Minhas piores tristezas, são

Saber que te amo

e não tê-lo junto à mim...

Querer você a todo instante

e não tê-lo nenhum segundo...

Saber que te ter é impossível

e continuar a te querer sempre...

E querer estar em seus braços

e saber que pode haver outra em meu lugar...

Mas me restou apenas um consolo

Ao menos por um momento eu fui feliz...


_Capítulo VI: Lembranças

(Parte 2)

~ ~Flashback On~ ~

Aqueles olhos...

Eu nunca saberia descrever o que estava sentindo quando aqueles olhos negros me fitavam.

-Você chamou minha atenção. - meu coração disparou ainda mais, não só pela sua resposta, mas pela sua voz. Era rouca e sedutora... Eu estava me contorcendo por dentro. Minha mente não trabalhava direito. Eu só conseguia vê-lo e sentir aquele calor e o perfume que emanavam do corpo dele, tão perto do meu.

Onde estava minha consciência? Ele era um estranho! Eu acabara de conhecê-lo!

Mas eu sentia uma força imensa se destruir dentro de mim, apenas para beijá-lo. Apenas para sentir aqueles lábios...

Ele parecia ler os meus pensamentos, pois se aproximava para me beijar. Sua respiração misturava-se com a minha, seu cheiro me inebriava, seus olhos me hipnotizaram...

Eu estava para sucumbir àquela vontade, quando uma parte de minha consciência decidiu trabalhar.

-Eu... Eu preciso ir! - não sei de onde havia tirado aquela força, mas consegui me livrar dele.

Pensei que seria seguida, mas ele não se moveu. Permaneceu apoiado com uma mão no parapeito da varanda, enquanto eu descia rapidamente as escadas.

Onde estava com a cabeça? Ele era um estranho e eu estava muito à vontade com a situação! Por mais que ele fosse bonito, eu não deveria ter cedido aos encantos dele. Quantos "foras"eu já não havia dado nos garotos da minha escola? Com ele deveria ser o mesmo. Eu não estava à procura de um namorado no momento. Estava me dedicando inteiramente para os estudos.

No entanto, eu nunca conheci alguém como ele. Não era como um garoto da escola, muito menos com um pretendente que Tsunade-sama me apresentava naquele tipo de festa. Ele era totalmente diferente. Ele parece jovem, mas é muito maduro. Já é um homem.

.

Passei a noite com o rosto dele na minha mente. Mal conseguia dormir.

Foi assim durante a semana. Até cheguei atrasada na escola pela falta de sono durante a noite.

Meus dias eram devaneios com os olhos dele me fitando. Minhas noites eram sonhos com as mãos dele me tocando, com os seus lábios me beijando... Eu estava ficando louca! Me repreendia pela demência que ele provocava em mim, porém eu me perguntava se algum dia o veria de novo. Parecia desejar que isso acontecesse.

Na noite de quarta-feira, sonhei com ele como nunca havia sonhado com qualquer outra coisa na minha vida. Podia sentir o calor da pele dele, me envolvendo em seus braços, afagando meus cabelos em seus dedos.

Eu sentia me contorcer por dentro quando ele me fitava com aqueles ônix, provocantes, misteriosos, sedutores...

Ele estava por cima do meu corpo com as pernas abertas, segurando nos meus pulsos, prendendo-me entre seu corpo e a cama. Eu era sua prisioneira, envolvida por uma espécie de casulo, enquanto ele se deliciava com o meu corpo à mercê de seus olhos.

Seu rosto abaixou na minha direção, ameaçando tocar no meus lábios com os seus. Um calor ardente subiu de meu interior, passando por todo meu corpo, parando na parte mais sensível entre as pernas. Não vi ao certo o momento, mas eu gemia o nome dele, como se estivesse sentindo os toques dele naquela região do meu corpo.

Eu precisava acordar daquela loucura.

Abri meus olhos arfando, molhada, suada...

Me sentei na cama, passando as mãos nos cabelos, estes molhados pelo suor, depois olhei à minha volta, o quarto escuro. Minha janela estava aberta como costumava deixar em noites quentes. Só que dessa vez, não me lembrava de ter deixado aberta, pois estava frio naquela noite. Me levantei e fui até ela, fechá-la.

Parei por um instante, para processar o que acabara de acontecer. Nunca tive um sonho como aquele. Nunca um sonho pareceu tão real. Era como se ele estivesse perto de mim, apenas me olhando, me fitando com aquele olhar negro, com um brilho lascivo...

Voltei para a cama. Tentaria ao menos dormir novamente. Tentaria ao menos esquecê-lo durante a noite. Mas eu sabia que era impossível.

.

No dia seguinte depois da aula, fui para o hospital do centro de Konoha, onde Tsunade trabalhava. Fazia serviço comunitário todas as quintas-feiras depois do colégio. Além de gostar de ajudar no hospital, Tsunade sempre me dizia que serviço comunitário é uma coisa boa para o currículo, principalmente de quem quer ser médica como eu. Eu simplesmente adorava. Me sentia completa fazendo isso.

Eu sempre me dedicava, porém naquele dia, estava mais distraída que de costume. Minha cabeça só dizia Sasuke, Sasuke, Sasuke... E junto com seu nome, vinham as cenas do sonho da última noite. Eu só queria saber quando que aquilo acabaria!

Já sei quando...

Quando vê-lo novamente.

Depois de quatro horas seguidas de trabalho, saí para tomar um refrigerante em uma lanchonete em frente ao hospital. Estava no balcão de pedidos, esperando que me atendessem, quando voltei a pensar em Sasuke mais uma vez.

Que droga! O que estava acontecendo comigo?

-Senhorita? O que deseja?

-Gomene... Quero um refrigerante, onegai.

Pela cara da atendente, ela deveria estar me chamando a muito tempo.

Segui para entrada do hospital, sentando-me num pequeno muro enquanto tomava o refrigerante. Eu precisava de um tempo sem responsabilidades. Se eu continuasse fazendo minhas tarefas distraídas daquele jeito, Tsunade me expulsaria do hospital, com certeza.

Aquela semana foi difícil pra minha cabeça. Eu ainda tentava entender o motivo de um homem mexer tanto assim comigo. Se eu estava me apaixonando, essa seria a primeira vez.

Que loucura! Se apaixonar por alguém que eu mal conheci...

Mas só poderia ser isso...

Levantei o cenho para frente, ainda absorta de pensamentos, quando meus olhos pensaram ter visto ele. Espera... Eu disse pensaram?

Pisquei um pouco incrédula, talvez fosse fruto da minha imaginação, afinal eu estava com ele na minha cabeça à dias.

Não.

Ele estava ali.

Se aproximava de mim em passos lentos, passando pelas pessoas que atravessavam a calçada do hospital.

A cada passo dele meu coração batia descontrolado. Minha respiração machucava meu peito oscilante. Minhas mãos apertavam a latinha de refrigerante, um pouco trêmulas.

Me sentia estúpida por estar daquele jeito, porém não controlava mais os meus sentidos.

-Olá... - aquela voz... A mesma voz que ouvia nos meus sonhos.

Eu deveria ser forte.

-Veio até aqui me pedir desculpas?

Eu estava tremendo por dentro. Não sei de onde consegui força para falar tão firme.

-Desculpas? - ele arqueou uma sobrancelha. - O que foi que eu fiz?

Aquele sorriso torto... Ele queria me matar?

- Você é quem deveria pedir... - indagou ele aproximando-se mais. - Saiu correndo sem se despedir de mim...

-O que eu poderia fazer? - me levantei, fazendo o possível para fitá-lo de volta nos olhos. - Você era um estranho tentando me seduzir. Não poderia arriscar...

-Então não me conhecia mesmo? - ele juntou as sobrancelhas em dúvida.

-Eu deveria?

-Interessante alguém em Konoha não saber quem é um Uchiha...

-Então você é importante...

-No momento, não interessa saber quem sou eu. A questão é saber quem é você...

Me perdi naqueles olhos...

.

Negros, repletos de mistérios...

.

Capazes de me desnortear por completo.

-Tenho certeza que não sou tão importante como você...

Ele sorriu torto novamente, colocando-se ao meu lado, para depois sentar-se no pequeno muro onde eu estava.

-Sente-se. - pediu.

O que eu poderia fazer naquele momento? O homem que me torturou mentalmente nos últimos dias estava bem ali ao meu lado. Não conseguia acreditar ainda.

-O que está fazendo aqui? - perguntei acatando ao seu pedido.

-É difícil acreditar que estou aqui para uma consulta?

-Sim. - respondi desviando os olhos para ele. - Se você é tão importante como disse, não frequentaria um hospital público.

Ele pareceu admirar-se com o que eu disse. Estava certa? Acho que sim.

-Não posso te dizer o que vim fazer aqui. - indagou sério. As mudanças da expressão dele eram constantes. Quanto mistério...

-Está bem, isso não é da minha conta. Só espero que não seja algo envolvido à mim... - murmurei levando a lata de refrigerante aos lábios, espiando a expressão dele rapidamente.

Estava ainda pior. Sasuke apertou fortemente a mandíbula, endurecendo suas feições. Parecia irritado agora.

-É totalmente envolvido à você. - sua expressão se amenizou. Porém não me sentir muito à vontade com a situação. - A quanto tempo mora em Konoha? - abri a boca para perguntar o que eu teria haver com a sua visita inesperada naquele hospital, porém ele foi mais rápido.

-Como sabe que não sou daqui?

-Apenas pelo fato de você não saber quem sou eu.

Então ele era mesmo muito importante. Eu sei que já ouvira o nome dele em algum lugar, mas devo não ter dado muita importância, já que não me lembro.

-Desde os seis anos...

-Por que veio para essa droga de cidade?

-Porque minha mãe me deixou aqui com a minha madrinha. Não tive escolha. - observei a expressão dele. Talvez estivesse memorizando milhares de perguntas, embora eu não entenda o motivo para isso. Por que ele queria saber quem eu era? - Você parece odiar Konoha.

-Sim, odeio.

-Por que?

-Por que gosta daqui? - pelo jeito, apenas ele faria as perguntas.

-Por que não gostar?

Ele me fitou um tanto curioso, parecendo irritado de novo.

-Preciso ir... - disse ele já de pé, apenas confirmando minhas suspeitas. Ele estava irritado. - Até mais...

Saiu rapidamente de lá, sem olhar para trás. Eu fiquei confusa. O que foi que eu fiz?

.

Deixei o hospital às onze da noite.

Naquela noite eu deveria ir embora com Tsunade-sama, mas no último instante, surgiu uma emergência e ela ficou de plantão.

Mesmo prometendo à ela que ficaria bem, eu estava assustada andando por aquelas ruas escuras àquela hora da noite. Eram poucos quarteirões até a parada de ônibus, ficaria tudo bem ao meu ver.

Porém, quando dobrei a esquina, havia um grupo de encostado em um muro. Meu coração disparou no mesmo instante. Odiava sentir aquela sensação de perigo.

Me afastei da calçada, para seguir no canto da rua, o mais afastado possível deles. Mesmo que não fossem perigosos, não deveria arriscar a sorte.

-Opa...

-Espera aí, gatinha....

-Onde você vai? Segura, cara! Não deixa passar!

Droga!

Acelerei meus passos, e isso fez com que eles corressem atrás de mim. Medo. Estava morrendo de medo.

Um deles já estava à minha frente, me impedindo de passar. O cheiro forte de álcool estava deixando-me enjoada. As risadas maltratavam meus ouvidos e o medo me invadia a consciência.

-Não me toque! - afastei a mão de um deles para longe do meu corpo.

-Não precisa ter medo não...

Eram três homens. Estavam me cercando, ameaçando me tocar.

-Socorro!! - gritei o máximo que pude, mas isso só fez com que eles me segurassem mais forte, tapando minha boca.

-Quietinha... Só vamos brincar um pouco.

Tentei me desprender do que me segurava, usando o máximo de força que poderia ter. Porém era inútil. Os três me seguravam de uma vez só, me levando, pelo que pude notar, para dentro de um beco escuro.

Senti minhas costas se chocarem com uma parede fria de tijolos, enquanto um deles tentava rasgar o meu casaco.

-Quietinha, ou furo você... - o outro apertou meu pescoço, mostrando uma faca. - Se você cooperar, a gente te deixa viva depois disso...

Meu rosto já estava encharcado pelas lágrimas. Meu corpo tremia de medo, desistindo de resistir à eles.

Já era tarde.

Perderia minha pureza do pior jeito possível. A pior coisa que poderia acontecer à uma garota.

Minha mente, meu corpo já esperavam por isso, assim que a faca que ele tinha em mãos, desceu cortando meu vertido, expondo meu corpo para o vento frio e para os olhares lascivos e maliciosos daqueles bandidos.

Apertei meus olhos, tentando ignorar as palavras obscenas, as mãos que apertavam meus pulsos contra a parede e que tocavam meu corpo.

Até que alguma coisa os retiraram de mim.

Em questão de segundos, as mãos, todas elas que estavam no meu corpo, me soltaram junto a gritos. Abri meus olhos, foi então que eu o vi...

-Sa... Sasuke-kun? - meus olhos não estavam vendo aquilo! Só poderia ser um sonho.

Ele surrava os três de uma vez.

Um já estava com o rosto ensanguentado, caído na lama ao lado de uma lata de lixo.

-Seu desgraçado! - o que estava com a faca, avançou para cima de Sasuke, mas foi ao chão logo em seguida, apenas com um golpe dado em seu pescoço.

O outro ainda de pé, saiu correndo antes que Sasuke se aproximasse dele.

Eu fitei as suas costas de olhos arregalados sem acreditar no que acabara de acontecer. Ele se virou para mim, sua expressão estava dura, parecia muito mais que furioso.

Seus olhos subiram e desceram no meu corpo. Eu sabia que estava seminua, porém não conseguia mover um músculo. Aquele pavor que eu sentia na presença daqueles bandidos, desaparecia aos poucos, enquanto eu me dava conta de que era ele mesmo que estava ali.

Ele se aproximou, retirando seu sobretudo, para em seguida me cobrir com ele. Eu estava trêmula, não só pelo frio, mas pelo que acabara de me acontecer.

-Venha... - sussurrou, me colocando entre seus braços, para me retirar daquele beco sujo e empestado de ratos. Eu não tinha forças para caminhar, mas estava andado. Ou melhor, eu estava flutuando. Meu corpo era levado pelo dele.

Não percebi quando, mas já estávamos dentro de um carro.

-Você está bem?

Olhei na direção dele ao meu lado, sentindo que todo medo, todo pavor já haviam passado.

-Como... Como você... - minha voz ainda estava trêmula e meu rosto molhado pelas lágrimas. - Sabia onde eu estava?

-Muita coincidência... - respondeu entre dentes.

Ele estava muito sério. Parecia ainda muito bravo.

-Ou sorte... - sussurrei, reparando nos estragos da minha roupa., tentando me cobrir com o sobretudo que estava envolta dos meus ombros. Dele emanava um perfume inebriante. O mesmo que senti na noite em que eu o conheci. O mesmo que brincava com a minha sanidade nos meus sonhos.

Olhei para ele mais uma vez, percebendo sua expressão séria, como se estivesse se culpando por alguma coisa. Naquele momento adoraria saber o que ele estava pensando.

Ele não era mais um estranho aos meus olhos, pois nunca, em nenhum momento da minha vida, me senti tão segura, como naquela noite.

~ Flashback Off ~

~•○•~


Continua...