Peter, O Exilado

"E ninguém é eu, e ninguém é você. Esta é a solidão." (Clarice Lispector)

O mar se estendia diante dele como um tapete azul e verde, enquanto o vento fazia de seu cabelo loiro uma algazarra sem par. A todo pano, o navio Gentle Queen seguia rumo às Ilhas Solitárias. Que nome horrível para se dar a um lugar, mais horrível ainda era pensar neste lugar como seu exílio.

Zarparam no dia que se seguiu ao casamento de Caspian X com, a agora novamente rainha, Susan. Foi uma festa linda, como nunca se viu em qualquer lugar daquele mundo. Vinho e comida a vontade, música em cada canto da cidade e pessoas rindo. Sua irmã estava maravilhosa, digna de ser descrita em poemas rebuscados, enquanto Caspian não cabia em si de tanta satisfação. Tudo estava perfeito, apenas Peter se sentia alheio a tanta felicidade.

Susan e Caspian foram tolerantes o bastante para permitir que ele desfrutasse da festa, ainda que Peter fosse submetido a uma pesada escolta e tivesse de suportar os olhares reprovadores sobre si. Ele não se queixou, mal verbalizou seus cumprimentos aos noivos. O Grande Rei se sentia miserável.

Não por ter perdido seu trono, não por ter sido severamente repreendido por Aslam. O que magoava de fato era ser obrigado a observar a vida e as alegrias dos irmãos sem nunca mais poder tomar parte nelas. Ele seria enviado para longe, para um lugar que lhe possibilitasse uma vida cômoda, mas dificilmente teria a possibilidade de compartilhar boas recordações com seus irmãos. Desta vez ele estaria mais solitário do que nunca, mas ao menos poderia saber que eles estavam vivos e felizes com suas vidas.

O mar era naquele momento um consolo, com seu som ritmado e relaxante. A brisa carregada do cheiro de maresia parecia revigorante e, mesmo com tudo o que estava acontecendo com ele, Peter se sentia em paz.

Olhou de relance para a proa do navio. Narínia nem parecia com a garota saltitante que o desafiava sempre que tinha a oportunidade. Ela estava distante agora, seu rosto era sereno e ela evitava discussões desnecessárias. Falava com praticidade e eficiência sobre tudo o que precisava ser providenciado para receber a pequena corte de Peter, O Magnífico. Ela não parecia mais uma menina, havia algo mais decidido e forte nela do que a ingenuidade da juventude, aliás, ela podia ser chamada de muita coisa, mas nunca de ingênua.

Às vezes era irritante, como ter uma babá colada aos calcanhares vinte e quatro horas por dia. Narínia estava sempre dizendo o que devia e o que não devia ser feito, como a residência deveria ser organizada, os mantimentos que deviam levar, o estoque, a mobília, o comportamento apropriado para uma pequena corte e o protocolo diante do rei. Por incrível que pareça, ela o respeitava mais agora, que era um soberano destronado, do que quando ele se intitulava Senhor Absoluto de Nárnia.

Não foi só a atitude dela que mudou, a aparência refletia nitidamente o aspecto mais maduro de sua personalidade. O cabelo longo deu lugar ao coque displicente e as roupas se tornaram um pouco mais severas, em tons de verde musgo ou azul marinho, sempre em tecido mais grosseiro do que o permitido às damas da corte de Nárnia.

Roupas odiosas, era o que ele pensava. Peter era de opinião que uma mulher jovem deve usar cores que transmitam sua jovialidade e realcem sua beleza, não vestes feitas com material próprio para fazer sacos de batata, mas Narínia não parecia se importar.

Não, ela não parecia sua babá. O termo correto seria carcereira, ainda que Caspian tivesse concedido a ela o título de "governanta real" para efeitos oficiais. Se ela pretendia estar a serviço dele, como administradora da residência oficial de um rei de Nárnia, então a primeira providência era agir como uma, a começar pelas roupas!

Já era deprimente o bastante ser mandado para o exílio, tudo o que ele não precisava era ter de poluir sua visão com a imagem de uma mulher que insistia em se fazer feia!

Ela deve ter sentido o olhar dele sobre ela e então se virou para saber do que se tratava. Ele devia estar com uma expressão bem estranha no rosto, pois ela o encarou como se tivesse duas cabeças e depois riu consigo mesma. Gostava mais dela quando ela estava sorrindo.

Quando aportaram na ilha destinada a ele como propriedade, Peter mal conseguia ver sua governanta ou dar a ela qualquer instrução. Aliás, a ele não competia dar instruções a ninguém e Narínia estava tão ocupada organizando tudo que por muito pouco não o atropelava. A mulher era quase uma força da natureza, um vendaval.

O que ele pensava ser um estado temporário passou a se prolongar por um tempo que ia muito além do imaginável. Ele não tinha voz alguma dentro de sua nova residência e não importava se algo estava ou não de seu agrado, ele era simplesmente ignorado a maior parte das vezes. Suas atividades se limitavam a cavalgar pela manhã, ler durante a tarde e quando havia alguma correspondência para ele, que fosse de cunho pessoal não administrativo, ele respondia. Todo resto, incluindo relatórios de como ele estava ou não se adaptando, cabiam a sua governanta.

Caspian X confiava nos olhos dela e em seu bom senso para se assegurar de que Peter não representava mais um perigo para ele e seu trono. Seus irmãos lhe mandavam cartas contando sobre a vida em Nárnia e como as coisas por lá estavam mudadas. Susan não lhe escreveu nenhuma vez, talvez porque ainda o odiasse, talvez porque Caspian não permitia que ela se aproximasse dele.

Sempre que precisava de alguma coisa, fosse roupa, mantimento, ou até mesmo algo para sua diversão, ele tinha de reportar à Narínia, que se encarregava de peticionar ao rei Caspian. Esse processo levava dias, às vezes até meses, para ser concluído e Peter já se sentia tão entediado que começava a cogitar a hipóteses de pedir que seu cunhado lhe mandasse uma mulher da próxima vez. Pelo menos assim ele teria diversão.

Olhar para Narínia com qualquer pensamento deste tipo era no mínimo desanimador, mesmo quando a lembrança da fatídica noite que passaram juntos ainda estavam muito nítida em sua mente. Eram as roupas e aquele coque horrendo, ele estava certo. Não fazia nenhum sentido ela manter uma aparência tão insossa quando na verdade não era assim. Um dia ele decidiu que aquilo o aborrecia e por tanto algo deveria ser feito.

Ele a encontrou na pequena sala que servia como apoio aos seus aposentos enquanto governanta. O lugar que deveria servir como uma pequena sala de estudos, ou sala de visitas, havia se tornado um pequeno gabinete, onde ela produzia seus relatórios minuciosos e escrevia cartas e requerimentos furiosamente. Era um tanto claustrofóbico ali, já que o lugar estava tomado por uma quantidade absurda de papeis e havia pouca iluminação. A decoração original estava soterrada por tralhas. Em outros tempos, aquela antecâmara devia ter sido um lugar agradável para uma dama passar suas horas de descanso.

Ela desviou sua atenção dos papeis apenas para lançar a ele um sorriso indulgente. Onde estava o respeito dela? O mínimo que uma dama devia fazer na presença de qualquer cavalheiro era se levantar e saudá-lo de forma adequada.

- Bom dia, m'lord. – ela disse sem encará-lo. O tratamento que ela dispensava a ele agora era bem mais cortês do que quando ele governava. Pelo menos ela não o agredia verbalmente – Deseja algo?

- Solicite ao meu mui estimado cunhado, ou até mesmo à minha irmã, que mande roupas femininas de bom gosto na próxima remeça de suprimentos. – ele disse sério. O pedido a assustou tanto que ela foi obrigada a encará-lo.

- Algum motivo especial para o pedido? – ela questionou arqueando uma sobrancelha.

- Se sou obrigado a conviver com você, então eu gostaria de pelo menos ter uma visão agradável enquanto conversamos. As roupas que você usa normalmente são no mínimo ofensivas aos olhos. Parecem feitas de sacos de batatas! – ele disse de uma maneira rude. Ela revirou os olhos.

- São mais confortáveis, mais resistentes e me servem bem no frio e no calor. Aliás, estamos no exílio e não na corte de Nárnia. – ela disse mal humorada.

- Isso pode ser um exílio, mas também é uma pequena corte e eu sou o senhor deste lugar. O único luxo que posso me dar é o de fingir que ainda tenho alguma autoridade, mas dês do dia em que você assumiu os deveres de governanta tem sido uma tirana muito pior do que eu fui. – ele disse ressentido – Eu nem mesmo tenho voz ativa pra determinar onde ou quando farei minhas refeições ou o tipo de comida que me apetece mais.

- Estou tentando fazer um trabalho descente aqui e administrando tudo de maneira que você não tenha que se preocupar. O que recebemos de Caspian é uma quantia realmente muito boa, mas se não tomarmos cuidado logo podemos nos colocar numa situação difícil. – ela disse indignada – Me desculpe se as roupas que eu uso ou deixo de usar não o agradam, só acho que seria um péssimo investimento usar o dinheiro pra comprar algumas que lhe pareçam mais apropriadas.

- Ao menos uma vez, me deixe agir como senhor de mim e deste lugar. Faça o que pedi. – ele disse mal humorado.

- Se quer mesmo fazer alguma coisa, ou agir como senhor daqui, então comece fazendo um levantamento do que precisaremos para organizar uma defesa para a ilha. Se por um acaso algum país inimigo decidir atacar Nárnia, você seria um bom refém para se negociar. – ela disse prática – Não entendo de ataques ou defesas, acho que seria prudente se você se encarregasse disso.

- Mais alguma coisa? – ele debochou.

- Alguns dos prédios anexos à residência estão deteriorados e como alguns dos membros da "corte" ainda precisam de alojamento, seriam bom nos assegurarmos de que o telhado não vá cair sobre a cabeça de ninguém. – ela disse – Cuide dos projetos e da lista de materiais que vai precisar, se quiser.

- Está bem, não posso correr o risco de meus súditos serem esmagados enquanto dormem. – ele disse, tentando não soar fraco – Seria bom ter um pomar e uma horta para legumes e verduras perto da residência. – ele disse dando de ombros – Tínhamos um pomar em Cair Paravel e era bem útil.

- Eu não tinha pensado nisso. – ela disse analítica – Me parece uma boa idéia. Flores também seriam ótimas.

- Vamos organizar um jardim então. Tomar chá sentindo o perfume das rosas seria agradável. – ele concordou.

- Escolha o lugar para o pomar, a horta e o jardim. Vou solicitar as sementes e ferramentas. – ela disse entusiasmada.

- Mas não esqueça de solicitar as roupas que falei. Aproveite e peça casacos quentes, se o inverno for rigoroso corremos o risco de congelar neste lugar. – ele insistiu. – Roupas elegantes, nada de azul marinho desbotado e verde musgo. – ela revirou os olhos.

- Oh, está bem! – ela disse por fim – Vou falar com a rainha Lucy, ela provavelmente vai saber o que fazer.

- Seria melhor se você passasse a usar o escritório para cuidar das correspondências oficiais. – ele disse sem dar muita importância ao fato.

- E por que eu faria isso? – ela já estava irritada com tantas ordens.

- É mais espaçoso, mais adequado a função e eu poderei saber o que você anda escrevendo pelas minhas costas. – ele disse a ultima parte só para implicá-la. – Esvazie esse lugar. Faça desta sala algo para seu próprio prazer e não porque acha que assim poderá cuidar de tudo sem me perturbar.

- Está tão entediado assim? – ela questionou divertida.

- Pode-se dizer que sim. – ele lançou a ela um sorriso rápido por cima dos ombros, antes de deixar o gabinete.

Eventualmente, depois de um longo tempo de espera por uma embarcação com mantimentos, as famigeradas roupas chegaram e se tornaram mais uma vez objeto de debate. A quantidade de vestidos de gala, feitos de tecido delicado e excessivo brilho, agradavam ao gosto do jovem rei, mas iam contra os ideais de praticidade e conveniência de Narínia.

Não bastassem os decotes, as várias camadas de saias e a dificuldade com a mobilidade que ela teria de suportar, a rainha Lucy foi ainda mais longe na tortura quando o assunto eram as roupas de baixo. Esta parte, Narínia manteve bem longe dos olhos de Peter, enquanto se perguntava para que ela precisava de anáguas tão finas, combinações com renda e corpetes que faziam seus seios dobrarem de tamanho. Ela não usaria nada daquilo, nem por um decreto assinado por todos os reis de Narnia!

Ela continuaria seguindo essa linha de pensamento se não houvesse constatado, com grande resistência, que suas roupas de baixo não estavam no melhor estado de conservação. Ela teria vergonha de deixar outra pessoa lavá-las e diante de um suprimento vasto, seria um desperdício não usar as novas. Ninguém iria por os olhos nelas mesmo.

A mudança nas roupas teve um grande efeito no humor do rei, assim como suas novas atividades. Ele se mantinha ocupado o dia todo, só parando para descansar durante a noite. Era quando ele tirava um tempo para conversar com Narínia sobre qualquer coisa que não envolvesse a rotina de ambos. Muitas vezes eles ficavam em silêncio lendo, ou ela se sentava ao piano e tocava alguma coisa para animar o ambiente.

Uma tarde em especial, Peter deixou a reforma dos anexos sobre a supervisão de seus homens e se retirou mais cedo para dentro da casa. Pensou em tomar um banho para amenizar o calor e decidiu desviar seu caminho para um riacho que corria perto da propriedade.

O sol estava quase insuportável e ele ansiava por um mergulho. Já estava sem a camisa e retirando as botas para entrar na água, quando um som familiar encheu seus ouvidos. Aproximou-se do riacho sorrateiramente e se escondeu atrás de uma arvore para observar o que estava acontecendo e qual não foi sua surpresa ao se deparar com sua maldita governanta, usando nada além de uma combinação fina, que mal chegava aos joelhos.

Ele estava tão habituado a ver mulheres usando saias longas e sobreposições infindáveis de anáguas que às vezes até se esquecia que tudo aquilo tinha um propósito. Manter as pernas de uma donzela bem longe da visão dos homens, mesmo quando se tratava de um par como aquele. Torneadas, roliças, alvas e tão, tão convidativas.

Como ele conseguiu esquecer que pernas existiam de baixo das saias, ninguém sabe, e também não fazia a menor diferença, já que Narínia, totalmente alheia a espionagem dele, acabara de entrar na água. Tudo o que existia para proteger a imagem daquele corpo de olhos desejosos se reduziu a uma finíssima camada de tecido transparente, totalmente encharcado e colado.

A lembrança da noite em que ela o havia enganado voltou a sua memória com toda intensidade possível, mas tratava-se de uma memória falha. Ele nunca tinha visto o corpo dela exposto, nunca tinha parado para analisar os detalhes e imagens tinham poder, o bastante para fazer um rei desejar desesperadamente uma mulher que o irritava maior parte do tempo.

O efeito de sua espionagem estava se tornando doloroso e constrangedor. Já fazia muito tempo que ele não tinha uma mulher em seus braços, talvez fosse hora de mudar isso. E talvez, apenas talvez, Narínia não fosse tão irritante quanto ele imaginava. Na verdade, olhando por aquele ângulo, ela até lhe parecia bem agradável.

Ele voltou para a residência, aproveitou a solidão de seus aposentos para aliviar toda tensão que a imagem de sua governanta semi nua havia causado. Tomou um longo banho frio e decidiu não passar aquela maldita noite sozinho. Nem que pra isso ele tivesse que arrastá-la pelos cabelos.

O jovem rei tentou se conter enquanto estavam sentados a mesa do jantar, comendo em silencio, mas seus olhares furtivos o traiam. Como um leão analisando sua presa, uma ovelha tola. Ele só poderia considerar aquilo uma vingança agradável. Uma vez ela o seduziu para livrar Susan de uma situação infernal. O destino estava dando a ele a oportunidade de retribuir o favor e livrar-se daquela necessidade quase animalesca.

Terminaram o jantar e foram para a sala de música. A noite estava quente, o ar era pesado, quase como o ar da Calormânia, saturado pelo perfume de dama-da-noite. Narínia não disse coisa alguma, apenas se sentou junto ao piano, alisando as teclas de marfim polido sem nenhuma intenção de extrair delas qualquer som. Peter caminhou até ela com a sutileza de um gato, permitiu que seus dedos repetissem o movimento dos dela, até que suas mãos se esbarrassem. Ele tentou disfarçar, quando notou o recuo dela, dedilhando três teclas.

- Toque alguma coisa para mim. – ele ordenou suavemente junto ao ouvido dela. Narínia não pode conter o arrepio que lhe percorreu a espinha.

- Deseja algo em especial? – ela perguntou por educação, sentindo a garganta secar.

- Algo passional. – a voz de Peter soou rouca e muito próxima, muito quente e atordoante como um soco na boca do estomago. Ela tentou se lembrar de alguma melodia, algo apropriado e fácil.

Os dedos dela se decidiram e começaram a tirar do instrumento uma melodia densa. Poderia ser um tango, poderia ser um bolero, poderia ser um réquiem, ou quem sabe todos em um só. Ela não sabia, nem ele. Peter pousou suas mãos sobre os ombros dela e, sem que ela protestasse, permitiu que descessem pela linha do decote quadrado, sentindo o contraste do tecido e da pele. A respiração dela era pesada.

Ele se ajoelhou atrás dela e seus lábios roçaram contra a orelha da garota, deslizaram sutilmente até o pescoço e plantaram sobre a pele beijos leves e quentes. Sabe-se lá quantas notas ela errou no piano. Quando a língua dele tocou o lóbulo da orelha dela, fazendo-a arrepiar, Narínia bateu as mãos com força contra o teclado que Peter se assustou e afastou-se dela.

- O que pensa que está fazendo?! – ela disse se levantando de uma vez e colocando entre eles uma distancia respeitável.

Peter a encarou pacientemente, caminhando até ela sem qualquer sinal de preocupação, ou intimidação. Aquele não era o garoto mimado que se achava rei, aquele era o Grande Rei Peter, O Magnífico, o soberano que ganhou incontáveis batalhas, que conquistou territórios e durante a Era de Ouro seduziu tantas donzelas estrangeiras quanto possível.

- Estou inquieto... – ele sussurrou enquanto a encurralava contra o piano – Pensei em nadar esta tarde, não fui bem sucedido e fiquei ainda mais inquieto. Talvez música me acalmasse, mas parece que não está funcionando... – ele disse agarrando-a pelo pescoço – Então pensei que talvez uma cavalgada pudesse me ajudar.

- Posso mandar selar um cavalo. – ela disse baixo.

- Prefiro ver você cavalgando. – ele disse definitivo, enquanto fechava a tampa do piano e sentava Narínia sobre ela.

- Pela Juba do Leão! – ela sussurrou apavorada – Sou eu, Narínia! Sua governanta irritante!

- Não tão irritante pelo ângulo que estou vendo. – ele sussurrou enquanto beijava o pescoço dela – Fiquei com saudade das suas pernas. – sem cerimônia ele suspendeu a saias e as anáguas que ela usava. Emitiu um ruído de frustração ao se deparar com ceroulas e meias de seda no meio do caminho.

- Mantenha suas mãos longe daí. – ela sussurrou. Peter lançou a ela um sorriso malicioso.

- Sou um rei, posso fazer tudo o que quiser dentro do meu território. – ele mordeu o lóbulo da orelha dela, fazendo-a gemer, e com mãos hábeis tirou as ceroulas que ela usava. Em seguida, com um dos braços ele enlaçou a cintura dela e com sua mão livre explorou a pele exposta até que seus dedos encontrassem o objetivo entre elas. Dois deles a invadiram e fizeram arquear as costas. – E se não me engano este território também é meu.

Ela jogou a cabeça para trás, mordendo os lábios para conter os gemidos de prazer, enquanto Peter beijava-lhe o pescoço nu e a estimulava com movimentos sinuosos e torturantes. O tecido de suas próprias roupas se tornaram um incomodo desagradável contra sua ereção evidente, mas ele queria vê-la atingir o prazer ao menos uma vez antes de tomá-la.

Não demorou muito. Narínia se contorceu contra ele num ultimo movimento ousado dos dedos de Peter. O gemido prolongado foi abafado pelos lábios dele enquanto ele afastava suas mãos do corpo dela, apenas o suficiente para que pudesse se livrar de suas próprias roupas.

Ele não era paciente, não estava disposto a esperar mais ou a lidar com qualquer protesto infundado da parte dela. Antes que Narínia pudesse se recuperar do orgasmo completamente, ele a penetrou de uma vez, num movimento brusco que a fez gritar.

Ritmado e forte, ele se movia em estocadas impiedosas. Seria desconfortável para ela no dia seguinte, mas ele queria ouvir ela dizer que seu andar esquisito se devia a uma cavalgada longa. Tão vigoroso quanto um cavalo, ele poderia se gabar disso no futuro, quando quisesse importuná-la.

Cada vez mais rápido, nem tão constante no ritmo, ele continuava se movimentando enquanto beijava os seios parcialmente cobertos dela e a sentia puxar os cabelos loiros de sua nuca em resposta. Ela enlaçou o quadril dele com suas famigeradas pernas, apertando-o contra seu corpo quente e macio. Ele não ia durar muito daquele jeito. Uma, duas, três estocadas e ela gemeu prolongadamente enquanto o orgasmo a consumia mais uma vez.

Peter não resistiu mais. Perdeu-se dentro dela enquanto arranhava-lhe as coxas brancas, fazendo sobre a pele pálida linhas avermelhadas. Debruçou-se ofegante sobre o peito dela, ouvindo o som de um coração em disparada. Apenas uma pausa, uma trégua breve até que ele conseguisse levá-la até seus aposentos. Aquela cama enorme não pareceria tão vazia, ao menos não naquela noite no exílio.

Peter era um rei exilado, mas nem por isso queria ser um rei solitário em sua miséria, não com pernas como aquelas para cavalgá-lo.

Nota da autora: Dispensa comentários meus a respeito. Peter e Narínia, numa casa enorme, onde os servos preferem não se meter no caminho dos dois,...É, uma hora o flashback ia rolar. É isso ai...As Ilhas não são mais tão solitárias.

Comentém!

Bjux