Capítulo 13 – O elefante
Tema: embaraços
– Severus, o que aconteceu?
A pergunta de Harry incentivou Severus a se levantar e a vasculhar a pilha de livros na escrivaninha:
– É precisamente o que pretendo descobrir.
– Como você sabia que Madame Pomfrey estava para chegar?
– Não sei dizer. – Severus não olhava para Harry. – Não me interrompa, Potter. Estou tentando achar respostas.
O garoto sentiu uma onda de irritação:
– Até lá, eu sou Potter, é isso?
Severus revirou os olhos, impaciente.
– Não tenho tempo para isso.
– Temos o tempo todo do mundo! – argumentou Potter. – Estamos na droga de quarentena!
– Potter, quando eu descobrir o que está acontecendo, prometo que será o primeiro a saber. Mas no momento advirto-o para não me atrapalhar.
Aquele Severus que o chamava de "pesseguinho" e lhe dava carinho estava longe, reparou Harry, com uma pontada no coração. Severus continuou imerso nos livros, ignorando-o solenemente, um retrato do Prof. Snape que Harry tinha aprendido a odiar em todos aqueles anos de Hogwarts.
Mais magoado do que gostaria de admitir, Harry sentou-se na cama, abraçando as pernas, lutando para conter as lágrimas.
– É assim que vai ser? – ele indagou, com a voz miúda.
Severus soltou um grunhido, concentrado nos livros.
– É assim que vai ser quando sairmos daqui e nos separarmos? – Uma lágrima escapou e Harry sentiu sua voz tremer. – Você vai me ignorar, eu vou ficar te odiando de longe?
Algo em Severus o fez parar o que fazia. Ele se levantou da escrivaninha e foi até a cama onde o garoto estava encolhido.
– Harry, desculpe. Mas eu nunca vi nem ouvi nada parecido com isso. É totalmente novo, e eu não sei o que significa. Preciso descobrir com o que estamos lidando.
– Isso nunca aconteceu... antes?
Severus o encarou, o olho clínico:
– Harry, se tem alguma coisa para perguntar, pode perguntar. O que está deixando você tão sensível?
Os lábios do rapaz tremeram antes de responder:
– Você... está agindo como antes.
– Não, Harry, não é isso. Acho que você quer saber por que eu não sei explicar o que está acontecendo.
– Como é?
– Pelo que vejo, acho que você está querendo perguntar sobre o elefante no canto da sala. Sabe, tem um elefante no canto da sala, mas ninguém fala sobre ele. É aquele assunto que está entre nós e não conseguimos falar ainda. Francamente, eu gostaria que tivesse partido de você, mas acho que você não consegue fazer a pergunta, não é?
Harry o encarou, intrigado. Mas ele sabia do que Severus estava falando.
– É o meu pai, não é? Isso não aconteceu com ele antes, aconteceu?
– Não, Harry, não aconteceu. Não aconteceu nada parecido. Você gostaria de saber o que aconteceu entre seu pai e mim, não é verdade? – Harry assentiu, encarando-o, e Severus continuou: – Eu entendo sua curiosidade e também o seu medo. Não, Harry, eu jamais achei que você fosse algum tipo de substituto de seu pai. Quando estou com você, é com você que estou, não James. Quero que fique claro para você: seu pai foi muito importante na minha vida. Eu jamais o esquecerei. Mas você é uma pessoa diferente. Não misturo as coisas, não comparo, não relaciono. Aceito o fato de que James se foi, mas eu adoro o fato de você estar aqui agora. Este é um fato que mora num lugar especial no meu coração. Como você.
O rapaz o encarava com o coração acelerado, sob grande impacto diante de suas palavras. Severus viu os olhos verdes faiscando mesmo no lusco-fusco do anoitecer em Hogwarts.
– Mas... se as coisas tivessem sido diferentes...
– Harry, elas não foram diferentes. Não adianta pensar nisso agora. Nunca teriam sido. Havia Black, havia Lily, e seu pai amava Lily muito. Não era para ter sido.
– E... você o amava?
Severus não pôde evitar desviar o olhar:
– Harry, vou repetir: não adianta muito pensar nisso agora. Ele era meu submisso, e eu tinha muitos sentimentos por ele. Mas não sei se havia amor entre nós.
– Ele... amava você?
– Não vou fingir saber o que seu pai sentia a meu respeito. Na época de acasalamento, ele falava até em sermos amigos mais tarde, mas nada disso deu certo. Não com os amigos dele por perto, incluindo seu padrinho, aliás. Ou os meus amigos, que, bem, não precisamos falar sobre eles. Seja lá o que seu pai sentia a meu respeito, levou consigo para o túmulo. Mas de nada adianta pensar nisso agora. Já passou e, por mim, ficou mesmo no passado. Você é meu presente, não tem nada a ver.
– Mas eu só sou submisso por que meu pai também era.
– Eu entendo, Harry, mas isso é apenas sua herança genética. Só o que eu gostaria de lhe assegurar é que você não é substituto de seu pai. Por favor, fique tranqüilo a esse respeito. Você não está competindo com um fantasma. Quando faço amor com você, é com você que eu faço amor, não com a lembrança de alguém que já se foi.
Harry sentiu aquelas palavras lavarem uma parte de sua alma que ele nem sabia que estava suja. Num impulso, ele se jogou nos braços de Severus, uma lágrima escapando de seus olhos marejados:
– Eu te amo.
Severus fechou os olhos, apertando o rapaz contra seu corpo, inspirando os cheiros de Harry, o aroma de pêssego. Ele se sentiu com 20 anos menos, numa cena parecida. Naquela ocasião, ele repreendera seu pêssego gigante por falar de amor. Mas desta vez, ele decidiu ficar calado. Quando chegasse a hora da separação, ele entenderia que as palavras de Harry até eram verdadeiras. Naquele momento, elas eram. Mas tudo podia mudar quando a hora da separação chegasse.
– Por que você não me ajuda a procurar uma explicação? – Severus acariciou-lhe os cabelos revoltos. – Você pega os livros mais recentes e eu pego aqueles volumes antigos.
– Agora? – Harry soltou uma cruza de miado com choramingo, ronronando para perto de Severus. – Eu gostaria de fazer outras coisas além de pesquisa no momento.
Severus sentiu sua anatomia começando a se interessar, mas deu uma de durão:
– Harry, não podemos ficar aqui só fazendo... isso.
– Você está me devendo uma lição. Quer que eu pegue o livro? Accio! – O Kama Sutra Gay voou da pilha para as mãos de Harry. – Hum, onde está mesmo aquela página?
Severus tirou o livro das mãos do rapaz e deitou-se sobre ele:
– Esqueça a teoria. Que tal uma lição prática?
Harry sentiu seus lábios serem cobertos pelos de Severus e sorriu em meio ao beijo, já tirando as roupas. Os dois estavam tão familiarizados um com o outro que os movimentos eram naturais e fluidos, sem qualquer tipo de embaraço ou vergonha.
Coube ao rapaz enlouquecer o seu dominante, cobrindo-o de beijos e fazendo ao máximo para que ele esquecesse até de seu próprio nome. Harry parecia insaciável, provocando Severus ao máximo, elevando a temperatura do quarto com carícias nos lugares certos e nas doses apropriadas. Ele soprou no ouvido de Severus, fazendo-o estremecer, ao mesmo tempo em que usava os dedos para beliscar-lhe os mamilos.
– Severus... por favor...
– Sim, sim...
– Deixe-me ser seu... Eu preciso de você...
Severus não duvidou por um segundo. Submissos tinham uma necessidade física de se unir a seus dominantes, e Harry estava esperando isso por tempo demais. Ele se apiedou de seu pobre pesseguinho carente e sussurrou no seu ouvido:
– Fique de quatro para mim, Harry.
O rapaz nem pensou duas vezes, imediatamente assumindo a posição, arfando, esperando. Finalmente ele seria de Severus, de uma vez por todas. Para sempre.
Por isso ele fez tudo como mandava o figurino.
Deitou-se de barriga para baixo com as pernas encolhidas, empinando o traseiro e deixando a cabeça descansar de lado sobre uma das mãos. Ele simplesmente ficou lá, à espera, a mente voando em sonhos eróticos, imaginando o prazer que seu dominante estava a um passo de lhe proporcionar.
Severus se aproximou por cima, e gastou algum tempo para admirar-lhe o corpo jovem, pálido, imaculado, sob as cores da tardinha que morria. A mão de dedos finos e longos aproximou-se lentamente dele, um instinto erótico a guiá-la até tocar a pele das costas, acariciando, desenhando músculos. Harry suspirou diante do carinho, um som alto e excitante. Severus não resistiu e inclinou-se para, com a língua, começar a traçar um lento percurso pela espinha dorsal até abaixo. O toque molhado, úmido e quente, fez Harry gemer ainda mais alto.
Com um sorriso, Severus continuou usando a língua até se deter na altura das nádegas, aproximando-se da racha entre elas. Então ele se refestelou, causando tremores em Harry, circundando, lambendo, estocando com a pontinha.
– Por favor...! Severus!... Ah!
Disposto a atender o pedido, Severus ajoelhou-se por trás, e Harry gemeu quando a língua cessou o contato com sua abertura. Então Severus lubrificou-se rapidamente, inclinou-se e usou uma das mãos lambuzadas para agarrar-lhe a ereção, pesada e pulsante como seu coração acelerado. Com a outra mão, ele passou a acariciar as ancas bem feitas, lentamente, sensualmente. Harry já estava rebolando e suspirando, sons altos que se espalhavam pelo quarto. Graças a Merlin por feitiços silenciadores.
Sem avisar, ele introduziu um dedo lentamente, uma passagem lenta que fez Harry prender a respiração. Mas a resposta em seu dedo não era de tensão, mas sim de puro prazer. Severus passou a penetrar mais profundamente, em círculos, e Harry o acompanhou. Então ele foi acrescentando mais dedos, lubrificando-o, expandindo-o. E Harry parecia estar ainda mais cheio de paixão.
Finalmente, Severus deixou de adiar o inadiável e posicionou-se na entrada de seu impaciente submisso, que suspirava e reclamava pela demora. Sem rodeios, ele agarrou os quadris de Harry e afundou-se dentro, escorregando lentamente pelo canal estreito.
Harry mal podia imaginar que seria tão delicioso. Ele tinha feito isso a Severus antes, mas era absolutamente diferente. Ele recebeu Severus dentro de si, finalmente realizando seu desejo de ser um só com seu dominante. Era como voltar para casa, uma casa que ele nem sequer se lembrava de ter, mas da qual sentia muita saudade.
Quando Severus começou a se movimentar, Harry achou que fosse morrer de tanto prazer. Chupar era bom, lamber era ótimo, mas isso não tinha palavras. Seu corpo inteiro parecia responder aos estímulos de Severus, recebendo-o dentro de si, unindo-se a ele. Harry sentia-se mais inteiro, ao mesmo tempo em que estava mais próximo de seu dominante.
No momento, o cérebro de Severus estava ocupado demais com outras coisas, mas ele sabia, no fundo de sua mente, que aquele era um momento solene. Era a primeira vez que ele desfrutava inteiramente de seu pesseguinho, provando-lhe a fruta madura, afinal. Se seu corpo não estivesse concentrando todos os esforços em fazer Harry se esquecer de seu próprio nome, Severus perceberia outras grandes mudanças.
Os dois espiralaram juntos, num crescendo de prazer e sensações, até que tudo ficasse demais para segurar. Ainda que com intervalo de alguns segundos, Severus e Harry explodiram, ambos jorrando, seus músculos derretendo-se, seus corpos saciados.
E algo mais.
Harry se sentiu flutuando no espaço, seu corpo pesando quase nada. Ele tinha um corpo desta vez, não eram apenas puras moléculas dispersas no éter. Severus estava a seu lado, ambos pairando no nada. Harry olhou para Severus, reparando que ele nunca fora tão lindo como naquele momento, uma luz enviesada a esconder-lhe parte do rosto, e um meio sorriso típico de seu dominante.
Com seu corpo incorpóreo, Harry flutuou até ele e pegou-lhe a mão, sorrindo. Os dois se olharam, buscando a luz de seus olhares. E música, um tipo de música etérea pareceu encher o espaço, penetrando em seus corpos. Harry se virou para descobrir de onde vinha a música, mas era difícil perceber. Parecia que estava em todo o lugar, emanando do ar, ou do Sol, que os banhava de luz e calor. Harry aninhou-se a Severus, sentindo-se banhado em vários níveis, iluminado e vivificado. Havia paz e completitude, e Harry mergulhou no sentimento.
Voltou a si quando a noite já era alta.
Severus estava na escrivaninha, com um candeeiro a álcool aceso, debruçado sobre uma montoeira de volumes grossos e empoeirados. Harry se sentou na cama e o barulho atraiu a atenção de seu dominante.
– Desculpe se a luz o acordou.
– Não, tudo bem. Tive um sonho lindo, nem queria acordar.
– Um sonho?
– Sonhei que o Sol cantava para nós. Lá no espaço. Hum, foi tão bom.
Severus virou-se para ele:
– Volte a dormir.
– Você não vem? – Ele estendeu uma mão. – Quem sabe assim sonhamos o mesmo sonho.
Severus deu um meio sorriso e apagou o candeeiro, enfiando-se debaixo das cobertas de novo depois de tirar o roupão. Harry se abraçou a ele, desfrutando de seu calor e seu cheiro.
– Boa noite, Harry.
– Boa noite, Severus.
Em poucos minutos, Harry respirava profundamente e ritmado, indicando que tinha voltado a dormir. Severus abriu os olhos, tentando controlar seu coração.
Afinal, o Sol também cantara para ele.
Próximo capítulo: O Sol cantou para mim, mas tudo muda
Capítulo 14 – O pôr-do-sol
Tema: saudades
Durante os dias que se seguiram, Harry se sentia estranhamente leve e contente. Severus se encarregava de deixá-lo satisfeito em todos os sentidos, o cheiro de pêssegos se concentrando no quarto, e os dois flutuavam para onde o Sol cantava para eles. O Kama Sutra foi extensamente utilizado, e Harry já tinha até posições preferidas. Eles se sentiam seguros, tranqüilos e até felizes. Certamente no futuro teriam saudades daqueles momentos. A obsessão de Severus com seu pesseguinho deixou seus problemas e seus segredos no fundo da mente, em banho-maria.
Eventualmente, claro, eles iriam aflorar.
Talvez tenha começado quando o aroma de Harry começou a mudar. Ele não mais cheirava tanto a pêssegos, sua lubrificação natural também já não era mais a mesma. Severus tentou evitar o senso de déjà-vu, mas era difícil, com praticamente as mesmas complicações se impondo.
Sem mencionar as outras.
Felizmente as más notícias dessa vez vieram pela boca de Madame Pomfrey. Ela examinava Harry, e parecia bem satisfeita:
– Excelente, Sr. Potter. Vai ficar feliz em saber que está quase pronto para ter alta.
Harry perdeu a cor:
– Alta?
– Sim, alta. Vai poder voltar ao seu dormitório e fazer suas atividades normalmente. O mesmo se aplica ao Prof. Snape, é claro. O período de contágio está quase terminado, e então não há motivo para mantê-los aqui por mais tempo.
Severus encarou Harry, que parecia ter ouvido alguém lhe dizer que Hedwig tinha sido esquartejada por Umbridge. Ele gostaria de poder mostrar a mesma reação, mas a tempo ele revirou os olhos, fingindo irritação:
– Já não era sem tempo! Tem uma estimativa de quando este calvário terminará?
– Pelo que vejo, não há motivo para impedir os dois de desfrutarem o almoço de domingo no Grande Salão, com o resto da escola. – Ela sorriu para Harry. – Só mais dois dias, Sr. Potter.
Madame Pomfrey já havia terminado seu exame e ido embora antes que Harry recuperasse a fala apenas para repetir:
– Dois dias.
Por um minuto, o coração de Severus se apertou diante da vozinha tão miúda e prostrada. Mas em seguida, ele procurou se aproximar do garoto, encolhido na cama:
– Harry, nós sempre soubemos que isso era apenas temporário.
O rapaz se arrastou até abraçar Severus – com força.
– Isso foi antes. Agora eu não quero. Sev, eu não quero ficar sem você.
– Talvez em dois dias você pare de sentir a compulsão do acasalamento, e aí verá que tudo ficará mais fácil.
– Não! – Harry o encarou. – Não quero deixá-lo.
– Harry, você tem que voltar para o dormitório.
– Não é disso que estou falando. Eu não quero terminar nada disso, mesmo depois do acasalamento. Severus, eu amo você.
– Harry, são seus hormônios falando. Você não vai realmente querer dizer isso depois que a época do acasalamento se encer...
– Não é verdade! – interrompeu Harry, encarando-o, os olhos verdes se enchendo de lágrimas. – Não, não é. Eu o amo, Severus. Por favor, não me rejeite.
– Não quero aborrecê-lo, Harry. – Severus beijou seu rosto, e lambeu-lhe as lágrimas. Aquilo arrancou um sorriso do rapaz. – Esta noite não falaremos disso. Está bem?
– Pode me fazer um favor?
– Claro, o que é?
– Página 147. Por favor, Severus.
– Você decorou a página?
– E a 138, a 153...
– Você vai me exaurir, moleque. Eu não sou exatamente jovem.
– Em termos bruxos, você é. Além do mais, você não me disse que na época do acasalamento os dominantes ganham hormônios a mais? Ficam mais... resistentes, como se tivessem tomado a pílula azul?
– Pílula? Do que está falando?
– Nada. É só uma coisa Muggle da qual você definitivamente não precisa, Severus. – Harry esticou a mão e pousou-a entre as pernas de Severus, confirmando sem sombra de dúvida que seu dominante não tinha necessidade de pílula alguma. – Definitivamente não precisa mesmo.
– Vem cá, pesseguinho. – Severus o colocou na cama e cobriu seu corpo. – Vamos começar com a página 147, já que você faz tanta questão...
Ele cobriu seus lábios e aprofundou o beijo, enlaçando o corpo todo de Harry. O pesseguinho se mexeu todo, aumentando o contato com seu dominante, que desceu para mordiscar um dos mamilos, e Harry teve que morder o lábio inferior para não soltar um grito. Severus então passou a lamber o biquinho ereto, e a sensação foi direto para o meio das pernas de Harry. No segundo mamilo, Harry estava gemendo, ainda mordendo o lábio.
Severus beijou o peito, subiu pelo pescoço e sussurrou-lhe diretamente no ouvido, numa voz indecente e rouca:
– Quero ver você se preparando para mim. Pode fazer isso, Harry?
Harry nem pensou. Ficou de quatro na cama, de costas para Severus, dando-lhe uma visão desimpedida de seu traseiro. Ao ver o efeito da posição no seu dominante, ele propositadamente assumiu um ar lascivo e levou uma das mãos até as ancas, lentamente. Depois ele levou a outra mão, e massageou seus próprios glúteos, empinando-os, rebolando ligeiramente.
Severus sentiu suas pupilas se dilatando. Uma outra parte de sua anatomia também estava se dilatando lindamente.
Harry foi de gatinhas (rebolando exageradamente) até o pote de lubrificante e enfiou dois dedos, retirando uma quantidade generosa do produto. Com suspiros sensuais e expressões maliciosas, ele introduziu um dedo na sua própria abertura, e ouviu um gemido estrangulado de Severus. Incentivado, Harry começou a se mexer, e logo o segundo dedo se juntou ao primeiro, e ele fez tudo com cuidado, procurando chamar seu dominante a logo praticar a posição da página 147. Harry gostava dessa posição porque permitia grande liberdade de movimentos para se acariciarem, enquanto ele se unia de maneira profunda e íntima a seu Severus.
A voz de Severus estava toda diferente quando ele pediu:
– Em posição, por favor, Harry...
De pé, Harry apoiou as mãos na escrivaninha, inclinado para frente. Severus abraçou-o por trás, desfrutando-lhe da cintura estreita, beijando-lhe a nuca, e num movimento suave e fluido, juntou-se a ele. Ele entrou tão fundo em Harry que o rapaz sentiu o corpo de seu dominante perfeitamente unido ao seu, a pressão dele em sua bunda o excitando. À medida que Severus se aproximava mais e mais perto, ele arqueou as costas de prazer.
Foi a deixa para seu dominante passar a mão para a frente do corpo e, sem perder o ritmo, em estocadas longas e sensuais, começar um sensual percurso a partir dos mamilos já excitados, passando pelo umbigo e depois mais abaixo, até segurar a ereção do submisso e acariciá-lo no mesmo ritmo. Primeiro lentamente, com um ritmo preguiçoso e desleixado, mas logo foi acelerando, e variando os ângulos, enlouquecendo Harry quando achou a sua próstata. Com um ritmo intenso, Severus levou os dois às alturas praticamente juntos, e eles se encontraram flutuando no espaço em dois tempos.
O Sol cantou para eles de novo quando Severus se deitou na cama, usando três travesseiros para apoiar a cabeça, as pernas abertas e dobradas, encarando Harry com olhos que mais pareciam carvões em brasa, de tanta luxúria. O rapaz pareceu ter problema semelhante com os olhos verdes, e ficou de pé, na cama, acima dele, tocando-se gostosamente, incitando Severus a fazer o mesmo.
Os olhos não se desgrudaram dos de Severus quando Harry lentamente começou a descer até ficar ajoelhado, e segurou a ereção de seu dominante. Então ele ficou na posição favorável e, pouco a pouco, começou a introduzi-la até que ela entrasse completamente na abertura previamente lubrificada de seu corpo sequioso pelo contato íntimo.
Por alguns segundos, Harry não se mexeu, simplesmente catalogando as sensações de Severus totalmente dentro de si. Mas logo as sensações tornaram-se demais, e ele começou a se empalar no seu dominante.
Era uma das posições preferidas de Harry porque eles variam a dominância várias vezes ao longo de uma única relação sexual. Então primeiro ele marcava o ritmo, movendo-se para cima e para baixo, unindo-se a Severus. Depois era Severus quem marcava o ritmo, movimentando as pernas, empurrando-se para dentro de Harry. No auge do ritmo, os dois se mexiam ao mesmo tempo, e era delicioso demais.
Mesmo aos 15 anos, Harry tinha limites para sua resistência, ainda mais quando ele estava constantemente se exercitando com Severus. Portanto, ele estava cansado de ficar de cócoras e sentou-se completamente, achando sua própria próstata. Ele gritou de tesão, Severus pegou o espírito da coisa e assumiu o controle.
O Sol cantou para os dois rapidinho.
o0o o0o o0o o0o o0o
Harry não se cansava de ouvir a canção do Sol e era nela que pensava ao encostar-se à janela artificial, olhando a noite escura de Hogwarts no meio da madrugada.
– Harry?
O rapaz se virou para ver Severus na cama, um lençol na altura da cintura, seu peito nu à mostra o convidando para voltar à cama. Ele sorriu:
– Estou sem sono. Pensando no que vai acontecer.
– Quer conversar sobre isso?
– Não sei. A gente sempre fala a mesma coisa.
– Porque não tem jeito, Harry. Você precisa entender.
– Mas teremos aulas de Oclumência, não teremos?
– Isso.
– Podemos nos ver durante essas aulas. Não vou poder ficar longe de você, Severus.
– Harry, as implicações... Os outros...
– Sirius que se dane!
– Não é só o cachorro de seu padrinho, e você sabe disso. Há outros mais... perigosos.
– Droga, Severus, você tem que se arriscar desse jeito? Indo para ele?
– Harry, eu não iria se não fosse preciso. Sou um Slytherin, esqueceu? Se puder salvar minha preciosa pele, eu certamente opto por não arriscá-la em primeiro lugar. Mas o risco para você também é grande, por isso eu espero que você me escute...
Harry chegou perto de Severus e estendeu-lhe a mão.
– Não, não quero escutá-lo. Quero tomar banho.
– Como disse?
– Você me ouviu. Acho que agora é uma boa hora para um banho a dois. Venha, vou encher a banheira, colocar óleos... Só nós dois. Para uma despedida.
Severus sorriu. Não tinha como negar o pedido de seu pesseguinho. Pegou-lhe a mão e deixou-se ser levado até o banheiro. Harry o despiu com carinho, livrando-se das próprias roupas, e o ajudou a entrar na banheira.
– Não, espere.
Severus obedeceu, ficando de pé dentro da banheira que enchia e Harry ajoelhou-se à sua frente, encarando-o. Os olhos se encontraram, a paixão queimou. Harry se inclinou e encostou a bochecha no pênis semi-rígido de seu dominante. Queria sentir-lhe a textura, o peso, o tamanho. O cheiro era inebriante. Harry tinha apenas 15 anos e seu próprio membro não era parecido ao de Severus – ainda fino demais, querendo amadurecer. Ele adorava olhar essa parte da anatomia de seu dominante. Era um pênis de homem, com cheiros e formas que alucinavam o rapaz.
Harry ficou emocionado quando o abocanhou com carinho e sentiu-o firmar-se em sua boca. Usou a língua, sorrindo intimamente quando Severus começou a respirar de maneira alterada. Saber que era ele quem provocava essas reações no seu sisudo professor dava a Harry uma mistura de satisfação e orgulho.
Ousado, o rapaz pôs-se a brincar usando mãos, língua e lábios, ocasionalmente levando os dedos às pequenas esferas, antes de abocanhá-las, sentindo-as também se firmarem. Ah, se ele continuasse, Severus iria gozar em breve, e ele não queria isso. Não agora.
Então Harry se ergueu e beijou seu dominante apaixonadamente, fazendo as mãos dele o agarrarem pelas ancas e depois ele o enlaçou pelo pescoço. Severus então o apertou contra si, e Harry ergueu uma perna, enroscando-a na sua cintura, fazendo suas ereções roçarem. Aquilo enlouquecia Severus, e Harry tinha plena consciência de que o dominante iria perder o controle em alguns segundos, cinco, quatro, três...
Snap!
Severus agarrou-o pela bunda e, esmagando-o contra parede, impulsionou-o num só movimento ascendente. Harry não perdeu tempo em seguir a dica e enroscou as duas pernas na sua cintura, apoiando-se nos ossos de sua bacia e abrindo-se para ser penetrado, totalmente suspenso nos braços de Severus.
Assim eles se uniram, Harry deixando o controle total com Severus. Seu corpo estava literalmente nas mãos de seu dominante, bem como seu prazer. Harry cavalgou com gosto, abandonando-se na paixão, sentindo-se seguro e satisfeito com Severus controlando-o.
Harry gozou primeiro, ouvindo a canção do Sol, e Severus o segurou no meio do espaço, amparando-o. Depois, ele se deitou na banheira, com Harry em seus braços. O rapaz novamente se empalou no seu dominante, movimentando a água de acordo com os princípios de Arquimedes. O velho grego ficaria ruborizado de tanto que a água se mexeu naquela banheira, com Harry movimentando-se entusiasticamente, levando Severus a um orgasmo espetacular, que o impulsionou para as estrelas, a fim de ouvir o Sol cantando mais uma vez.
Os dois ainda desfrutaram um pouco na água, lavando-se, acariciando-se sensualmente, sem trocar palavras. Harry fez questão de passar shampoo nos cabelos longos de Severus, apreciando-lhe o perfume. Depois um secou o outro, numa brincadeira de garotos, esfregando as toalhas nos cabelos antes de voltarem, nus, ao quarto.
Deitado de barriga para baixo na cama, com o rosto para o lado, apoiado por braços que descansavam num travesseiro, Harry parecia dormir, mas aquele fogo nos olhos verdes não enganava Severus. O dominante sentiu o poder da excitação causado por seu submisso tão lindo, tão concorde, tão seu.
Severus chegou-se por trás, prontinho, lembrando-se das brincadeiras prévias. Ele encarou longamente o corpo jovem, perfeito, as costas sem marcas, o traseiro duro e firme, as pernas talhadas e musculosas pelo Quidditch. Colocou-se por cima, deitando sobre o corpo de seu pesseguinho, agora virado em colchãozinho, abrindo as pernas para encaixar Severus.
O dominante primeiro acomodou o pênis rígido entre as coxas e fez uma das mãos serpentear por baixo do corpo de seu submisso, encontrando-o rígido. Casualmente, Severus se pôs a acariciá-lo. Harry respondeu na hora, como sempre, e Severus ajeitou-se ainda melhor para, finalmente, com um movimento de quadril, levar sua ereção no lugar onde ela pertencia e ser um com Harry.
Sempre era um momento mágico, ainda mais naquelas circunstâncias. Severus ia perder seu pesseguinho. A dor em seu coração era tamanha que ele não podia suportar. Então ele começou com movimentos suaves e vagarosos. Era como se ele saboreasse aquele pequeno pêssego, mordendo-o lentamente, deixando seus sucos deliciosos escorrerem por seu queixo. Sensual e excitante, uma orgia de sentidos.
Os dois coordenaram movimentos, numa cavalgada conjunta novamente ao éter, rumo à conhecida canção do Sol. O astro-rei cantava só para eles, diante de todo o firmamento, num momento solene que só acontecia para os dois.
E em breve não mais aconteceria.
Próximo capítulo: Haverá vida após a quarentena?
