gostava de sua companhia.

Para dizer a verdade – sua mente começou a vagar novamente – havia escutado a voz dele poucas vezes, não falava com ela, e nem ao menos se dignava a olhá-la. Tinha certeza de que, se Naruto não houvesse apontado para ela, esperando no ponto de ônibus, na primeira vez que a viram, Sasuke não se preocuparia em levá-la.

Além do mais, sempre estava com Naruto e Naruto era o único que podia fazê-lo falar tanto. Discutiam, sim, mas ao menos Sasuke dizia mais que "hm" e mostrava uma expressão além de "sou melhor que vocês" em seu rosto. Estava claro que a companhia de Naruto não irritava a Sasuke, era óbvio, eram amigos de colégio, se conheciam melhor que ninguém, ou ao menos pensava isso. Talvez ele...

Tão concentrada estava em seus pensamentos que falhou em dar-se conta de que já haviam chegado ao seu destino. Estavam na garagem e o carro já estava desligado.

- Sakura! – chamou-a pela segunda vez, muito mais alto, quando a aludida não o escutou. Enxotada de seus pensamentos, Sakura voltou sua atenção para ele. Sasuke tinha o cenho franzido e a sua expressão denotava irritação. "Perfeito, Haruno, conseguiste irritá-lo mais ainda".

- Sinto muito, Sasuke-kun, estava... pensando.

- Hm – respondeu enquanto abria a porta e saia do carro. Sakura o imitou.

Caminharam em silêncio até o fim da garagem, nessa bifurcação, Sasuke virava para a esquerda e Sakura para a direita, mas Sasuke não fez menção de despedir-se, foi aí que os pensamentos de Sakura voltaram a disparar.

... Além de não tê-lo visto com nenhuma garota e de Naruto trabalhar com ele... Saiam eventualmente às sextas com um grupo do trabalho, lembrava-se de uma vez em que Naruto havia insistido para que ele fosse – enquanto ela estava presente - a uma viagem, que o outro, desgostoso, aceitou. Mas Sakura sabia que, se Sasuke não quisesse ir, ele simplesmente não iria. Além do mais, havia escutado Naruto murmurar qualquer coisa sobre um beijo, ao momento em que Sasuke o golpeou para que não pudesse seguir falando.

Oh, era tão gay.

Talvez devesse desculpar-se, o estivera bombardeando com encontros e saídas, com interrogatórios e falatórios, a mais que qualquer outro. Era óbvio que iria rejeitá-la, sendo gay. Suspirou triste. Era uma lástima, realmente gostava de Sasuke... Suspirou, desta vez, derrotada. Talvez pudessem começar de novo, desta vez, como amigos.

- Sasuke-kun? – chamou antes que ele seguisse. Sasuke se deteve e a olhou. Ela baixou a cabeça, envergonhada. Não sabia por que seus sapatos brancos eram o objeto mais apaixonante e interessante neste momento – Eu queria pedir-te desculpas por tudo... Entendo perfeitamente a situação e... e... está bem. Quer dizer, não é que esteja mal, não, não, eu entendo e está tudo bem. Ou seja, tenho amigos... bom, na verdade não são amigos, são mais conhecidos, mas eu os apoio, mesmo que, entre vocês, vocês se apóiem mais – corou ao dizer isso – o que quero dizer é que sinto muito – inclinou a cabeça mais uma vez, mais envergonhada que nunca.

- Sakura, de que diabos estás falando? – opa, Sasuke maldizendo, isso não podia ser um bom sinal.

- De que... bom... não tens namorada e... não desfrutas da minha companhia nem da de outras mulheres, mas, se a companhia é masculina, em especial se é o Naruto... e, bom... que és... gay.

Sasuke levantou a mirada e fixou seus olhos nos de Sasuke. Negros e profundos e o cenho franzido. Era o mesmo olhar de profunda indiferença, mas viu que os nós de seus dedos estavam brancos pela pressão.

Sem dizer nenhuma palavra, ele deu meia-volta e se foi.

As garotas a olharam com a boca aberta quando ela terminou o relato.

- Faz quase uma semana que não o vejo e ele mantém as cortinas fechadas. Naruto apareceu no dia seguinte negando serem gay, mesmo que não tenha posto muita ênfase na sexualidade do Sasuke. Não sei. Sasuke deveria ser, não? Por que tem as cortinas fechadas então? Naruto me disse que era todo o contrário, que Sasuke se sentia atraído por mim, mas, pra mim, ele disse isso só pra me consolar. Se Sasuke gostasse de mim, tentaria algo, não? – perguntou Sasuka com os olhos aguados – Suponho que já o perdi.

- Não te preocupes, Sakura – disse Ino a abraçando – os mais bonitos são os que caem primeiro.

- Vou te apresentar ao Neji, a última vez que te viu disse que eras linda – sorriu Hinata timidamente.

- Obrigada, Hinata, mas acho que quero ficar sozinha por algum tempo.

- Nem de brincadeira! – soltou Ino, levantando-se – o que precisas é outra garrafa de sakê e um microfone! Vamos ao karaokê!

Sakura teve de sorrir perante a alegria da loira e se uniu à baderna.

Em si, foi uma noite divertida. Tinha certeza de que todos do quarteirão haviam escutado os gritos de Ino, bêbada, e as risadas dela mesma. Hinata havia sido a única suficientemente consciente para não embebedar-se.

Não lembrava como fizera para chegar até o seu quarto e jogar-se na cama, mas maldisse a todos os santos quando acordou. Havia esquecido de fechar as cortinas e, como conseqüência, acordara às oito da manhã com uma luz brilhante que a matava lentamente.

Ai, que dor de cabeça.

Saiu da banheira suspirando, se enrolou em uma toalha e amarrou-a na altura do peito. Saiu do banheiro e caminhou até o seu quarto, estava para trocar-se quando se lembrou das palavras de Ino.

- Nunca caminhaste nua pela casa?

Olhou a toalha... pensando bem... Mordeu o lábio... Se alguém a visse.

- É a coisa mais normal.

Oh, o que ela podia perder, afinal?

Olhou as janelas. Deveria fechá-las?

Neh, Sasuke estava irritado com ela e, além do mais, as cortinas dele estavam fechadas e não se abriam a mais de uma semana. Com certeza estava trabalhando a essa hora.

- Como estão as coisas?

Todo o contrário de bem. Sasuke não se interessava por ela, estava bem sem ela e... se a visse... era gay mesmo, então... para ele, ter as cortinas fechadas era o mesmo que tê-las abertas. Um pouco triste com esse pensamento, suspirou e deixou cair a toalha.

Uma mancha escarlate apareceu em suas bochechas.

"E agora o quê?"

Olhou a sua volta. Estava uma completa desordem, poderia aproveitar seu tempo livre e organizar as coisas antes de ir ao hospital. Sorriu e começou a fazer a cama e a guardar a roupa.

Sasuke não arruinaria seu dia.

Saiu de seu quarto para arrumar a sala, acomodou os livros que havia estado lendo na manhã anterior e limpou a poeira dos móveis. Olhou a hora, já eram nove e meia, sendo assim, dispôs-se a tomar o café.

Colocou a cafeteira e deixou que a água aquecesse, pôs o pão na torradeira e abriu a geladeira pegando queijo cremoso e doce de leite (presente de Hinata de sua visita à Argentina). Tremeu quando fechou a geladeira. Estava fria.

"Claro que está fria, estás nua, Haruno."

Colocou os potes sobre a bancada, ao mesmo tempo em que preparava um recipiente de madeira para por as torradas e se servia de café – teve muito cuidado para não se queimar.

Sentar-se era incômodo demais, então, pegou uma revista e ficou recostada sobre a mesa da cozinha. Seguiu comendo mesmo com o café tendo terminado. Então, as torradas acabaram, mas ela queria continuar comendo doce de leite. Olhou para ambos os lados, como uma criança prestes a fazer uma travessura, e pegou um pouco de doce de leite com o dedo.

"Mmmmmmh, muito bom".

Sem dar-se conta havia terminado todo o pote.

Toc-toc

"Uh?", Sakura, com o dedo ainda na boca, olhou o relógio, surpreendida. Quem poderia ser?

Toc-toc!

"Que insistente!", Sakura franziu o cenho.

- Já vai! – gritou, apressando o passo até seu quarto, pegou o roupão, ajustou-o na cintura e correu para a entrada.

TOC-TOC

- Um momento! – parou no espelho ao lado da entrada e arrumou o cabelo, estava apresentável – Sim? – perguntou abrindo a porta – Sasuke-kun!

Na porta de seu apartamento estava ninguém menos que Uchiha Sasuke, com um olhar tão sério que a assustou um pouco. Tinha a respiração acelerada, agitada como se tivesse corrido em uma maratona ou algo assim. Vestia um par de calças negro e uma camisa preta de linho, com os primeiros botões abertos. Oh, que bem se via...

- Aconteceu alguma coisa, Sasuke-kun? – perguntou preocupada. Talvez Naruto tivesse tido um acidente e ele queria que ela- seus pensamentos foram cortados quando o jovem Uchiha avançou, fechando a porta atrás de si e fazendo-a retroceder alguns passos. Estavam tão próximo que seus narizes se tocavam – Sa... suke... -kun? Tanta proximidade a estava deixando nervosa e tinha certeza de que estava mais corada que seu cabelo.

Sasuke correu o nariz pelo rosto feminino, chegando até a sua orelha, inspirou e expirou, causando calafrios nela.

- Deverias fechar as cortinas, alguém pode te ver, Sakura – ela corou ainda mais ouvindo-o dizer o seu nome dessa forma.

- Oh! Tu –então –e vo –umm-

Sasuke cortou suas palavras incoerentes com seus lábios. Foi selvagem e apaixonado, apressado e rápido. Sakura sentiu-se desmaiar quando a língua dele lutava desesperadamente por a dela. Sentiu as pernas débeis quando a mão masculina começou a acariciar de suas costas até sua nuca. "Oh Deus, que mãos boas".

Era necessitado, o sentia em cada toque, com cada movimento podia sentir o calor entre os dois e como o beijo transmitia um desespero e uma urgência, como se o houvesse desejado desde muito antes... "Oh, que isso não termine aqui".

Assim como começou, terminou. Separaram-se com a respiração entrecortada. Sakura podia sentia a colônia masculina. Estava desnorteada, não entendia nada e a falta de ar somada à proximidade não a ajudavam.

- Sasuke-kun?... Eu pensei... quê?... por quê?

Sasuke escondeu o rosto na curva de seu ombro, suspirou e beijou seu pescoço.

- Vim te provar que não sou gay, Sa-ku-ra.

Oh, como seu nome soava bem vindo dos seus lábios.

Sakura sorriu.

Para dizer a verdade, as cortinas nunca a tinham agradado. "Amanhã as queimo".

-

-

-

-

OMAKE

Ring... ring... ring...

-Shizune, podes atender o telefone antes que eu o atire na cabeça do Jiraya?

- Uh...claro, Tsunade-sama... – contestou Shizune, a secretária – Escritório da Tsunade-sama.

- Uh, Shizune-san Pod- espera um momento! –Poderias passar para Tsunade-shishou um momento?

- Hai, Sakura-san – Shizune tapou o auricular – Tsunade-sama, é Sakura-san.

- Põe no viva-voz.

- Certo – Shizune apertou o botão.

- Sakura, o que aconteceu? O teu plantão começa em dez minutos.

- Hmmm, sim, é que... sobre isso...- podes ficar quieto um minuto? – perdão por isso, Shishou.

- Sakura, está acontecendo alguma coisa? – perguntou Shizune preocupada, Tsunade arqueou uma sobrancelha.

- Sakura?

- Hmmm... Shishou – hey! Não! Espera- MOU! – Aqui fala Uchiha Sasuke, o namorado de Sakura – a aludida corou – Sakura não pode ir ao hospital hoje... mais que isso, amanhã também não, assim que não a esperem.

Tsunade levantou ambas as sobrancelhas.

- E por que isso?

- Está ocupada.

- Fazendo o quê? – insistiu a loira.

- Fazendo amor comigo, claro.

SASUKE-KUN!- escutou-se o grito da garota de cabelos rosados em todo o quarto. Shizune estava vermelha como um tomate e olhava diretamente o viva-voz como se fosse o diabo encarnado. Tsunade havia sido mais dramática, optando por uma divertida queda.

- Quê?! – gritou, recuperando-se.

- Você entendeu. Agora, temos de recuperar o tempo perdido.

Tu-tu-tu-tu.

Havia desligado.


-Notas do Capítulo-

O OMAKE foi feito para encerrar o drabble sem alterá-lo, acho que ficou bem e cumpre seu propósito como OMAKE (texto curto, sem trama, apenas engraçado).

Janelas foi um auto-desafio que me impus quando vi o vídeo de Shakira e Alejandro Sanz, em "La Tortura", não saiu como eu esperava e foi muito difícil de escrever. Creio que passei por um bloqueio de escritor.


-Notas da Tradutora-

Acho que não demorou demais, apesar de ele já estar no meu pc há um par de dias – não consegui separar meu irmãozinho do joguinho novo dele. Eu queria pedir uma ajudinha na verdade: alguém já teve tendinite? Se sim, por favor, eu preciso de alguns conselhos para evitar desenvolvê-la. Tive de digitar esse capítulo em doses homeopáticas.

Então, aqui está.

Misaki Matsuya – Yep, yep. Pois é, eu estou pra te perguntar há algum tempo como estão as tuas estórias. Eu adorei as idéias, mas não vejo atualizações há um boooom tempo – é, eu tenho a cara-de-pau de pedir por atualizações sendo que eu mesma não as faço. Obrigada e até!

Graviola – Menina! É, e deveria atualizar mais. Na verdade, esse capítulo eu ia digitar todo numa só noite, mas, quando eu cheguei em um terço, já estava digitando só com a mão esquerda. É isso aí, eu vou te fazer sentir culpada até ver uma atualização nas tuas estórias! A verdade é que eu tenho me esforçado mais nas traduções: eu traduzo, deixo passar um dia e leio, modifico o que não soa bem em português, deixo passar mais um dia e comparo. Ah, pois é, o responder a todas, eu acho que tem algo a ver com a minha compulsão por falar (olha o tamanho dessa resposta!). Que bom que gostaste da propaganda, eu estava prestes a postar o capítulo, mas acabei não resistindo e modifiquei o arquivo para citar as tuas estórias – a minha empolgação tem geralmente esse efeito aleatório de ações impulsivas. Bye!

Tsuki Koorime – Eu tenho que dizer que prefiro esse capítulo ao anterior. É, eu sou fã de UA e de fics com mais ações que pensamentos. Espero que tenhas gostado desse também! Bye.

Uchiha Nanah – Olha, eu não sei se deveria dizer isso (e quando digo que não sei me refiro a pequenas olhadelas para os lados para garantir que ninguém veja), mas o Universo Naruto me irrita. Profundamente. Não há um motivo plausível pra existência de ninjas e nem ao menos há alguma atividade agrícola ou indícios de desenvolvimento que corroborem a presença de tecnologia! Maaaaas eu tenho certo afeito pelos personagens, apesar de eles apresentarem a exageração usual dos animes. Ok... eu acabei de fazer uma análise sobre anime numa resposta a uma review... Eu realmente preciso arrumar um hobbie. Voltando ao ponto. Eu acho plausível ser problemático depois do trauma que ele passou. Plausível, não provável. Sem contar que ele seria tão bonitinho se fosse real... Obrigada e até! E desculpa por tagarelar...

Mari Santoro – Sem problemas, eu já esperava por isso! É, parece meio enrolação, fala só sobre sentimentos, etc, etc. Eu prefiro os UA's dela, coisas com mais ação, mais enredo! Como esse capítulo. Se bem que eu acredito que, ao escrever tantos drabbles, as idéias têm de variar e, de certa forma, descer de nível. Oh, Gosh, não! Prefiro os meus livros de culinárias às minhas idas ao banheiro! É, a vida é bela e as coisas vão indo. E espero que esteja tudo ok contigo! Bye.

Lee-starfire – Yeah, ela é excelente. Está no capítulo 24 de 25 e já recebeu 436 reviews – parece que ao menos o pessoal do Espanhol gosta da fic. Eu acho que essa é a opinião geral: um Sasuke pervertido, possessivo e gostoso é o melhor. Byyye.

Uchiha Harumi – Harumi! "Fia"! Minha tia teve de re-abrir o cadastro esses dias. Re-abrir. Digamos que ela teve de levar todos os documentos de novo, como se estivesse fazendo outro! Fui no teu Deviant! Mal posso esperar pra ver Konoha no Kunoichi completa! Não, é isso, eu te adoro – é, eu ando buscando alguém pra odiar o calor comigo há muito tempo! Argh, ainda vem um amigo da família e dá a entender que eu não peguei sol porque me matei de estudar pra passar no vestibular! - "'Tá que nem papel. Dá nisso ficar trancada em casa estudando" – Só porque o filho e as sobrinhas dele não passaram! Ok, aqui está o novo capítulo. Bonitinho e arrumadinho. Acho que vi qual era a personagem, mas não tenho certeza – a com o nome igual ao teu nick? Salvei uma imagem - Ichizoku no Hime - e espero que seja essa. Olha, se tu me passares as características físicas e psicológicas eu ficaria feliz em colocá-la em uma UA que eu estou fazendo, que tal? Se quiseres, me manda um e-mail com os detalhes, ok? Tchau!

Eu preciso me conter nas respostas.

No último capítulo foi propaganda da Graviola, neste é da Mirza. Crianças, olhem no perfil "Lady Mirza", a estória tem uma idéia original e um excelente enredo.

Até e obrigada!