Capítulo VII: Elizabeth Dane.
Mesmo Lugar, Diferente 'Quando' (2026).
A noite estava escura. Neste tempo, não havia mais estrelas no céu, postes nas ruas, luzes de lojas, apartamentos ou casas. Em verdade, não havia mais céu, ruas, lojas, apartamentos ou casas. Só o que havia era terra, ruínas e corpos espalhados pelo chão. Corpos de humanos e máquinas. Não demoraria muito para que qualquer pessoa percebe-se que ali estava sendo travada uma guerra.
A escuridão foi iluminada por algumas pequenas descargas elétricas, que começaram parcas e foram ficando mais fortes e constantes, culminando no surgimento de uma grande bolha de energia. Em alguns poucos segundo, a bolha se foi, voltando a escuridão a tomar conta do ambiente. Mas a luz havia deixado algo lá, algo que não estava antes: um garoto, nu e desorientado.
John Connor era seu nome, lutar era seu destino. Ele não era dali, aquele não era o seu tempo; não ainda. A guerra que ele via pela primeira vez diante dos seus olhos não ainda a sua guerra, não era por ela que ele estava ali. O motivo de ele ter cruzado a fronteira do tempo era bem mais nobre: amor. Mas não qualquer tipo de amor: era um tipo daqueles que você só sente uma vez na vida. Alguns o chamariam de "amor verdadeiro" ou "alma gêmea". Poderia até parecer clichê para alguns críticos mais niilistas, mas a vida não prima pela originalidade e o destino não é um escritor criativo. No fim dos acontecimentos, a busca de todas as pessoas é pela mesma coisa: amor; o que muda são as atitudes que alguns tomam para encontrá-lo: enquanto uns o buscam em si mesmo, outros o buscam em outras pessoas; enquanto alguns desistem ao passar por tribulações, outros atravessam todas as fronteiras para encontrá-lo. Até mesmo a fronteira mais difícil de atravessar: o tempo.
John olhou com atenção o local onde estava e a imagem não lhe era agradável: uma pequena amostra do destino que lhe aguardava e do qual ficava cada vez mais impossível de fugir. Mas o momento não era para se pensar no futuro (ou presente, a depender do ponto de vista), John tinha que se focar no motivo de estar ali: Cameron!
Entretanto, sair sozinho nesta terra desconhecida repleta de máquinas feitas para matar incessantemente atrás de qualquer humano existente não era uma idéia muito sábia. Ele precisava encontrar alguém, algum humano da Resistência para ajudá-lo. Afinal, ele era John Connor, o General! Eles teriam de obedecê-lo.
John saiu de onde estava e andou alguns metros até avistar as ruínas de algo que parecia ser uma antiga fábrica. Talvez John encontrasse alguma coisa lá dentro, quem sabe algumas roupas antigas: andar nu por aí não era uma coisa que ele quisesse fazer.
O garoto entrou nos escombros e começou a procurar por alguma coisa que pudesse usar. Após revirar alguns tonéis, esteiras e máquinas enferrujadas, ele achou uma calça e um casaco que por mais incrível que pudesse parecer estavam bem conservados.
Ele se vestiu rapidamente e estava se preparando para sair da fábrica a fim de encontrar alguém para ajudá-lo em sua busca por Cameron, mas quando estava se virando para ir em direção a "porta", ouviu o barulho de alguém (ou alguma coisa) se aproximando e procurou se esconder atrás dos barris que estavam próximos.
Os barulhos iam ficando mais próximos e John começou a pensar se ele iria morrer assim: acuado, em um futuro estranho e sem encontrar Cameron. Ele tinha de ser realista: se fosse mesmo um robô, ele não teria chances nenhuma em uma luta contra a máquina.
Os sons já estavam bem perto de John, ele podia perceber que estava revirando os barris, como se estivesse atrás dele, como se soubesse que ele estava escondido ali. À medida que ia se aproximando perigosamente de John, ele ouviu:
"Diabos, onde foi parar minha roupa? Eu tenho certeza absoluta de que as tinha deixado aqui neste barril!".
John achou aquela voz extremamente familiar, embora ainda não a houvesse reconhecido. Foi então que outra voz apareceu:
"Calma, Derek! Ela tem que estar por aqui, em algum lugar. Você tem certeza que foi nesse barril?".
"Claro que sim, Mini Martin. Tenho certeza absoluta.".
Era isso! A voz era de Derek, seu tio. Ele não poderia ter encontrado um aliado melhor. Enquanto Derek revirava as coisas atrás de sua roupa, John levantou e se revelou aos dois. Derek apontou o rifle de plasma que trazia consigo para John.
"Quem diabos é você? E por que está com a minha roupa?".
"Meu nome é Connor, John Connor.".
"Connor? Nunca ouvi falar de você.". John não entendeu como Derek não podia conhecê-lo, afinal era o líder da Resistência. Mas, pensando um pouco melhor sobre isso ele percebeu o seguinte: viajando no tempo, ele pulou o Dia do Julgamento e, conseqüentemente, não pôde fundar a Resistência; mas obviamente alguém tinha feito isso no seu lugar.
"Você é Reese, não é?! Derek Reese, irmão de Kyle Reese.".
"Sim! Você conhece meu irmão?".
"Pode-se dizer que ele é um velho amigo.".
"Bem, ele está em uma missão da Resistência agora, mas quando ele voltar nós podemos confirmar isso.".
"Você poderia abaixar a arma, por favor?".
"Não até ter a certeza de que você não é um metal. Mini Martin, peça que ela venha aqui e que traga o cachorro com ela.".
O jovem saiu correndo para cumprir a ordem de Derek e alguns minutos depois retornou e disse a Derek que ela estava vindo.
Saindo da escuridão e entrando na fábrica, John vê alguém se aproximando e seu coração quase sai pela boca quando a moça se revelou: era Cameron! Ele a havia encontrado. Na verdade, ela o havia encontrado, voltado para ele. John não podia conter tanta felicidade.
Mas os segundos iniciais de euforia, John pôde perceber algumas coisas diferentes em Cameron: seu andar era mais "solto", não havia aquele jeito robótico de andar; o seu rosto não era "inexpressivo" e seu olhar não era "invasivo" como antes; mas acima de tudo isso, uma coisa lhe chamou a atenção: Derek e o outro humano pareciam extremamente confortáveis na presença dela e o cachorro não latia.
Ela foi se aproximando dos três humanos e ao chegar mais perto de John, se abaixou, fez um carinho na cabeça do cachorro e sorriu para John. O coração de John se derreteu ao ver aquele sorriso do qual ele tanto sentia falta, o sorriso pelo qual ele deixou tudo para trás, o sorriso que ele amava.
Quando o cachorro farejou John e confirmou que ele não era uma máquina, os três integrantes da Resistência foram apresentados por Derek:
"Desculpe John, mas com as máquinas por aí e com esses novos Exterminadores, nunca é demais ter precaução. Bem, eu sou o Derek, como você mesmo disse há pouco. Esse aqui é Martin Bedell, ou como nós o chamamos, Mini Martin.".
"Você é o Martin Bedell que fez Escola Militar?".
"Não, esse é outro Martin. É por isso que me chamam de "Mini Martin", porque sou mais novo do que ele. Bem mais novo, na verdade. O Martin a que você se refere está em missão junto com Kyle.".
"Chega, Mini Martin. Ele pode não ser uma máquina, mas não precisa saber de tudo sobre nós.", Derek interrompeu.
"Eu sou Allison", a voz que John conhecia muito bem falou.
Aquilo era desconcertante para ele. Ela era tão igual a Cameron e ao mesmo tempo tão diferente. Seu corpo, seu rosto, seu sorriso, sua voz, tudo era de Cameron, mas com uma roupagem distinta. Suas palavras tinham um calor e uma suavidade que não estavam presentes na de Cameron. John já havia se conformado com o fato dela não ser Cameron, mas era impossível não fazer o paralelo entre as duas.
Como elas podiam ser tão parecidas e por que o nome "Allison" não lhe era estranho? Após pensar e vasculhar sua memória, John se lembrou: no dia em que Cameron "surtou" e pensou ser uma menina de verdade e foi parar em um abrigo com outra garota, sem se lembrar de nada, ela disse que seu nome era "Allison"; "Allison de Palmdale", ela disse. Uma coisa ficou clara, então, para John: Skynet havia criado Cameron com base nesta garota.
"Você não vai me dizer o seu nome, querido? Isso não é educado.", a voz dela a tirou de seus pensamentos.
"Oh, desculpe! Meu nome é Connor, John Connor.".
"É um nome bonito. Um nome bonito para um dono bonito.", ela respondeu rindo. Se John estivesse racionando direito, ele suporia que ela estava interessada nele, mas no momento, tudo era muito confuso.
"Então, John, o que você faz aqui? E como você sabe tanto sobre nós? Como sabe de mim, do meu irmão, de Martin?".
"Eu os conheci. Antes do Dia do Julgamento.".
"Mas você tinha quantos anos antes do Dia J? Um, dois? Você é bastante jovem.".
"É... Eu... Sou mais velho do que aparento.".
"Hum... Sei. E você é de onde? Você é da Resistência ou é um dos 'ratos' que vivem nos túneis por aí?".
"Na verdade, nem um nem outro, mas eu gostaria de me juntar a vocês.".
"E o que você sabe sobre Exterminadores? Como você pode me ajudar?".
"Bem, eu sou muito bom com computadores e sei muitas coisas sobre Exterminadores. Eu já me encontrei com alguns ao longo dos anos, e como vocês podem ver, ainda estou vivo.".
"É, isso é um bom ponto.", Mini Martin confirmou.
"Você será muito bem vindo, John. Se quiser, eu posso te mostrar as coisas e te interar dos acontecimentos da Resistência.", Allison se ofereceu.
"Errr... Obrigado.". John ainda não sabia o que pensar sobre a sósia de Cameron, mas de uma coisa ele já tinha certeza: ela era bastante "oferecida".
"Bem, nós não podemos ficar aqui por muito tempo. É melhor nós voltarmos para a base. Você se juntará a nós?", Derek perguntou para John.
"Sim, Derek, eu vou.", o garoto respondeu.
Os quatro saíram do prédio em ruínas e cuidadosamente foram trilhando seu caminho até a base da Resistência, fazendo o melhor possível para não serem vistos pelas máquinas. John não pôde deixar de notar a imensa quantidade de corpos e sangue espalhados pelo chão.
A cor do sangue era vermelha com um carmesim caindo depressa e no momento John queria ser levado pelo vento assim. Ele já havia atravessado tantas barreiras apenas evitando ouvir quem o dizia que o seu amor não era forte o bastante e que o mundo era muito maior. Mas abraçando um futuro tão imprevisível e se atendo a um desejo obstinado, as cores de seu coração que não se desbotam, John ergueria para a luz.
Após uma longa, perigosa, calculada e extenuante caminhada os quatro humanos e o cachorro chegaram a uma duna. Derek fez uma pequena averiguação do território e ao ver que estava "limpo", passou a mão na areia, revelando uma pequena fechadura, na qual ele enfiou uma chave. Assim que rodou a fechadura, ele abriu uma porta escondida sob a terra, revelando um longo túnel, no qual os três entraram e John os seguiu.
Os quatro iam adentrando cada vez mais fundo no túnel, passando por várias pessoas sujas, famílias inteiras aparentemente sem nada para fazer, sem esperanças de dias melhores. Allison notou o olhar de John sobre eles:
"Eles são os 'ratos' de túneis. Pessoas que não participam da Resistência, não são soldados, mas vivem aqui conosco. É melhor você não manter muito contato com eles. Apesar de alguns deles serem ótimos guias, eles poderiam te matar até mesmo por comida. Acredite, isso já aconteceu.".
"Oh! Obrigado por explicar.", John respondeu instintivamente.
"Você é sempre bem-vindo, querido.".
"Então, onde estamos indo?".
"Derek deve estar te levando até nosso superior.".
"Quer dizer que vocês têm um líder?".
"Todos respondem a alguém, John. Até mesmo Derek.".
"E quem ele é?".
"Você já vai descobrir.".
Assim que Allison falou isso, não demorou mais que alguns passos para que eles chegassem à frente de uma porta com dois guardas armados, que John não precisou olhar duas vezes para perceber se tratarem de dois T-600.
Os dois olharam para Derek, que os olhou de volta e falou rispidamente:
"Eu preciso entrar. E ele também.".
Os dois T-600 se afastaram da porta e permitiram com que Derek a abrisse. Ele parou exatamente na porta olhou para John e fez um sinal com a cabeça para que John o seguisse, o que ele fez embora apreensivamente.
A sala era bem modesta: pouca iluminação, algumas cadeiras, uma mesa grande próxima a parede com alguns enfeites em cima, alguns livros em uma estante e mapas espalhados pelo chão e na mesa, e uma cama coberta com lençóis em um dos cantos; mas nenhum sinal de alguém dentro. Enquanto John vasculhava a sala com os olhos, uma voz adocicada surgiu da direção da estante:
"Quem está aí?", a voz perguntou.
"Sou eu... Derek!".
"O que você quer, Derek?".
"Eu achei um de nós andando por aí. Ele quer se juntar a nós. Então, eu o trouxe até aqui para você ver o que ele pode fazer pela Resistência.".
Ao Derek falar isso, John pôde ouvir sons de passos. Aos poucos, foi saindo da penumbra onde ficava a estante uma mulher de estatura mediana, jeito imponente, pele branca e cabelos longos.
"Hum... Que interessante. Quem é você, rapaz? Qual seu nome?", a moça perguntou, examinando o garoto com curiosidade.
"Connor, senhora! John Connor!", John não sabia dizer o porquê, mas tinha a nítida sensação de já ter visto aquela pessoa antes. Isso parecia impossível, afinal, ele havia chegado ali há poucas horas, mas era como se ele a conhecesse. E por mais estranho que soasse, ele tinha a impressão de que ela pensava a mesma coisa pela curiosidade com a qual ela o olhava.
"Derek, você pode nos dar licença?".
"Você tem certeza de que isto é...".
"Por favor, Derek.".
"Tudo bem...", Derek falou quase como uma reclamação.
Assim que Derek saiu, a mulher começou a se aproximar de John. Ela circulou ao redor dele, analisando-o e depois voltou a ficar a frente dele, um pouco afastada e se escorou na mesa.
"Eu me lembro de você, John!".
"Eu... Não creio que isso... Seja possível.".
"Eu tenho certeza que sim... Você me ensinou a amarrar os meus cadarços: 'O esquilo corre ao redor da árvore, depois ele mergulha no buraco e sai do outro lado'.".
De repente John se lembrou de onde a conhecia: ela era a menina no consultório do Dr. Sherman. Ele agora podia ver com clareza a imagem da criança em seu rosto e compará-la com a mulher a sua frente: ela mantinha as sardas no rosto e o cabelo vermelho como fogo, bem como a pureza na voz e o jeito meigo no olhar, ainda que endurecida pela vida que agora ela levava.
"Eu me lembro de você também. Do consultório do Dr. Sherman, você fazia sessões lá com sua mãe. O seu nome é... É...".
"Savannah.", ela completou.
"Isso. Savannah... Desculpe.".
"Não tem problemas, John. Eu lembro que você fazia terapia com o Dr. Sherman junto com sua mãe e sua irmã. Por sinal, sua irmã me dava arrepios. Eles... sobreviveram?".
"Eu perdi contato com a minha mãe há algum tempo atrás. Minha 'irmã' está desaparecida.".
"Sinto muito em ouvir isso, John. Mas... Como é possível que você esteja assim? Você parece que não envelheceu um ano sequer, e naquele tempo eu era apenas uma criança. Você pode me explicar isso?".
"Eu acho que sim, mas não sei se você acreditaria.".
"Teste-me. Eu posso ser mais receptiva do que você pensa.".
"Eu... Viajei no tempo.".
"Hum... Entendo... Você veio do passado para nosso tempo?".
"Isso.".
"E por que você faria isso?".
"Para... salvar minha... 'irmã'.".
"A sua irmã que era um robô?".
"O quê? Como você...".
"Eu era uma criança, John, mas eu me lembro de como ela era. Depois que eu comecei a conhecer Exterminadores, eu me lembrei do jeito dela e liguei os pontinhos. A questão é: por que você fez tudo isso para salvá-la?".
"Porque eu... eu...".
"Você a ama. Eu também lembro como você olhava para ela. Esse tipo de olhar é raro hoje em dia. Mas como sua robô veio parar aqui? Ou melhor: como você tinha uma robô naquele tempo? Antes mesmo da Skynet existir?".
"Eu a mandei do futuro para me proteger.".
"Espere, eu me perdi... Você o quê?".
"Eu era o líder da Resistência no Futuro. A Skynet construiu máquinas do tempo para matar minha mãe antes de eu nascer, mas eu consegui tomar uma base da Skynet que continha uma máquina do tempo e mandei uma pessoa para proteger minha mãe. Como você pode deduzir, eu nasci, mas Skynet continuou a mandar máquinas atrás de mim. Minha 'irmã', Cameron, foi uma das máquinas reprogramadas que eu enviei para me proteger.".
"E como ela veio parar aqui?".
"Ela foi trazida por outra máquina. Ela lutou para me salvar e a maldita máquina a pegou.".
"E como você veio parar aqui?".
"Aparentemente, eu enviei alguns cientistas da Resistência para que eles fizessem uma máquina de tempo no 'presente'; ou ao menos aquilo que eu chamava de 'presente'.".
"Eu imagino que você não tenha vindo para cá para lutar ao nosso lado, mas sim para encontrar Cameron, não é?!".
"Sim. Eu vim atrás de Cameron. É com ela que eu me importo.".
"E você pretende fazer isso sozinho?".
"Se for preciso, sim!".
"John, ou você é louco de pedra ou você está dizendo a verdade e a pessoa mais corajosa e determinada que eu conheço. De que qualquer forma, você pode nos ser útil. Além do mais, eu não sei explicar o motivo, mas eu confio em você. Você pode chamar Derek aqui?".
John imediatamente obedeceu a sua comandante, abrindo a porta e chamando Derek, que entrou e se colocou próximo a John, a frente de Savannah.
"Derek, eu tenho uma nova missão para você e Martin. Agora, você deve seguir John. Ele o dirá o que fazer e aonde ir. Você entendeu?".
"Sim, general. Mas isso é prudente? Ele é apenas um garoto e nós nem o conhecemos direito.".
"Não me chame de general, Derek. Você sabe que não existe hierarquia entre nós. Eu não sou nenhuma líder e nem quero ser. Quanto a John, você confia em mim?".
"É claro que sim, Savannah. Nós todos lutamos por você.".
"Eu confio nele. Você não precisa acreditar nele, confia em mim. Para mim, John é o que eu sou para vocês. Ele é o meu ícone, Derek. Você sabe muito bem que todos nós respondemos a alguém: eu respondo a John.".
"Certo. Eu seguirei e ajudarei John no que ele me pedir.".
"Obrigada, Derek.".
"Mais uma coisa, Savannah.".
"Sim, o que é.".
"Mini Martin está aqui. Ele queria... Falar com você.".
"Oh!", John pôde ver as feições de Savannah se alterando e ficando levemente rubras. "Diga a ele que... Não posso falar com ele agora. Eu... Falarei com ele mais tarde.".
"Certo... Eu direi a ele.".
"Mais alguma coisa, Derek?".
"Não, Savannah. Só isso.".
"Certo. Apresente então as nossas 'acomodações' para John. Não é nenhum hotel de 05 estrelas, mas foi o melhor que conseguimos fazer. Espero que você goste, John.".
"Eu tenho certeza que vou me virar bem.".
Ambos viraram-se de costas para Savannah e saíram da sala, Derek por último e fechando a porta. Assim que ambos estavam fora da sala, Allison e Martin se levantaram e se aproximaram de ambos. Allison foi a primeira a quebrar o silêncio:
"Então, John... Você vai ficar conosco? Você vai se juntar a nós?".
"Sim, parece que vou.".
"Que bom!", Allison disse com um enorme sorriso no rosto. "Aquele" sorriso. "Estou feliz em ouvir isso.". O sorriso de Allison era como uma navalha cortando o coração de John. Por mais que ele o confortasse por lhe fazer lembrar de Cameron, ele sabia que ela não era a sua amada, não importa o quanto elas fossem iguais. Não era a ela que John amava, e aquele sorriso só o fazia lembrar-se de quanta falta ele sentia de sua ciborgue.
"Allison, Savannah pediu-me para apresentar as instalações para John. Por que você não faz isso por mim? Tenho certeza que você será uma guia bem melhor do que eu. Além do mais, eu tenho outras coisas mais urgentes para fazer.".
"Claro, Derek! Eu iria adorar.",ela disse virando-se para John.
Dizendo isso, Derek fez um sinal com a cabeça para John e virou-se de costas, pegando um dos corredores e se afastou deles. Allison pegou a mão de John e falou para ele "Venha, por aqui!" e praticamente puxou-o enquanto andava em direção a outro corredor.
Allison, John e Martin caminhavam pelas dependências dos humanos refugiados e a garota ia mostrando tudo para John: refeitórios, salas, uma pequena "biblioteca", túneis, até chegar aos "quartos" (que na verdade eram uns cômodos com uma porta improvisada contendo uma chapa parafusada na parede que servia de "cama" e um pequeno móvel para se colocar coisas em cima e que continha algumas poucas gavetas).
"Este será o seu quarto, John.", Allison o disse. "O que você acha?".
"É... Ok, eu acho.". Allison deu uma gargalhada.
"É, meio 'morto' não é. Mas nada que um toque feminino não possa consertar. Se você quiser, eu posso arrumá-lo para você.", ela se ofereceu.
"Certo, podemos ver isso depois.".
"Ok. Imagino que você deva querer tomar um banho e trocar de roupa, não é?!".
"Sim, eu gostaria muito disso.".
"Eu vou procurar umas roupas para você. Não saia daqui.", Allison falou e deixou John com Martin, para ir atrás de roupas para ele. Assim que ela saiu do alcance da vista deles, Martin virou-se para John e lhe falou:
"Nunca vi Allison assim. Ela gosta de você. Ela é bonita, cara, e é muito legal, além de uma ótima soldado. Acho que você deveria dar uma chance a ela. Você é um cara de sorte".
"Eu não posso, Martin. Eu já estou namorando alguém.".
"Ah! É mesmo, tigrão? E quem ela é?".
"O nome dela é Cameron.".
"Cameron? O nome não me é estranho. Eu me lembro de ter conhecido uma Cameron quando era criança. Mas é de um tempo de minha infância que eu não consigo me lembrar muito bem; minha mãe disse que foi porque tive um trauma. O fato é que eu não consigo me lembrar de alguns dias de minha infância. Só me lembro de dois nomes: Cameron e Sarah. Elas me ajudaram a escapar de um seqüestrador, mas não lembro nada mais que isso. Rostos, vozes, tudo foi meio que bloqueado. Mas eu lembro que gostei muito de Sarah, me sentia seguro com ela.". Logicamente John sabia de quem ele estava falando. Ele era o Martin que Cameron e Sarah foram salvar de um Exterminador que estava atrás do Martin que ajudaria John com estratégias militares no futuro.
"Não creio que você a conheça. Se você não me conhecia, com certeza não vai conhecê-la.".
"E onde ela está agora?".
"Nós... Nos perdemos um do outro há alguns dias atrás, enquanto lutávamos com alguns metais. A esta altura, eu imagino que ela já esteja como prisioneira em algum campo de concentração. Eu estava procurando por ela quando vocês me acharam. Eu imagino que ela deva estar por aí. Espero que ela esteja bem.".
"Cara, eu sinto muito. Se você precisar de alguém para te ajudar a achá-la pode contar comigo. E com Derek também: ele tem esse jeito meio durão, mas tem um bom coração. E acima de tudo, ele odeia ver um de nós nas mãos das máquinas. Se deixassem, ele iria em todos os campos de concentração sozinho e tentaria tirar todos de lá.".
"Muito obrigado, Martin. Isso significa muito para mim.".
"Não tem de que, John. Me diga uma coisa: você a viu?".
"Quem?".
"Savannah. Você a viu?".
"Sim.".
"Ela é linda, não é?!".
"Sim, eu creio que sim.".
"Derek a avisou que eu queria falar com ela?".
"Sim, ela disse que não podia te atender naquela hora e iria te atender depois.".
"Sei...".
"Me diga, Martin: como Savannah virou a líder de vocês?".
"Na verdade, a mãe dela, Catherine era a líder de nossa célula da Resistência. Desde o Dia do Julgamento, ela andou agrupando os humanos que achava e criou esta nossa célula e conseguiu contato com várias outras pessoas espalhadas pelo mundo que também lutavam com as máquinas. Ela virou uma espécie de ícone da Resistência não só para nós daqui, mas para todos. Há uns dois anos atrás, ela infelizmente morreu e Savannah 'tomou seu lugar'.".
"Como ela morreu? As máquinas a pegaram?".
"Não, ataque cardíaco. Ela não deu às máquinas o 'gostinho' de tocarem nenhum dos seus dedos vis de metais sequer em um dos fios de seu cabelo vermelho.".
"Sinto muito. Mas e Savannah? Ela é a líder, agora?".
"Sim, ela é nossa líder. Nós lutamos e morremos por ela.".
"Mas ela disse a Derek que não era líder de vocês.".
"Porque ela não acredita nisso de um ser humano 'mandar' em outros. Ela quer que nós a vejamos como uma igual. Ela não pediu para ser nossa líder, nós é a que vemos assim. Ela pode não ter escolhido isso, mas nós a escolhemos. Ela pode não se achar nossa líder, nossa general, mas ela é! Porque nós confiamos nela e a seguiríamos sempre e a todo lugar, até mesmo à morte. Isso é que é ser um líder.".
"Mas... Existe algo entre vocês dois?".
"Bem... É complicado... Nós já ficamos juntos algumas vezes, quando Catherine estava viva. Mas depois que ela morreu, Savannah começou a carregar todo o peso do mundo nas suas costas e não me deixou ajudá-la a carregá-los. Ela diz que é perigoso para nós mantermos um relacionamento e que não suportaria me ver machucado. Mas... Eu a amo, e sei que ela me ama também.".
"Martin, a melhor coisa que eu posso te falar é para que você não desista. Eu demorei muito para perceber o que sentia por Cameron e mais tempo ainda para aceitar meus sentimentos. O tempo que passamos juntos foi o melhor de toda minha vida e agora que estamos separados, não passa um só segundo sem que eu não me arrependa profundamente de não ter ficado com ela desde que eu percebi que a amava. Eu não quero isso para você ou Savannah.".
"Quanto a isso você pode ficar tranqüilo, John. Eu nunca desistirei dela.".
"Fico feliz em ouvir isso, Martin.".
Após John falar isso, ele viu Allison se aproximando dos dois e eles rapidamente pararam de falar, observando-a até ela chegar ao lugar onde eles estavam.
"Estou atrapalhando alguma coisa?", ela perguntou para os dois, ao perceber a abrupta interrupção na conversa.
"Não, não. Nada importante.", Martin respondeu.
"Sei. Então, John! Aqui estão roupas limpas que acho que serviram em você. Se você quiser tomar um banho e vesti-las.".
"Sim, eu quero, mas... Aqui não tem chuveiro.".
"Oh! É verdade. Bem, tem um no meu quarto. Se você quiser usá-lo... Eu o empresto para você.".
"Eu... Vou deixar vocês a sós.", Martin falou. "Até mais John. Não se esqueça de minha proposta. Qualquer coisa, pode me avisar.", ele falou, virando-se para os dois e indo embora.
"Então, John?! Você vai querer usar o chuveiro?".
"Hum... Sim, eu vou!".
"Então venha comigo até meu quarto.". Ela se virou e seguiu, mas percebeu que John não foi junto com ela. Allison, então, se virou e disse para John, em um tom jocoso: "Calma, John, eu só estou lhe emprestando o chuveiro que está no meu quarto. Não vou entrar no chuveiro com você ou pedir que passe a noite em meu quarto.".
"Ce-certo...", John respondeu, encabulado.
Eles tomaram seu passo pelos corredores até o quarto de Allison: era um pouco maior que o de John, mais limpo, arrumado e tinha um "banheiro".
"Bem razoável, hein?!", ela perguntou.
"Realmente. Muito melhor que o meu.", John respondeu. Allison riu e lhe disse:
"É como eu já te disse, John: nada que um toque feminino não resolva. Eu percebo que falta um toque feminino em sua vida. Nós podemos trabalhar nisso, depois.".
"Eu acho melhor eu ir tomar logo meu banho.", John desconversou.
"Certo... O chuveiro é bem ali, como você pode ver. O banheiro não tem porta, então, eu vou para o seu quarto. Ok?".
"Ok. Assim que eu acabar aqui eu irei para lá.".
"Eu estarei esperando ansiosamente." ela respondeu com um tom provocativo e um sorriso malicioso. Aquele sorriso... Cada vez que ela sorria era uma aflição para John.
Allison deixou John a sós, no quarto dela e saiu fechando a porta. John olhou rapidamente pelo quarto para ter uma noção melhor sobre aquela menina, a "origem" de Cameron. A semelhança era notável: o jeito de se vestir, o esmero com que cuida da aparência, a decoração do quarto. Parece que Cameron não havia "herdado" só a aparência de Allison, como algumas de suas características também. Todas iguais e tão desiguais!
John tirou suas roupas e dirigiu-se ao chuveiro, ligando-o e verificando a temperatura da água: ela estava fria, como tudo neste tempo... Tudo era frio, faltava calor. O calor que John constantemente sentia ao lado de Cameron e que não sentia ao lado de Allison ou de qualquer outra pessoa ou máquina.
Ele tomou coragem e entrou embaixo d'água, rezando para que as gotas que caiam lavassem sua alma, levassem embora tudo que John sentia: seu sofrimento, a falta de ele constantemente sentia, medo, dor, tristeza. Saudades! A água que caia do chuveiro poderia lavar tudo isso? Levar todos esses sentimentos para o ralo? Provavelmente não, mas isso não impediria John de esperar por isso.
Esse tempo era estranho. Era esse o futuro que o aguardava? O futuro do qual ele tentou fugir? Não, não podia ser! Porque em todos os futuros possíveis que John pensou, em todos Cameron estava ao seu lado. Fosse lutando contra a Skynet, fosse impedindo a guerra de começar e vivendo o resto da vida em paz, fosse morrendo em missão: de todas as formas, não havia um futuro para John sem Cameron.
O que era isso que ele vivia agora, então? "Não é o futuro, é o presente. Meu futuro é com Cameron, voltando ao passado. Ela é meu passado, meu futuro e será meu presente de novo.". De fato, era para isso que John estava aqui: foi por ela que ele trocou seu presente ao lado de Derek e Sarah por esse estranho "presente no futuro", longe de tudo e de todos. Foi por Cameron que ele adiantou algo do qual ele tentou fugir a vida toda: a guerra. Por ela ele lutaria e seria um general. Por ela ele mudaria o passado, o presente e o futuro. Por ela, ele iria até o futuro.
John se lembra muito bem, como se fosse amanhã, o Sol nascendo sem saber o que iria iluminar. Ele abriu seu coração como se fosse um motor e na hora de montar, sobraram peças pelo chão. Mas mesmo assim ele foi à luta, ele quis pagar para ver. Aonde leva essa loucura? Qual a lógica do sistema? Quais seriam nossas armas? O que diziam os poemas? Afinal de contas, o que o trouxe até aqui? Medo ou coragem? Talvez nenhum dos dois... O tempo nos faz esquecer o que nos trouxe aqui. Mas John se lembra muito bem, como se fosse amanhã.
Á água caindo do chuveiro não poderia lavar o sofrimento de John, pois desde que ele não esteve ao lado de Cameron, ele rezava por tempestades para esconder as lágrimas que ele tentava esconder.
Assim como Cameron por diversas vezes chorou por ele, até mesmo ao declarar seu amor da primeira vez, agora era a hora de John chorar por Cameron. E foi o que ele fez agora: chorou por Cameron. E passou bastante tempo chorando por ela, até as lágrimas se misturarem com a água que o banhava.
Estar ali, tomando banho no quarto de Allison, não ajudava na compreensão de John, nem tornava a situação mais fácil. Em verdade, tornava tudo mais difícil. Afinal, ficar com Allison era o mais fácil: ela estava interessada, ela era humana e era igual a Cameron. Realmente era o mais fácil, mas... ela não era Cameron, por mais que ela fosse fisicamente igual a ela. Allison não tinha vivido com John, não possuía a inocência que Cameron tinha, não tinhas as dúvidas sobre as coisas mais básicas da vida, não precisava de John para lhe explicar o mundo, não havia lutado ao lado, não confiava nele como ela. Não tinha por ele os sentimentos que Cameron tinha. Não, ela não era Cameron! E por mais que ela fosse a escolha fácil, John não a faria. Ele já havia feito a escolha mais difícil ao atravessar o tempo e não iria "facilitar" tudo agora. Como ele mesmo já havia dito: ele sempre escolheria Cameron!
John desligou o chuveiro, se enxugou e colocou a roupa que Allison havia lhe entregado. Ele saiu do quarto dela e pôs-se a caminho do seu, passando pelos corredores e observando cada centímetro das instalações; ele não podia evitar, era um de seus vícios, ensinado por Sarah: sempre analise o ambiente a procura de saídas, passagens e ameaças.
Depois de caminhar um pouco, ele parou em frente à porta do seu quarto, que estava fechada, mas dava para ver uma parca iluminação pela fresta entre a porta e o chão. John ficou alguns segundos parado, sem abrir a porta ou adentrar no quarto: ele sabia quem estava lá dentro e o que ela queria. Ele sabia que ela não desistiria facilmente e que ele devia ser forte e manter a sua escolha com convicção, ele não podia fraquejar.
Mas era mais fácil falar do que fazer, ainda mais com alguém que era praticamente igual à Cameron. Ele iria conseguir? Só havia um jeito de descobrir.
Residência dos Connor (Manhã, 2007).
O dia amanheceu e Sarah já estava de pé, sentada no sofá da sala, com um copo de uísque na mão e uma arma em cima de um criado-mudo. Ela estava esperando por ele, que havia sumido no meio da noite e até agora não havia retornado. E ele não havia ido sozinho, Sarah já havia percebido isso também. Ela tinha uma idéia do que eles foram fazer e isso a deixava ainda mais apreensiva. Essa seria uma conversa difícil.
Sarah ouviu o barulho do carro sendo estacionado e alguns segundos depois Derek entrou em casa, rápido e com jeito afoito. Assim que ele adentrava a sala, encontrou Sarah em pé, com uma arma apontada para ele.
"Você quer me matar de susto, Sarah?".
"Acredite, Derek, se eu for matar você, não será de susto. Você tem dois minutos para me dizer o que foi fazer no meio da noite com John e onde ele está.".
"Sarah, abaixe essa arma e vamos conversar como adultos.".
"Um minuto e quarenta e cinco segundos. Eu não estou brincando.". Derek percebeu a obstinação no rosto de Sarah e deu um suspiro antes de começar:
"Você tem mesmo certeza que quer saber? Você não vai gostar da verdade.".
"Qual parte do não estou brincando você não entendeu, Derek?", ela falou com tom de voz alterado e pressionando um pouco do gatilho com o dedo.
"Eu o ajudei... A ir atrás de Cameron.".
"Você o quê?", ela gritou. "O que você tem nessa sua cabeça, Derek?! Como assim você o ajudou a ir atrás de Cameron? Ela foi para o futuro, como ele pode ter ido atrás dela?".
"Eu tinha uma máquina do tempo.".
"O quê? E você não achou que nós tínhamos de saber disso? Não achou que isso era importante?".
"John me disse para não contar para ninguém, nem mesmo para ele, enquanto a hora não chegasse.".
"Você quer dizer então que... John... Foi para o futuro atrás de Cameron e você o ajudou? Você ajudou meu filho a ir atrás da 'vadia de metal', como você a chama.".
"Sim.".
"Você está louco, Derek?! Você perdeu o juízo? Você deixou John ir ao futuro sozinho? Você levou John para longe de mim? Eu podia matar você agora por isso. Eu devia matar você agora mesmo por isso.".
"Sim, você podia. Mas você não vai, porque você sabe que essa foi a coisa certa.".
"Não faça jogos comigo, Derek! Você não tinha o direito de fazer isso comigo, de fazer isso com John.".
"Eu tive bons motivos para fazê-lo.".
"E por que você fez isso? Por que você o tirou de mim? Você me traiu, Derek.".
"Eu não gostei disso mais do que você, Sarah, mas tinha de ser feito. Você sabia que mais cedo ou mais tarde teria de abrir mão de seu filho para que ele se tornasse o General. Mas você também sabe que não seria eu ou você que o transformaríamos nesse guerreiro, nesse líder; nossa parte nisso já havia sido feito. O resto era com ele... E Cameron. Ele já havia dito que iria embora por ela e foi o que ele fez. Eu sou um soldado a serviço da Resistência, a serviço de John. Minha missão era lhe dar a máquina do tempo quando ele precisasse: foi o que eu fiz. Eu deixei com que John fizesse a escolha certa para ele... Para nós... Para toda raça humana. Eu fiz com que John pudesse se tornar o General que ele deve ser. E só ao lado de Cameron ele pode fazer isso. O que eu fiz foi salvar John... E nós.".
Sarah, ao ouvir as palavras, abaixou a arma e começou a chorar copiosamente. Derek nunca havia a visto chorar e era estranho ver aquela pessoa que parecia uma fortaleza assim tão frágil, vulnerável, tão... Mulher. Ele se aproximou dela e a deu um abraço, encostando a cabeça dela em seu ombro, para que ela pudesse usá-lo para chorar. E foi o que ela fez: chorou nos ombros de Derek, molhando toda a camisa que ele usava e finalmente encontrando, após muito tempo, alguém com quem chorar. Derek começou a passar a mão pelos cabelos de Sarah e disse quase como um sussurro.
"Ele pediu que eu a dissesse que foi a escolha dele e que ele te ama.". Sarah chorou ainda mais forte ao ouvir as palavras que Derek a dizia.
"Eu também te amo.", foi a resposta de Sarah.
Nota do Autor: Elizabeth Dane é o nome de um famoso navio fantasma (não no sentido de assombrado, e sim um daqueles navios que saem do porto, mas nunca chegam ao seu destino, se perdendo no oceano e nunca mais são encontrados em lugar nenhum). Pode-se ver referências a ele no filme "The Fog" (no Brasil, "A Bruma Assassina") lançado por John Carpenter em 1980, bem como no jogo de RPG para computador: "Vampire: The Masquerade – Bloodlines". Como até hoje não se encontrou o navio ou a sua carcaça, nem se tem ao menos notícia do que aconteceu com o navio, o nome "Elizabeth Dane" virou uma expressão para designar algo que não pode ser encontrado. Acho que isso explica o título.
Peço desculpas pela demora na atualização, mas com o fim de ano as coisas ficaram uma loucura por aqui. Pretendo voltar ao ritmo de atualização normal!
Abraços para as pessoas usuais: aos leitores, à comunidade Jameron do Orkut, à Veri (por mesmo depois de ver o baixo nível do resultado ainda insiste em me deixar escrever o plot por ela desenvolvido) e à Marina (por ter a paciência de revisar).
