Capítulo 27 – O mundo dá voltas
Tema: surpresas
– Senhor Harry Potter, senhor, Dobby sente muito! – O elfo doméstico fazia um esforço físico para não se machucar, e Harry podia sentir isso. – Dobby não pôde fazer nada, não evitou porque não deu tempo!
– Mas o que foi que aconteceu?
Hermione entrou na cozinha com o exemplar do Profeta Diário e mostrou a Harry:
– Acho que a explicação está aqui, Harry.
A primeira página estampava uma manchete nas maiores letras que eles tinham: "Madame Malfoy assassinada". Harry sentiu o coração falhar uma batida. O jornal apenas dizia que Narcissa Malfoy, née Black, tinha sido encontrada morta numa das residências da família. Nenhum sinal de violência ou briga evidente foi achado no local, mas os exames de Aurores peritos detectaram vestígios de extensa tortura no corpo. O crime, segundo o jornal, fora atribuído pelo Ministério ao bruxo das Trevas conhecido como Vocês-Sabem-Quem.
Harry arregalou os olhos, e Hermione esclareceu:
– Hoje de manhã, Kreacher tirou sua própria vida. Estranhamente o retrato da Sra. Black também desapareceu, apesar do feitiço adesivo permanente. Dobby disse que Kreacher se lamentou que seus patrões estavam todos mortos e que ele não iria mais obedecer ao... quero dizer, a você.
Dobby torcia as mãos:
– Kreacher chamou Senhor Harry Potter de muitos nomes feios! Muito, muito feios! Dobby se distraiu, e então... Kreacher... Ele.. ele...! Desculpe, Senhor Harry Potter senhor!!
– Dobby, Dobby! – Harry tentou acalmá-lo. – Não foi culpa sua, Dobby. Kreacher já estava desequilibrado há muito tempo.
Ron olhou para Harry:
– Não sabemos o que isso significa, Harry. Por que iriam querer matar Narcissa Malfoy? Ela não estava do lado deles?
– Também não entendo, Ron. – Harry sentia seu coração disparado, e só no que ele conseguia pensar era em Severus. Será que ele estava bem? E se Voldemort tivesse tido um ataque qualquer? Será que era por causa de Dumbledore que Narcissa morrera? – Mas talvez tenha a ver com aquilo que Draco tinha que fazer e terminou não conseguindo. Você sabe do que estou falando.
Hermione franziu o cenho:
– Ora, mas aquilo terminou sendo feito, não foi? Por que ele estaria bravo com Narcissa? Ron tem razão; os Malfoy sempre foram do lado dele. Não sei, Harry, tem alguma coisa errada em tudo isso.
– Acho que tem razão, Hermione. Mas nós não sabemos tudo. Também duvido que Kreacher soubesse de alguma coisa. Ele não saiu de Hogwarts, saiu, Dobby?
– Não, senhor. Dobby viu tudo. Não perdeu Kreacher de vista! Dobby quer ajudar Harry Potter. Dobby pode trabalhar para Harry Potter! Pode cuidar de Mansão Black! Harry Potter pode pagar o mesmo para Dobby!
– Eu gostaria disso, Dobby. Mas para isso, você precisa saber guardar segredos. São muitos segredos, Dobby, que não podem ser descobertos de jeito nenhum. Você pode fazer isso? Não vou ficar triste se não puder, Dobby. Mas você tem que entender que se o segredo for descoberto, as pessoas podem morrer. EU posso morrer.
O elfo arregalou os enormes olhos verdes:
– Dobby faz! Dobby guarda segredo! Protege Harry Potter!
– Claro que pode – sorriu Hermione. – Mas ainda assim temos um mistério nas mãos.
Ron foi cuidadoso em perguntar:
– Hum... er... Harry, por um acaso você sabe de algo... Ninguém te falou alguma coisa? Sabe, aquele seu.. er... amigo...
– Não, Ron. Eu não sei. Talvez, se ele aparecer aqui, saibamos mais sobre isso.
– Cara, eu dava um dedinho para saber o que está acontecendo do outro lado nesse momento.
Harry concordou com Ron intensamente. Mal sabia ele.
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– Este é um dia negro para nosso grupo, meus seguidores. – O Lord das Trevas parecia consternado, quase pesaroso. – Nossa querida Narcissa, uma amiga de tantos anos... Sentiremos sua falta, tenho certeza. Por outro lado, não era possível que ela continuasse a ser um desafio à minha autoridade. Ademais, foi uma punição àquele que desobedeceu às minhas ordens explícitas. Draco Malfoy recebeu uma missão, uma missão que lhe dei pessoalmente. Admito que não tenha sido uma missão das mais fáceis, mas um dos motivos pelos quais eu o encarreguei dela era justamente avaliar seu potencial. Ele falhou miseravelmente. Por isso está sendo punido. E acrescentem Narcissa à punição de Draco. Quando Lucius for libertado de Azkaban, ele também se juntará ao filho.
A reunião se tornou tensa, e os Death Eaters se mexeram, uma onda de desconforto na elegante mansão Malfoy, agora transformada em QG das Forças das Trevas. A guerra estava se intensificando, e por isso Severus intimamente gostaria de acelerar os esforços fora dali, mas ele tinha que ser paciente. Por Harry.
Aparentemente o Lord não tinha terminado seu exercício de verborragia, porque ele simplesmente se virou para Severus:
– Não pense que a sua iniciativa de fazer um Voto Perpétuo com Narcissa me passou despercebida, Severus. Mas você me prestou realmente um serviço muito grande ao nos livrar daquele irritante Dumbledore. Há muito, muito tempo ele era um obstáculo no meu caminho e você o removeu. Você tem a gratidão de Lord Voldemort, por isso magnanimamente concedi-lhe permissões especiais para visitar Draco. Respeito sua amizade com Lucius, e entendo que queira proteger o filho de seu amigo. Mas não se engane: Draco está na minha mira. Não vai querer me desafiar por causa desse rapaz.
Severus fez uma reverência respeitosa, concordando:
– O jovem Draco precisa enfrentar as conseqüências de seus atos. Meu maior arrependimento, meu Lord, é não poder lhe dar informes sobre os planos da Ordem da Fênix agora que eles estão sem Dumbledore. Isso pode tê-los desorientado momentaneamente, mas eu tenho certeza de que vão se reorganizar...
– Não se preocupe, meu leal soldado Severus – Lord Voldemort falou como se estivesse numa onda súbita de compreensão. – Sua preocupação é válida, mas agora inócua. Recentemente, descobri ser possível obter algumas informações sobre a Ordem. Uma pessoa se dispôs a passar o que sabia para mim, diretamente.
– Um outro espião? – Bellatrix logo se interessou. – Como pode ser? Eles conhecem praticamente todos nós!
– Mas aparentemente eles não conhecem todos os seus membros. Lord Voldemort causa uma profunda impressão em todos a quem toca. Não se preocupe, Bella, minha cara. Essa será uma excelente aquisição para a causa. Basta um pouco de trabalho.
Severus estava de cabeça baixa, o que foi perfeito para que ele não demonstrasse a palidez marmórea de seu rosto.
Havia um espião na Ordem. Desta vez, era um perigoso. Harry precisava saber disso.
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– E você não sabe quem é?
– Óbvio que não. Ele não costuma partilhar essas informações, e esse é um procedimento lógico. É uma carta que ele tem na manga e não pretende mostrá-la antes de sua vitória ou a menos que seja extremamente necessário. Eu não sabia nem sobre Wormtail até a volta do Lord das Trevas, após o Torneio Tribruxo.
– Preciso avisar à Ordem.
– Harry, não pode fazer isso.
– Como não? Eles precisam saber!
– E como você vai explicar que sabe disso sem alertar para o fato de que está em contato com alguém do círculo íntimo do Lord? Isso pode alertar o espião prematuramente. Não, é um gesto arriscado. Harry, o que você pode fazer é alertá-los para a possibilidade. Pode argumentar – e usar o meu exemplo. Se alguém já os traiu antes, pode ser que haja mais alguém disposto a isso.
– Droga, Severus. Odeio ter que dizer aos outros que você é um traidor.
Severus sorriu para ele de uma maneira triste, mas emocionada. A aula de Oclumência tinha sido excelente, e ele jurava que Harry estava a um passo de ser um soberbo oclumente. Tanto que estava ensinando também tudo o que ele sabia sobre Legilimência. Isso poderia fazer toda a diferença num possível confronto.
Os dois estavam sentados no sofá, abraçados. Severus tinha deixado de vir numa noite, e Harry sentira falta do toque, do contato. Aquilo era tão gostoso, e Harry se sentia tão bem que ele ergueu a cabeça apenas para olhar Severus, tentar encará-lo de tal modo que só seus olhos transmitissem seu agradecimento por tanto carinho, por tanto amor.
A emoção que encontrou nos olhos negros foi o suficiente para fazer seu coração disparar. O discurso daquela outra noite não tinha sido nada ensaiado ou decorado. Estava presente naqueles olhos mais uma vez. Portanto, nada mais natural para Harry do que se esticar para capturar os lábios que estavam lá, oferecidos implicitamente, sempre à sua disposição.
Na primeira vez que ele tinha beijado Severus, o tempo parecia ter parado. Agora, percebeu, não era diferente. Era um recomeço, uma reaproximação, mas a intensidade não tinha mudado. O toque daqueles lábios dominantes o acenderam em tempo recorde, e ele puxou Severus ainda mais para perto de si. Em poucos minutos, eles estavam enroscados, os lábios colados, as línguas em elaborados exercícios de contorcionismo.
A temperatura rapidamente subiu. Quando Harry percebeu, eles estavam deitados no sofá, as roupas rapidamente se desarrumando, os lábios ainda grudados. O garoto tinha começado o beijo de maneira suave e tranqüila, mas logo as coisas tinham se aprofundado, e ele passou a se sentir desesperado, querendo mais, faminto.
Severus estava mais do que disposto a dar tudo que Harry queria. Mas não podia ser assim, de afogadilho.
Ele agarrou Harry pelos ombros, separando-se dele. Quando os lábios se descolaram, houve um suave ruído, um "pop", tamanha a sucção.
– Harry... O que... – Ele teve que renovar o fôlego. – O que... você quer?
– Você. – Os olhos verdes estavam escurecidos. – Quero você, Severus... Por favor...
– Aqui?
– Não, mas... Não sei se vou conseguir chegar lá em cima.
– Então aqui está ótimo.
E, num movimento súbito, derrubou Harry do sofá para o tapete em frente à lareira. O rapaz ficou um tanto atordoado, mas quando viu o que tinha acontecido, notou que estava no chão, rendido, o seu dominante em cima dele, imobilizando-o, prendendo-o pelos pulsos, o rosto a menos de um centímetro do de Harry, os cabelos compridos chegando a roçar nas faces do rapaz.
– Agora você é meu. E, depois desses meses todos longe de você, eu quero tirar o atraso.
Próximo capítulo: Severus quer tirar o atraso, e Harry não vai brigar com ele.
Capítulo 28 – Tanto amor
Tema: reencontro
Severus não largou dos braços de Harry quando se inclinou para capturar os lábios, muito embora o garoto ainda estivesse de olhos arregalados com o que tinha acabado de ouvir. Mas a língua de Severus logo começou a trabalhar, e aí Harry se esqueceu de qualquer coisa que ele tinha dito, concentrando-se nas sensações, um sentimento de intensa familiaridade tomando conta dele.
Dizem que a memória olfativa está na parte mais primitiva do cérebro, e por isso ela evoca os instintos mais básicos, as sensações menos censuradas por valores racionais e civilizados. Severus pôde confirmar essa teoria quando um cheiro de pêssegos invadiu suas narinas. Era irracional, ele sabia. Não era época de acasalamento, e claro que Harry não estava cheirando a pêssegos. Mas era isso que seu cérebro estava captando: pêssegos fora de época.
Seus hormônios explodiram, e ele deitou-se totalmente em cima do seu pesseguinho, suas ereções encostadas, pressionadas, embora seus lábios não soltassem o prêmio daquela boca sedosa e jovem, tão faminta quanto a dele. Severus mexeu os braços dele: juntou-os, e usou uma única mão para mantê-lo preso, e com a outra passou a explorar o peito, arrancando gemidos abafados da boca sob a sua.
Interrompendo o beijo, Severus fez seus lábios percorrerem o pescoço de seu submisso, e o cheiro de pêssegos se intensificou, enquanto o rapaz soltava gemidos, estremecendo levemente. Severus passou a mordiscar um lugar particularmente apetitoso, e Harry suspirou alto, tremendo ainda mais, querendo ainda mais.
Com um feitiço murmurado, Severus fez a camisa de Harry se abrir, ainda prendendo-lhe os pulsos acima da cabeça. Com uma mão apenas, ele acariciou o peito do rapaz, detendo os dedos nos mamilos, os beijos sem dar trégua no pescoço de Harry. O rapaz tentou sussurrar um feitiço, mas a boca de Severus foi rápida em silenciá-lo usando apenas os lábios.
– Você é meu. Quero você todinho.
Harry não tentou mais resistir. Severus recompensou-o levando a boca até um mamilo e brincando com ele usando dentes e língua, enquanto a outra mão brincava com o outro, puxando-o. Harry gemeu, a ereção tão inchada que a calça tinha ficado apertada. Severus parecia ter sentido aquilo também e fez as ereções se esfregarem – mesmo sob as roupas – e silenciou os gemidos de Harry com um daqueles beijos que fazia o rapaz derreter por dentro.
O corpo jovem de Harry, há tanto tempo longe de carícias como aquela, era um vulcão. Severus sentiu que ele não iria resistir mais muito tempo. Então fez um feitiço para retirar as calças e cuecas de ambos, e de repente as duas ereções se tocaram. As sensações foram demais para Harry, que se contorceu:
– Não!... Eu vou...!
Mas antes que ele conseguisse se controlar, ele explodiu em gozo, lambuzando-se e a seu dominante. Envergonhado, o rapaz se horrorizou:
– Severus... Desculpe, eu não pude... Desculpe, eu…!
Severus o abraçou, beijando-o profundamente e interrompendo o rosário de desculpas. Harry logo se esqueceu das desculpas e respondeu ao beijo com entusiasmo, já não sabendo se ofegava por causa do orgasmo que acabara de sentir ou do tesão que se espalhava por seu corpo. Agora que Severus soltara seus pulsos, o rapaz se enroscou contra o homem como uma serpente ensaboada. Sem surpresa, começou a sentir sua ereção firmando-se novamente.
Severus separou seus lábios dos de Harry para usar o feitiço que os deixou inteiramente nus, as peles se tocando. As sensações se espalharam como rastro de pólvora, eletrificando os dois corpos.
Descendo a mão, Severus envolveu a ereção do rapaz entre os dedos, sentindo-a toda melada, enquanto seu pesseguinho começava a fazer movimentos com a pelve, pedindo mais. O Slytherin usou o líquido para fazer a mão deslizar para cima e para baixo, e Harry gemeu, mais ainda quando Severus rapidamente usou os dedos para brincar com as bolinhas endurecidas logo abaixo. Harry se abriu todo, tentando fazer os dedos encontrarem sua abertura.
– Severus...! – pediu Harry, a voz tremendo de desejo. – Por favor!... Quero você! Quanto tempo...!
– Sim, meu Harry...!
– Seu...
– Quero prepará-lo todinho... Você tem lubrificante?
Harry usou um Accio, e Severus foi generoso ao espalhar o creme no seu dominante, que suspirava e arfava. Oh, ele estava tão apertadinho depois de tanto tempo sem fazer aquilo... Severus não pôde evitar sentir a base de sua ereção esquentar diante do pensamento que mais ninguém tinha tocado o seu pesseguinho. Usou os dedos, desfrutou dos suspiros e gemidos que soavam como afrodisíaco nos seus ouvidos:
– Agora, Severus... Por favor...!
O rapaz estava quase miando, de tanto desejo. A verdade era que Severus também não agüentaria mais muito tempo, mas ele também aproveitou a entrada de seus dedos para procurar a pequena glândula, enquanto acariciava a ereção. Harry deu um pulo quando ele encostou no botãozinho mágico.
– Aqui! Aqui! Agora! Por favor, Sev!
Sem perder tempo, Severus também usou o creme em sua própria ereção, que implorava por alguma atenção. Lentamente, sentindo que seu pênis endurecido estava bem maior do que costumava ser, ele começou a se apossar de seu Harry. Mesmo após as preparações de Severus, o rapaz estava ainda bem estreito, e a passagem fez os dois gemerem alto diante da sensação. Mas Harry não se fez de rogado e se empurrou todo, então de repente, Severus viu-se totalmente dentro dele, os testículos encontrando nas nádegas firmes.
Uma overdose de sensações se apossou de Severus. Algumas ele nem tinha nome; outras estavam imiscuídas com as demais. Era uma explosão de cores e texturas, e ele tinha a impressão de que o seu submisso podia sentir a mesma coisa. Extasiado, ele apenas deixou-se envolver por tamanhas formas e cores.
Foi Harry quem o incentivou a finalmente se mexer, no ritmo, e Severus fez questão de sempre procurar atingir sua próstata, e o pesseguinho uivou de tanto prazer, como um animal selvagem, uma fera que Severus tinha soltado. A ferinha rugiu ainda mais alto quando Severus pegou sua ereção e a estimulou no mesmo ritmo que suas estocadas na próstata.
Harry podia sentir a magia em seu redor, ou era apenas sua imaginação, seu grande amor por Severus soltando-se diretamente de seu coração? Pouco importava, quando seu corpo cantava diante das sensações que só seu dominante era capaz de extrair dele. Harry pôde sentir a pressão aumentando atrás de seu pênis, acima de suas bolas, e ele sabia que ia explodir de novo, e ele tentou avisar, mas Severus acelerou o ritmo, como se quisesse acompanhá-lo, correr junto com ele.
Tudo ficou branco, uma explosão muda e cegante.
Jatos perolados dispararam do pênis de Harry, que estremeceu todo, e ainda mais quando sentiu os tremores de Severus. Só saber que tinha feito seu amor perder o controle e ter tanto prazer fez Harry estremecer mais ainda, como se estivesse tendo outro orgasmo em cima do primeiro.
Mágica do mais alto calibre cercou os dois por toda a sala, com jatos de luz dourada e prateada ziguezagueando no ar. Severus caiu em cima de Harry, ofegante, sentindo os tremores de Harry.
"Eu amo você".
Foi uma mensagem uníssona e recíproca, compartilhada por ambos, enquanto eles apenas respiravam, um sobre o outro. O Sol cantava para os dois, no fundo de suas mentes. Era uma sensação estranha, a de estar ali e não estar.
Harry sentia como se estivesse flutuando rumo ao teto, um teto com cortinas acetinadas e sedosas, e mesmo com o corpo de Severus sobre o seu, ele se esticou como se pudesse tocar o tecido diáfano no ar. Seu corpo parecia leve feito uma pluma, Severus agarrando-se a ele como se sua vida dependesse disso.
– Podemos descer agora, Harry?
– O quê?
O garoto olhou em volta e quase não acreditou no que viu.
Eles estavam flutuando.
Ele se agarrou a Severus, quase assustado, mas maravilhado:
– Wow! Isso é demais!
– Magia espontânea – explicou Severus. – Isso pode acontecer de novo, agora que você está desenvolvendo seus poderes completos. Pode demorar um pouco até eles se aquietarem. Agora, por favor, pode nos descer, Harry?
Harry obedeceu, e os dois gentilmente flutuaram até o tapete. Severus ainda estava dentro dele, e quando o membro desinflado deixou-o, Harry sentiu a perda, agarrando-se ainda mais ao seu dominante.
Severus estava emocionado. Ele pensou que o processo fosse lento, que a coisa precisasse ser construída gradualmente, lentamente. Jamais imaginou que algum dia ele pudesse ter algo tão explosivo com Harry como o que tinha acabado de ter, copulando como coelhos no tapete em frente à lareira.
Trouxe a varinha até sua mão e conjurou um cobertor para os dois. Eles ficaram deitados no tapete, olhando a lareira.
Harry suspirou.
– Eu sinto muitas saudades do tempo que ficamos de quarentena... Pena que não possamos dormir juntos agora.
– É arriscado. Tentador, mas arriscado.
– Você vai embora já?
– Não sem antes fazer um exercício com você. Você se incomoda?
– Oclumência? – Harry fez uma expressão de cansaço. – Agora?
– Não é Oclumência. Você pode se surpreender.
Aquilo atiçou a curiosidade de Harry. Ele se sentou, deixando o cobertor cobrir-lhe o colo:
– O que é, então?
– Algo diferente, algo que você nunca fez. Preciso que olhe para mim e veja se consegue ver algo diferente em mim. Mas, para isso, você precisa usar seus olhos de coração.
– Como assim? O que isso quer dizer?
– Não é fácil explicar. Basta tentar. Se não conseguir, não tem problema. É só um exercício, mesmo.
Severus viu Harry sorrir e olhar para ele. O ex-professor de Hogwarts sentia uma pontada de culpa por mentir para seu pesseguinho. Aquele exercício era extremamente importante. Se Harry conseguisse ver o que deveria ver, ficaria provado que ele estava pronto para desenvolver seus outros poderes Koboldines. A visão era apenas um deles.
Poderia ser o ponto de partida para uma decisão na batalha contra o Lord das Trevas.
Por isso, foi com expectativa que ele observou Harry a encará-lo, o rosto do jovem franzido:
– Severus... Desde quando você tem tatuagens na cabeça?
O coração de Severus acelerou-se tão rapidamente que ele quase sentiu as faces se ruborizando, mas tentou disfarçar:
– Do que está falando?
– Dessa tatuagem de lua embaixo do seu cabelo. Ela é prateada, não é? Muito bonita. Engraçado, eu nunca tinha notado antes.
Raramente Severus tinha ficado tão feliz na vida. Ele abriu o maior sorriso de que se tinha notícia e imediatamente puxou Harry para seus braços. O rapaz até se assustou um pouco. Nunca tinha visto uma reação tão espontânea de seu contido ex-professor.
– Esperei tanto tempo por esse momento... – confessou o dominante, apertando-o em seus braços, cobrindo-o de beijos. – Agora você pode começar a desenvolver seus poderes, seus verdadeiros poderes. A explosão espontânea de magia que vimos é apenas parte ínfima do que você pode conquistar. Essa vai ser uma de nossas armas. Mas mais importante do que isso... você está pronto.
Harry o beijou profundamente e depois pediu:
– Então me treine, Severus. Quero fazer isso com você.
– Vou fazer o que puder, Harry. Agora que você é meu... todo meu...
Harry fez um biquinho adorável e carinha de santo ao pedir:
– Será que é verdade? Sou mesmo seu? Você podia me mostrar o quanto eu sou seu...
Droga, quem podia resistir, mesmo sabendo que era apenas provocação do maldito rapaz?
Próximo capítulo: Harry tem que bancar o anfitrião
