-Disclaimer-

Naruto e Little Pieces não me pertencem, sendo o último de autoria de O.o Kaoru-chan o.O


Estranhamente

- Não vou voltar.

Haviam se encontrado por pura casualidade. Seu cabelo estranhamente longo. Seu corpo estranhamente crescido, seu rosto estranhamente maduro, sua mandíbula estranhamente apertada, vestido estranhamente com as roupas dos partidários de Orochimaru, com sua katana estranhamente nas costas, em uma posição estranhamente de combate. Seus olhos estranhamente frios, congelados, carentes de qualquer sentimento que não seja ódio, vingança e egocentrismo.

Era noite, mas a luz da lua alumbrava os arredores. Podia vê-lo claramente. Era ele. Não havia dúvida.

Aquela pessoa parada em frente a ela era, estranhamente, Uchiha Sasuke.

- Sasuke-kun... por favor – quis cortar a distância que sempre os separava. Eram dez passos, mas nunca chegou a alcançá-lo.

- Sakura – seu tom de voz severo expressava claramente o que queria dizer-lhe. "Não vou voltar.". Tentou fazer caso omisso da dor que causou aquele tom.

- Poss- Podemos te ajudar – se apressou a acrescentar avançando dois passos. Viu como o seu corpo se tensou, atento caso decidisse atacá-lo.

Quanto tempo estiveste assim, Sasuke-kun. Sempre precavido. Nunca confiando.

- Não – seus olhos entrecerrados, atento a qualquer armadilha.

- Naruto treinou com Jiraiya. Aprendeu novas técnicas. Posso te ajudar. Eu posso curá-los. Tsunade me ensinou tudo o que ela sabe. Aprendi novas técnicas e aperfeiçoei várias. Sasuke-kun, por favor.

Esperava que seu tom não soasse tão desesperado como queria.

Sem perceber, havia avançado outros três passos.

Seguia em sua posição de luta. Os músculos de sua mandíbula se tencionaram mais. Estaria reconsiderando?

- Kakashi-sensei poderia ajudar. Podemos buscá-lo juntos. Sabes que Naruto estará disposto a te ajudar no que for necessário. Não interferiríamos, mas estaríamos ali. Sasuke-kun, por favor, volta comigo.

Agora estavam frente a frente.

Podia sentir como seus olhos negros estranhamente resplandeciam diante da idéia, como se estranhamente gostasse. Podia vê-lo pensar. Analisar a situação. Havia abaixado a guarda. Não estava atento a qualquer ataque, por isso quando sentiu uma mão alcançar a sua bochecha não titubeou e desembainhou a sua espada.

Ela ficou com os olhos abertos pela surpresa. Seus reflexos a haviam dito que não movesse a cabeça e que se afastasse uma polegada de distância. Mas não foi o suficientemente rápida.

Uma gota de sangue caiu pelo seu pescoço para perder-se no filo da katana. Havia estado muito perto. Apenas a havia roçado, sabia que não era grave, que o sangue era apenas superficial. Não havia perigo.

Mas quando viu aqueles olhos negros, se surpreendeu. Estavam estranhamente abertos. Fixos na gota de sangue que baixava pelo seu filo. Sua katana seguia ali, sua mão ainda firma, sua postura de combate ainda ali.

Seus olhos se encontraram. Pretos versus verdes. Frio versus cálido. Assustados versus reconfortantes.

Sua mão acariciou-o. Ele não era frio. Exatamente o contrário. Sua pele tíbia, lisa e suave, seus olhos negros, assustados e cheios de seu desejo de vingança. Não, ele não era frio.

Era estranhamente cálido.

Viu-o fechar os olhos diante do contato. Quanto tempo havia passado desde a última vez que o haviam acariciado?

A katana foi abaixada e a gota de sangue caiu no solo. O silêncio era tanto que ambos acreditaram escutar o cair em um rápido e seco "plot".

Abriu os olhos quando a katana ficou ao lado de seu corpo, seus orbes eram estranhamente profundos.

Seus olhos verdes eram estranhamente amorosos, como se esses anos de distância não houvessem existido. Como se houvessem terminado algum treinamento juntos. Esses olhos verdes lhe expressavam o que o esperava em Konoha.

Amor.

Lar.

Amor.

Lar.

Amor.

Sasuke-kun.

Ele levantou sua mão e acariciou a bochecha dela. Ela fechou os olhos em seguida. Sua carícia com um tinte de tremor, medo de machucá-la. Sua mão seguiu a linha de sua mandíbula e desceu pelo seu pescoço. Seu pescoço longo e branco.

Sentia o seu corpo arder, sua respiração era entrecortada, podia sentia seu olhar profundo sobre o seu pescoço, sobre os seus orbes, seu rosto, por todos os lugares. Em estremecimento recorreu-a quando sentiu sua respiração sobre seu pescoço. Respirou profundamente e ela acreditou senti-lo sorrir em seu pescoço, mas bem poderia ter sido a sua imaginação.

- Sakura.

Oh, seu nome em seus lábios sussurrado ao seu ouvido... Sentia suas pernas tremerem, não estava segura de quanto tempo poderia agüentar parada.

- Não posso voltar, ainda.

Abriu os olhos surpresa.

Mas voltou a fechá-los quando ele beijou a ferida em seu pescoço. E sentiu seu coração disparar em seu peito quando a língua apagou os rastros de sangue. Deixou de respirar e tinha certeza de que o havia ouvido suprimir uma risada.

Logo, viu-se ajoelhada sobre o chão. Suas pernas haviam se debilitado, seu coração não deixava de latir desenfreadamente. Sua respiração era entrecortada e o rubor não desaparecia de suas bochechas.

Abriu os olhos para encontrá-lo, mas não estava nem em frente nem atrás. Tentou controlar-se, concentrar-se em seu chakra. Não o encontrava. Tinha ido embora.

- Não posso voltar, ainda.

Ainda.

Sorriu. Aquilo era, estranhamente, suficiente.