~•○•~ VIDA E MORTE ~•○•~

Por: DennySakura

__Prefácio__

Eu nunca tive medo da morte.

Mesmo agora que sinto a lâmina gélida e afiada arranhar minha garganta; mesmo sentindo meu corpo tremer com aquela voz assustadora a sussurrar no meu ouvido, dizendo que beberia o meu sangue após derramá-lo, eu não tinha medo.

Morrerei por ele...

Pelo homem que amo.

Não existiria jeito melhor de partir...

Num breve momento, ainda sentindo arder a pele sensível do meu pescoço, por onde escorria uma gota de sangue, eu vi o rosto dele...

Tão sereno e ao mesmo tempo tão profundo eram seus olhos negros a me fitar. Os olhos que tinham o poder de me enfraquecer, de desnortear minha mente, de fazer meu coração acelerar no peito. Os olhos que me confortavam naquele momento, me fazendo lembrar apenasdele, somentedele...

Muitos dizem que quando estamos prestes a morrer, nossa vida passa diante dos nossos olhos.

Não para mim.

Eu vi apenasele.

Não porque minha vida foi inútil, sofrida e sem graça.

Foi só porqueele é a minha vida.

Uchiha Sasuke.

A pessoa que por culpa do destino, entrou na minha existência, tomando-a para si.

_Capítulo I: Zero Nove

Seus olhos ansiosos passavam pelo relógio da sala de espera a cada intervalo de tempo. Faltavam apenas quinze minutos para o término de seu turno no hospital. Apenas quinze minutos para sair daquele ambiente que nos últimos dias, pareciam torturá-la.

Levou a xícara de café até os lábios, engolindo todo líquido, sentindo-o descer pela garganta, sorvendo seu sabor quente e doce. Não gostava de café, mas com o trabalho cansativo a cafeína mantinha seus olhos abertos. Seu organismo já se acostumava com a rotina que ela mesma impôs para si.

Absorta de seus pensamentos segurava a xícara, já vazia, mantendo os olhos num ponto qualquer da pequena sala onde estava. Uma mulher, que aparentava muito mais idade, estava numa cadeira estofada do lado oposto ao dela, encostada na parede, tão entregue aos pensamentos quanto ela. Usava um vestido azul turquesa, tão comprido quanto os seus cabelos grisalhos jogados por cima dos ombros. Suas mãos apoiadas nas pernas, apertavam ora o vestido, ora os próprios dedos. Seu nervosismo estava estampado nas suas feições.

Um gemido de choro chamou atenção de Sakura. Ela fitou a silhueta da senhora aflita, escondendo um desespero que aparentava corroê-la por dentro. Certamente estaria ali esperando notícias de algum familiar.

Sakura xingou a si mesma. Tantas pessoas, como essa senhora à sua frente, com verdadeiros problemas nas suas vidas, e ela lamentando-se da sua falta de sorte, por eleter cruzado o seu caminho novamente.

-Haruno? – uma voz fina e aveludada ecoou nos ouvidos dela, preenchendo o silêncio da pequena sala. – Finalmente a encontrei.

-Precisa de alguma coisa, Kariumy-sama? – ela ergueu o cenho para a mulher robusta parada na entrada.

Ela usava uma vestimenta completamente branca, realçando as cores dos seus cabelos negros e dos seus olhos castanhos dourados. Suas sobrancelhas finas destacavam-se no seu rosto simétrico e delicado, fazendo jus a sua beleza bem cuidada.

A médica se aproximou de Sakura com passos macios e um leve sorriso cínico nos lábios avermelhados.

-Eu sei que o seu turno está acabando, mas o paciente do zero nove precisa que os curativos sejam trocados. – sua voz fina saía da sua boca baixa e suave.

Sakura já esperava por isso. Kuroi Kariumy, uma médica bem sucedida e dedicada ao trabalho, fazia da Haruno sua escrava. O motivo? Sakura adoraria descobrir.

Suas colegas de trabalho diziam ser inveja. Mas como inveja? Inveja de Sakura? Uma médica linda e bem sucedida como ela teria inveja de uma simples enfermeira? Não. Poderia ser tudo menos inveja. Kariumy não foi mesmo com a cara da rosada desde que ela foi transferida para o hospital de Dagarashi.

-Quarto zero nove? – ela havia entendido direito?

-Hai, o quarto do seu amigo baleado. Lembra-se que o transferimos para o zero nove?

Sacudiu a cabeça. Claro que se lembrava. Entrou naquele quarto, várias vezes durante os últimos dias. Kariumy não poderia pedir para outra? Claro que não. Ela adora torturá-la e Sakura não pode retrucar as suas ordens.

Mostrou-lhe um sorriso amarelo, saindo do pequeno cômodo em passos rápidos.

Antes de sair da sala ainda pôde ver o relógio novamente. Meia noite em ponto. Seu horário de voltar para casa. O que mais queria era voltar para o seu pequeno e aconchegante apartamento. Não garantia nada que conseguiria dormir, mas ao menos tentaria e estaria longe dali, longe dele...

Apressou os passos pelo corredor.

~Flashback On~

Era mais uma noite normal como qualquer outra noite de trabalho no hospital. Meu turno acabaria às doze horas da noite, como sempre.

Desci as escadas do térreo norte, seguindo na direção da saída do hospital. Estava tudo tranqüilo naquela noite. Não havia muitas emergências.

-Boa noite, Aoi-chan! – cumprimentei a recepcionista seguindo até a porta de vidro.

Do lado de fora, três paramédicos removiam um paciente de dentro da ambulância. Eu abri a porta para eles que o traziam numa maca. Meus olhos por curiosidade, eu acho, desceram para a silhueta na maca que adentrava as portas de vidro.

Passaram os seus pés, suas pernas, logo depois o abdome molhado por seu sangue. A camisa estava mergulhada em vermelho.

Foi então que vi o seu rosto. Tão pálido tão sereno. Os olhos entreabertos, estavam perdidos como se ele sonhasse acordado.

Meu coração disparou.

"Sasuke...?"

Meus olhos estariam mentindo? Foi tudo tão rápido! Talvez seria só mais uma imagem dele perdida na minha cabeça...

Infelizmente não era.

Corri em direção aos paramédicos que adentravam o corredor da emergência. Procurei o rosto dele mais uma vez. Não poderia ser ele! Eu dizia a mim mesma.

O que parecia ser uma multidão de médicos se ajuntou ao redor dele. Eu não olhei para os rostos de nem um deles. Eu estava procurando o rostodele, o rosto deSasuke...

Segurei no ombro de alguém que estava tapando minha visão e me coloquei nas pontas dos pés.

Era mesmo ele... Eu não estava ficando louca.

No momento não me perguntei o que ele fazia em Dagarashi, muito menos como veio parar no hospital. Ele estava gravemente ferido. Todo aquele sangue derramado sobre o seu corpo, me deixou apavorada.

-Sakura-san? – ouvi uma voz conhecida, mas os meus olhos não queriam se desviar de Sasuke. – O que está fazendo?

Uma mão fria me segurou pelo braço, e eu apenas observei o corpo dele sendo levado para dentro da sala de emergência.

-Sakura-san? Você o conhece?

-Dr. Sasori? – olhei para ele depois que a porta se fechou.

-Você está bem? Parece pálida...

-O que... O que foi... – eu não conseguia sibilar as palavras direito. – O que houve com aquele paciente?

-Ele foi baleado no peito... – ouvi a voz aveludada e confortada de Sasori-sama. Ele percebeu o meu desespero. – Você o conhece, Sakura-san?

-Hai... – tentei segurar o choro.

Só senti a parede fria nas minhas costas. Levantei a cabeça e respirei fundo.

-Respire... – as mãos de Sasori seguraram nos meus ombros.

Abaixei a cabeça para fitá-lo e o seu rosto estava a poucos centímetros do meu. Me sentir ruborizar com aquela proximidade e abaixei a cabeça.

-Está melhor? – ele sussurrou.

-Hai... – me afastei dele, olhando em direção a porta do quarto onde Sasuke estava.

-Vá trocar de roupa. Vou ver como ele está. Aguarde por mim na sala de espera.

Ele seguiu em direção à sala de emergência. Trocar de roupa?

Só então olhei para mim mesma, minha roupa estava suja do sangue dele... Suja do sangue do Sasuke.

Saí apressadamente para o vestiário, coloquei meu uniforme verde-limão de enfermeira e esperei por Sasori, assim como ele me pediu.

Passaram horas e horas. Eu não saberia dizer quanto. Sasori-sama teria se esquecido de mim?

Quando saía da sala de espera eu o encontrei.

-Ele está bem? – fui rápida.

-Aparentemente sim. – ele respondeu com um sorriso amarelo.

-Aparentemente? – repeti. Entendia muito bem toda a "enrolação" de médicos.

-A bala não perfurou nem um órgão, por sorte.

Respirei aliviada.

-Mas... – ele continuou. – Ele perdeu muito sangue. A família ainda não apareceu e nós não sabemos o seu tipo sangüíneo. Até sair os resultados...

-AB positivo. – afirmei. Ele arregalou os olhos.

-Tem certeza? - ele se admirou com a minha confiança. – Ele...

-Ele é um... Amigo de infância. Nasceu em Konoha assim como eu.

-Sorte a dele... Sorte ter você como amiga. - fitei os olhos carinhosos dele. – Você salvou a vida dele, Sakura-san...

Novamente senti minhas bochechas esquentarem. Sasori-sama sempre me deixava sem graça.

-Busque uma bolsa de sangue AB positivo para ele. – ele disse retirando aquele olhar de mim. – Ele vai ficar bem agora, não se preocupe.

-Hai...

Sasuke ficou desacordado por uma semana.

~Flashback Off~

Sakura chegou ao oitavo andar onde estava o quarto zero nove. Seus passos diminuíram quando avistou a porta no final do corredor.

Caminhou até lá, implorando para que ele não estivesse acordado. Trocaria seus curativos sem que ele percebesse a sua presença, assim como foi durante toda a semana.

Sua mão segurava a maçaneta, hesitando em abri-la. Seus olhos percorreram o quarto pouco iluminado, pela pequena janela da porta. Parecia tudo quieto. Ele não estava acordado.

Adentrou o quarto, indo primeiro ao armário de curativos. Seus olhos sempre eram tomados por ele, fazendo-a se lembrar do passado. Tudo que menos queria agora era se lembrar do passado. Se lembrar dele...

O que de fato era impossível.

Quando parou de frente para a cama onde ele estava, seus orbes procuraram o rosto do moreno que ela jurava ter esquecido.

Mas não se esqueceu.

Seu rosto estava exatamente como ela se lembrava. Talvez um pouco mais amadurecido, mas era o mesmo. Seus cabelos negros também estavam do mesmo jeito, assim como a sua expressão, quando ele ficava inconsciente.

Seu corpo se moveu para mais próximo dele. Os curativos ficaram em cima da prateleira ao lado da cama, pois suas mãos necessitavam tocá-lo novamente.

Tocou o braço dele, alisando a pele clara e fria, como se ele precisasse do carinho dela. Seus dedos percorreram o caminho do braço para os ombros, subindo pelo pescoço, parando na sua mandíbula. Sua mão acariciou aquela região, onde seus lábios já haviam beijado no passado.

A saudade bateu em seu coração. Como queria sentir aquele corpo quente junto ao seu, do mesmo jeito que sentia nos seus sonhos, nas suas lembranças.

Seus dedos, agora retiravam os fios negros que lhe cobriam a testa.

Involuntariamente seu corpo se inclinou para mais perto. Seus lábios beijaram-lhe a testa e o cheiro dos seus cabelos pareciam inebriá-la.

O que ela estava fazendo?! Ele poderia acordar a qualquer momento! Não queria que ele a visse, não queria ouvir sua voz mentirosa de novo!

Tarde de mais.

Um gemido de dor. Sakura se afastou imediatamente quando ele se remexeu na cama.

Permaneceu paralisada. O coração aos pulos.

Sasuke entreabriu os olhos, fitando o teto. Depois seus orbes negros percorreram o quarto, parando na silhueta da rosada que o fitava.

-Sa... Sakura...?