Circles in the Sand
Autora: ShiryuForever94
Presente de qualquer coisa para Theka Dreams
(Por que me deu vontade e pronto)
Capítulo Final
Fandom: Saint Seiya
Categoria: Universo criado após a morte de todos os cavaleiros de ouro. Pós Saga de Hades, sem temporada definida, pode conter spoilers
Advertências: Yaoi (Slash M/M) – Linguagem Imprópria (algumas de baixo calão)
Classificação: NC-17 (Ou M)
Resumo: Após todas as batalhas, tudo parecia em paz no Santuário de Atena. Até que Kanon de Gêmeos declara seu amor e cria um problema com Mu de Áries e Shaka de Virgem. Ou talvez não seja um problema.
Disclaimer: Saint Seiya não me pertence. Todos os direitos são de Masami Kurumada. Esta história não tem fins lucrativos e contém yaoi – relacionamento homoafetivo entre homens. Não indicada para menores de 18 anos.
Beta: Akane Mitsuko e Theka Dreams (sim, só eu pra dar o presente pra presenteada betar O_O)
Atenção: O shipper é dos que gosto de escrever. Se você é MuShakista maníaco, por favor nem leia e me poupe de comentários "criativos" ao estilo: Ah, mas o Shaka é do Mu! Estou praticamente fora do fandom de Saint Seiya por não ter a menor paciência com esse tipo de coisa. Se for levada em consideração a obra original de Masami Kurumada, trata-se de um mangá/animê sem insinuações sexuais, então, por favor, respeitem o que eu gosto de escrever, ninguém é obrigado a ler. E, se ler, lembre-se que dá bastante trabalho escrever e que reviews são a única recompensa de um ficwriter.
Ficwriters se alimentam de reviews, a cada vez que você não comenta, um ficwriter perde o gosto e a vontade de publicar seus trabalhos. Pense nisso antes de fechar a página.
Dito isso tudo, boa leitura.
Shipper: Kanon e Shaka (ou Shaka e Kanon)
A escova caiu da mão de Saga e ele virou o irmão para si. – "Você dormiu com ele?"
- "Não, passei a noite acordado para ser exato." Kanon estava sério. Aquele segredo deles dois estava corroendo sua alma.
- "E tudo ficou por isso mesmo? Mu pode ser bem ciumento, Kanon, será que Shaka contou a ele?"
- "Duvido muito ou eu já teria sido teletransportado para um vulcão em erupção. Não, irmãozinho, nós prometemos um ao outro que ninguém saberia, que não foi importante e que foi algo de momento."
Saga pegou a escova e franziu o cenho. – "Então, como foi?" Continuou a desembaraçar e arrumar os fios loiros do irmão.
- "Como foi o que, Saga?" Kanon tentou rir, sabia exatamente do que o outro estava falando.
- "Sua primeira experiência sexual com um quase Deus." Saga revirou os olhos. Kanon e ele tinham um jeito de ser positivamente de enlouquecer qualquer um com a conversa sem parar.
- "Saga, faz tempo que não transamos. Está com saudade?" Kanon riu. Desde a adolescência que não tinham mais aquele tipo de relacionamento.
- "Engraçadinho. Quer responder o que eu perguntei ou não?" Deu um puxão mais forte no cabelo do outro.
- "Ai, Saga, ficar careca não é minha idéia de felicidade!" Kanon pegou a escova das mãos do gêmeo e foi terminando de se pentear. – "Shaka e eu nos entendemos muito bem, é só o que precisa saber."
- "Então, acho que você deve lutar por ele. Se está apaixonado a ponto de chorar, se o sexo entre vocês funcionou, então lute." Saga cruzou os braços encarando o irmão. – "Pode não parecer muito certo, mas Shaka jamais se deitaria com você se não houvesse espaço vazio no relacionamento dele com Mu. Essa é a minha opinião. Quem está satisfeito não trai."
- "Meu Deus, Saga, quando ficou puritano assim?"
- "Quando começou a namorar comigo, estúpido!" Shura de Capricórnio entrou de uma vez no quarto grande. Estava cansado, de armadura ainda, com um corte numa das faces e morto de saudade do geminiano maluco que era o maior amor de sua vida.
- "Shura!" Saga correu para ele como uma adolescente apaixonada e o beijou, sem ligar para o metal da armadura arranhando e machucando.
- "Tchau para vocês, vou dar uma volta." Kanon se levantou sem dizer mais nada. Nem sabia se o tinham ouvido. Não percebeu uma sombra em uma das colunas. Não notou que alguém ouvira toda a conversa e que esse alguém sorria.
Desceu as escadas passando pela casa de Touro e cumprimentou Aldebaran que já se preparava para sair.
- "Bom dia." O taurino respondeu com um sorriso. – "Shura volta e você sai correndo de casa? Por que será?" Aldebaran deu uma gargalhada cheia de vida.
- "Como se eu não soubesse que Saga vai arrancar aquela armadura de Capricórnio em segundos e se jogar na cama com Shura sem nem dizer olá antes? Conheço meu irmão." Kanon até sorriu, mas não era um dos seus melhores sorrisos.
- "Ainda pensando em Shaka, Kanon?" Aldebaran se aproximou, solícito.
- "Não é uma paixão idiota, Alde." O geminiano suspirou olhando para a primeira casa. – "Só que isso não faz ser mais justo. Eu quase me arrependo de haver magoado Mu."
- "Fale com Shaka, novamente. Sei que vocês precisam conversar, qualquer um percebe." Aldebaran tinha lá seus motivos para querer que Kanon e Shaka se acertassem.
- "Talvez eu deva..."
- "Se quer saber, não foi apenas você que andou deitando por aí com alguém numa missão..." Aldebaran riu baixo.
- "Como é que..." Kanon arregalou os olhos.
- "Digamos que Shaka não mente para Mu. Por sua vez, Mu não mente para Shaka, então creio que o fato de Shaka estar atrás de você vindo de sua casa, explique alguma coisa."
Kanon virou-se, aturdido. O olhar azul, o semblante calmo. – "Você..."
- "Eu ouvi tudo que precisava." Virgem estava completamente convicto agora de que o que sentira nos braços de Kanon não era uma ilusão.
- "Precisamos conversar." Kanon queria tanto que fosse verdade...
- "Agora seria uma boa hora." Shaka de Virgem tinha os imensos olhos azuis abertos e serenos. Estava com um sári todo branco e os fios loiros longuíssimos arrumados em simetria. – "Precisamos dar um jeito nessa confusão que você arrumou, Kanon." Sem dúvida alguma no olhar, a presença firme e forte. Era um guerreiro e um homem decidido e ciente de sua própria força. Alguns o chamariam de arrogante e talvez o cavaleiro de virgem o fosse, mas também tinha-se que admitir que ele tinha todos os motivos para ter orgulho de si mesmo.
- "Se você tivesse se movido um pouco mais lentamente talvez o mundo não tivesse parado de girar." Kanon respondeu encarando o outro sem conter o aumento das batidas do coração e a falta de pensamentos muito coerentes.
- "Ainda causo esse efeito em você?" Shaka também sentia algo parecido. A vibração intensa do cosmo do geminiano, a presença afogueada, beligerante e inquieta. Eram extremos um do outro, podia-se dizer assim.
- "Eu vou treinar, se quiserem conversar em minha casa, fiquem à vontade." Aldebaran achou melhor se retirar. Foi quando notou Mu de Áries ao longe, observando a cena. Talvez fosse uma boa hora para chamar o lemuriano para dar uma volta.
- "Estou vindo da sua casa, como já sabe. Antes, estive na casa de Mu e peguei minhas coisas." Shaka falou com um suspiro e indicou a escadaria do templo de Touro. – "Vamos entrar? Pelo que sei, Shura voltou e duvido que Saga nos queira na casa dele por um tempo..."
- "Nossa casa, você quer dizer, eu divido o templo com meu irmão." Kanon subiu a escadaria observando o andar elegante e ritmado de Shaka. Suspirou uma ou duas vezes. – "Por que veio falar comigo justamente agora?"
- "Por que você estava certo a meu respeito." Shaka sentou-se numa poltrona da sala do taurino com o olhar calmo que o caracterizava.
Kanon ficou olhando o indiano por alguns momentos. – "Eu estava certo especificamente sobre que coisa a seu respeito?"
Shaka sorriu levemente e fez sinal para que Kanon sentasse em frente. – "Eu e Mu decidimos nos separar."
- "Vocês o que?" Kanon estava espantado. Pensou que aquilo jamais aconteceria.
- "Foi de comum acordo. Ele não está com raiva, nem nada do tipo."
– "Mas, a reação de Mu quando eu falei dos meus sentimentos na arena?" Kanon não estava acreditando. Shaka estava livre? Seu Shaka estava solteiro?
- "Possessividade nada tem a ver com amor. E agora que estou momentaneamente solteiro, gostaria de saber se quer almoçar comigo." Um brilho diferente no olhar cândido de Shaka.
- "Momentaneamente solteiro?" Kanon riu e se levantou, parando à frente do outro e estendendo a mão para ele.
- "Eu creio que só ficarei mais alguns momentos solteiro, ou estou enganado?" Shaka aceitou a mão estendida e se ergueu com o coração pulando. Logo sentiu os braços imensos do geminiano circundando sua cintura e puxando-o para perto.
Muito perto.
- "Podemos almoçar, só que..." Kanon sorriu de maneira perigosa.
- "Só que?" Shaka sentiu o beijo leve e suspirou.
- "Você não está solteiro."
- "Imaginei..." Um sorriso sincero. Teriam muito o que conversar. Muito o que compreender um sobre o outro. Naquele momento, não importava muito.
- "Kanon..." Shaka tinha os olhos brilhando, o coração pulando e sua boca encostou-se na de Kanon, devagar, os olhos semicerrando-se ao mesmo tempo.
O geminiano não esperou mais nada e apertou o corpo menor contra o seu e beijou-o, apaixonada e profundamente beijou Shaka de Virgem como há muito queria e temia fazer. Separou-se dele com um imenso sorriso. – "Senti sua falta."
- "Vamos para minha casa?" Shaka estava sorridente e feliz.
- "O que vamos fazer lá?" Kanon respondeu com ar brincalhão.
- "Meditação." Shaka respondeu bem sério, olhando bem dentro dos olhos lindos do geminiano.
- "Hum, estou um pouco cansado embora tenha acabado de acordar. Que tal meditarmos num local macio e acolhedor?" Kanon tinha um sorriso calmo no rosto.
- "Isso me parece a descrição dos seus braços..." Shaka sorriu levemente e suspirou.
Ouvir e ver Shaka suspirando fez Kanon sentir-se num paraíso qualquer. Ele era bonito demais. – "Não quero só sexo com você, desta vez. Quero um relacionamento. Você é importante para mim."
- "Nunca foi apenas sexo. Nem naquela vez. Conversamos tanto e nos entendemos tão bem. Eu senti sua frustração por conta de alguns problemas no Santuário, eu pude ver sua luta interna para não se jogar em cima de mim, pois eu estava com o Mu. Eu apreciei seu cuidado em não querer que ninguém soubesse para proteger minha reputação. Eu o admiro, Kanon. Não me teria deitado com você e deixado-o me tocar como tocou se fosse apenas sexo. Não preciso disso."
A voz do virginiano era geralmente calma, mas agora estava impregnada de um fervor que Kanon adorou sentir.
- "Acha mesmo que Mu..."
- "Ele tem muito em comum com Aldebaran. Ambos ficarão bem." Shaka murmurou com um sorriso cúmplice para Kanon.
- "Oh..." Kanon compreendeu tudo e acenou afirmativamente com a cabeça. – "Nunca imaginaria."
- "Como seu irmão sabiamente disse, não haveríamos deixado tudo correr entre nós se não houvesse um vazio no meu relacionamento com Mu."
- "Tentarei que jamais haja um vazio neste nosso relacionamento." Kanon nunca fora tão sincero.
- "Se houver, sejamos apenas maduros e compreendamos que a perfeição não existe. Eu deveria ter falado com Mu antes de tudo chegar ao ponto em que chegou."
- "Talvez por todos acharem-nos perfeitos juntos tenham ignorado os problemas."
- "Meu orgulho não queria pensar que poderia existir algo de errado num relacionamento comigo. Não irei cometer o mesmo erro duas vezes. Se eu entender que não podemos mais estar juntos, eu vou dizer a você."
- "É justo. Você realmente é um grande homem." Kanon concordou e saíram de mãos dadas para a escadaria do templo de touro.
- "O que será que os outros vão dizer?" Kanon olhou em torno, o movimento ia aumentando, logo todo o Santuário estaria repleto de cavaleiros e amazonas.
- "Você realmente pensa sobre isso?" Shaka redargüiu olhando para o templo de Mu. – "Por que eu já disse tudo o que importava para o principal personagem da história e para meu ex-namorado."
- "Sou o principal personagem da história?" Kanon riu.
- "Agora é. Será o principal para mim, além dos meus deveres de cavaleiro, de minhas horas de meditação, de meus exercícios diários, da leitura de mantras, do preparo de minha comida vegetariana e..."
- "Não se preocupe, já sabia que iria ser assim. Não vou viver minha vida centrada em você. Um relacionamento é para duas pessoas que querem ficar juntas e não para uma dependência doentia. Tenho meus interesses, você tem os seus, melhor assim." Kanon estava bastante confortável com esses pensamentos.
- "Isso é o que eu mais gosto em você." Shaka afastou alguns fios que voejavam em seu rosto e encarou Kanon.
- "Minha eloqüência ímpar ou minha independência incrível?" Kanon estava feliz. Dessa vez achava que encontrara alguém com quem poderia realmente ter um relacionamento adulto.
- "Seu respeito por mim e por meus defeitos e virtudes, por minhas vontades e por meu jeito de ser. Nunca desejou me modificar, nem quis que eu fosse moldado ao seu jeito." Shaka realmente pensava isso de Kanon. Mu era um amor de pessoa, mas o jeito dele sempre querer ter razão e querer que Shaka modificasse alguns de seus comportamentos havia sido o início do fim.
- "Também tenho mil defeitos e sou difícil de lidar quando me empolgo por alguma coisa, seja o último exemplar de um livro ou um filme impossível de achar, mas creio que respeito é a base de tudo e eu o respeito, muito. Vamos brigar, Shaka, muitas vezes, mas saiba que nunca por eu querer que você mude, talvez por eu saber que não posso ter sempre razão. Ego inflado é mal da família geminiana neste Santuário em algumas ocasiões."
- "Gostei de saber." Shaka apenas respondeu num sussurro e num gesto que pareceu brotar deu seu coração, enlaçou a nuca do agora namorado e beijou-o devagarinho.
Demorou segundos para Kanon levantar o indiano do solo e correr com ele para a Casa de Virgem...
- "Kanon?" Shaka arregalou os olhos.
- "Beijos em público, tudo bem, o restante do que pretendo fazer com você, não..."
Shaka riu e se deixou levar. Ia ser no mínimo uma grande loucura, mas podia ser divertido.
Nota: Eu sei que muitos reviews pediram diversas coisas, comentaram mais coisas ainda, mas eu já havia delineado a história. Perdoem-me se não ficou do jeito como esperavam. Foi um esforço concluir essa fanfic, embora eu realmente goste de gênios dominantes como Shaka e Kanon juntos. Agradeço especialmente às reviews de quem não possui conta no ffnet e por isso não recebe minhas respostas. Mesmo assim não deixa de comentar. Isso é um incentivo e tanto. Nina, é contigo que estou falando. Te adoro garota. Beijos e, obrigada por lerem.
