Capítulo 11 – A andaluza e a mão dupla

Tema: fetiche

Com um movimento rápido, Severus se livrou da calça de da roupa de baixo, e entrou na banheira com Harry. A água morna convidava Harry a relaxar, mas Severus advertiu:

– Eu falava sério quando disse que primeiro era preciso um banho. Não estamos aqui para brincar na água. Use a esponja.

Harry franziu o cenho, mas obedeceu, e começou a esfregar Severus, mas foi interrompido:

– Não, Harry, vamos lavar você. Minuciosamente. Deixe-me ajudá-lo.

Severus pôs sua mão sobre a de Harry e começou a esfregar a esponja ensaboada no corpo do rapaz, em movimentos lentos e sensuais. O jovem logo começou a suspirar, mas Severus o manteve esfregando-se, lavando-se. Então ele alcançou as costas, e seu dominante disse, mudando de posição:

– Agora me deixe mostrar como se faz. Sente aqui.

Com Harry no meio das suas pernas, Severus esfregou-lhe as costas, e em seguida Severus o levou ao vaso sanitário e apresentou-o ao clister. A operação foi rápida e, para Harry, muito esquisita. Severus garantiu que não era preciso fazer isso sempre, mas apenas regularmente, por uma questão de higiene.

Mas a limpeza não estava terminada. Portanto, eles voltaram à banheira, agora de água renovada.

– Agora, Harry, a lição mais importante. Quero que se apóie na borda da banheira, de costas para mim, com as pernas afastadas.

Harry obedeceu, ficando com a parte de baixo do corpo submersa na água. Severus posicionou-se mais uma vez atrás dele e pôs-se a massagear a altura da cintura. O Menino-Que-Sobreviveu quase se derreteu com a sensualidade do toque de Severus, o corpo inteiro respondendo aos carinhos do banho. Seu dominante lavou-lhe as duas nádegas e depois as separou, para então usar os dedos ensaboados na racha, dizendo:

– Esta é uma região que sempre tem que estar bem limpa e higienizada. Você sente que está ficando limpo, Harry?

O rapaz mal conseguia concatenar dois pensamentos juntos, arfando:

– É... Limpo...

– Tem mais uma coisa que precisa ficar limpa. Venha aqui.

Com cuidado, Severus introduziu um dos dedos ensaboados na aberturinha e Harry gemeu alto, sentindo o sangue convergindo para a pélvis.

– Relaxe, Harry. Isso é só para lavar a abertura. Faça movimentos contra o meu dedo, na direção dele.

Harry procurou obedecer, focado em se concentrar e não em catalogar as inúmeras sensações que seu corpo estava passando. Ele não fazia idéia de que fosse tão sensível ali. Durante o clister, Severus estava muito clínico, com toques precisos. Mas agora, era pura sensualidade.

Quando ele o declarou limpo, Harry logo indagou:

– Posso fazer em você?

– Em outra ocasião. No momento, este é apenas o prólogo de um livro decididamente mais prazeroso.

Os dois se secaram, e Severus o levou até a cama, explicando:

– O esfíncter anal é um músculo e, como todo músculo, pode ser manipulado, massageado e moldado. Para a penetração anal ser prazerosa e agradável, é necessário preparar esse músculo e lubrificar a passagem, bem como o membro. É o que passaremos a fazer em seguida: preparar você.

Harry franziu o cenho e olhou para ele:

– Severus, se vamos fazer amor, não acha melhor dispensar o discurso de professor?

Pesseguinho atrevido, pensou ele, tentando disfarçar o riso cínico.

– Impudente.

Ato contínuo, capturou-lhe os lábios e beijou-o com paixão. Harry derreteu-se, gemendo, esquecendo-se de tudo, procurando mais contato com Severus. O beijo foi longo, e terminou com os dois deitados, ofegando. Severus usou a varinha para conjurar o que precisava, e Harry tentou puxá-lo para junto de si de novo. Com um beijo nos lábios, ele disse, acariciando o rosto de seu submisso:

– Na primeira vez, você ficará mais confortável de bruços, Harry.

– Preciso de você, Severus. Preciso que cuide de mim.

– E você vai me ter. Vamos, deixe-me ajeitá-lo.

Arranjou os travesseiros, um para Harry pousar a cabeça e outro sob os quadris. Depois Severus deitou-se sobre Harry, que sentiu a ereção de seu dominante a cutucá-lo na altura dos rins. O rapaz tentou se mexer, buscando mais contato. Severus passou a beijar sua nuca e seu pescoço, rapidamente percorrendo toda a coluna. Quando chegou ao cóccix, estendeu a mão num Accio silencioso, buscando o lubrificante. Passou algumas gotas na palma das mãos e espalhou nas nádegas, massageando-as suavemente. Harry gemeu, arfando.

Com um dedo lubrificado, Severus acariciou a linha entre as duas nádegas firmes, parando para brincar na entradinha em movimentos circulares. Inclinou-se e beijou o local, e Harry arqueou para trás, e Severus atacou a entradinha com uma língua nervosa, relaxando-a ao máximo. Com os dedos lubrificados e mantendo o ataque com a língua, ele acariciou o períneo até chegar aos testículos, acariciando-os delicadamente. Seu pesseguinho já gemia alto.

Ao observar os movimentos de contração, Severus soube que era hora. Então ele lubrificou os dedos de novo e introduziu um pelo anel de músculos, só até a metade. Harry respondia maravilhosamente, ele notou, mal conseguindo se conter de vontade de afundar naquele local convidativo. Mas ele fez o que era certo: introduziu o segundo dedo, depois o terceiro, e o pesseguinho parecia a ponto de explodir.

Severus então começou a explorar a entradinha, indo fundo, fundo, até que achou a glândula que procurava. A reação de Harry foi instantânea: com um pulo, ele urrou alto.

– Machucou?

– Não!... Uau! Claro que não! ... O que você fez?

– Harry, conheça sua próstata. Próstata, este é Harry, que a partir de agora não vai mais deixar você em paz.

– Pode apostar que não! Faz de novo!

Alegremente, Severus obedeceu, acariciando o local suavemente, apreciando a textura rugosa do montinho de nervos. Harry apreciava muito mais, tanto que começou a se movimentar, e anunciou:

– Não... posso!... Demais... muito... aaaaahhhh!

Seu corpo inteiro arqueou contra os dedos de Severus e ele ejaculou no travesseiro, um orgasmo poderoso atravessando-lhe os músculos. Severus abraçou-o, acariciando-o enquanto ele tentava recuperar o fôlego.

– Desculpe...

– Por quê?

– Por acabar tão cedo. E você... não aproveitou nada.

Severus riu-se, um som que Harry gostou de ouvir, antes de garantir:

– Se você pensa que acabou, tenho que lhe dar uma notícia. Está longe de acabar. Foi bom?

– Como pode me perguntar isso? Eu nem consegui me segurar!

– E como se sente? Digo... aqui. – E pôs a mão nas nádegas, para esclarecer o que queria dizer.

– Hum, agora que mencionou... está meio... er... ardido. Severus, desculpe. Queria cuidar de você, queria fazer amor.

– Precisa aprender a exercitar paciência. Podemos providenciar uma poção para o seu problema.

Harry virou-se de frente para ele e envolveu os dedos na ereção de Severus.

– E o seu problema?

Severus ergueu uma sobrancelha:

– Quer me ajudar a... resolver o meu problema?

– Claro.

– Podemos tentar uma solução ibérica. – O rosto de Harry deixou claro que ele não entendia do que Severus falava. O dominante manteve a sobrancelha erguida. – Uma conhecida posição de sexo heterossexual é chamada de espanhola. Se a mulher tem seios volumosos, o homem aloja seu pênis entre eles, comprime-os e, com um movimento de vaivém, simula uma penetração.

– Parece gostoso... para quem tem seios.

– Hum, então podemos tentar uma adaptação da versão gay: a andaluza, a partir da catalã.

– Andaluza?

– É uma adaptação, que quer dizer vinda da Andaluzia, uma região da Espanha.

– E como se pode adaptar, se gays não têm seios?

– Deixe-me explicar primeiro como é a catalã. O parceiro a ser penetrado deita-se de costas, com as pernas erguidas, e seu amante se ajoelha, penetrando-o gentilmente e inclinando-se para frente ao mesmo tempo em que acaricia seu membro entre os dois corpos. Ambos se olham, trocando carícias, em momentos prazerosos e íntimos.

Harry gemeu, os olhos começando a adquirir um brilho que Severus reconheceu como absolutamente lascivo.

– Não pode me falar essas coisas quando estou tão.. er... doído. Mas explique logo a tal andaluza. Ainda quero saber como se pode fazer uma posição assim, sem um bom par de tetas.

– Permita-me demonstrar.

De repente, Harry se viu novamente de bruços, Severus de novo por cima dele. Harry sentiu um arrepio quando a voz rouca de Severus soou bem pertinho de seu ouvido, seu corpo pressionando as nádegas firmes do rapaz:

– Você pode não ter seios, mas tem belas bochechas aí atrás.

– Oh, por Merlin, Severus...

Severus alojou sua ereção entre as nádegas de Harry e pôs-se a esfregá-la no meio dos glúteos. Sem penetração, só o estímulo de ficar próximo à entradinha. A sensualidade da posição fez Harry começar a se acender de novo, ainda mais quando Severus intensificou o movimento, massageando as nádegas ao mesmo tempo.

Sentindo a disposição do submisso, Severus se inclinou e levou a mão à frente de Harry, procurando-lhe o membro já rijo. Desnecessário dizer que o prazer se multiplicou, e eles quase estavam fazendo amor juntos, desfrutando juntos um do outro. Não demorou muito para que ambos chegassem ao clímax; Harry primeiro, contraindo os músculos tanto que precipitou também o orgasmo de Severus.

Ambos se projetaram na dimensão do prazer, dissolvidos num grande oceano de sutilezas além da matéria. Cada um em seu jeito, numa miríade de sensações, experiências caleidoscópicas, quase psicodélicas, antes de voltarem à Terra, saciados, renovados, vivificados.

E era apenas o começo.

Próximo capítulo: Talvez nem o Kama Sutra explique o que se passa

Capítulo 12 – Fersken, além do prazer

Tema: lemon

"Querido Harry: Espero que você esteja melhor. Você nos deu um susto e tanto. E depois o Prof. Snape, desmaiando daquele jeito. Desculpe se você não gostou que a gente tenha contado tudo para o Prof. Dumbledore, mas não sabíamos o que fazer. Você quase morreu, Harry.

Talvez você não saiba, mas Ron e eu também tivemos que ficar em observação por 24 h na ala hospitalar. Como você sabe, hidrofobia hipogrífica é muito contagiosa, e podíamos ter pegado a doença de vocês.

Madame Pomfrey nos dá notícias todos os dias, e Dobby concordou em levar os cartões e presentes. Por favor, fique bom logo. Ron manda lembranças e diz que está treinando Quidditch, embora eu queira que ele estude para os OWLs.

Beijo,

Hermione.

PS – Avise quando estiver melhor para a gente eu mandar seus deveres.

PS2 – Diga ao Prof. Snape que o Prof. Dumbledore está dando as aulas de Poções, e temos feito uns líquidos bem coloridos e doces, que dá para comer depois."

– Quer um sapo de chocolate? Eles me mandaram tantos que eu não vou comer tudo sozinho.

Severus olhou para os cartões de melhoras e os chocolates na cabeceira de Harry.

– Está com fome? – perguntou ao rapaz.

– Não muita.

– Você precisa se alimentar. Esteve muito doente não faz muito tempo e precisa recuperar suas forças.

Harry se sentou ao lado dele, sorrindo quase inocentemente.

– Tem razão. Eu quero recuperar minhas forças rapidamente. Ainda mais agora que aquela pomada deu um jeito no... local que estava dolorido. – O rapaz se aconchegou ainda mais perto dele, as mãos já desabotoando a camisa. – Não quer examinar?

– Garoto impudente. Vamos, deixe-me ver se ainda está dolorido.

Sem sequer disfarçar o sorriso, Harry livrou-se das roupas e ficou de quatro na cama, oferecendo-se para o exame de Severus. O dominante pegou o frasco de lubrificante antes de também se livrar de suas roupas.

– Vamos, Severus. – Harry ficou impaciente, rebolando. – Eu acho que preciso de cuidados, sabe? Aqueles cuidados...

– Ah, menino... Calma...

– Você também fica assim?

– Você não faz idéia do que você faz comigo. Esse seu cheiro...

– Cheiro? Mas eu tomei banho.

– Seus hormônios parecem cheirar a frutas. Deliciosas, maduras, suculentas... – Severus afundou o nariz entre as duas nádegas. – Hum...

Harry soltou um gemido longo e lascivo ao sentir os dedos de Severus tateando seu traseiro, explorando.

– Dói?

– Oh, não, não pare!

– Eu não sonharia, meu pesseguinho. – Severus de repente manobrou o corpo de Harry, deixando-o deitado de costas, pernas abertas, todo exposto. – Ah, assim é melhor.

Sem perder tempo, ele se inclinou e capturou a ereção convidativa entre os lábios, ganhando imediata resposta de seu submisso. Ele segurou a base e chupou só a pontinha, a língua brincando com a aberturinha e a forma de capuz, enlouquecendo Harry. O rapaz se espalhou na cama, incapaz de ficar quieto, e Severus brincou bastante na região, aproveitando para provar o delicado saco abaixo da base do pênis. Ao mesmo tempo, ele achou melhor não abusar da abertura de Harry, que tinha ficado doída. Então ele tomou uma decisão.

Accio lubrificante!

Ao ouvir as palavras, Harry abriu um sorriso. Severus o queria, ele o tomaria finalmente. O rapaz estava ansioso por aquele momento. De algum modo, ele sentia que só seria completo quando os dois se unissem totalmente.

Mas Severus começou a passar lubrificante no pênis de Harry, o mesmo que ele tinha chupado à exaustão.

– Severus, o que está fazendo?

– Preparando você. Quero que experimente ficar do outro lado. Sabe, pelo menos até você se sentir melhor.

– Mas eu já estou melhor. Severus, eu queria tanto que você me tomasse, me fizesse seu...

– Você já é meu, pesseguinho. Mas agora vamos ser apenas um. Quero que saiba o que eu sentirei quando fizer o mesmo com você. Agora prepare-me. Eu lhe direi como.

Harry seguiu as instruções sem protestar mais. Terminou descobrindo que estava animado com a perspectiva de penetrar Severus. Só parecia esquisito porque ele era seu dominante. Mas ao usar os dedos e observar a reação de Severus, ele ficou ainda com mais vontade de tentar. Ficou orgulhoso de dar tanto prazer a seu dominante.

– Acho que está bom. Vire-se.

– Não – disse Severus. – Quero ver seu rosto.

– Mas você disse que assim podia machucar.

– Para a primeira vez, realmente, é melhor de bruços. Mas não é minha primeira vez. Quero ver você, Harry. Permite?

Severus abriu as pernas e se expôs, convidativo. Harry sentiu sua ereção lubrificada firmar-se ainda mais diante da visão e cobriu seu corpo para alcançar seus lábios. Depois ajoelhou-se, afastando ainda mais as pernas de Severus, que o instruiu.

Se só nos preparativos Harry ficou todo acesinho, nada o antecipou para quando ele efetivamente entrou em Severus. O dominante perdeu a capacidade de articulação, e Harry não ficou muito atrás. Contudo, os dois mantiveram os olhos fixos um no outro, comunicando silenciosamente o que palavras não podiam sequer começar a transmitir.

Por isso é que Harry simplesmente ficou parado, tentando respirar, catalogar as sensações uma a uma, pois no momento elas estavam todas juntas e misturadas, ameaçando-o com uma overdose de sensações. Ele estava num local quente, apertado, aconchegante, do qual não pretendia sair tão cedo.

De repente, as sensações venceram suas intenções, e Harry começou a movimentar os quadris. Do jeito que Severus reagiu, ele se perguntou por que não fez isso antes. Ah, e a fricção o deixava enlouquecido. Naturalmente, ele começou a aumentar a velocidade, a ir mais fundo, a tomar Severus e a sentir-se expandindo quanto mais fazia isso.

Severus gritou quando Harry encontrou sua glândula de prazer, mesmo que ele fosse um pouco desajeitado. Mas como seu submisso era um rápido aprendiz, ele pegou um ritmo rapidamente, e Severus não tinha muita escolha a não ser sentir a explosão se acumulando no seu ventre. O dominante manteve olhar no rosto de seu submisso, e as expressões só o excitavam ainda mais. Harry lhe pareceu tão espontâneo, tão entregue a seus instintos.

Até que chegou a hora que Severus não mais podia adiar, e tudo foi demais. Ele explodiu num grito inarticulado, seus músculos esticados, os olhos fechados, o corpo arqueado. E então ele não sentiu mais nada, e sentiu tudo ao mesmo tempo. Ele sentiu seu corpo se desintegrando e se re-formando num lugar mágico, um lugar inexistente e extremamente real, com flashes de luzes coloridas e faixas de espaço intergaláctico. Não durou mais que uns segundos, mas poderiam ter sido algumas horas.

Quando voltou a si mesmo, Severus estava diferente.

Harry respondia ao corpo do parceiro, que se contraíra em volta de sua ereção, e movimentava-se freneticamente, os músculos todos retesados, perto do final glorioso. Finalmente, ele se esvaziou em Severus, uma explosão única, que o exauriu completamente. O rapaz deixou seu corpo cair sobre o de Severus, tentando absorver cada molécula de oxigênio disponível.

Em alguns minutos, Harry tinha recuperado a respiração e estava pensando seriamente em escorregar para o sono quando Severus o acordou:

– Harry?

– Hum?

– Pode me fazer um favor?

– Hum-hum.

– Vista-se. Pomfrey vai bater daqui a pouco.

– Hum? – Harry ergueu a cabeça, o cabelo desalinhado, os olhos verdes ainda semi-cerrados. – C-como...?

Severus repetiu, com voz firme, empurrando-o para fora da cama:

– Vista-se. Rápido. Podemos conversar depois.

Harry obedeceu, intrigado, enquanto Severus usava a varinha para renovar o ar dentro do quarto ao mesmo tempo em que colocava ao menos seu camisolão preto de dormir. O rapaz optou por sentar-se à escrivaninha com um livro de Adivinhação aberto, mas Severus voltou para a cama, enfiando-se debaixo das cobertas. Harry não entendia o que se passava.

Mas ele nem teve tempo de pensar nisso, porque logo ouviu a batida à porta, e sabia que era Madame Pomfrey. A um sinal de Severus, Harry abriu a porta.

A matrona pareceu animada ao vê-lo:

– Sr. Potter, que maravilha! Está de pé! Muito bem, muito bem, mesmo. Como se sente?

– Estou bem, Madame Pomfrey.

– Mas Severus está de cama – ela observou. – Como se sente, Severus?

– Ótimo – foi a resposta azeda. – Agora pode me deixar em paz.

– Nossa, mas estamos mal-humorados hoje, hein? No seu caso, Severus, eu diria que é um sinal de que está melhorando. Tenha calma, eu vou examinar o Sr. Potter e logo o verei.

Severus deu um grunhido típico do Mestre de Poções e virou-se na cama, ficando de costas para ela. A enfermeira fez Harry se deitar e passou a varinha por ele, notando a ligeira febre e recomendando que se alimentasse muito bem. Mas sua expressão mudou quando ela levou a varinha de diagnósticos até o Mestre de Poções:

– Severus, o que você andou fazendo?

– Que quer dizer, mulher? Estou preso aqui com esse moleque nos últimos três dias, o que acha que estou fazendo?

– Severus, alguma coisa aconteceu. Seu nível de magia está oscilando. O que você fez hoje de diferente?

– Absolutamente nada.

– Algum esforço físico?

Harry enrubesceu tanto que achou melhor esconder o rosto, enquanto Severus mentia, na cara dura:

– Calistenia simples pela manhã.

– Muito bom, um exercício físico pode ajudar a oxigenação. Desde que seja leve. E você costuma fazer isso todas as manhãs, suponho?

– Precisamente.

– Hum, isso é intrigante.

– Muitas doenças mágicas são capazes de drenar a magia de um bruxo. Isso não é incomum.

– Não, mas o seu caso é o oposto. Você está cheio de energia. Mais do que o normal.

Harry indagou:

– E isso é ruim?

A enfermeira explicou:

– É um desequilíbrio, Sr. Potter, e isso nunca é bom. Sem mencionar que não há qualquer tipo de variação mágica relacionada à hidrofobia hipogrífica. Não há registro disso nos anais de medicina. Acreditem, tenho mandado vir relatórios e papéis médicos de St. Mungo's desde que vocês dois apareceram com essa forma raríssima de hidrofobia. Mas nada disso explica o que eu estou vendo, Severus. Gostaria de poder retirá-lo do isolamento e fazer testes num outro lugar.

– Não! – gritou Harry. Os dois o olharam e ele se deu conta do que dissera, tentando emendar. – Isso não vai contaminar a escola?

– Tem razão, Sr. Potter. Vocês ainda não passaram a fase de contágio. E, pelo que vejo, esse pique de magia pode ser apenas uma condição temporária. Ainda assim, eu quero que observe isso com atenção, Severus. Especialmente se começar a sofrer de surtos de magia espontânea.

– Por Merlin, mulher. Eu não tenho um desses desde que tinha cinco anos!

– Mais um motivo para me avisar assim que ocorrer. Chame o elfo e eu virei assim que puder. Agora, vamos ver se aliviamos o humor de vocês? Devem estar começando a ter sintomas de irritabilidade de quarentena. Talvez isso dê um jeito.

Madame Pomfrey apontou a varinha para a parede e após alguns floreios, apareceu uma ampla janela com longas cortinas brancas transparentes. Harry viu que, lá fora, o dia começava a morrer, e o sol desaparecia por trás das copas das árvores da Floresta Proibida.

– Pronto! – A enfermeira sorriu. – Bem melhor, não?

E foi assim que, além dos conselhos de comer direito e descansar bastante, eles ganharam uma janela na unidade de isolamento.

Próximo capítulo: O Sol canta