Disclaimer: Naruto e Little Pieces não me pertencem, sendo o último de autoria de O.o Kaoru-chan o.O


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Fraca

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Fechou a porta com uma batida. Apressou-se a deixar a sua mochila sobre a cama ao mesmo tempo em que se desvestia do uniforme do colégio e o jogava sobre a cama. Soltou seu cabelo, que caiu com graça sobre seus ombros nus. Massageou o couro cabeludo e seus dedos pousaram sobre as suas têmporas formando círculos que, esperava, aliviariam a enxaqueca que, a qualquer momento, chegaria.

Seguiu em direção ao banheiro e deixou a água correr na banheira. Aproximou-se da pia e abriu a torneira. A sensação da água fria em seu rosto era agradável. Olhou-se no espelho, pequenas gotas escorriam por suas bochechas e caiam de seu queixo. Grandes verdes olhos medrosos lhe devolviam o olhar. Teve que fazer um grande esforço para não quebrar o espelho. Odiava essa expressão.

Fechou a torneira e tocou a água. Estava quente. Colocou os sais e óleos, a espuma fez presença e ela tirou a roupa íntima. Entrou na banheira e, no instante em que se sentou, se levantou. Amarrou a toalha ao redor do seu corpo e andou até o seu quarto. Pegou seu discman, os fones e um dos CDs que tinha sobre o criado-mudo. Voltou para o banho e submergiu-se. Pôs o CD e o fone. Tentou pensar apenas na voz da cantora. Quando viu que não era o suficiente, aumentou o volume ao máximo e passou a tentar decorar as letras das canções. Quando ouviu o CD pela terceira vez, já as sabia. Notou que perdia a concentração da letra na água da banheira que já começava a esfriar-se. Sem pensar duas vezes, saiu.

No seu quarto, tomou o tempo necessário para encontrar o pijama que sua tia-madrinha o havia dado em seu aniversário de dezesseis anos. Lembrava-se dele vividamente porque era o único que contrastava entre os demais presentes. Um pijama de suas peças (regata e short), de ursinhos, chamava a atenção. O encontrou em uma das caixas que nunca se incomodava em abrir, porque sabia que tinha roupas que nunca usaria, na prateleira superior do guarda-roupa. O pegou com cuidado, enquanto procurava sua roupa íntima - descartou a idéia de usar um sutiã. Uma vez vestida, olhou ao redor – não tinha muito a fazer. Suspirou e sua mente aproveitou aqueles segundos para vagar em seus pensamentos. Ressoprou, irritada, e franziu o cenho. Dirigiu-se à cama e dobrou a roupa do colégio, pendurou-a no cabide. Alisou a cama, mesmo quando já estava lisa. Acomodou os livros em ordem alfabética e depois por preferência pessoal. Ao final, eles terminaram organizados por ano. Fez o mesmo com os CDs.

Parou no meio da habitação e olhou a hora. 17h08min. Não havia almoçado e não tinha vontade de lanchar. Estava segura de que não conseguiria engolir nada e tudo porqu--. Parou seus pensamentos antes que eles pudessem avançar. Pegou sua mochila e tirou os livros e pastas e os acomodou cuidadosamente sobre a escrivaninha enquanto acendia a lâmpada. Estava decidida a fazer toda a tarefa do dia. Quando a terminou, eram 18h49min. Suspirou, frustrada, e adiantou os trabalhos práticos que tinha que entregar na semana seguinte. Literatura, Biologia e alguma coisa de História.

Desta vez, quando levantou a cabeça para ver a hora, ficou satisfeita ao ver que as linhas vermelhas formavam 21h45min. Fechou os livros e as pastas. Acomodou os trabalhos em uma pasta separada para entregar. Apagou a luz e desfez a cama. Deitou-se, a vista fixa no teto. Podia ver a sombras das árvores e a moldura da janela projetar-se na sua habitação. Devia ser lua cheia. Sorriu com pesar.

Como da última vez.

Fechou os olhos, irritada consigo mesma por haver-se traído, amaldiçoou-se por ainda pensar naquilo, se frustrou ao saber que isso ainda a magoava, se entristeceu ao saber que ainda podia derramar incontáveis lágrimas sobre aquilo, se lamentou por ainda ser tão fraca.

Deu meia volta, dando as costas à janela, notou a umidade da almofada. Tentou ignorar, realmente tentou. Tentou regular a respiração, tentou tranqüilizar-se, tentou não pensar, mas terminou em posição fetal, abraçando-se e fechando os punhos com força.

Ele havia voltado.

E chorou.