Ainda Te Amo
Dobrei todas as esquinas
Fugindo do teu olhar
Amordacei emoções, carinhos
Sequei meu pranto, coração
Segui por estradas íngremes
Deixando meus rastros de solidão
Engoli tuas regras, prescrições
Em seco, cruzei pântanos
Arrisquei-me, escalei montanhas
Fechei os olhos, diante do medo
Perdia-me de mim, sofria
Fui me deixando, sombra
Pássaro cativo em céu aberto
Queria-te, abraçava-te no meu frio
Nos lençóis do meu pensamento
Cobria meu corpo com o teu
Pedi ao tempo guarida
Deitei-me no colo da esperança
Espera infrutífera, inútil
Não voltaste para sonhar comigo
Mas ainda agora, meu coração
Teima em dizer: te amo...
(by: © Nandinha Guimarães)
_Capítulo III:O 100º Alvo
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Tentou fazer daquele dia o mais normal possível. Chegou no mesmo horário que de costume. Tomou o seu desprezível líquido preto cheio de cafeína que a mantinha acordada durante o trabalho, depois começou com os afazeres que sempre tivera naquele hospital desde que começara a trabalhar ali.
As horas simplesmente não passavam. Fazia tudo com muita dedicação, mas sua mente se direcionava para um certo paciente do quarto zero nove. Por mais que tentasse esquecer, ele estava ali, não poderia negar.
-Haruno! - ela estava de costas quando ouviu aquela voz chamar por ela. " Kariumy..." - Você adora desaparecer, não?
A rosada virou-se para ela forçando uma expressão de surpresa. Claro que aquela paz acabaria por ela...
-O que está fazendo aqui no berçário? - a morena se aproximou dela que tinha um bebê em seus braços.
-Myka-chan precisava de ajuda e eu...
-Mayka que se vire sozinha! Seu trabalho não é esse. - aquela expressão de autoritária tirava Sakura do sério. Mas deveria aguentar tudo calada.
-Por que se faz de surpevisora das enfermeiras, Kariumy-chan? - Sasori apareceu do nada. Porém aquela pergunta fez Sakura lhe agradecer mentalmente.
-Sasori-kun! - Kariumy o fitou abrindo um sorriso.
-Eu sugeri à Mayka que pedisse ajuda à Sakura. Ela tem um talento inacreditável com crianças. - o Akasuna colocou-se entre as duas com os olhos em Sakura, o que fez Kariumy apertar os dentes.
-Mas precisam dela lá em cima. - ela olhava diretamente para Sasori. - Estão dizendo que o paciente do quarto zero nove chama por ela. - Kariumy parecia ignorar a presença da rosada.
-O seu "amigo"? Não sabia que ele já havia acordado.
-Leve o almoço dele. - de novo dando ordens à ela. Sasori notou aquela falta de educação da parte da doutora Kuroi.
-Ele deve estar com fome, Sakura. - Sasori pegou a criança adormecida que ela tinha nos braços, aconchegando-a em seu colo. - Leve o seu almoço, onegai. Irei lá depois para ver como está indo a sua recuperação.
-Hai. - ela sorriu para ele sem olhar na careta que Kariumy com certeza fazia, indo em direção ao elevador.
~••~
Precisaria controlar aqueles batimentos se quisesse mostrar-se indiferente para o Uchiha. Antes de entrar no quarto, respirou fundo. Sabia que não adiantaria, mas acabaria logo com isso.
Abriu a porta levando a bandeja nas mãos, aproximou-se da cama. Não olhou nos olhos dele, mas sabia que ele a fitava. Um dia ele lhe dissera que era prazeroso olhar para ela. Mesmo não querendo acreditar mais naquelas palavras, lembrava-se dos olhares incansáveis dele para com ela.
-Pensei que não viria. - ela sentiu seu interior tremer com aquela voz.
-Aqui eu não faço o que quero. - colocou a bandeja na mesinha sobre a cama, para em seguida virar-se dali. Porém sentiu a mão dele segurar-lhe o pulso.
-Quanto ódio, Sakura... - ele falava baixo, pois sabia que ela não resistia àquilo. - Quanto ódio sente por mim...? - ele apertou um pouco o pulso da Haruno, trazendo-a para mais perto dele.
Sakura sentia aquela região do seu braço adormecer. Respirou fundo para acabar com aquelas sensações que aquele simples contato provocava no seu corpo, até que Sasuke começou a falar novamente.
-Uma vez me disse que o ódio corrói o coração de uma pessoa... - puxou seu braço soltando-se dele.
O que ele queria dizer, então? Que ela vai contra a própria palavra? Estava dessa maneira por ele, ora bolas! Ele não tinha o direito de jogar nada na cara dela!
-Pena que eu disse um pouco tarde demais! - andou até a janela para abrir as cortinas, com uma expressão dura, de pura raiva. - Você não tem mais coração! - seguiu em direção a porta. Sairia dali antes que as lágrimas mostrassem o sofrimento que ela tentava esconder.
Sasuke empurrou com vontade a bandeja que ela acabara de trazer. Aquela não era a Sakura que ele conheceu, não era a sua flor que tinha um sorriso capaz de confortá-lo, de fazê-lo esquecer quaisquer dor que o incomodava. Quanto ódio, quanta raiva! Ele era o culpado por acabar com aquele sorriso. Nunca deveria conhecê-la! Maldito seja aquele que a colocou na sua vida!
~••~
~Flashback On~
Konoha não parecia mais a mesma depois de cinco anos em que estive fora. Era impressionante como o tempo passava rápido para mim. Ainda me lembro quando corria por essas calçadas, ouvindo minha mãe chamar meu nome ao longe ou quando subia nas árvores com o idiota do meu irmão.
Um tempo que não volta nem se eu quisesse. Desde que essa vida de morte começou, essas cenas da minha infância, não passam de meras lembranças. É apenas um passado esquecido, sem importância. Elas não me interessam mais.
Voltei de Tóquio tão rico quanto chegara lá, à dois anos. Foram alvos fáceis, devo admitir. Todos os alvos que recebia, não passavam de patifes covardes.
Tenho certeza que não sentia prazer pelo dinheiro que recebia com aquelas mortes. Era prazeroso sentir a adrenalina pulsar nas minhas veias, sentir aquele gosto amargo quando o coração da vítima parava de bater. Poderia ser chamado de louco por isso, mas é a verdade.
Comecei a ser treinado desde os doze anos para ser o melhor matador dos Uchihas. Era o que meu irmão dizia. Eu deveria superá-lo. Qualquer um pensaria que eu era jovem demais para aprender tal coisa, mas depois que assistir minha família ser morta, foi o suficiente para esquecer o que é ser uma criança.
A droga desse treinamento durou exatamente três anos. Uma palavra para descrever aquele covil? Bom, eu diria que o inferno vira um jardim de infância comparado à ele.
Lá aprendi a ter desgosto pela vida; a ser desumano; não me importar com a vida que acabaria pelas minhas mãos. Não foi muito difícil. Pois isso está no meu sangue. Com quinze anos já estava pronto para começar adiversão. Muitos acharam cedo, mas o manda-chuva da irmandade, o Orochimaru, deu-me meu primeiro alvo.
Ainda me lembro do primeiro coitado que matei. Eu era apenas um moleque com uma arma na mão, mas acabei com ele, levando em conta tudo que aprendi naquele treinamento.
Passei pelos portões da mansão, estacionando ao lado da fonte. Estava escurecendo, por isso nem fiz questão de reparar nas mudanças da mansão. Eu sei que não foram muitas. Minhas odens foram bem claras a respeito da reforma. Tudo deveria ficar exatamente como os meus pais deixaram. Nada poderia ser mudado.
Deixei as observações para depois.
-Bem vindo de volta, senhor Uchiha.
-Itachi está aqui? - vi o casaco dele jogado no braço do sofá. Foi a primeira coisa que reparei dentro da sala. Aquela maldita jaqueta vermelha!
-Sim, senhor. Está no escritório do segundo andar. - joguei um olhar mortal pra'quele mordomo irresponsável! Quantas vezes eu disse para não deixá-lo entrar?!
-Como foi que permitiu isso?! Como ele passou pela segurança?!
-Gomene, senhor... Foi inevitável...
Aquele cretino! Subi as escadas rapidamente até chegar no escritório.
Abri a porta brutalmente, fazendo-o pular da cadeira.
-Irmãozinho!
-O que está fazendo aqui? - fui direto ao ponto. Ele não era bem vindo naquela casa e pior que o cretino sabia. Ele adorava me tirar do sério.
-Estou tomando wisky, não está vendo? - ele se levantou ficando ao lado da escrevaninha dando um gole no wisky. Omeuwisky! - É assim que me recebe depois de três anos sem me ver?
-Filho da puta! - caminhei na direção dele apertando os punhos. - Como tem coragem de passar pelas portas dessa casa?!
-Essa casa é minha, por mais que você tente dizer o cantrário. - ele veio na minha direção com aquele sorrizinho idiota no rosto. Que vontade de socar aquela cara! - Se esqueceu que eu deveria herdar tudo antes de você?
-Você é um desordeiro, idiota. Agora que saiu da irmandade, está sendo perseguido que nem rato! Não venha com essa pra cima de mim, achando que manda em tudo!
-Se você for esperto sairá dessa merda também! - ele deu outro gole na bebida. - Vejo que não vai me matar, então já posso ir embora.
-O que veio fazer aqui?
-Pegar uma coisa que me pertence. - ele olhou nos meus olhos antes de passar pela porta. - Ah, irmãozinho, um dia ainda jogarei na sua cara que eu te avisei.
Ele saiu do escritório me encarando com aquela expressão estúpida de superior. Eu deveria ter pego minha pistolacalibre 9 mm Parabellum, e acabado com ele ali mesmo, dentro da minha casa. Se Orochimaru soubesse que eu o deixei escapar, não sei a merda que ele faria comigo.
Deixei como estava. Não queria derramar o sangue do meu irmão, ali dentro daquela casa onde foi derramado o sangue dos meus pais. Chega de morte naquele lugar...
Tentei imaginar o que ele poderia ter pego. Não havia nada que pertencesse à Itachi dentro daquela casa. Fui até a mesa do escritório e encontrei o envelope vermelho. O envelope do qual vinham as informações sobre os alvos que eu deveria matar. Já esperava serviço assim tão cedo.
Peguei o envelope. Desgraçado... Ele o abriu. Sabia quem era o meu alvo. Retirei as folhas que haviam lá dentro, não haviam muitas, por sinal. Quem eu iria matar não deveria ser importante.
Meus olhos passaram pelo nome.
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Haruno Sakura
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Meu centésimo alvo.
Flashback Off
~••~
Continua...
Quero agradecer ao lindo reviw da tati! xD
Não tem que se desculpar, flor! Já fico muito feliz por você ter lido no nyah! xD Não se preocupe com isso!
Obrigada a todos que estão lendo e mandando reviws!
bjss
e até o próximo!
=Denny
