Capítulo 9 – Já chega de falar
Tema: beijo
De repente, o rapaz se afastou dele e, num gesto rápido, livrou-se da camiseta que usava para dormir. Severus olhou a pele branca, lisa, jovem, com poucos músculos definidos, definitivamente pendendo para uma aparência magricela. Nada disso impediu uma parte profunda de sua mente de observar a imagem de maneira apreciativa.
Harry se debruçou sobre ele e encostou os lábios no seu pescoço, distribuindo beijos tão suaves que pareciam pequenas borboletas batendo asas. A sensação estranha aumentava, mas o sentimento de estranheza rapidamente se esvaía. Era difícil de definir, e no momento, Harry estava longe de se esforçar em busca de uma definição. Aquele momento parecia perfeito, tanto quanto a pele pálida sob seus lábios, que parecia ansiar por mais daqueles beijos que agora eram apenas um aperitivo para o seu apetite.
O toque do jovem fazia Severus estremecer ligeiramente, pequenos arrepios se espalhando em sua pele. Mas a proximidade do rapaz levava o cheiro de pêssegos a inebriá-lo, tirá-lo do sério. O sangue cantava em suas veias, viajando célere de todo o seu corpo para se concentrar num só ponto. O Koboldine dominante envolveu Harry num abraço, e o rapaz resolveu se deitar sobre ele, buscando abrir os botões de seu camisolão. Ao mesmo tempo, continuava a beijar-lhe o pescoço, levando os lábios a vaguear também para a parte externa da orelha, a mandíbula.
A respiração de Severus se acelerava; ele jamais tinha essas reações tão imediatas a não ser quando estava sujeito ao soçobrar do mar hormonal no qual rapidamente se afogava. Ele apertou Harry em seus braços, e o movimento fez suas ereções ficarem pressionadas contra seus corpos. Aí sim, é que Severus sentiu a reação elétrica a se espalhar por seu corpo.
Harry não sabia de onde tirava aquelas idéias de beijar Severus, mas não sabia como não as tinha tido antes. Era tão bom, e o deixava tão bem, tão disposto a mais, a mais, com um sentimento de urgência a impulsioná-lo rumo a algo que ele não sabia direito o que era, mas ele queria logo e queria muito, muito, como se fosse morrer se não tivesse aquilo. Ele não conseguia resistir nem queria resistir. Com pequenos movimentos de língua, ele também provava o gostinho da pele de Severus, deliciosa e viciadora.
Por isso, talvez, que Harry tenha decidido que só a pele não era suficiente. Então, sem pedir permissão, sem pensar, o rapaz se esticou e colou seus lábios nos de Severus.
Todos os ruídos cessaram.
O relógio pareceu parar de bater.
O tempo parou.
Severus mergulhou num beijo inesperado, sem pensar, deixando seu corpo tomar conta de suas ações, seus instintos assumindo. Ele também assumiu o controle daquele beijo, naturalmente, sem inibir a iniciativa de seu inexperiente submisso. Se Severus tivesse condições de racionalizar suas ações, veria que a Terra parecia finalmente ter voltado a girar em seu eixo, as coisas voltavam aos lugares. Era grande a sensação de pertencimento.
Seu submisso não estava em melhores condições. Aquele toque entre os dois lábios foi tão intenso que Harry teve um choque e imediatamente ficou paralisado, as sensações tomando conta de seu corpo numa overdose. Ele simplesmente deixou a coisa acontecer e Severus assumir, até porque ele nunca tinha experimentado coisa semelhante antes. Ele não pensou no beijo de Cho, mas, se tivesse feito isso, certamente estaria gargalhando. Não poderia comparar aquele encontrão de lábios ao primeiro beijo com seu amante.
O cheiro de pêssegos que envolvia Harry inebriava Severus, parecendo impregnado entre os dois. Severus sabia que precisava parar de beijar o rapaz e respirar um pouco, embora não pudesse se lembrar, naquele momento, por que oxigênio era tão necessário, uma vez que aquilo era tão bom. Mas ele não queria machucar seu submisso, e se ele continuasse o que fazia, não poderia se deter.
Por isso ele se separou e encarou o rapaz. E quase parou de respirar de novo.
Harry estava corado, os olhos fechados, a boca ainda entreaberta, como se não tivesse acreditado que o beijo tinha acabado. Era o retrato da inocência corrompida. Ainda mais quando abriu os olhos e encarou-o, num misto de devoção, adoração e desejo.
– O que você quer, Harry? – Severus perguntou, ofegante. – O que você quer que eu faça?
– Por favor... Não pare...
– Harry... Você ainda não está pronto. Mas eu posso fazer outras coisas...
O rapaz de repente se espremeu contra o corpo de Severus, tentando recapturar a fricção:
– Por favor... prepare-me! Severus... por favor... Eu preciso...
– Agora não, Harry – Severus pôs a retirar-lhe as calças do pijama, descobrindo extasiado que o rapaz não se incomodara em colocar roupas de baixo. – Merlin...
Ele parou por alguns segundos para observar o rapaz no quarto escuro. Harry era todo angular e liso, sua pele com uns poucos pêlos, mesmo na região púbica. Severus fez seus longos dedos o acariciarem abaixo do umbigo, depois passearem pela região do osso da bacia, observando que ele era tão magro que os ossos pareciam querer furar a pele.. Finalmente, ele alcançou a virilha, e Harry gemeu alto, os quadris mal se contendo, buscando maior contato.
– Sever...!
Os lábios de Severus interromperam a exclamação de Harry ao mesmo tempo em que seus dedos se fecharam em volta de seu pênis ereto, quente e sedoso. O jovem pareceu se derreter com o contato, mas ele logo renovou seu entusiasmo quando Severus passou a movimentar a mão, para cima e para baixo.
Harry estava perdido em um mar revolto de sensações extremas. Inebriado com o movimento, ele nem parou para pensar que Severus era a primeira pessoa a tocá-lo tão intimamente, ou a vê-lo tão exposto. Ele só queria mais daquela maravilhosa pressão, a fricção, o sangue indo todo para aquela região. Seus gemidos eram abafados pelos lábios de seu amante, e ele arqueou a cabeça para trás e a pélvis para frente, respirando de boa aberta, os gemidos virando gritos.
Severus sentiu que o rapaz não ia demorar muito. Então ele manteve o movimento de bombear com uma mão e usou a outra para massagear as duas bolotas já inchadas e rijas. A respiração de Harry rapidamente se tornou irregular, os gritos aumentaram, e Severus achou que era a melhor ocasião para afastar-lhe as pernas ainda mais e deslizar um dedo na abertura.
Foi o que bastou para Harry uivar, as bolas se comprimiram e ele se esvaziou na mão de Severus, com um grito silencioso. Seu corpo, todo rijo, pareceu viajar, entrar numa dimensão paralela, mas não com um corpo. Eram apenas moléculas soltas, pairando num lugar além do espaço e do tempo, o nexus do tudo e do nada. Ele não era mais Harry, mas tudo à sua volta era Harry. A sensação durou alguns segundos. Talvez fosse a falta de oxigênio no cérebro.
Severus o manteve em sua mão o tempo todo que o rapaz se contorceu, e depois acariciou seu membro flácido. Enquanto Harry tentava se lembrar de como era respirar de novo, Severus se inclinou e passou a lambê-lo, o cheiro de sal e pêssego se misturando, excitando-o. Ao mesmo tempo, ele se livrou de seu camisolão, nunca deixando de fazer contato com a pele macia de seu submisso.
O cheiro de Harry era de deixar qualquer um viciado, e Severus se entusiasmou, passando a provar o gosto dele em toda a região, incluindo as bolas, que estavam murchas mas pareciam estar voltando a se firmar sob seus lábios. Ele também foi ainda mais para baixo, a fim de provocar a entradinha com a língua, e Harry soltou ruídos preguiçosos, abrindo totalmente as pernas para Severus encaixar a cabeça entre elas. Ele estava tão confortável que não queria parar de brincar no playground chamado Harry.
Harry achava que tinha chegado ao paraíso. Seu pênis ainda sensível começou a ser carinhosamente lambido, a umidade quente e aconchegante deixando-o louco. Em seguida, ele foi abrigado pela boca de Severus, os lábios macios fechando-se, e ele parecia estar pronto para uma segunda rodada.
Severus não perdeu tempo: ao sentir que Harry estava renovando seu interesse, ele se dedicou a acariciar, lamber e chupar tudo que estava à sua frente. Com uma mão, ele segurou a base e passou a prestar atenção especial na glande, que estava decididamente chegando a uma cor arroxeada de tanto sangue. Primeiro Severus esticou a língua e brincou com a aberturinha na ponta com a cabeça de cogumelo, depois ele passou a explorar a junção com o falo, particularmente a veia inchada que permeava toda a coluna firme e rosada. Enlouquecido, Harry gemia, sem sequer tentar se controlar, procurando entrar mais e mais na boca de seu amante. Severus imaginou quanto tempo ia demorar até ele começar a gritar de novo. Quem sabe com um empurrãozinho...
Harry efetivamente começou a gritar quando Severus empurrou dois dedos por sua entrada naturalmente lubrificada sem parar de chupar a pontinha do seu pênis. O dominante sorriu ao se lembrar de que um Koboldine submisso era naturalmente lubrificado, sem necessidade de gel ou cremes. A overdose de sensações fez o rapaz ficar todo tenso, prender a respiração e esvaziar-se de novo, dessa vez na boca de Severus. Mais uma vez, o Koboldine dominante manteve-se com seu submisso até ele parar de estremecer com os espasmos de seu clímax. Depois, ele o lambeu até ele ficar limpo e ajeitou-se para abraçá-lo, tentando se esquecer de sua própria ereção latejante.
Os dois ficaram deitados, em silêncio. Isso durou exatamente 23 segundos.
– Por favor... me ensina...
Severus olhou para baixo e viu Harry a encará-lo, os olhos verde escuros no quarto mal-iluminado. O rapaz repetiu:
– Quero que me ensine a fazer isso. Severus, foi... brilhante. Quero fazer o mesmo por você, mas... não sei como.
– Só seja você mesmo, Harry. Não tem como errar. Eu o ajudo.
Harry sorriu, e era uma visão maravilhosa. Severus acompanhou com os olhos quando ele se virou e pôs-se de quatro, em cima de seu corpo, beijando-o rapidamente antes de engatinhar para se ajeitar entre suas pernas.
Nunca antes Harry tinha visto o corpo nu de um homem feito. Severus tinha tanto pêlo, pensou, envergonhando-se de seu próprio corpo franzino e imberbe. E quando ele olhou para baixo, então... Harry sentiu a saliva brotando em sua boca. Severus tinha um pênis bem maior e mais grosso do que o de Harry, embora ele não soubesse dizer se eram dimensões acima da média, pois era o primeiro pênis adulto que Harry via assim, ao vivo e em cores. E que cores. Era um vinho bem escuro, quase roxo profundo. Parecia pesado e estava cheio de veias, rodeado por um tufo volumoso de pêlos bem pretos e espessos.
Por um momento, Harry sentiu uma pontada de vergonha por seu pênis tão infantil, mas também estava excitado. Os quadris de Severus eram bem estreitos, mas ele não era tão ossudo quanto parecia. Os pêlos de suas pernas não eram muito concentrados, mas havia bastante deles abaixo do joelho.
Severus se ergueu um pouco para se apoiar no encosto da cama e Harry ficou ainda mais próximo da ereção, que balançou lentamente, rija e imponente, enquanto Severus se mexia. O movimento era fascinante.
Severus quebrou o fascínio:
– Ficará mais fácil se você umedecer seus lábios.
Harry obedeceu, passando a língua neles, e a ereção de Severus reagiu ao movimento. O rapaz se aproximou dela, inspirando o aroma almiscarado de seu dominante.
Ele tomou o pênis entre os lábios, e parecia pesado em sua boca, com um gosto salgado e azedinho, penetrante. Sua primeira impressão não foi ruim. E havia o cheiro de Severus, que ele rapidamente estava aprendendo a reconhecer.
– Use a língua – instruiu Severus. – E cuidado com os dentes.
Harry obedeceu, dando-se conta de que era a primeira vez que beijava e provava um pênis. Sugou delicadamente, e sentiu, com um arrepio, que as veias se moviam sob sua língua. Ah, que sensação.
Uma mão o sobressaltou ligeiramente ao tocar seus cabelos rebeldes. Ele se acostumou ao carinho ao mesmo tempo em que sentia os quadris se Severus se mexendo para a frente, ritmados. Harry rapidamente se acostumou ao ritmo.
– Harry... muito bom... – Severus mal conseguia respirar. – Assim está... ótimo...
Então Harry ergueu o olhar, sem interromper o que fazia. Ele quase perdeu a concentração ao ver o rosto de Severus, transformado de prazer, como nunca antes Harry tinha visto. Uma emoção poderosa percorreu o rapaz quando ele se deu conta de que tinham sido suas ações que deixaram Severus naquele estado..
Harry decidiu que brincar com a pontinha era crueldade, e passou a chupar vigorosamente, acelerando o ritmo. Severus parou de falar, respirando em inspirações curtas e ruidosas, pegando a cabeça de Harry com as duas mãos para empurrar os quadris com mais força, e Harry ficou com medo de engasgar.
De repente, Severus soltou um gemido estrangulado e empurrou-se todinho para dentro da boca de Harry, que quase engasgou de verdade. Mas naquele momento Severus não podia ajudá-lo. Num orgasmo inacreditável, em que ele sentiu o tempo parar, ele pareceu se desconectar com o tudo, intensificado sua conexão primordial do existir. Era tudo paradoxal, transcendental. Frações de segundo mais tarde, ele estava arfando, enquanto sua semente jorrava na boca de Harry.
O rapaz sentiu o gosto de sal invadir-lhe a boca toda, vindo com um líquido quente, que Harry engoliu, por puro instinto. E continuou engolindo, enquanto Severus segurava seus cabelos com as duas mãos. Seu dominante parecia extático, passando por um clímax dos mais intensos.
Severus sentiu como se estivesse se dissolvendo virtualmente. Ele não mais existia, apenas viajava no espaço, cavalgando em ondas e ondas de prazer. Nunca tinha sentido nada parecido.
Com tanta intensidade, Severus não percebia que Harry tinha uma mão trabalhando freneticamente em seu próprio pênis, novamente rijo, a recuperação como só um rapaz de 15 anos era capaz. Mal Severus desabara na cama, Harry sentiu sua mão lambuzar-se com seu próprio jorro. Ele também pareceu se dissolver, virando meras células desagregadas num nada infinito. A sensação durou até ele recobrar a respiração e sentir-se dentro do seu corpo, que procurava o de Severus para se aninhar.
Só depois disso, e de um feitiço para limpeza, os dois conseguiram dormir, saciados e tranqüilos.
Envoltos em pura magia de união.
Próximo capítulo: Harry se dedica à leitura, Severus ajuda.
Capítulo 10 – Estudo conjunto
Tema: máscara
O contato físico ajudou imensamente na proximidade entre os dois, mas as coisas ficaram embaraçosas quando Madame Pomfrey entrou no isolamento no dia seguinte. Quando ela bateu, eles ajeitaram as roupas e se arrumaram. Severus abriu a porta.
Madame Pomfrey entrou, uma máscara cirúrgica mágica tapando-lhe nariz e boca. Ela também estava de luvas.
– Sr. Potter, está acordado. E estudando, sinal de que está bem disposto! – Ela soou imensamente satisfeita. – Vamos ver sua temperatura. Deite-se um pouco para que eu possa examiná-lo.
Harry obedeceu, enquanto Severus fingia que lia um livro da pilha que Albus lhe mandara. A enfermeira franziu o cenho, ele pôde ver as sobrancelhas se juntando:
– Bem, ainda há um resíduo de febre. Isso significa que a etapa de contágio ainda não passou. Sim, traços da infecção continuam presentes.
– Traços? – indagou Severus, preocupado.
– Alguns índices ainda não estão normais – respondeu ela, encerrando o exame de Harry. – Mas ele voltou a comer e confio que esteja dormindo normalmente, portanto esses índices devem voltar aos padrões normais em alguns dias. Agora você, Severus.
Ela encontrou as mesmas anormalidades no Mestre de Poções. Severus ficou tranqüilo. Vários dos livros de Albus falavam sobre o pouco que se sabia sobre a sua raça, e um deles trazia especificamente comparações entre as alterações metabólicas de um Koboldine na época do acasalamento em relação a um humano. A febre baixa e residual era constante até o fim do cio, e outros sintomas pareciam uma infecção moderada.
Severus explicou tudo isso para Harry depois que Pomfrey saiu. Deitados juntos na cama, eles folhearam juntos Mistérios de Obscuras Criaturas Mágicas.
– Então, na verdade, eu estou bem?
– De acordo com esse livro, sim. Você é um jovem Koboldine submisso em saúde totalmente perfeita.
– Legal. – Harry pegou o volume. – Não tem muita coisa aqui.
– Nossa raça sempre foi proscrita. Nossos antepassados, os Kobolds, eram descritos como demônios por causa de sua magia poderosa, até então desconhecida dos povos primitivos. Eles foram exterminados, o mesmo acontecendo com os Koboldines.
– Puxa – Harry mostrou. – Olhe, eles classificavam Koboldines. Devia haver muitos deles. Mas os nomes... Muza... Muza..
– Muzarab, Mizrah e Muxarab. Eram os mais poderosos. Pela descrição, eu diria que Albus é Muzarab. Ou se tornou um, depois de sua união com seu dominante.
Harry se espantou:
– Você pode mudar sua classificação?
– Oh, certamente. Essa hierarquia era dinâmica. Não é como se você nascesse numa classe de Koboldine e ficasse preso nela para sempre, como uma casta. A união entre Koboldines, que são todos mestiços, implica troca de energia. Isso deveria ser mais freqüente no passado, quando havia muitos de nós. Veja como esse livro é velho. Então havia Koboldines Muxarabi (Muxarabi é o plural de Muxarab), capazes de controlar elementais. Os Muzarabi também podiam manipular dimensões. E os Mizrahi... Bem, eles existem apenas em lendas. Diz aqui que eles eram extremamente poderosos, capazes de magia grandiosa como formar planetas, criar estrelas...
– É, isso parece mesmo ser coisa de lenda. Mas como eles sabiam que uns eram uns e outros eram outros? Entende? Como eles sabiam quem era o quê, e isso tudo?
Severus ergueu uma sobrancelha:
– Articulado como sempre, Potter. Mas entendi o que você quis dizer. Esses Koboldines de grande poder geralmente eram identificados por marcas no corpo, fossem de nascença, ou adquiridas em lutas mágicas e no acasalamento.
– Lutas mágicas?
– Enfrentamentos com criaturas mágicas e bruxos, diz aqui, podiam determinar a classificação e a marca que um Koboldine adquire. Acredito que tenha sido o que aconteceu com o Prof. Dumbledore, embora seria interessante se pudéssemos falar com ele a esse respeito.
Harry fechou a cara:
– Ele não fala comigo. Vem me evitando o tempo todo. Não sei o eu que fiz para aborrecê-lo.
– Harry, ele não está aborrecido com você. Mas lembre-se de que ele está um tanto ocupado no momento. Você sabe a situação que Hogwarts se encontra.
– Sim, eu sei. Eu entendo, mas... sinto-me rejeitado. Isso poderia ajudar a nos aproximarmos.
– Seria bom, mesmo. Adoraria consultar Albus a esse respeito. Esses livros não são exatamente fontes de pesquisa científica. A maioria fala de lendas inconsistentes e até incoerentes quando fala de nossa raça. Mais ainda quando o assunto são essas classificações.
– Bom – Harry deu de ombros –, não é como se eu ou você fôssemos Muzacoisa e superpoderosos. Muzarrab... Muxa... Onde é que eles arranjam esses nomes?
– No Oriente, de onde nossa raça parece ter surgido. Mas deve admitir que alguns poderes extras bem que poderiam ser úteis com o que está vindo por aí.
– É. Voldemort. Ele continua me dando pesadelos. Severus, poderia me ensinar a tal Oclucoisa?
– Oclumência.
– É, isso. Eu não agüento mais essas visões.
– Claro. Quer começar agora?
– Agora?
– Você não tem nenhum compromisso agora, tem? – brincou Severus, tentando disfarçar o risinho sarcástico. – Agora é uma excelente oportunidade.
– Na verdade – Harry se aninhou a ele, as unhas arranhando de leve o peito de Severus –, eu esperava tentar convencê-lo a me ensinar... outras coisas agora.
Severus ergueu uma sobrancelha e repetiu:
– Outras coisas.
– Isso mesmo. – Harry deu um sorriso, e Severus mais uma vez viu o retrato da inocência corrompida diante de si. – Coisas de um outro livro. Posso pegar?
– Por favor.
O rapaz pulou da cama e ficou de costas para Severus, procurando na pilha de livros. Ele voltou para a cama, o livro aberto. Era o Kama Sutra Gay. Na página havia o título "Penetração Anal" e uma ilustração de dois jovens engajados precisamente naquela atividade.
Severus sentiu o sangue viajando rumo ao sul. Harry sorriu, falsamente envergonhado, e pediu, imprensando seu corpo contra o de seu dominante:
– Você me ensina? Por favor?
Oh, era o que Severus mais queria. E o cheiro de pêssegos quase fundia sua mente. Mas ele tinha que ser responsável.
– Vamos chegar lá, Harry. Mas para chegar até lá é preciso um processo.
Harry tirou a camiseta e começou a abrir a camisa de Severus, dizendo:
– Ah, pode ser um processo bem rápido, não pode? Por favor, Severus... Por favor... Eu preciso...
Severus sentiu o corpo estremecer diante do tom tão desesperado e carente de seu submisso, os carinhos das mãos jovens e macias em seu peito, o cheiro de pêssego penetrando suas narinas, obnubilando-lhe a mente, e ele estava sem camisa sem sequer perceber. Olhou Harry: o rosto concentrado em retirar suas roupas, ele parecia um pesseguinho afoito, cheio de desejo e paixão, enchendo-lhe também dos mesmos sentimentos.
Pesseguinho delicioso. E todo seu.
O rapaz já começava a retirar as próprias calças, quando ele tomou os lábios macios e firmes entre os seus. Aquilo pareceu acalmar o pesseguinho, que se enroscou em seus braços, e pressionou sua anatomia rígida contra o corpo de seu dominante. Severus descolou os lábios de seu submisso, que já estava de lábios inchados e rosto esfogueado:
– Harry... Harry... Deixe-me ensiná-lo…
– Por favor.
– Então se segure.
Num movimento brusco, Severus ergueu Harry nos braços, o rapaz já totalmente nu, Severus apenas sem camisa. Pego de surpresa, Harry se agarrou a seu pescoço, e Severus explicou:
– Primeiro, um banho completo.
Dirigiu-se ao banheiro, pôs Harry sentado na borda da banheira e abriu a torneira. Nesse momento, os dois ouviram um espocar distinto de Aparatação. Antes que Severus lançasse uma azaração, imaginando ser um intruso, os grandes olhos verdes de Dobby sorriram para os dois:
– Prof. Snape, Senhor Harry Potter, senhor!
– Dobby! – Harry usou as mãos para se tapar. – Não podia bater?
– Desculpe, Harry Potter! Mas Dobby traz mensagens de seus amigos! – Ele mostrou as mãos com cartas, excitado. – Eles muito preocupados com saúde de Harry Potter!
Severus se virou para o elfo:
– Como você pode ver, o Sr. Potter está se recuperando. Mas apreciaria se você não aparecesse sem se anunciar.
As orelhas do elfo baixaram de tristeza, e ele se sentiu repreendido. Severus revirou os olhos, e Harry tentou dizer:
– Agradeço sua gentileza, Dobby. Você não fez nada errado, mas Prof. Snape está me ajudando enquanto estou doente, e, às vezes, estamos concentrados e não queremos ser interrompidos.
O elfo olhou com respeito redobrado para Severus:
– Prof. Snape ajuda Harry Potter?
Harry sorriu:
– Isso mesmo. Agora, ele ia me dar banho. Não é verdade, Prof. Snape?
– Pode me chamar de Severus, Harry. E sim, eu ia dar banho em você. Como se a torneira aberta e seu estado desnudo não fossem evidências suficientes.
O elfo franziu o cenho, concentrado. Depois sua expressão se alegrou:
– Dobby entende. Prof. Snape cuida de Harry Potter! Dá banho em Harry Potter porque Harry Potter está doente! Dobby não mais interrompe Harry Potter e Prof. Snape. Faz só aparecer comida e depois tira pratos! Dobby não atrapalha nunca mais!
– Obrigada, Dobby. E diga a Ron e Hermione que eu estou bem melhor.
– Dobby pode ajudar Prof. Snape a ajudar Harry Potter?
– Na verdade, pode. Sua magia élfica é perfeita para os serviços domésticos. – Severus ergueu uma sobrancelha. – Essa banheira é pequena para nós dois. Pode expandi-la?
Dobby olhou a banheira e estalou os dedos. Imediatamente, a banheira alargou-se consideravelmente, ficando espaçosa o suficiente para duas pessoas. Harry sorriu:
– Dobby, você é brilhante!
– Harry Potter é tão bom! Generoso, gentil, grande bruxo! Mesmo doente!
– Obrigado, Dobby. Agora precisamos continuar, se não água esfria.
– Dobby vai agora. Harry Potter pode chamar Dobby se precisar! Quando quiser! – O elfo olhou Severus e acrescentou, meio desconfiado. – Prof. Snape também pode chamar Dobby.
E sumiu, para alívio dos dois. Severus se virou para Harry:
– Onde estávamos?
E seu olhar era tão predador que Harry quase caiu dentro da banheira de tanto tesão.
Próximo capítulo: As lições continuam
