N/A:
Novamente, agradeçimentos super-ultra-mega especiais a Salina Angel Kail pelo comentário. E desculp e pela demora i . i
Mas fico feliz que a história tenha voltado a fazer sentido pra você . ^^
P.S: O fanfiction tá de TPM hoje ¬¬
-
Mistakes
- Capítulo 3 -
O vento soprava tenro, ondulando a grama e a transformando num infinito mar verde. Acima deles apenas o céu escuro – como que fechando os olhos para o que acontecia – e as estrelas, brilhando ávidas pela novidade. A lua, majestosa em sua forma mais completa do ciclo, parecia mais próxima do que nunca, seu brilho altivo – porém, para o mais velho, maculado – dando uma doce impressão de inveja.
Sim, inveja. Pela primeira vez ele era invejado por algo que não força e poder. E isso era graças ao jovem de cabelos azuis, anjo de asas negras que mantinha nos braços. O calor de seu interior ainda a lhe envolvia, a semente escorrendo tímida pela pele aveludada.. . Perfeito.
Hao respirou fundo, tentando se recuperar das emoções passadas. Fora tão intenso, tão certo, que simplesmente não sabia como conseguira viver por tanto tempo sem conhecer tal prazer. Por um momento até mesmo sua busca pelo Grande Espírito ficou ofuscada, deixada de lado para que alcançasse o mais sagrado e oculto nirvana.
Porém, por mais que quisesse permanecer nesta posição para sempre – ou, pelo menos, por mais alguns minutos – o dono dos fios azuis logo se moveu, desconectando os corpos para descansar no peito do mais velho. Orbes dourados se abriram, brilhando em toda a sua glória, tão intensos que fariam até mesmo o rei de todos os astros parecer pequeno e desbotado.
Mais alguns instantes foram passados em total silêncio antes que a conversa finalmente começasse. O shaman de olhos castanhos entretanto, sentiu um estranho calafrio brincar com sua espinha. Algo estava errado.
- Tudo bem? – tentou parecer sarcástico mas, no fundo, estava preocupado. Sentia o corpo sobre si começar a esfriar, apesar de ambos ainda estarem suados e ligeiramente arfantes.
O shaman de olhos dourados apenas sorriu de canto, fazendo surgir um pequeno frasco de vidro em suas mãos como num truque de mágica. Seu companheiro o encarou, não sabendo aonde queria chegar exibindo uma vidraria vazia.
- Os Tao são assassinos. Nós usamos qualquer tática para alcançar nosso objetivo. Podemos tanto desafiá-lo abertamente para um combate como envenena-lo quando não estiver mais olhando. – por toda a fala, o tom era de extrema malícia. Um gato encurralando o rato com gosto.
- E você me envenenou? – os orbes castanhos, quase negros, brilharam de forma enigmática. Era como andar no fio de uma lança, cada passo oscilando mais do que o último. Se por um lado o perigo lhe deixava excitado, por outro a idéia de que poderia ter sido traído lhe feria, tentando abrir um buraco no coração recém-cicatrizado.
- Não. – veio a resposta casual, como se tais palavras houvessem sido ensaiadas horas antes – Eu não envenenei você, Hao.
Como que para sanar a dúvida, o corpo do Tao estremeceu, a temperatura baixando ainda mais. O Asakura prendeu a respiração sem sequer perceber, a mente ágil voando pelas possibilidades. Aquilo estava realmente acontecendo? Mas, eles se amavam, não? Então por quê..?
- Eu deveria me importar com isso? – o shaman de cabelos castanhos disse com descaso, tentando esconder o pânico crescente que tomava seu peito como um câncer. Por que seu amado fizera isso com ambos, logo na primeira noite em que passavam juntos? Havia esperado tanto, tomado todos os cuidados para ser perfeito. Nem mesmo os espíritos que lhes protegeram até então estavam por perto.
Não havia porque temer o herdeiro dos Asakura. Não agora.
Principalmente não agora.
Porém, por mais que este julgasse todas as suas reações escondidas e impossíveis de se identificar, para o sucessor dos Tao não fazia a menor diferença. Para ele, Hao era e sempre seria um livro, quer este gostasse ou não. Bastava apenas ter coragem e carinho o suficiente para passar pela dura e grossa capa e as páginas lhe seriam reveladas facilmente, implorando por um toque amoroso em suas frágeis folhas.
Contendo-se para não sorrir ante o pensamento, o shaman de cabelos azuis se moveu, escondendo o rosto no pescoço de seu amado. Os calafrios se tornavam mais freqüentes, estremecendo os músculos fortes de novo e de novo.
- Quero que me prometa uma coisa. – sussurrou no ouvido do Asakura, soprando as palavras de tão leve que as pronunciava.
Hao não disse nada. Apenas envolveu o outro num abraço, tentando aquece-lo novamente. Nunca admitiria, mas lutava contra as lágrimas a cada respirar.
- Eu sei...que não posso impedir que mate Yoh... – aceitar isso doía demais entretanto, que outra alternativa poderia ter? Seu amado e seu melhor amigo iriam lutar, era um fato. Não se faria de tolo, acreditando que poderia mudar isso. Sabia o que iria acontecer. Sabia quem iria vencer.
Que o mundo lhe chamasse de egoísta, mas ele preferia ferir seu coração com a morte do amigo que condenar sua alma ao perder seu amado.
- Mas eu não quero...que machuque os outros... – tremor intenso. Gemido de dor, contido entre dentes cerrados. – O leve pra longe, crie uma barreira...não importa...só não os machuque...
Hao se moveu, invertendo as posições. Pegos de surpresa, os orbes dourados se arregalaram, deixando que o jovem de cabelos longos mergulhasse neles. Inútil. Só o que viu foi amor.
- Ren. – sussurrou o nome como prece, a luta em seus olhos cada vez mais evidente. Não sabia o que sentir! Parte de si queria prometer tudo que o outro quisesse entretanto, uma vozinha em sua cabeça continuava insistindo para não se submeter, para não deixar que outra pessoa tenha tanto poder assim sobre si.
- Me prometa...e eu também não me envolverei...
O coração do shaman de fogo pareceu falhar uma batida, enviando dor para cada canto de seu ser. Essa era justamente a parte de seu plano que mais lhe preocupava. Como garantir que o fiel guerreiro abandonasse a luta para ficar em segurança enquanto cumpria seu destino e se tornava completo novamente? Como afastar o poderoso mestre da lança do combate inevitável, sem feri-lo nem magoá-lo?
A resposta, ao que parecia, residia no frágil pedido sussurrado.
Precisava fazer essa promessa.
Ao menos isso devia ao único que jamais lhe temera.
- Eu prometo. – respondeu por fim, num tom baixo e solene – Fique com seus companheiros. Podem até me seguir, sei que o farão. Ninguém irá atacá-los.
- Ninguém? – indagou, ainda um pouco receoso. Havia muito em jogo para se dar ao luxo de ser trapaceado.
- Ninguém. – respondeu sem hesitar, tentando mostrar o quão firme estava em sua decisão.
- Obrigado. – e ergueu-se nos cotovelos, tomando os lábios do shaman de cabelos castanhos. Este porém, logo o afastou.
- O antídoto? – era notável a exigência na voz, sempre tão controlada. Estaria o mais forte candidato ao trono de rei shaman perdendo seu tão férreo controle?
O herdeiro dos Tao sorriu provocante, seus olhos brilhando como sóis repletos de malícia.
Os calafrios haviam cessado. A temperatura de seu corpo subindo devagar.
- Que antídoto? Por acaso você me envenenou, Hao? – e com isso passou a atacar o inocente pescoço ao seu alcance, ansioso pelo quanto do verdadeiro Hao poderia ver ainda esta noite.
O resto se desfez, perdido entre gemidos e carícias.
XxX
Arregalou os olhos, finalmente entendendo o que, por tantos anos, estivera bem a sua frente. Era isso, não era? Tinha que ser!
Caiu de joelhos, lágrimas correndo livres por seu rosto. Como pudera culpar seu amado por um erro que era apenas seu?
- Ren...
Perdão.
