Capítulo 15 – De repente, Umbridge

Tema: pesadelo

– Severus, meu rapaz. Obrigado por vir. Sente-se. Mousse de limão?

– Prof. Dumbledore, eu gostaria de pedir que me emprestasse seus livros por mais um tempo. Eu estou no meio de uma pesquisa...

Severus foi interrompido:

– Não precisa se explicar, meu rapaz. Fique com os livros o tempo que precisar. Como foi o retorno às aulas?

– Os idiotinhas continuam cada vez mais imbecis, lamento informar.

– E Harry?

Severus desviou o olhar:

– Potter... pretende perseguir uma relação fora da época de acasalamento. Tentei explicar o fator de idade, e os riscos envolvidos.

– Isso numa sociedade Muggle. No mundo bruxo, uma vez revelado que vocês são criaturas mágicas...

– ... seremos enjaulados e perseguidos! – completou Severus, agitado. – Sem contar o que isso significaria para a reputação do rapaz, que é a esperança contra o Lord das Trevas! Diretor, isso não pode continuar, mas o menino não entende!

Dumbledore sorriu:

– Ele está respondendo aos seus instintos. E dificilmente é um menino. – Dumbledore serviu-se de chá numa bandeja. – Posso inferir, pelo seu tom, que Harry não sabe que é um Mizrah Arati?

– Claro que não. Até ele se tornar um oclumente, não posso lhe fornecer a informação. Se o Lord das Trevas descobrir...

– Então Oclumência tornou-se uma necessidade urgente, não é verdade, Severus?

– Sim, as aulas serão retomadas. Eu tentei treiná-lo durante a quarentena, mas... er... ele estava... sob influência dos hormônios... e eu também.

– Mas agora você não está mais, Severus. E Harry precisa saber com exatidão as implicações de ser um Arati. – Dumbledore pousou a xícara, com um sorriso altivo. – Não deixo de sentir uma pontada de orgulho por vocês dois. Isso não me surpreende nem um pouco. Nem o fato de você ter sido seu Sharaman. Você é uma pessoa poderosa, Severus, sempre foi.

Ele abaixou a cabeça:

– Ainda não consigo controlar todos os novos poderes. Nem sei direito quais são, por isso a pesquisa.

– Receio que os livros tenham um limite de informações. Não se tem notícia de Koboldines Mizrahi há séculos, muito menos uma dupla completa, de Arati e Sharaman. Harry precisa saber. Achou os sinais?

– Atrás da cabeça, debaixo do cabelo. Obviamente, só consegui localizar após minha nova visão de Sharaman ter estabilizado.

– E a forma?

– Um sol dourado.

– E a sua?

– Uma meia lua prateada.

– Oh, Severus. Você sabe o que isso quer dizer, não?

O Mestre de Poções se ergueu, o corpo tremendo. Ele foi até o poleiro de Fawkes, que deixou os dedos longos e elegantes acariciarem suas magníficas penas flamejantes.

– Que somos almas gêmeas. Nem um dos dois conhecerá o amor a não ser pelo outro. Se um ou outro trair esse amor, o amante dará à luz a demônios terríveis, cruéis e invencíveis, que não podem ser mortos a não ser pelo Mizrah traidor, seu próprio pai.

– Ao menos – completou Dumbledore –, é o que dizem as lendas.

– Gente como nós são pura lenda. Albus, como isso pode ser?

– Acredito que tudo seja exatamente como deve ser, Severus. Tenha fé, meu rapaz.

– Como pode dizer isso? Com essa... mulher horrível aqui?

– Ensine Harry Oclumência. Proteja-o. Madame Umbridge ainda está aqui, e ela está mirando em seu submisso. Cabe a nós protegê-lo. Cabe a nós fechar a conexão com Lord Voldemort. Falando nele, alguma notícia?

– Ainda não. Mas ele pouco tem me chamado este ano.

– Fique de olho. Ele vai querer explicações desse período de quarentena com Harry Potter.

– Sim, Diretor. – Severus se virou. – Com sua licença, agora preciso enfrentar uma turma inteira de Hufflepuffs de primeiro ano. Eles são tão idiotas que têm medo de alguns dos ingredientes, e não conseguem terminar uma única poção.

– Muito bem então, Severus. Ah, só mais uma coisa. Aconteça o que acontecer, meu rapaz, não perca a fé.

Severus ficou pensando naquilo, até os pequenos Hufflepuffs tirarem sua mente desse assunto quando vários se encolheram de medo diante dos olhos de salamandra só porque eles ainda piscavam.

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As aulas de Oclumência foram retomadas. Severus notou que Harry não estava aprendendo a matéria como deveria, ou se dedicando aos exercícios como ele pedia. No fundo, ele sabia que Harry achava útil a ligação com o Lord das Trevas, tendo em vista que tinha sido isso que salvara Arthur Weasley no Natal. Severus tentava argumentar, mas Harry no fundo não prestava muita atenção.

Na verdade, Harry estava mais interessado em outra coisa, e Severus passava muito tempo driblando o menino, ou então – pior ainda – cedendo a seus desejos. Que também eram os de Severus. Era uma loucura, fazer aquilo no escritório de atendimento aos alunos, com apenas uns poucos feitiços de privacidade os protegendo. E Umbridge adoraria saber o motivo de eles estarem usando feitiços de privacidade num momento que deveria ser de mero atendimento de aluno e professor.

Previsivelmente, o Lord das Trevas o chamou para exigir uma explicação sobre a quarentena, por intermédio de Lucius Malfoy. Severus não deveria, mas ficou escandalizado ao ver que a correspondência vinda de Lucius não sofria censura prévia em Hogwarts. As coisas estavam mudando rapidamente na escola, com Umbridge estendendo seu poder como uma aranha tecendo sua teia. Mas Severus estava preparado, ele não acreditava em ser apanhado de surpresa.

Então aconteceu uma coisa que Severus acreditava ser capaz de acontecer, mas esperava poder ser evitada. Infelizmente, porém, mais uma vez Umbridge deixara isso impossível. Agora Dumbledore estava fora de Hogwarts.

Era tarde da noite, as horas de escritório estavam encerradas e Severus se preparava para se recolher, quando a porta se abriu. Ninguém entrou. Isso só podia significar uma coisa.

– Entre rápido.

Severus foi correndo fechar a porta enquanto Harry se livrava da Capa de Invisibilidade. Só depois que a porta se fechou e os feitiços de privacidade foram colocados é que ele ousou despejar sua preocupação:

– Harry, o que houve? Depois do que aconteceu hoje, deveria pensar melhor antes de se arriscar vindo até aqui.

Harry não respondeu. Ele simplesmente encarou Severus, e o Mestre de Poções teve um impacto ao ver a multiplicidade de emoções à mostra nos olhos verdes arregalados. Emoções nuas, à flor da pele. A eletricidade do momento contagiou Severus, que rapidamente se viu igualmente exposto e vulnerável como seu Arati.

Com dois passos, Harry venceu a distância até seu dominante, colando seus lábios aos dele de modo desesperado e aflito. Sentiu-se recebido pelos lábios de Severus, encontrando conforto e consolo, mas Harry estava procurando outra coisa.

O rapaz se atirou em Severus, as mãos retirando as roupas sofregamente, querendo-o despido instantaneamente, vendo mais e mais da pele pálida que ele tanto amava sendo revelada, necessitando estar dentro dela. As mãos perfeitas de Severus também começaram a fazer o mesmo por ele, enquanto os lábios se devoravam, a respiração se acelerava, o clima esquentava.

Em breve, estavam roçando pele com pele, enroscados num abraço em que pareciam querer mais explorar do que se segurar. De pé, nus, as mãos se percorrendo, fazendo carícias desesperadas, beijos, lambidas, mordidas. Em seguida, Harry se ajoelhou e segurou a ereção de Severus entre as mãos, antes de introduzi-la na boca, levando a ponta de sua língua a brincar com a pele da glande e no orifício que já começava a esvair líquido.

Severus galvanizou-se em ação antes que seu cérebro fundisse de vez e ergueu Harry pelos cotovelos, levando-o sem qualquer sutileza para o quarto ao lado. Lá o colocou na cama e encheu o peito de beijos, antes de descer pelo abdômen e abocanhá-lo todo de uma só vez. Indócil, porém, o rapaz não ficou passivo: corcoveando, sem deixar Severus largar o prêmio que trazia na boca, ele fez a sua própria boca alinhar-se com o farto membro de seu dominante e também o capturou com os lábios, num 69 perfeito. Durante todo o tempo, eles se acariciaram, dedos fugidios estimulando testículos, brincando com as entradinhas, massageando glúteos, enquanto as línguas e lábios não paravam de lamber, sugar, puxar.

A temperatura esquentava rapidamente e Harry percebeu que não iria agüentar. Ou Severus. Então, ele se afastou de repente, mudando de posição, deitando-se de braços e pernas abertas.

O convite estava explícito.

Severus rolou para o lado e deixou-se ajoelhar no tapete em frente à cama, puxando Harry pelos quadris até a beira do colchão. Com um Accio, trouxe um pote de lubrificante até sua mão. O rapaz sorriu e encaixou-o entre suas pernas erguidas. Primeiro Severus o preparou, depois ele o desfrutou. As ereções, ambas úmidas, esfregavam-se, e Harry uniu seus tornozelos nas costas de Severus, capturando-o enquanto abraçava-o fortemente, lambendo toda pele que conseguia atingir.

Ao mesmo tempo, Severus movimentava seus próprios quadris, procurando encaixar sua ereção em Harry. O roçar dos corpos, a proximidade da pele, tudo indicava que os dois não agüentariam muito tempo, e Severus finalmente penetrou Harry, que soltou um grande gemido e apertou ainda mais os braços em seu dominante, como se não quisesse nunca mais soltá-lo. Quando Severus começou a estocá-lo, Harry cavalgou cada golpe agarrado a ele, sussurrando o nome sem parar, a voz rouca e rapidamente ficando mais alta e descontrolada.

Espiralaram juntos rumo ao éter, abraçados, sem se soltarem, nem quando o Sol cantou para eles. Pois o Sol, desta vez, chorou.

Depois que eles recuperaram o fôlego, não se ouviu um barulho no quarto. Eles continuavam abraçados, formando um casulo de amor e proteção.

– Não quero mais sair daqui – disse Harry, num fiapo de voz.

– Eu sei. Harry, eu sinto muito.

– Não é culpa sua. Mas... – Harry inspirou, tentando se controlar. – Eu queria entender o que aconteceu.

– O Ministério conseguiu acertar um de seus alvos principais: neutralizar Dumbledore. Posso até apostar que o mentecapto do Fudge realmente pensa que Albus queria o seu cargo.

– Mas... Severus, foi horrível. Como puderam fazer Dumbledore fugir de Hogwarts?

– Harry, você não percebeu?

– Percebeu o quê?

– Dumbledore saiu de Hogwarts porque Umbridge ia usar o tal grupo de defesa que você montou para expulsar você da escola. Ele se sacrificou para preservar você.

Os olhos verdes arregalaram encararam Severus, como se tentassem descobrir se ele estava brincando. E eles estavam carregados de culpa.

– Não...! Mas... Mas... O grupo era só para aprender defesa... Não era para tentar nada... Severus... Severus, eu... nem sei o que dizer... Nunca imaginei...

Severus refreou-se de admoestar Harry. Seu imprudente pesseguinho, na certa, achou que nunca seria pego, ou que a interventora do Ministério da Magia era uma idiota completa para não colocar espiões a fim de descobrir sobre o grupinho de defesa contra as Artes das Trevas. Mas Harry já se sentia culpado o suficiente, e Severus não teve coração de lhe dar mais uma bronca.

Ainda mais que ele tinha lido mais outra coisa nos grandes olhos verdes assustados. Por isso, o Mestre de Poções se virou para Harry e acariciou-lhe o rosto, garantindo:

– O Prof. Dumbledore pode ter saído da escola, mas você não está sozinho, Harry. Se você tiver qualquer problema, e precisar falar com alguém da Ordem, McGonagall e Hagrid vão adorar falar com você.

– Mas... eu iria falar com você!

– Não deve me procurar, Harry. É arriscado.

Harry encarou Severus, e sentiu-se tão absurdamente grato por tudo que ele estava fazendo que o abraçou forte, apertando-o. Nunca em sua vida ninguém o tinha consolado depois de uma tristeza grande, depois de uma decepção. Harry sempre tivera que se virar sozinho, absorver por si próprio a perda. E naquele momento Harry se sentia apavorado como nunca. Mas a proximidade com Severus fazia tudo tão tolerável, tão capaz de ter um final feliz.

– Eu... queria... – De repente, Harry se sentiu tão constrangido que não conseguiu pedir. – Severus... Por favor...

Severus segurou-lhe o queixo com um dedo e fez seus olhos se encontrarem. Optou por não usar Legilimência, mas garantiu:

– Pode ficar aqui essa noite. Mas antes do dia amanhecer, você vai ter que voltar para seu dormitório, está bem?

Harry sorriu:

– Eu te amo.

– Não vou usar isso contra você porque você está num momento vulnerável – disse Severus, tentando evitar que os cantos de seus lábios se curvassem. Sua mão alisou o rosto de Harry, que fechou os olhos e inclinou-se para receber o carinho. – Vulnerável e delicioso.

Harry manteve os olhos fechados e sentiu os lábios de Severus cobrindo os seus. Era como se ele estivesse em casa, com o Sol cantando para os dois.

Próximo capítulo: Teoria e prática dos hábitos Koboldines

Capítulo 16 – Koboldines em ação

Tema: lágrimas

A literatura era unânime em afirmar que a união física entre um Koboldine dominante e seu submisso era uma maneira de estabilizar o submisso. Os feromônios interagiam na troca de fluidos, confortando o submisso e ancorando o dominante na relação. Todo mundo saía ganhando.

Por isso, durante a noite, Severus puxou Harry para junto de si, e o rapaz derreteu-se em seus braços, instintivamente procurando se encaixar contra o seu corpo. O contato de pele fez os dois arderem como se o tempo de acasalar ainda estivesse ativo. Severus sabia que isso era devido à condição de os dois serem Koboldine Mizrahi, combinado com o fato de Harry ser um adolescente saudável de 15 anos, com necessidades sexuais e emocionais compatíveis com sua idade.

Aquela noite, porém, Severus precisava dar segurança emocional a Harry. Uma maneira de fazer isso era com carinho, compreensão e apoio, um ambiente amoroso e de pura aceitação das potencialidades de um adolescente que abria seus olhos para a próxima etapa de sua vida e deveria ser capaz de lidar com suas perdas sem desfragmentar sua autoconfiança. Outra – a tradição Koboldine – era calar a boca dele com um único grito, jogá-lo na cama e transar com ele até que ele não pudesse se lembrar do próprio nome.

Severus não precisou pensar muito para seguir a tradição Koboldine.

Ele viu Harry deitado de lado na cama, de costas, com as pernas encolhidas, dando-lhe uma bela visão de seu traseiro. Severus não pensou duas vezes em se encostar por trás dele, entrando em contato com todo o corpo. As mãos elegantes percorreram a pele, com carícias insinuantes, fazendo Harry suspirar, acendendo o desejo em seu pesseguinho. Quando Harry começou a gemer, Severus acomodou sua ereção (que rapidamente crescia) entre as nádegas oferecidas, roçando-o, incitando-o. Harry respondeu à insinuação e ofereceu-se ainda mais, e Severus teve todo o prazer em aceitar a oferta. A posição fazia Harry manter os glúteos apertados, aumentando a fricção e o prazer de ambos.

Ambos começaram a se mexer, Severus afundando lenta e gradualmente, Harry aumentando os gemidos, o que satisfazia Severus em níveis que ele não se importava de admitir. Eram sons que o excitavam, que o contentavam imensamente. Ele não parou de se mexer nem de acariciar seu pesseguinho, aumentando a conexão entre eles, beijando-lhe as costas e acariciando-lhe o peito antes de descer para a cintura e encontrar-lhe a ereção vazando. Harry levou uma mão atrás e conseguiu agarrar-lhe uma das nádegas também, estimulando-o, apressando o ritmo.

O prazer se acumulava rapidamente, ambos ofegando e produzindo sons deliciosos, retidos por feitiços de privacidade e de silêncio. Harry não agüentou muito tempo, com gritos desarticulados, disparando jatos de um fluido branco e viscoso no lençol, o rosto crispado por não ser capaz de suportar tanto prazer. As sensações fizeram Severus perder o resto de controle que tinha e ele se esvaziou dentro de seu submisso, gritando seu nome. Ainda ofegando, ele se inclinou para beijar-lhe a nuca sensualmente.

– Cada vez melhor, pesseguinho…

Harry não escondeu o sorrisinho antes de pegar no sono. Severus o abraçou por trás para juntar-se a ele e não pensou em mais nada.

Aquela noite Harry não sonhou com corredores compridos e escuros no Ministério da Magia.

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– Um Pensieve? Não sabia que você tinha um.

– O Prof. Dumbledore me emprestou o dele.

– E o que está pondo aí?

– Alguns pensamentos, ora. Agora vamos à lição. Esvazie sua mente.

– Severus, tem algum outro meio de ensinar isso? Estou tendo pesadelos todas as noites. Sempre com Voldemort.

– Não diga o nome dele!

– Desculpe.

– Harry, você precisa aprender isso. É imperativo que você aprenda rapidamente a fechar sua mente. Quando nada, pelo menos vai evitar os pesadelos.

– Mas está ficando pior! – reclamou ele. – Eu tenho feito os exercícios, e agora parece que Vold... quero dizer, ele está com uma porta aberta na minha mente.

– Feche sua mente, esvazie suas emoções.

– Eu preferia estar ocupando minha mente com outras coisas...

– Agora não podemos, Harry. É muito arriscado.

– Ora, ninguém vai descobrir. – Harry sorriu o sorriso safado que fazia Severus estremecer por razões bem diversas. – Vamos lá, Severus. Aqui mesmo, em cima de sua mesa. Eu me curvo sobre a escrivaninha, você joga tudo no chão... Vem por trás de mim... – Harry fechou os olhos e passou a língua pelos lábios; mais lascivo, impossível. – Estou vendo nós dois em posição agora mesmo... Hum... Por favor...

– Harry...

– Hum, e o tal cheiro de pêssegos?

Nesse momento, a porta se abriu e Harry se afastou de Severus. Draco Malfoy tinha entrado:

– Professor Snape, senhor... Oh… desculpe.

Malfoy estava encarando Harry e Snape com surpresa.

– Está tudo bem, Draco – disse Snape. – Potter está aqui para reforço em Poções.

Malfoy sorriu, e Harry só pensou em socá-lo. Ou azará-lo.

– Eu não sabia...

– Muito bem, Draco, o que é?

– É a Profª Umbridge, senhor. Ela precisa de sua ajuda. Montague apareceu dentro de uma privada no quarto andar, confuso.

– Muito bem, muito bem. Potter, continuaremos a aula amanhã à noite.

Severus se virou e deixou o escritório. Malfoy ainda deu um risinho antes de ir atrás dele.

Harry se viu sozinho dentro do escritório do Mestre de Poções. Ele olhou em volta, os frascos, as prateleiras... e o Pensieve. Que será que Severus estava tentando evitar que ele visse?

Será alguma coisa do tempo que ele estava com seu pai? Ele nunca falava sobre isso, lembrou Harry. Não que fosse um assunto proibido, mas Harry ficava constrangido em perguntar, apesar de ter grande curiosidade.

Ele olhou para a terrina brilhante, para o conteúdo que se movia e o chamava.

E Harry, sempre curioso feito um gato, não resistiu e entrou dentro da pior memória de Severus Snape. Oh, e ele tinha razão numa coisa: era mesmo sobre o tempo em que seu pai estava vivo.

Mas foi tudo muito rápido, pelo menos foi o que Harry sentiu enquanto acontecia. Ele viu Severus e os amigos de seu pai no dia dos OWLs, e na verdade, viu mais do que gostaria. Viu que seu pai era mesmo tudo aquilo que Severus sempre disse que ele era: arrogante, fanfarrão e cruel. Severus também reagiu, mas estava cercado por quatro pessoas.

De repente, Harry foi agarrado pelo braço, e encarou quem o agarrava. Severus, branco de fúria.

– Divertindo-se?

Harry foi arrancado de dentro da memória do Pensieve e voltou para o escritório de Severus.

– Então? Divertiu-se muito, Potter?

– N-não... – Harry tentou soltar seu braço.

Ele nunca tinha visto Severus tão enraivecido, o rosto cada vez mais lívido, os dentes cerrados à mostra.

– Seu pai era um homem divertido, não era?

Harry se horrorizou com o comentário:

– Eu... não...

Severus atirou-o para longe e Harry caiu com força no chão das masmorras. Severus gritou:

– Você não dirá a ninguém o que viu!

– Não, Severus, não, claro que...

– Você não tinha o direito, Harry, não tinha o direito! Saia daqui! Saia, saia, e não volte nunca mais!

Um pote com baratas voou pela sala, espatifando-se na parede atrás de Harry.

Harry saiu o mais rápido que pôde, correndo como louco pelos corredores de Hogwarts, o braço ardendo de dor onde Severus tinha o agarrado. Estava perdido em sentimentos, um misto de culpa, dor, nojo e horror. Porque seu pai, junto com Sirius e seus amigos, era exatamente tudo que Severus sempre dissera.

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Choveu a cântaros em Hogwarts nos dias que se seguiram. A chuva era na exata proporção da tristeza de Harry, que durante semanas se afundou numa depressão terrível. Pior é que ele se sentia tão culpado e miserável que nem tinha coragem de chegar perto de Severus.

– Tudo bem, cara?

Ele encarou Ron, dando de ombros:

– Claro. Por que não estaria?

– Harry, eu te conheço. Você está horrível. O que está havendo?

– Ron, eu preciso falar com Snuffles. Descobri uma coisa... Ele precisa me explicar.

Hermione cochichou:

– Ficou maluco? Umbridge está vigiando a escola toda desde que Dumbledore fugiu. Nada passa sem que ela veja: corujas, lareiras – tudo está vigiado! Além disso, os OWLs estão chegando, você tem que estudar, Harry!

Um trovão soou perto, antes de Harry fechar a cara para sua amiga:

– Eu sei que eles estão chegando, Mione, agora você vai me ajudar ou não?

Foi Ginny quem veio com a salvação, chamando a ajuda dos gêmeos. Eles iriam criar a diversão enquanto Harry entraria no escritório da bruxa. Hermione ficou tão irritada que quase parou de falar com Harry.

Mas não tão irritada quanto Harry ficou, durante a conversa com Sirius, em plena lareira do escritório de Umbridge. Depois de se assegurar que estava tudo bem, Sirius ouviu a narrativa de Harry e tentou convencê-lo de que o que ele tinha visto era simplesmente uma brincadeira cruel de dois garotos de 15 anos.

– Eu também tenho 15 anos! – lembrou Harry, furioso.

– Harry, eu não tenho qualquer orgulho do que eu fiz. Foi isso que Snivellus disse, foi?

– Não! Ele não tem nada a ver com isso! Ele... nem tem falado comigo... Nós... nos separamos.

– Mas e as aulas de Oclumência?

– Bem, se não temos nos visto, não temos como ter aulas de Oclumência, não é?

– O QUÊ? – Sirius aumentou a voz. – Aquele miserável, traiçoeiro, falso! Eu vou até aí falar com ele.

Lupin interrompeu-o:

– Se alguém vai falar com Snape, serei eu. Harry, entendo que tenha ficado perturbado com o que viu, mas precisa entender que Oclumência é muito importante para você. Dumbledore deixou isso bem claro.

Sirius continuava a resmungar, todo vermelho:

– Aquele cretino! Não basta o que ele... fez com Harry...!

– Primeiro eu preciso saber. Como meu pai ficou com minha mãe? Ela o odiava!

– Não – respondeu Lupin – Isso não era verdade.

– Eles só começaram a sair no sétimo ano – Sirius lembrou. – Eram ambos monitores-chefes.

– Mas... meu pai e... Severus...

– Isso foi apenas no sexto ano. E não foi o ano todo. Ele fez a mesma coisa com você, não foi? Ele te dispensou em pouco tempo, não foi? O bastardo não ama ninguém, só te usou, Harry. Ainda bem que agora você está livre dele.

Harry ficou vermelho e a chuva lá fora caía, implacável.

– Que barulho é esse?

– Não foi aqui – garantiu Lupin. – Acho que foi aí do seu lado.

Harry voou para longe da lareira e enfiou-se embaixo de sua capa de Invisibilidade a tempo de ouvir Filch entrar, olhando um papel que dizia: "Permissão para Açoitamento". Depois Harry saiu de lá a tempo de ver a confusão aprontada pelos gêmeos Weasley, ainda pensando no que Sirius tinha dito.

"Ele te dispensou em pouco tempo, não foi?... Ainda bem que agora você está livre dele...

Ele não ama ninguém."

E a chuva continuou.

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– Severus. Severus.

Ele abriu os olhos. Depois fechou de novo.

– Merlin, estou sonhando.

– Na verdade, não. Mas para todos os propósitos práticos, vou deixar que você acredite nisso. Acho que será mais fácil assim.

– Você está morto.

– Sim, mas o que isso tem a ver?

– Pelo amor de Merlin, James! Eu começo a vê-lo, a falar com você, e acha que isso não afeta minha sanidade?

– Só se prestar atenção no que estou tentando lhe dizer.

– E o que seria isso?

– Tome conta de Harry. Ele vai entrar em grande perigo. Vai precisar de sua ajuda.

– Olhe, foi ele quem se afastou de mim. Eu não fiz nada para que ele fugisse!

– Não estou falando disso. É de outra coisa. Precisa protegê-lo, Severus. Você sabe o que está em jogo, ele não.

– Como posso fazer isso?

– Confie em você. No que você é. No que nós somos. A herança que compartilhamos.

– James, eu... queria que dessa vez fosse diferente. Eu queria que tivesse sido diferente entre nós, também. Mas... seus amigos... meus amigos... Black...

– Só fique de olho no seu submisso, Severus.

– James. – Ele o encarou, os olhos pretos cheios de calor. – Eu sinto muito.

James sorriu.

– Eu sei. Lily também.

Severus sorriu de volta.

Próximo capítulo: Os desastres se acumulam