Capítulo V: No Balanço das Horas.
O dia amanheceu e após muito tempo, a família Connor estava reunida de novo, para o café da manhã. Sarah estava preparando panquecas para todos.
"Sarah, John prefere a minha receita de panquecas.", Cameron objetou ao ver Sarah preparando a panqueca de John.
"Que diabos você está falando?! Desde quando você faz panquecas?!", Sarah retrucou.
"Eu mudei a sua receita.".
"Eu não tenho uma receita.".
"A receita da caixa.".
"Ok. E o que você faz de diferente, gênio?".
"Eu adiciono uma colher de baunilha. John prefere assim.".
"Então... John?", Sarah perguntou, virando o olhar para seu filho.
"Eu... realmente gosto de baunilha...", John respondeu evasivamente.
"Era só o que me faltava... Eu estou aprendendo os gostos culinários de meu filho com um robô!", Sarah resmungou.
A cena foi tão engraçada que até mesmo Derek deixou escapar uma risada. Em momentos como esses, eles podiam até esquecer que não eram uma família qualquer e do triste destino que os aguardavam. Em verdade, esses poucos momentos – que surgiam espontaneamente entre eles – eram suficientes para eles terem certeza de que podiam ser uma família.
Após o café, Sarah arrumou a cozinha e disse para John e Cameron:
"Escutem, eu preciso sair com Derek para abastecer o carro e depois iremos ao depósito de armas para verificar como estão as coisas. Vamos aproveitar também para comprar alguma comida, já que vocês fizeram o favor de acabar com que eu deixei antes de viajar. Eu não estarei em casa para o almoço, então vocês podem sair para comer algo.". Ela estava saindo de casa e virou-se novamente para os dois, que estavam em pé a sua frente: "Ah! Nada de 'gracinhas'!".
Assim que Sarah deu às costas para os dois, Cameron grudou seu corpo ao de John e lhe deu um selinho. O barulho chamou a atenção de Sarah.
"Eu falei sem 'gracinhas'!, ela disse para os dois.
"Você está vendo alguém aqui rindo?", Cameron replicou com seu tom robótico habitual.
Sarah rolou seus olhos de um lado para o outro e achou melhor nem comentar, deixando um John rindo acintosamente e uma Cameron que provavelmente sequer tinha entendido a piada que fizera.
Assim que Sarah e Derek saíram, John virou-se para Cameron:
"Então, vamos para onde?".
"Nós acabamos de tomar café. Você já quer almoçar?".
"Não, Cam!".
"Mas Sarah disse para nós sairmos para comer.".
"Eu sei, mas nós não temos um histórico confiável em obedecer minha mãe, não é?! Ela me disse para não acreditar que você me ama...".
"Ela me disse para não beijar você... nem ninguém. E que ela não gosta do jeito que você responde a mim.".
"Pois é! Se nós não a obedecemos no que realmente era importante, por que iríamos obedecê-la nisso? Então, para onde vamos?".
"Eu não sei.".
"Que tal se déssemos uma volta pela cidade? Apenas andando por aí, olhando as vitrines de loja, as pessoas. Uma volta sem um destino certo. Só passando o tempo.".
"Qual o sentido de sair sem saber para onde se quer ir?".
"Mas nós sabemos: nós queremos andar por aí.".
"Isso não é um destino.".
"É o suficiente para mim. E então, vamos?".
"Se é o que você quer, vamos. Mas isso não faz sentido...".
"E quem foi que disse que precisa fazer?".
Eis uma boa pergunta, para a qual Cameron não tinha resposta. Ela havia aprendido que por várias vezes humanos faziam coisas que não tinham sentido e surpreendentemente eles não se preocupavam com isso. Como John, no momento.
Eles pegaram o carro que havia ficado e saíram para a cidade. E assim como John falou, eles ficaram andando pelas ruas, olhando as lojas, as pessoas, conversando e andando de mãos dadas por aí. Como um casal de adolescentes normal em um "dia de folga".
Eles estavam andando por algumas horas quando passaram em frente a uma lanchonete. John notou um rosto conhecido na multidão; um que ele não via há muito tempo:
"Cheri?! É você?!".
"John?! Meu Deus, há quanto tempo. O que você está fazendo por aqui?".
"Minha mãe foi transferida no emprego, eu e minha... irmã... tivemos de vir para cá. Mas e você, o que aconteceu que te trouxe até aqui?".
"Eu briguei com meu pai e me emancipei. Eu tinha que ir para o mais longe possível dele. Estou trabalhando aqui como garçonete para pagar as contas. E você, me desculpe, mas eu não lembro o seu nome.".
"Cameron.".
"Isso! Cameron. Como você está?".
"Bem.".
"Ela não fala muito, não é?!".
"De fato.", John respondeu rindo. "Nossa, há quanto tempo. Nunca esperava te encontrar por aqui.".
"Pois é. Aposto que você tem várias novidades para me contar. Espere: já que vocês estão aqui e meu turno já acabou, que tal irmos almoçar os três juntos e colocar o papo em dia? Eu conheço um restaurante aqui perto; não é muito movimentado nem tem muita classe, mas a comida é excelente. O que acham?".
"Eu não sei, John! Talvez fosse melhor nós...".
"Claro, Cheri. Será um prazer. Não é, Cameron?!".
"Eu estava dizendo que...".
"Não é, Cameron?!", John falou com um tom mais enfático.
"Claro. Será um prazer.", Cameron respondeu forçando um sorriso.
"Sei...", Cheri respondeu olhando desconfiada para Cameron. "Então! Vamos?".
John, Cameron e Cheri foram então para o restaurante que Cheri havia sugerido. Era um imóvel velho, meio sujo e realmente pouco movimentado. Fora os três, só havia no local mais um casal, uma garçonete e a balconista. Os três se sentaram em uma mesa e a garçonete foi atendê-los.
"Boa tarde. O que vão querer?".
"Nos dê 03 especiais do dia.", Cheri se antecipou a todos.
"Certo.", a garçonete disse, indo embora.
"O que é o especial do dia?", John perguntou.
"Acredite em mim, John: quanto menos você souber melhor.", Cheri respondeu, rindo.
O almoço transcorreu na mais perfeita normalidade e foi muito agradável para John e Cheri, que conversaram durante muito tempo (o que deixou Cameron levemente deslocada e com ciúmes). Surpreendentemente, a comida estava muito gostosa. Após mais ou menos uma hora conversando, eles saem do restaurante e começam a se despedir.
"Sabe John... Foi muito legal encontrar com você aqui. Vamos combinar de sair à noite qualquer dia desses. Pelo que eu me lembre, nós tínhamos 'assuntos pendentes' na escola.", Cheri falou com um sorriso malicioso.
"John, nós temos que ir. Agora!", Cameron interferiu, querendo acabar logo com aquilo, mas deixando transparecer os ciúmes que sentia.
"Ah é! Eu esqueci que você era super-protetora. Vamos lá, Cameron, deixe seu irmão ter um pouco de liberdade. Ele não pode namorar com você, pode?", Cheri disse jocosamente para Cameron.
"Cheri, eu realmente tenho que ir. Mas foi um prazer imenso falar com você. Vamos marcar alguma coisa depois.", John interveio para colocar um fim naquilo antes que Cameron resolvesse "agir"; ele tinha aprendido enquanto estava com Riley que Cameron não respondia muito bem a ciúmes.
"Claro. Vamos lá, pode ao menos me dar um abraço?", Cheri pediu. John não teve como negar esse pediu e abraçou Cheri.
"E você amiga... Sem ressentimentos, não é? Vamos lá, me dê um abraço também.", ela pediu à Cameron. A ciborgue não queria abraçar Cheri, mas pelo jeito que John a olhava, ela sabia que era isso que teria de fazer.
Cameron abraçou Cheri por alguns segundos e assim que as mãos de Cheri soltaram o corpo de Cameron, a ciborgue foi atingida por um soco brutal, que a fez voar para longe; seu corpo voou até bater em uma parede, causando-lhe sentir uma dor excruciante até seus sensores a suprimirem. John assistia incrédulo àquela cena: como Cheri poderia ter feito tamanho estrago com um soco em Cameron? Foi neste momento que Cheri virou-se para ele e seus olhos emitiram um brilho azul que John conhecia muito bem; a verdade lhe atingiu violentamente: Cheri uma Exterminadora. Ela havia derrubado Cameron e agora estava atrás dele.
Antes que ele pudesse ao menos começar a correr, Cheri acertou-o com um soco no estômago, fazendo-o desmaiar. Ela saiu correndo até encontrar um carro estacionado e entrou nele, ligando-o e saindo em disparada.
Neste meio tempo, Cameron se levantava a tempo de ver Cheri levando John consigo. Ela saiu correndo o mais rápido que conseguia, pegou o carro no qual haviam ido e começou a seguir Cheri. Enquanto dirigia, ela pegou seu celular e ligou para Sarah. Assim que Sarah entendeu e ambas fizeram o código de segurança, Cameron gritou:
"Sarah, eles o pegaram!".
"O quê?".
"Um Exterminador, ele pegou John!".
"Como assim, o que aconteceu?".
"Não há tempo, eu estou atrás dele. Use o localizador do celular para me encontrar. Nós temos que salvá-lo. Eu não posso deixar nada acontecer a ele.".
"Nós estaremos aí o mais rápido possível.".
Cameron estava dirigindo o mais veloz que podia, acompanhando Cheri de uma distância segura, para que a recém descoberta Exterminadora não pudesse perceber que estava sendo seguida. De outro lado, Sarah e Derek utilizavam o GPS de seu celular para encontrar Cameron e a seguir, dirigindo-se para onde ela estava.
Cheri parou em um prédio abandonado e desceu do carro carregando John – ainda desmaiado – em seu ombro. Ela olhou para os lados para verificar se alguém a havia seguido e ao não ver ninguém, entrou no prédio.
Cameron havia estacionado atrás de um prédio vizinho, de forma que Cheri não pudesse vê-la e já empunhava uma pistola que ficava no porta-luvas do carro (para situações como essa). Seu desejo era de entrar logo no prédio e lutar com Cheri até destruir todas as células daquela Exterminadora que ameaçava a vida de John. Mas ela sabia o que Cheri era e que tinha poucas chances contra ela se lutasse sozinha, ainda mais só com uma pistola. Ela tinha de esperar por Sarah e Derek, e as armas que eles trariam.
Não demorou mais do que alguns minutos para que eles chegassem: Sarah com sua escopeta favorita, Derek com seu fuzil e balas modificadas e uma metralhadora que trazia para Cameron. Não tardou para que Sarah perguntasse:
"O que aconteceu? Como eles pegaram John?".
"Um deles se disfarçou de uma menina que John conheceu na escola. Nós a encontramos hoje quando formos almoçar. Eu me distraí por um segundo e ela me derrubou.".
"Mas como assim? Como você não percebeu que ela era uma Exterminadora? Você não consegue fazer essas leituras?".
"Não dela. Ela não é uma Exterminadora normal.".
"O que ela é?".
"Ela é uma I-950.".
"O que é um I-950?".
"Os I-950 – ou Infiltradores – são uma das maiores criações da Skynet, uma mistura perfeita de homem e máquina. Eles são totalmente biológicos, não possuem endoesqueleto, apesar de poderem regenerar suas partes orgânicas em algum tempo, dependendo da extensão dos danos. Eles são feitos a partir de um bebê que sofre um implante cerebral de forma a que Skynet possa controlar suas sensações e sentimentos. Após 04 anos, são dadas a eles injeções hormonais que aceleram seu crescimento para o estágio de puberdade e aí eles são colocados em contato uns com os outros a fim de aprimorar sua capacidade de socialização. Após mais 04 ou 05 anos, outra dose hormonal é dada completando seu treinamento para que eles possam se infiltrar em seu alvo. Por causa de sua natureza orgânica, os Infiltradores não podem ser detectados por outras máquinas ou por cachorros. Eles também possuem controle das funções biológicas de seu corpo, como . controlar a secreção de adrenalina e a circulação, fazendo com que possam ficar muito mais fortes do que o normal e alterar seus impulsos elétricos para aprimorar seus reflexos e resposta a estímulos. Foi assim que ela me derrubou. Eles também são capazes de, através do seus processadores implantados pela Skynet, fazer 'comunicação sem fio' com outras máquinas, até mesmo tomar o controle de computadores mais simples e até mesmo de alguns modelos mais antigos de Exterminadores.".
"Então nós estamos lutando com uma máquina que é humana, muito mais forte, rápida, inteligente e preparada do que nós três juntos?", Derek perguntou.
"Sim.", Cameron respondeu secamente.
"Inferno! Isso não vai ser divertido.".
"Mas por que ela não matou John? Por que trazê-lo até aqui e simplesmente não matá-lo de uma vez?", Sarah perguntou.
"Se Skynet mandou para cá uma I-950, ela não está querendo fazer uma bagunça derramando sangue. Ela quer alguma informação ou tem algum plano mais elaborado do que simplesmente matar alguém. Se fosse o caso de meter uma bala, ela teria mandado um Exterminador. Os I-950 são uma espécie de 'Tropa de Elite' da Skynet, para fazer as missões mais complexas e que exigem um alto nível de dificuldade e talentos que só eles possuem.".
"Então você não sabe o que ela quer?".
"Não tenho certeza. O Futuro John apagou minhas memórias de antes da reprogramação. Mas quando eu fui revertida para minha programação original, após a explosão, eu tive alguns flashes das ordens que Skynet já havia me dado: uma delas envolvia escoltar alguns I-950 até uma base onde estava o resto dos Infiltradores e depois trazê-los de volta. Eu me lembro de ter ouvido alguns deles comentar algo sobre viagem no tempo e impedir que John lutasse junto a Resistência, não deixar que ele se tornasse o líder. Mas não me lembro como eles fariam isso.".
"Ótimo... Isso é simplesmente ótimo", Derek falou.
Eles já estavam quase entrando no prédio, com suas armas em punho, quando Cameron pegou Sarah pelo braço e disse:
"Deixe-me acabar com ela, Sarah. Ela o tirou de mim, ela me fez vê-lo ser levado embora de meus braços. Eu vou explodir a maldita cabeça dela. O último tiro deve ser meu!".
Sarah apenas balançou a cabeça em sinal afirmativo para Cameron: ela sabia muito bem como era ter alguém que você ama arrancado de seus braços por um metal. Eles entraram cuidadosamente no prédio, sem fazer qualquer barulho e fizeram um reconhecimento visual do prédio: era um grande galpão, aparentemente de uma serralheria; não havia muita coisa lá: muito espaço, algumas esteiras de linha para produção, uma fornalha e uma cadeira onde John estava amarrado e Cheri de costa para eles, dando um soco em John para que ele acordasse. Cameron quis correr para impedi-la de agredir John, mas Sarah a segurou: eles precisavam de um plano de ação ou seriam derrubados por Cheri. Eles começaram a se separar, com Sarah indo pela esquerda, Derek pela direita e Cameron iria pelo centro: assim Cheri não poderia acertar os três ao mesmo tempo, dando chance para que ao menos um deles conseguisse atingi-la.
Assim que acordou com o soco de Cheri, ele olhou para ela, ainda chocado com a revelação de que ela era uma máquina.
"Cheri, você... é um deles?!".
"Meu nome não é Cheri. É Beatrix.".
"Você vai me matar?".
"Você não acha que se eu o quisesse, você já não estaria morto a esta altura?".
"E o que você quer comigo?".
"Apagá-lo da história. Você não será ninguém John. Nós percebemos que não adianta tentar matá-lo, isso é impossível, você sempre dá um jeito de escapar. Nós não podemos alterar o futuro tanto assim, nossos planos estavam olhando o problema de maneira distorcida. Mas de uma coisa sabemos: nós podemos impedi-lo de se tornar o líder da Resistência.".
"E como você pretende fazer isso sem me matar?".
"Bem... Eu poderia te contar isso, mas aí seus amigos teriam tempo de me matar", ela disse, virando-se para trás e puxando duas armas de sua cintura, abrindo fogo em todas as direções.
Sarah pulou para trás de uma esteira a fim de se proteger das balas, atirando contra Beatrix quando tinha oportunidade, mas a ciborgue era rápida o bastante para se esquivar das investidas. Derek parou atrás de um pilar para fugir do fogo cruzado e com seu rifle atirava contra a Infiltradora que também desviava dos projéteis que vinham da arma do soldado. Cameron ia abertamente ao encontro de Beatrix, sem se preocupar com os tiros que levava: os danos que tomava não eram importantes, o que importava era salvar John do perigo, colocá-lo em segurança: essa era sua missão, esse era seu desejo. Ela não podia deixar que Cheri tirasse John dela. Não de novo! Ela não suportaria falhar e perder seu protegido, seu Messias, seu general, seu namorado, seu amor.
Após levar muitas balas pelo corpo, Cameron conseguiu alcançar Beatrix e agarrou-lhe pela camisa, arremessando-a para longe. Cameron podia não conseguir controlar sua adrenalina para alcançar a super força, mas seu coração a deixava mais forte do que qualquer implante cerebral poderia conseguir. Ela lutava pela vida de John, lutava por amor, e esse propósito a faria nunca desistir, nunca se entregar, nunca falhar. Enquanto houvesse uma fagulha alimentando seu chip, ela estaria ali por John e morreria por ele se fosse preciso. A sua vida pela de John seria sua última prova de amor.
Assim que arremessou Beatrix o mais longe que conseguiu, Cameron correu para desamarrar John. Assim que soltou as cordas, gritou para ele: "Corra!". John apenas olhou para ela, como se pensasse se era correto deixá-la lutando sozinha. "Agora!", ela gritou mais alto e dessa vez John resolveu obedecer aos comandos de sua amante. Ele correu o mais rápido que pôde até chegar a Sarah.
Beatrix levantou e começou a correr ao encontro de Cameron, que também se movimento em a direção a Infiltradora. As duas se encontram próximo a fornalha, criando uma grande onda de choque que estremeceu as estruturas já abaladas do prédio e começaram a travar uma luta corporal que destruía tudo ao redor dela.
Cameron acertava diversos socos em Beatrix que devolvia em igual medida. Cameron sabia que não podia lutar com ela por muito tempo: Beatrix era mais forte e evoluída que Cameron, ela era uma lutadora melhor. Mas Cameron não podia falhar: não com a vida de John sendo o preço a pagar pelo fracasso.
Assim que ela percebeu que Beatrix estava excretando adrenalina para aumentar sua força, Cameron – em frações de segundos – deu um soco na face da ciborgue e com a outra mão agarrou a cintura da Infiltradora, segurando o mais forte que podia. Enquanto Cheri tentava livrar-se de Cameron, lhe desferindo vários ataques pelo corpo, Cameron se esforçava ao máximo para não deixar a outra máquina escapar.
Cameron levou sua mão ao seu bolso traseiro e enquanto recebia os ataques fulminantes de Beatrix, que ficavam cada vez mais fortes e difíceis de suportar, pegou a pistola que havia pegado no carro, fez um movimento rápido colocou a arma no queixo da Infiltradora e disparou um tiro certeiro, que atravessou a cabeça do ciborgue, fazendo-a cair instantaneamente no chão.
Assim que a ciborgue caiu, Sarah, Derek e John saíram de trás de suas proteções e Cameron saiu correndo ao encontro de John. Ela estava extremamente ferida, com várias balas espalhadas pelo corpo e o metal de seu endoesqueleto exposto em alguns locais da face, mas isso não era relevante para John, que a abraçou e lhe deu um grande beijo. Ela podia estar totalmente sem pele, só seu endoesqueleto que ele a abraçaria e beijaria do mesmo jeito, pois ele sabia o que ela era e não se importava: ele a amava por ser o que é.
O beijo estava se alongando por algum tempo e Derek limpou sua garganta perto dos dois, o que os fez se separarem. Sarah virou-se para Cameron e falou:
"Cameron, pegue o corpo dela para que nós possamos queimá-lo. Não podemos correr o risco de acontecer o mesmo que com Cromartie.".
Cameron se afastou dos três e ficou de pé, na frente do corpo sem vida de Beatrix e apontou a arma para sua cabeça:
"Morra, piranha! John pode namorar comigo e ele é meu. Você não pode tirá-lo de mim. Eu o amo e ele me ama. Você pode ser uma Infiltradora, mas eu sou uma Exterminadora, e você acaba de ser exterminada".
Quando Cameron estava para puxar o gatilho, Beatrix lhe aplicou uma rasteira, revelando que ainda não estava morta. Assim que Cameron caiu ao chão, John tentou correr para socorrê-la, mas foi segurado por Sarah e Derek. Ele sabia que não poderia fazer nada para ajudá-la, mas não podia simplesmente ver Cameron já debilitada lutando novamente com a Infiltradora.
Com Cameron caída, Beatrix a imobilizou e através de seu implante cerebral, ativou por rede sem fio o computador que secretamente estava dentro da fornalha. Neste exato momento, começaram a aparecer descargas elétricas e um brilho que todos conheciam bem: Beatrix havia acionado uma máquina do tempo.
Assim que a bolha foi se formando, John lutou desesperado para se livrar de Sarah e Derek e ir ao encontro de Cameron, mas o esforço de ambos combinados fazia com que John não conseguisse fugir.
"Mãe, ela está levando Cameron embora. Aquela máquina está com ela. Eu preciso dela, mãe! Eu preciso dela! Ela salvou minha vida! Ela me deu uma vida!", John gritou totalmente alterado.
"Não há nada que nós possamos fazer. Cameron vai se sacrificar por você, John! É a missão dela.", Sarah respondeu enfaticamente.
John se ajoelhou e lágrimas saiam de seus olhos, percorrendo toda a sua face enquanto ele via, impotente, a bolha consumir os corpos das ciborgues, o que significava separar Cameron dele para sempre.
O olhar de Cameron ainda caída encontrou o de John e ela lhe falou:
"Eu sinto muito, John! Eu te amo, para sempre. Eu sou sua e sempre serei. Nós nos encontraremos de novo, no futuro. Eu te amo e você me ama. Eu sinto muito!".
Assim que Cameron terminou de dizer essas palavras, a bolha a consumiu completamente, houve um clarão e então tudo sumiu. Cameron e Beatrix não estavam mais lá. Elas haviam ido. Para sempre!
John não podia acreditar no que acabara de acontecer. Eles tinham levado Cameron dele. A única garota que ele havia amado e iria amar. Eles haviam levado tudo dele. O que seria dele sem Cameron? O que havia restado para ele agora? Por que lutar? Por que continuar com tudo isso, com todo esse sofrimento, se ela não estava mais ao seu lado?
Ele ainda estava ajoelhado, chorando, quando Derek correu até o computador e ainda pôde o ano "2026" na tela antes dela apagar-se por completo. "O computador está frito, não há como usá-lo de novo.", Derek constatou.
Sarah estava abaixada a frente de John e deu seu peito para que John encostasse-se a ele e chorasse tudo que tinha dentro de si. Ele chorava como uma criança, só uma vez ele havia chorado assim: quando Tio Bob se foi. Sarah havia enxugado as lágrimas de John daquela vez, mas agora ela não estava certa se conseguiria enxugá-las de novo e dizer que tudo estava bem, que as coisas iriam ficar melhores, pois ela sabia que estaria mentindo. Ela sabia que para John, sem Cameron, nada estava bem e nada ficaria melhor. Ela temia que John não agüentasse a perda e desistisse. Sarah já havia percebido que John lutava por Cameron, e sem a ciborgue ela deveria impedir que ele desistisse de lutar.
"Vamos, John! Você pode chorar por ela depois. Cameron iria querer você a salvo. Não desperdice o sacrifício dela ficando aqui. Derek, destrua as pistas e nos encontre no carro.".
A mãe de John o guiou até o carro e o colocou no banco de trás, sentando-se no lugar do motorista e esperou por Derek, que após alguns minutos juntou-se a eles no banco do passageiro.
A volta para casa foi como uma marcha fúnebre: nenhum deles disse uma palavra, o silêncio era tudo que havia entre eles. Seus olhares não se encontraram e o ar estava pesado e melancólico.
Assim que Sarah estacionou o carro, John rapidamente abriu a porta, saiu e foi correndo para a casa, entrando e seguindo direito para o seu quarto. Sarah fez menção de ir atrás dele, mas Derek a segurou pelo ombro e fez um sinal negativo com a cabeça. Ele sabia como John estava se sentindo e entendeu que o melhor a se fazer era deixar John só com seus pensamentos por enquanto.
Sarah, ao ver o sinal de Derek, foi tomada por uma súbita sensação de impotência: ela sabia o quanto John estava sofrendo, mas não podia fazer nada para confortá-lo. Ela o havia ensinado a sobreviver, a destruir Exterminadores, a lutar, a guerrear, mas não o havia ensinado a amar. Quem havia lhe ensinado isso era Cameron, e agora ela tinha ido. Sarah xingava Cameron mentalmente por ter desistido de John, por não ter lutado o suficiente, por amá-lo e partir, mas ela sabia que no lugar de Cameron, teria feito o mesmo, pois ela também amava John. Era ele quem importava, não elas!
E quanto mais Sarah pensava mais ela era invadida pela tristeza e ela não podia mais segurar: ela a vez dela de chorar no peito de Derek. Ele a abraçou e tentava confortá-la, como há muito tempo desejava fazer. Ela era uma guerreira, a mãe do Messias, a Sarah sobre a qual John contava lendas de bravuras inigualáveis e feitos heróicos no futuro, mas ela também era uma mulher que sofria e necessitava chorar. E agora Derek estava ali por ela, parar ser aquele que confortaria Sarah quando ela chorasse.
O mundo nunca havia sido bom para John e Cameron. Nos últimos dias parecia ter conspirado a favor deles, os unindo nesse tempo. Mas no balanço das horas tudo pode mudar. E o tempo tratou de separá-los novamente, dessa vez para sempre. Certo? Errado! Pois não existe um "para sempre" relacionado a John e Cameron que termine com eles separados. Nem mesmo um que os mantenha quase 20 anos longe um do outro, pois seu amor já havia vencido a barreira do tempo uma vez e podia fazê-lo de novo e quantas vezes fossem necessárias. Porque no balanço das horas tudo pode mudar, exceto o amor do humano pela ciborgue e o amor da máquina pelo homem. Porque John ama Cameron e Cameron o ama.
Nota do autor: Bem, esse capítulo tem cenas Jameron, Hot, tensão Demeron, Sarah e John... Acho que agrada a todo mundo ^^
Agradeço mais uma vez a todo que lê e deixa review e aqueles que só lêem também... Agradecimento especial a Veri (pela co-autoria) e Marina (pela revisão sempre bem feita) e a comunidade do Orkut.
