Teria tudo se você fosse a única na minha vida...
Não desejaria mais nada.
Pois você é o tesouro mais precioso que poderia existir no mundo.
A jóia mais cara...
A pedra mais preciosa...
Algo de tão inestimável valor para minha vida, que chega a ser minha razão de viver...
_Capítulo V: Lembranças
(Parte 1)
~Flashback On~
Precisei apenas de uma semana para observá-la. Para saber de suas fraquezas, suas inseguranças. Era apenas uma adolescente de dezessete anos. Apenas três anos mais nova que eu. A diferença é que eu não sou e não fui um adolescente.
Acordava todos os dias às sete da manhã, para estar na escola às oito e meia. Saia de lá por volta das três da tarde.
Na segunda e na terça-feira, depois da escola ia para um pequeno mercado, não muito longe de onde morava, trabalhar. Na quarta, fazia um curso de enfermagem no centro de Konoha. Na quinta, fazia serviço comunitário em um hospital e na sexta-feira novamente o curso de enfermagem.
Uma rotina idiota, uma vida sem graça, uma vida simples. Mas aparentemente estava feliz. Sempre que eu a olhava, ela estava sorrindo. Sempre. Chegava a ser irritante.
Na sexta-feira a noite, depois que ela chegou do curso, eu a observava mais uma vez. Estava no apartamento de frente para o dela, onde morava com a madrinha e tutora, Tsunade. Ela estava em seu quarto, acabara se sair do banho. Um aparelho de som estava ligado, então ela dançava como ninguém, vestindo-se.
Naquele momento em que a observava, me aconteceu o que nunca acontecera antes. Parei para pensar no que ela havia feito para ter um destino tão cruel como a morte. Antes pensei que o fato de fazer trabalho comunitário, era uma máscara para esconder quem realmente era. Mas não consegui enxergar maldade naquela criatura linda, sorridente e dançante. O que ela havia feito para alguém desejar matá-la eu não sabia, mas isso instigou minha curiosidade.
Eu estava preparado para executá-la naquela noite. Usava minhas luvas de couro, minha pistola estava com o silenciador. Meu alvo estava sozinha no apartamento. Tudo perfeito. Era só invadir o seu quarto e puxar o gatilho. Quando os meus alvos eram mulheres, eu sempre garantia uma morte rápida, sem rodeios. Seria assim com essa Haruno.
Mas eu não conseguia entender o que estava me impedindo. Talvez fosse essa curiosidade de saber o que ela teria feito para que eu a matasse. Talvez porque achei ela bonita demais para morrer...
-
Descartei essa última. Havia matado uma mulher muito linda à dois anos atrás. Não senti nada antes de acabar com a vida dela.
-
Alguma coisa me incomodava naquele momento e eu estava começando a ficar irritado com isso.
Cheguei a entrar no apartamento dela. Me escondi nas sombras, dentro da sala.
E lá estava ela.
Sentada no sofá com um balde de pipoca. Agora eu a via melhor. Os cabelos molhados, emanavam um perfume de cerejas direto para mim. A claridade que vinha da televisão, iluminava o rosto dela, que ao me ver era muito delicado. Usava apenas um short preto, uma blusa sem mangas, tão colada em seu corpo, que fazia minha visão se perder nos seios dela.
-
Mas que merda eu estava fazendo?! Por que estava hesitando?
Ela já deveria estar morta!
Levantei a pistola, mirando na direção da cabeça dela. Só deveria puxar o gatilho. Mas alguma coisa me impedia.
Merda!
Abaixei a arma e parei para observá-la mais um pouco. Sua beleza era hipnotizante, aquele perfume estava me embriagando. Eu já não sabia o que deveria saber.
Fiquei ali, escondido na penumbra daquele cômodo, até que ela pegasse no sono.
Me aproximei, cautelosamente, apontando-lhe a arma novamente em direção a cabeça. Me pus de frente para seu corpo, perdendo-me novamente na sua imagem. Dormia tão suavemente, como se nenhum perigo estivesse ao seu alcance. Eu tentava com todas as forças, puxar de uma vez aquele maldito gatilho! Mas não conseguia! O que estava acontecendo comigo?!
Abaixei a arma. Parecia até errado ameaçá-la.
Eu ainda me perguntava o que ela poderia ter feito à alguém que desejou sua morte. Várias alternativas passou pela minha cabeça, mas nenhuma faria sentido se tratando dela.
Deixei o apartamento ou seria pego ali, mais cedo ou mais tarde. Aquilo nunca me aconteceu. Quando deixei o apartamento, voltei para a mansão Uchiha. Deveria dar um tempo. Deveria refrescar um pouco a cabeça e tentar entender o fracasso dessa minha missão.
Mas não pude descansar. Não quando a imagem daquela garota de cabelos róseos, brincava na minha mente.
Logo cedo, no sábado, eu já estava a observá-la novamente. Passei todo o dia, acompanhando-a com meus olhos.
À noite, a tutora a convidou para uma festa. A mesma festa que eu, Uchiha Sasuke fui convidado à uma semana atrás. Era apenas um jantar com os ricos idiotas de Konoha, que fingiam gostar dos pobres. Ela não queria ir, mas acabou aceitando.
Uma idéia idiota passou pela minha cabeça. Talvez se eu fosse a esta festa, poderia conhecê-la melhor e saber da verdadeira pessoa que ela escondia dentro daquela beleza. Assim eu poderia matá-la de uma vez e receber meu dinheiro por isso.
Que idiotice...
Mas eu não tinha muitas opções no acabar com essa espionagem. Não gosto de ficar muito tempo observando um alvo.
Então assim foi feito.
A encontrei na maldita festa.
Estava tão linda... Usava um vestido verde que realçava a cor de seus olhos. No momento eu a fitava, mais intensamente que nos dias em que a observei.
Ela estava distraída com a visão da mansão em que estávamos. Até que o seu olhar se encontrou com o meu. Ela me fitou por alguns segundos, depois desviou o olhar sorrindo sem graça. Agora eu deveria me aproximar. Arrumar qualquer desculpa para começar uma conversa com ela seria o ideal de conhecê-la melhor. Precisava saber o que ela realmente era.
-
-Por que olha tanto para esse quadro? - foi o que perguntei. Ela me fitou meio tímida, mas eu continuava a fitá-la nos olhos.
-
Ela desviou o olhar para o quadro, que parecia nem ter prestado atenção.
-
-Bom... Eu desconheço o artista. - respondeu tímida, tentando firmar o olhar no meu rosto. - Por acaso você sabe quem pintou esse quadro?
-Deve ter sido algum maluco pervertido. - esperei pela reação dela. Queria saber o que ela achava da pintura.
-Ou um viúvo que sentia falta da mulher. - respondeu. E era exatamente o que significava. Impressionante a forma de interpretação que ela possuía, mas no momento, isso não me interessava.
Continuei a fitá-la, percebendo o seu rosto ficar rosado cada vez que olhava para mim.
-Qual o seu nome?
-Haruno Sakura. - eu peguei sua mão, mas ela só percebeu quando eu me inclinei para beijá-la.
-Uchiha Sasuke.
Sugeri que ela fosse comigo para um lugar mais reservado, não só pelo meu objetivo e sim pelos olhares curiosos na nossa direção. Ela também havia percebido.
Porém ela recusou.
-Está com medo de mim?
-Eu não conheço você...
-Prometo não te fazer nada. - não estava mentindo. Naquela noite nada poderia acontecer, ainda. - Seria burrice no meio de tantas testemunhas. - fiquei sério depois do que disse, pois estava falando a verdade. Ela me fitou meio receosa, mas acabou cedendo ao meu pedido.
-Por que está aqui? Eu sei que não queria estar. - ela me olhou confusa.
-Estou acompanhando minha tutora. Ela gosta dessas festas...
-Mas você não. - me aproximei dela quando paramos ao lado de uma sacada. Ela me fitou confusa novamente, com um olhar inocente. Mas eu não poderia deixar levar pela bela aparência daquela garota. Eu deveria achar a pessoa ruim dentro dela que merecia morrer. - Faz coisas das quais não gosta, para agradar outras pessoas?
-Gosto de deixar outras pessoas felizes.
Isso só poderia ser uma máscara! Ela estava fingindo!
-Mas quanto à você? E o que deixa você feliz?
-É muito egoísmo pensar apenas na própria felicidade. - afirmou convicta, sem pudor. Eu a fitei por um momento, e ela fez o mesmo.
Estávamos muito próximos. Eu podia sentir o perfume dela me embriagar novamente.
Desviei o olhar adentrando a varanda com ela ao meu lado. Pensei numa maneira melhor de entendê-la, de enxergar o que ela realmente era, mas absolutamente nada aparecia na minha cabeça. Eu só via a sua imagem. Era como se o exterior dela, já definisse o seu ser.
-Gomene... - ouvi a voz delicada e aveludada ao meu lado, depois de alguns segundos de silêncio. - Eu não... Estou insinuando que você seja assim... - sibilou receosa. Seus orbes aflitos me fitando como se temesse ter me ofendido. - Só não entendo...
-O que? - perguntei curioso quando ela hesitou.
-Como sabe que eu não queria estar aqui?
-Eu notei o seu olhar tedioso naquele grupo falante ao lado da lareira.
-Por que...Por que estava olhando para mim?
Percebi o embaraço provocado pela minha resposta. Olhei para as mãos dela, que se encontravam trêmulas sobre o parapeito da varanda. Estava nervosa aparentemente, ou com medo. Medo de mim...
Me aproximei, fazendo-a virar de frente para mim. A cerquei com os meus braços, prendendo-a entre o meu corpo e o parapeito da varanda. Naquele momento nem eu mesmo sabia o que estava fazendo, mas eu deveria descobrir a razão para receber aquele envelope vermelho, do qual haviam as informações sobre ela, que resultariam em sua morte.
-Você chamou minha atenção. - ruborizou-se, arfando, deixando que sua respiração mesclasse com a minha. Podia sentir seu corpo gélido ser aquecido pelo meu. A brisa da noite massageava as suas feições, deixavam as mexas dos cabelos róseos esconderem o seu rosto rubro.
Eu não a tocava, apenas a fitava nos olhos. Não entendia porquê fazia aquilo, mas uma sensação estranha tomava conta de mim, como se ela tirassem as minhas forças; como se eu estivesse encantado apenas por me perder naqueles olhos esmeralda.
Podia sentir uma corrente elétrica passar por nossos corpos, sob as violentas batidas de seu coração. Meu peito oscilava brutalmente pela respiração acelerada. Meus olhos fitavam os lábios dela, desejando profundamente tocá-los com a minha boca.
Sakura me fitava com um olhar perdido, profundo. Eu nunca saberia o que ela estava pensando. Respirava tão rápido quanto eu, segurando firme no parapeito às suas costas.
Meu rosto se aproximou do dela espontaneamente. Não controlava mais os meus sentidos.
-Eu... Eu preciso ir! - ela se soltou de mim, caminhando rapidamente para fora da varanda.
Eu a teria impedido se não estivesse em completo transe. Minha mente estava entorpecida, meu coração acelerado, tudo porque desejava beijá-la.
Que merda estava acontecendo?! Meu objetivo de descobrir pelo menos uma pista do que ela teria feito, foi um fracasso. Ela já deveria está morta. O sujeito que encomendou sua morte, já deveria ter recebido o corpo dela.
Me amaldiçoei por essa fraqueza que me envolvera! Isso nunca havia acontecido e o pior era que eu tinha certeza que não a mataria.
Mas eu deveria! Sou um matador! Já acabei com mais de noventa vidas. Essa não pode ser diferente! Ela precisa morrer!
A curiosidade ainda me castigava.
Eu precisava saber o motivo que a levaria a morte. Eu tinha que descobrir!
-
Nem que isso demorasse mais uma semana.
Flashback Off
~••~
Continua...
Quero agradecer aos reviws que estou recebendo!!
Amanhã postarei o capítulo 6, onde as lembranças serão da Sakura! ^^
bjjsss e até!!
=Denny
