Capítulo 7. Quarentena

Tema: começos

Quando abriu os olhos, Harry percebeu que não sabia onde estava. Mas percebeu o olhar insistente de um enigmático Mestre de Poções em sua direção.

– Como se sente, Potter?

– Prof. Snape? – O rapaz parecia tonto ao tentar se sentar na cama. – Onde... O que... ?

Severus pegou um frasquinho na mesinha de cabeceira e indicou:

– Beba isto.

Harry obedeceu e devolveu o frasquinho, sentindo um alívio incrível na garganta. Só então Severus indagou:

– Você se lembra de alguma coisa, Potter? Seus colegas o trouxeram para cá num estado lastimável.

O rapaz enrubesceu e desviou o olhar, lembrando-se das conversas na caverna perto de Hogsmeade, e apenas fez que sim com a cabeça. Severus optou por sentar-se na cama dele:

– Acredito que precisamos conversar.

– Sim, senhor. – O rapaz inspirou fundo e encarou-o. – Gostaria de começar... pedindo desculpas. Eu me comportei de maneira... er... Eu não deveria ter dito aquelas coisas.

Harry estava mortificado, mas era verdade. Ele estava se sentindo mal por ter dito aquelas coisas. E agora, assim, tão perto de seu professor, ele podia sentir as sensações agradáveis e excitantes de novo. Mas temia a reação. Será que agora ele não teria mais chance de se redimir junto ao seu dominante?

– Está tudo bem, Harry. Permite que eu o chame de Harry? – O rapaz assentiu e Severus continuou. – A verdade é que eu tinha ainda menos direito de tratá-lo do jeito que eu lhe tratei. Por isso, eu... lamento muito. Bem, agora que já trocamos nossos perdões, precisamos tomar uma decisão.

Harry deu de ombros:

– Mas não há o que decidir, há? Digo, se não fizermos, vamos morrer. Foi por isso que passei mal, não foi?

– Foi. Mas ainda assim, Harry, eu não quero que se sinta desconfortável. Se você não quiser nada comigo, eu... aceitarei sua decisão.

– Você... morreria?

– Acredito ter dito isso.

– Mas você é meu dominante. Não pode me... dominar?

– A prática pode ser considerável aceitável entre Koboldines, mas não é aceitável para mim. Eu jamais infligiria dor a meu submisso. Além disso, se essa situação o enoja tanto, não gostaria de aumentar seu sofrimento. Você obviamente me acha repulsivo, e eu não quero me impor a você. Literalmente, prefiro morrer antes que isso aconteça. Mas também gostaria de evitar ao máximo sua morte. Não tenho o mínimo interesse em vê-lo morrer... Harry.

Harry ainda estava um tanto quanto fraco, mas as palavras de Snape tiveram grande impacto. Ele nunca tinha visto seu professor daquele jeito – sem o tom ácido na voz, ela era agradável, maviosa e sedosa.

Severus continuou:

– Mas antes de você tomar qualquer decisão, é bom se lembrar de algumas coisas. Em primeiro lugar, vamos morrer. Ponto. Pessoalmente, não é um pensamento que me incomode muito, mas você seria considerado uma grande perda, tão jovem e tudo mais. E é verdade. Você pode fazer muita coisa com sua vida. Mas, independente de nossos sentimentos pessoais sobre o assunto, há um outro fator a considerar.

– Você quer dizer Voldemort.

– Apreciaria se não mencionasse o nome dele, por favor. Mas seja como for, sim, você tem razão. Esse é um problema que não podemos ignorar.

– Professor, eu conversei com algumas pessoas e acho que não vai dar para escolher outra coisa. Até porque eu não quero escolher outra coisa.

Severus o encarou. O rapaz transmitia sinceridade no rosto, mas talvez não soubesse do que estava falando. Afinal, havia um cheiro de pêssegos forte ali. Não mais de pêssegos estragados, apenas pêssegos extremamente maduros. O professor quis ter certeza de que Harry sabia as implicações de sua escolha.

– Tem certeza do que está dizendo, Harry? Precisa estar consciente de que sua escolha pode implicar alguns comportamentos com os quais você não pareceu confortável.

– Você fala da... coisa gay?

– Precisamente da coisa gay. Você antes parecia ser tão não-gay, mas agora soa confortável com a idéia. Que milagre operou a mudança?

– Bom, como eu disse antes, eu falei com umas pessoas...

Foi interrompido:

– Seu padrinho e Lupin o convenceram a ser gay de repente?

– Claro que não. Mas eles me fizeram ver que eu estava sendo muito infantil. – Ele abaixou a cabeça. – É que... bom, eu meio que pirei por causa dessa história de dominante e submisso. Achei que fossem... umas coisas... ruins...

– Acreditou que haveria abuso e violência?

Envergonhado, o menino assentiu sem conseguir encará-lo. Severus indagou:

– E por que parou de achar isso?

– Remus me falou sobre meu pai... e você.

– Gostaria de falar sobre isso? Ou talvez... de perguntar algo?

Harry ergueu a cabeça para encará-lo. Ele ainda não sabia o que estava sentindo, ainda mais em relação a seu pai e Snape. E agora seria ele e Snape. Mas algo dentro de Harry – talvez o tal feromônio que Snape tinha mencionado na outra noite – queria aquilo, embora outra parte achasse aquilo meio esquisita. E o rapaz sentia também algo como uma rejeição, mas ele não sabia o porquê.

Era tudo muito confuso.

– Er... Eu gostaria de fazer perguntas, mas não sei o que perguntar.

– Eu não sei o que Lupin e Black lhe contaram sobre seu pai e mim. Gostaria de saber mais a esse respeito?

– Não! – respondeu Harry apressadamente, fazendo a sobrancelha do seu companheiro de enfermaria subir. O rapaz se corrigiu: – Quero dizer... Primeiro deixe-me entender por que não estamos mais na enfermaria.

– Mas aqui é a enfermaria. Estamos no isolamento, uma quarentena para tratar de hidrofobia hipogrífica, que é uma moléstia mágica extremamente contagiosa. Claro que essa foi uma fachada criada pelo Prof. Dumbledore para esconder a verdadeira natureza da nossa necessidade de ficarmos juntos por um extenso período. O fato de termos adoecido juntos ajudou no disfarce.

– O Prof. Dumbledore... sabe disso tudo?

– Sim, ele soube de tudo através de seus amigos Weasley e Granger. O que eles não sabiam é que o Prof. Dumbledore conhecia em primeira mão e como experiência pessoal muita coisa a respeito dos Koboldines.

– Como assim?

– O Prof. Dumbledore é um de nós, Harry.

– Jura? Mas... como?

– Posso lhe garantir que esta revelação também é uma surpresa para mim. Afinal, normalmente já teríamos sido detectados.

De repente, Harry empalideceu e arregalou os olhos, uma possibilidade horrenda lhe passando pela cabeça:

– Então... o Prof. Dumbledore poderia ser o meu...meu... E eu poderia ter ficado atraído por...?

Severus entendeu aonde ele queria chegar e garantiu:

– Não, garanto que não. Para começo de conversa, o diretor é um submisso, como você. E, mais importante, ele já está numa idade em que os impulsos de acasalamento não interferem na sua vida cotidiana.

– Nossa... Por essa eu não esperava.

– Mas ele deixou algum material literário sobre o nosso dilema, se você quiser ler mais sobre isso.

– Talvez mais tarde. Eu... gostaria de descansar um pouco.

– Então ao menos tome uma sopa antes de voltar a dormir. Você não come nada há muito tempo.

– Professor, er...

– Chame-me de Severus. Aqui podemos ser nós mesmos, dois Koboldines passando pela época de acasalamento.

– Er... Severus. Não sei como perguntar isso... Mas... por que está sendo tão legal?

– Como disse antes, somos dois Koboldines. Eu sou o dominante. Meu dever é cuidar de meu submisso, protegê-lo, satisfazer suas necessidades.

– Por isso você não me odeia mais?

Num reflexo, Severus tentou dizer:

– Eu não... – e deteve-se.

Porque não diria a verdade. Ele odiava Harry, sim. Odiava, odiara, tinha odiado: tempo passado. Por causa de James, seu pêssego, e de Lily. Agora, porém, ele não podia dizer em sã consciência que odiava Harry. Podia ser apenas pelo período de acasalamento, mas naquele período, naquele momento, ele não odiava Harry.

Então ele pigarreou, ergueu a sobrancelha e afirmou, categórico:

– Eu não te odeio. Se odiasse, iria conjurar canja de galinha para você?

Harry esboçou um sorriso fraco e Severus achou que aquilo ia ser um bom começo. Por causa da doença, Harry ainda não sentia a compulsão totalmente: seu organismo precisava se fortalecer para que a dança do acasalamento se manifestasse de forma plena, com sua faceta irresistível. O próprio Severus, agora mais maduro do que na última vez que sentira o chamado Koboldine para acasalar, também estava mais sereno e tranqüilo.

Quando a florada de pêssegos entrasse em seu auge, porém, claro que as coisas mudariam.

Próximo capítulo: A dança de acasalamento em plena quarentena

Capítulo 8 – Falemos de você

Tema: national geographic

Harry ainda dormiu muito tempo, debilitado que estava depois de dias muito fraco. Madame Pomfrey bateu à porta da unidade de isolamento e examinou os dois. Ficou satisfeita, disse que eles estavam bem melhores, mesmo que Harry ainda estivesse sonolento e grogue. De qualquer forma, hidrofobia hipogrífica requeria isolamento mínimo de 10 a 15 dias, então ela avisou que estariam juntos por muito tempo até o alerta de contágio ser suspenso.

Não que ele fosse rato de biblioteca como Hermione, mas Harry logo ficou intrigado pela pilha de livros que estava na escrivaninha. Havia livros de criaturas mágicas, seus livros escolares, livros de mitologia e... um Kama Sutra gay.

Entre excitado e receoso, Harry começou a folhear o livro. Não que fosse uma adaptação do Kama Sutra para a população gay, era apenas um manual de sexo entre dois homens, mas falava sobre conhecer seu corpo e ficar à vontade com ele, bem como o do parceiro.

Harry gelou. Ele tinha um parceiro.

E nesse momento, o dito parceiro estava olhando para ele, em pé, ao lado de sua cama.

– Achei que gostaria de companhia para essa leitura.

Num reflexo, o garoto se sobressaltou e quase escondeu o livro. Aquilo provocou um meio sorriso do professor, que se sentou na cama e observou, divertido.

– Se você realmente pretende... entrar nesse caminho, talvez fosse interessante fazermos isso juntos.

– Eu... nunca tinha visto nada isso antes. – Harry estava enrubescido. – Mas... não parece ruim.

– Posso chegar mais perto? Assim podemos ver o livro juntos.

– Oh, claro.

Harry se afastou e Severus recostou-se no encosto da cama, pegando o livro na mão.

– Gostaria de começar por algum capítulo em particular?

– Posso fazer uma pergunta? Aquilo que você falou é verdade? Digo... eu posso voltar a gostar de garotas um dia?

– Claro. Entenda que você só está atraído por mim num nível muito instintivo. Você sente a atração?

– Um pouco. – Harry se ajeitou mais para perto dele. – Antes era mais, mas eu não entendia o que estava acontecendo. Algo me chamava, e eu sentia... coisas.

– É assim mesmo. São reflexos de um Koboldine saudável no tempo do acasalamento. Quando sua saúde melhorar, você vai voltar a sentir essas coisas. No momento seu corpo está fraco, mas em breve, a atração vai aumentar. Você não vai conseguir resistir. Nem eu. Isso o assusta?

– Não, tudo bem. – Harry sentiu que estava dizendo a verdade. Ele se voltou para o livro, aconchegando-se em Snape. – É bom ler juntos.

– Vamos ter que nos acostumar a fazer bem mais do que apenas ler juntos, Harry. – Ele abriu o livro numa página em que havia a figura de dois homens. Um estava de bruços, sem camisa, e o outro massageava suas costas. – Que tal isso?

– Massagem? – Harry olhou o livro e arregalou os olhos. – Aqui diz que pode ser erótico.

– Tocar seu companheiro pode ser erótico e sensual, mesmo sem ter objetivo de excitação sexual. O toque é confortante e aproxima mais as pessoas, tanto fisicamente como emocionalmente. É imprescindível para construir intimidade.

– Então vamos precisar nos tocar, não é?

– Exato, Harry. Se o toque for desconfortável para você...

– Não! – Harry o interrompeu. – Não, está... bom. Desculpe eu ser tão sem jeito. Nunca fiz isso antes.

– Você não tocava essa sua garota?

– Bom, ela me beijou... uma vez.

– E depois disso vocês se tornaram mais íntimos?

Harry desviou o olhar e disse, num tom amargurado:

– Não, depois disso Voldemort atacou o Sr. Weasley e aí eu não tive mais chance de... Sabe.

– Sinto muito. Você gosta dela?

– Acho que sim. Eu não sei. O que sinto agora é tão... tão... Nunca senti antes.

Severus tentou afastar o sentimento de déjà vu para dizer:

– Olhe, Harry, é melhor você encarar desde já o fato de que entre nós ocorre apenas atração biológica. Não há sentimentos envolvidos.

Harry ergueu a cabeça para encarar seu companheiro. As palavras de Snape – quer dizer, Severus, corrigiu-se – deveriam tranqüilizá-lo. Foi o que Sirius lhe dissera na caverna: "Você vai passar algum tempo com Snape, depois você volta para nós." E ia ser assim? Pronto e acabou? Por que ele não se sentia mais tranqüilizado com aquilo?

Severus percebeu algo nos olhos verdes:

– Algo errado?

– Não, não. Eu sei que tem que ser assim. Não é como se fôssemos casados para a vida toda.

– Não, só de nove em nove anos.

– Mas podemos ser amigos, não podemos?

– Vamos ficar presos aqui quase duas semanas. É melhor sermos amigos.

– Não, eu quero dizer depois. Depois que er, terminar.

– Você quer ser meu amigo, Harry?

– Sim, quero. Afinal, vamos ser amigos especiais. – O rapaz sorriu e se aconchegou mais ainda a Severus. – Hum, isso é bom. Gostei desse seu livro.

– Não é meu. Foi deixado pelo Prof. Dumbledore.

Harry arregalou os olhos. Severus continuou:

– Talvez pudéssemos aproveitar esse tempo e nos dedicarmos às suas aulas de Oclumência.

O primeiro impulso de Harry foi gemer de desgosto, mas Severus lhe dissera que, como Koboldine, ele teria facilidade de aprender o assunto. Talvez a segunda tentativa não fosse tão desagradável.

– Está bem. – Ele tentou, mas não pôde evitar soltar um bocejo. – Por que eu estou dormindo tanto?

– Porque seu corpo está se recuperando da maneira mais natural possível. Isso é muito bom. Gostaria de descansar um pouco?

– Depois do jantar. Quero ver um pouco mais desse livro primeiro.

– Pot – Severus se corrigiu rapidamente – Quero dizer, Harry, eu gostaria de saber se está confortável com isso.

– Sim, eu já disse que sim. Eu vou fazer o que tem que ser feito.

– Escute. – Severus fechou o livro e encarou-o de frente. – O impulso do acasalamento é bastante imperioso. Você vai descobrir que, quando seu corpo estiver recuperado, você não vai resistir muito. Nem eu. Portanto, embora você agora me veja contido e bastante respeitoso, isso não vai ficar assim para sempre.

Harry olhou para ele, os arregalados olhos verdes percorrendo o rosto de Severus nervosamente:

– Está querendo me assustar?

– Harry, eu não vou estuprar você, se é o que está pensando. É só que eu não vou ficar andando macio por muito tempo. Meus hormônios me controlam no momento, mas intelectualmente, eu sei que não sou uma pessoa compreensiva, nem um mentor sexual. Francamente, se vamos ficar presos durante tanto tempo, temos que fazer o máximo para ter algum conforto durante este período. E sermos nós mesmos. Você também não vai ser esse menino assustado por mais tempo. Sei que no momento, devido à minha condição alterada, não estou tão articulado quanto costumo ser, mas acredite no que estou tentando lhe dizer, embora de maneira desastrada.

O rapaz não respondeu. Ele entendeu perfeitamente do que Severus falava. Podia sentir a "coisa" que infestava Hogwarts observando-os, à espreita. Um dia desses ela iria atacar. Harry sabia que ela atacaria, e que ele não resistira.

Portanto, ele fechou os olhos, abriu o livro numa página aleatória e olhou para ela. Havia uma figura. Ele a mostrou a Severus:

– Promete me ensinar a fazer isso?

Severus olhou a gravura do livro e sentiu suas pupilas se dilatando. Seu cérebro pareceu ficar marcado a fogo com a imagem de ele e Harry fazendo aquilo. Oh, Merlin...

Nesse momento, Dobby apareceu, com o jantar para os dois. Severus empurrou para o fundo do cérebro os pensamentos inapropriados e concentrou-se na deliciosa vitela que os elfos prepararam. Ele só gostaria de saber o que se passava na cabeça de Harry, que durante toda a refeição lançou-lhe olhares como se estivesse longe de satisfazer sua fome.

o0o o0o o0o

Sonhos agradáveis e Severus Snape não eram duas coisas que normalmente apareciam juntas. Severus tinha suas noites povoadas por pesadelos, geralmente protagonizados pelo Lord das Trevas, por sua adolescência conturbada, sua infância infeliz... Por isso ele estranhou muito que estivesse sonhando com uma tarde quente de verão, num lugar ensolarado, um pomar verdejante, com pessegueiros carregados. Severus caminhava descalço por entre as árvores, raios do sol alcançando sua pele pálida, o calorzinho aquecendo-o por dentro e por fora. Ele suspirou, fechando os olhos para melhor sentir o bafo cálido da brisa. Imaginou onde seria o local. Sul da França, talvez. Vale do Loire? Interior da Espanha? Onde havia tanto sol assim?

Num sobressalto, ele acordou, na cama da enfermaria, a penumbra suave da noite sem lua. Sentiu um peso quente a seu lado e virou-se. Deitado a seu lado, encolhido, tentando aconchegar-se a seu corpo, estava Harry Potter, exalando um delicioso aroma de pêssegos frescos, suculentos, maduros. No ponto.

Severus se mexeu, e o sonolento Harry instintivamente ajeitou-se, pousando a cabeça em seu peito. Mas o movimento o fez abrir os olhos verdes e ele sorriu para seu dominante:

– Oi... Acordado?

– O que...?

– Eu quis ficar perto de você... Comecei a sentir umas coisas...

– Você está bem? Quer que eu chame Pomfrey?

– Merlin, não. Definitivamente não. – Harry sorriu ainda mais e começou a passar a mão no peito de Severus. – Sabe, as coisas que eu estou sentindo... me fazem muito bem... Fico com vontade... De fazer coisas... – Ele se impulsionou mais para cima, aproximando seu rosto do de Severus. – Posso...?

Severus notou o rosto dele corado, a respiração ofegante, os olhos brilhantes e sorriu também. A hora tinha chegado.

Respondeu, a voz adquirindo um timbre diferente, mais profundo e poderoso:

– Você pode qualquer coisa, Harry.

Era uma permissão e era tudo que Harry queria.

Próximo capítulo: Coisas que esquentam a noite