Capítulo 35 – Mais descobertas

Tema: domesticidade

Após a intensa sessão de um amor totalmente mágico, Harry lavou Severus num dos velhos e espaçosos banheiros da mansão. Foi um momento sensual, não sexual, de entrega total.

Severus tinha feito isso por Harry uma vez, quando eles estavam "isolados" na enfermaria. Naquela ocasião, ambos estavam explodindo de feromônios, embriagados num mar hormonal. Agora, porém, o que Harry queria era passar a Severus confiança, carinho, proximidade. Então ele usou água quente, uma banheira bem cheia, óleos essenciais e uma esponja para lavar o corpo de seu amado, depois foi a vez dos cabelos.

O ex-professor de Hogwarts estava muito emocionado com tudo aquilo. Não só pelo carinho em si, mas também pelo fato de Harry estar tendo tanto esforço, no meio da noite, apenas para tentar animá-lo. Severus estava genuinamente tocado com tudo aquilo. Especialmente porque era um gesto espontâneo de Harry, aquela generosidade e desprendimento inatos do rapaz, os traços que o Slytherin tanto admirava.

Não houve menções sexuais durante o banho, mesmo que ambos estivessem novamente partilhando uma banheira. Não, era algo mais suave do quem meramente sexo. Mesmo que Harry não resistisse e salpicasse os ombros de Severus de beijos enquanto enxaguava a pele. Um cheiro de pinho logo permeou todo o ambiente.

Ambos se secaram, e Harry fez um feitiço refrescante nas roupas de Severus, para que ele as vestisse novamente. Mentalmente, ele pensou que talvez fosse bom ter algumas roupas ali para quando seu dominante estivesse em casa.

– Severus, posso lhe pedir um favor? – Harry continuou a se vestir. – Preciso reforçar as proteções da casa.

Severus franziu o cenho:

– A casa está bem segura. Com a morte do Fiel do Segredo, o Feitiço Fidelius se torna ainda mais forte. Literalmente, não há como descobrirem esse lugar.

– A não ser por quem já freqüenta Grimmauld Place. Se há um traidor na Ordem, ele provavelmente já tem acesso à casa. Pretendo dificultar a entrada dele. Sabe, no caso de ele querer me matar enquanto eu durmo, e essas coisas.

Severus ergueu uma sobrancelha, abotoando a fileira de botões. Harry ficou olhando aquela fileira, sabendo como era tentador desabotá-la, depois a camisa branca, para então desnudar o tesouro que era a pele de Severus...

– Boa precaução. – Severus se ergueu, desamassando as vestes e tirando Harry de seu devaneio erótico. – Venha. Vamos reforçar as proteções e adicionar novas.

Foi o que fizeram juntos, a magia conjunta deles estalando suavemente pelas entradas: porta da frente, janelas e lareiras. Foi então que Severus sentiu pela primeira vez.

A sensação era suave e familiar, mas arrepiou-lhe o cabelo da nuca. Severus tinha a impressão de que alguém parecia observá-los. Era impossível, ele sabia disso, mas seus sentidos sinalizavam o perigo. Como espião de tantos anos, ele conhecia bem essa sensação de alerta constante. Ao menos, conhecia-a o suficiente para saber que era bem real.

Ainda assim, Severus preferiu nada dizer a Harry, limitando-se a reforçar as proteções. Ele o protegeria quando a hora chegasse.

– A Sra. Weasley esteve aqui e preparou uma galinha ensopada. Acho que vou fazer uma canja. Está com fome?

Severus dificilmente tinha fome. Ele quase não comia, via de regra. Quem tivesse um módico de atenção nos seus anos de Hogwarts, tanto como aluno quanto professor, poderia facilmente identificar que Severus só aparecia no Grande Salão apenas para satisfazer os professores.

– Claro. – Deu um sorrisinho para Harry. – Adoraria uma canja.

A refeição foi preparada sem magia, mas em tempo recorde. Os dois se sentaram à mesa da cozinha para desfrutar da sopa quente, o cheiro delicioso abrindo o apetite de Severus. Mais do que isso, ele se sentia realmente cuidado. Provavelmente era uma combinação da comidinha quente com o carinho de Harry. Nunca ninguém tinha cuidado dele assim. Ninguém nem tinha ficado com ele a noite toda, fora seu pesseguinho e o seu pêssego gigante.

A lembrança de James não foi muito apropriada e Severus desviou o olhar de Harry, suspirando, pousando o olhar na lareira. O fogo parecia bem amarelo, mais do que o normal. Talvez já estivesse amanhecendo lá fora.

Afinal, a madrugada estava no fim. Sem sentir, eles haviam passado praticamente a noite toda juntos.

Severus deu uma última colherada, elogiando:

– Isso caiu muito bem, Harry. Obrigado.

Harry sorriu. Ele sabia que Severus não estava falando sobre a canja, mas preferiu abrir um sorriso:

– Tem certeza de que não quer mais? Você comeu tão pouco.

– Posso dizer o mesmo de você.

O rapaz sorriu, recolhendo os pratos:

– Somos os dois ruins de garfo. A Sra. Weasley vive me enchendo de comida. – Ele depositou os pratos na pia e abriu a torneira. – Severus, você está bem?

– Estou melhor, obrigado. Graças a seus tenros cuidados.

– Lamento o que houve com Draco. Não nos dávamos bem, mas eu nunca achei que ele fosse cruel como o pai. Só achava que ele era patético.

– Ele teve que crescer em muito pouco tempo – disse Severus, amargamente. – No final, acho que ele compreendeu mais.

– Eu sinto muito, Severus. Sei o quanto você queria salvá-lo.

Severus assentiu, abaixando a cabeça sem responder. Harry fechou a água que deixou os pratos de molho na pia e voltou à mesa, dizendo animadamente:

– Mas nem tudo são más notícias. Você sabe que praticamente localizei uma Horcrux?

Aquilo chamou a atenção de Severus:

– Conte-me tudo.

Harry fez o relato da ida a Godric's Hollow, das ruínas de Gryff, e da Abadia de Rievaulx, onde ele "viu" o chifre de Gryffindor envolto em chamas.

– Agora eu pretendo pesquisar e saber onde o tal chifre pode estar – terminou de relatar Harry. Foi então que ele viu a expressão de seu dominante. – Severus? O que houve? Por que você ficou tão pálido?

– Harry… – Severus começou a falar num tom calmo e espaçado. – Você me alertou sobre o chifre.

O garoto arregalou os olhos. Severus continuou:

– Eu vi o seu rosto quando procurava uma Horcrux... – Ele retirou o embrulho do bolso. – E achei o que eu procurava.

Boquiaberto, Harry olhou o embrulho de veludo preto, seu olhar Koboldine detectando as chamas invisíveis.

– Mas... como?

– Não sei como, mas acho que nossa conexão se abriu de algum jeito. Eu pude vê-lo, Harry, era como se você estivesse diante de mim, e isso me alertou que eu estava no caminho certo. Estive pensando e creio que o que aconteceu prova que temos uma conexão forte, uma capaz de se transformar em comunicação instantânea. Se pudéssemos controlá-la para efetivamente nos comunicarmos...

Harry estava olhando a Horcrux em cima da sua mesa de jantar, meio fascinado. As chamas que pareciam emitir do objeto (mesmo embrulhado) eram as mesmas que ele tinha visto em Yorkshire.

– Severus, que estranho. Eu também vi você... Vi seu rosto...

Eles se olharam. Podia haver esperança. Essa vantagem podia ser crucial na batalha final, e eles sabiam disso.

Severus comentou:

– Parece que ainda há muito sobre Koboldines que não sabemos.

– Será que aquilo nos dará alguma resposta?

Curioso, Harry desembrulhou cuidadosamente o veludo preto. Quase se riu. Olhando assim, era apenas um pedaço velho de um chifre. Não dava para perceber, só de ver, que ali estava um pedaço da alma de Lord Voldemort. Mas havia, sim, algo a respeito do objeto. Harry sentira alguma coisa quando tinha ido guardar o medalhão na cristaleira encantada, e agora o sentimento estranho estava de volta.

Severus sugeriu:

– Melhor colocarmos isso em segurança.

– Severus, você não sente algo estranho quando está perto disso?

Embrulhando novamente o artefato, o ex-Mestre de Poções respondeu:

– Tento não pensar muito nisso. Afinal, pelo que eu soube, Horcruxes não são tão identificáveis assim.

Harry ficou surpreso:

– Sabe, pensando bem, quando eu estava com o diário de Riddle, eu não tinha esses sentimentos estranhos. Será que agora que eu sou um Koboldine, esses sentimentos aumentaram?

– É uma boa explicação – respondeu Severus. – Como eu disse, efetivamente, ainda há muito a descobrir. Mas agora a prioridade deve ser proteger esse objeto. Onde mesmo está a cristaleira?

Eles foram até a sala de jantar e guardaram a relíquia de Gryffindor. Severus reforçou a proteção à cristaleira, e Harry ficou mais tranqüilo. Ele temia que, inadvertidamente, alguém como a Sra. Weasley, Tonks ou mesmo Dobby, pudesse abrir o móvel e expor as Horcruxes.

– Está quase amanhecendo – disse Harry. – Daqui a pouco Hermione vai se levantar. Ron dorme até tarde.

– É melhor eu ir, então. – Severus sorriu, ao observar a reação de Harry, pronto para protestar. Ele também estava sem a mínima vontade de sair. – Mas antes posso retribuir sua gentileza de preparar uma ceia ao lavar a louça.

O rosto do rapaz se iluminou:

– Você é um marido que tem muita consideração. Será que vai continuar assim depois que derrotarmos Voldemort e pudermos finalmente morar juntos?

A ironia de Harry, porém, causou uma dor no peito de Severus. Ele não sabia o que iria acontecer. Ele não pensava no depois. Ele simplesmente se concentrava em derrotar Voldemort. Se Severus começasse a pensar nas possibilidades e nos risco, ele poderia ficar ainda mais macambúzio.

A reação, porém, não passou despercebido a Harry:

– Severus. – chamou o rapaz, abraçando-o. – Nós vamos derrotá-lo, nós vamos morar juntos e nós vamos ter um final feliz. Acredite nisso.

Ele olhou os olhos de seu pesseguinho, o brilho de jade ainda mais claro com a primeira luz da manhã. Não teve como se derreter.

– É o que eu mais quero – disse, sinceramente.

Harry esticou-se para beijá-lo rapidamente, e depois os dois se dirigiram à cozinha, onde os pratos tinham ficado de molho. Severus rumou para a pia, e Harry para o fogão, tagarelando:

– Vou fazer um chá para Hermione. Sabe, eu estou com um elfo. Dobby está me ajudando, mas no momento ele está em St. Mungo's. O pobre teve um ataque ao ver o Profeta Diário, e achou que eu tivesse morrido. Preciso dar um jeito de ir vê-lo.

Severus não respondeu. Ele estava parado, de olhos fixos na pia cheia de água na qual os pratos de sopa estavam de molho, junto com os talheres e a panela em que Harry tinha preparado a canja. A princípio, era uma cena doméstica comum e prosaica.

Exceto pelo par de olhos que o observava na água cheia de sabão.

– Harry – chamou ele, numa voz absolutamente neutra.

– Sim? – O garoto estava procurando a chaleira no armário. – O quê?

– A cozinha está com alguma infestação de fadas mordentes ou budimuns?

– Não, por quê?

– Porque eu acho que estamos com um visitante.

Da lareira, atrás dos dois, veio uma resposta numa voz diferente:

– Na verdade, meu Príncipe, tendes dois visitantes.

Várias coisas aconteceram ao mesmo.

Harry arregalou os olhos e virou-se num reflexo. Ao mesmo tempo, Severus sacou a varinha e, instintivamente, colocou-se à frente de Harry, protegendo-o do intruso. Da pia, um jato de água ergueu-se, voou como um arco pelo aposento, transformando-se numa criatura que se postou diante deles, ficando ao lado de uma outra. Ambas eram pequenas, menores que Dobby.

Rapidamente, as duas criaturas estavam ajoelhadas, olhando para o chão da cozinha, de cabeça baixa e postura humilde.

– Viemos para servir, meu Príncipe.

Próximo capítulo: Um café da manhã mais que curioso

Capítulo 36 – Adivinhe o que tem na cozinha?

Tema: criaturas mágicas

Severus não soube dizer o que o deteve. Foi por um triz que ele não explodiu os intrusos à primeira vista. Como tinham entrado ali?

– Não nos mateis, Majestade – pediu um deles respeitosamente, ainda de cabeça baixa. – Não somos ninguém para ameaçar o Rei e seu Consorte.

Foi Harry quem indagou:

– Quem são vocês? O que fazem aqui?

Então eles ergueram a cabeça, ainda ajoelhados. Eram completamente diferentes. Um tinha uma aparência bem alienígena, com o rosto avermelhado, os cabelos espigados vermelhos feito um Weasley e olhos amarelos. O companheiro era mais humanóide, se é que se podia dizer isso: os cabelos eram escuros, mas cinza, os olhos pretos, e a pele era um tanto clara.

O vermelho se apresentou:

– Sou Sizz e este é Plonk, Majestade. Viemos verificar se era verdade que a magia Mizrah estava de volta ao reino dos humanos. Não parecia ser possível, mas então vimos que é verdade! Koboldines do reino!

– Sabe quem nós somos?

Os dois se olharam, intrigados.

– O Rei não sabe, Sizz.

– Ele parece bem desinformado, o Consorte também – observou o clarinho, chamado Plonk, que rapidamente acrescentou: – Com todo o respeito, Majestade.

Harry adiantou-se, Severus ainda de varinha em riste.

– Por que me chama de Rei?

– Vossa Majestade é Arati – explicou Sizz, ainda admirado. – Seu Consorte é Sharaman. Sois Mizrahi Consorciados!

Harry tentou obter mais informações:

– E o que isso quer dizer, Sizz?

– O Mais Velho disse que isso significava que novamente o Reino teria um Rei! Faz muito tempo que isso não acontece!

O companheiro Plonk concordou com veemência:

– É, muito tempo! Tempo demais, até mesmo para ondinas e salamandras.

– Mas, com a recuperação das Pedras de Toque, agora tudo vai voltar aos tempos dos Reis!

Severus abaixou a varinha. Aqueles dois não podiam ser agentes do Lord das Trevas. Eles nem sequer faziam sentido. Harry parecia pensar a mesma coisa, e encarou Severus.

Os dois visitantes voltaram a falar um com o outro:

– Sizz, eles não entendem.

– Como pode ser...?

– Acho melhor falarmos com o Mais Velho.

– Melhor ainda: por que não trazemos o Mais Velho até aqui? Ele é quem entende dessas coisas todas.

Harry e Severus se entreolhavam, confusos. Talvez trazer esse outro não fosse má idéia. Severus insistiu:

– Mas quem são vocês, afinal?

A criatura avermelhada franziu o cenho:

– Eu sou Sizz e esse é Plonk, meu Príncipe. Isso não ficou claro antes?

– Talvez a pergunta mais indicada seja esta: o que são vocês?

Sizz inclinou-se mais uma vez:

– Alteza, por favor, permiti-me trazer o Mais Velho. Ele explicará tudo bem melhor do que Plonk e eu.

– Então, por favor, traga seu amigo.

A criaturinha fez uma mesura exagerada e desapareceu num clarão de fogo. Plonk abaixou a cabeça:

– Desculpai-nos, Milords. Nós deveríamos apenas observar para confirmar a presença de Magia Ancestral. Não deveríamos revelar nossa presença, mas vós sois tão espertos que nos descobristes. O Mais Velho vai ficar decepcionado conosco. Eu apenas queria – ops!

De repente, Plonk deu um salto e postou-se em frente a Severus. Uma voz feminina indagou:

– Harry, você está com alguém?

Era Hermione, que estancou assim que entrou na cozinha. Ela olhou a cena e arregalou os olhos. O tal Plonk a encarava, com cara feia, disposto a proteger Harry e Severus, apesar de seu tamanho diminuto.

– Calma, Plonk. Essa é minha amiga Hermione. Hermione, esse é Plonk. Ele... veio nos visitar.

O estranho ser olhava desconfiado para Hermione. A moça rapidamente se recompôs e colocou seu sorriso mais simpático:

– Olá – cumprimentou. – Seja bem-vindo. Você é de onde?

– Vim do Reino. Você é amiga de Suas Majestades?

– Majestades? – repetiu Hermione.

Um clarão de fogo surgiu nesse momento na cozinha, assim como um vento forte. Sizz estava de volta, e com ele estava um outro pequeno ser, de barbas brancas, chapéu pontudo, pele escura e muito enrugada. Hermione deu um passo para trás e soltou um gritinho.

– Aqui estão eles, Mais Velho – apresentou Sizz. – O Arati e seu Sharaman!

Ele realmente parecia bem idoso, notou Harry. Aproximou-se de Harry e Severus. Plonk foi para o lado.

– Então é verdade... – A voz estava trêmula, e a criatura parecia muito emocionada, encarando Harry e Severus com reverência. – A Magia Koboldine está de volta...!

– Eu disse, eu disse! – Sizz parecia excitado.

Harry se adiantou:

– Er... Olá, bom dia. Bem-vindo. Eu sou Harry, esse é Severus e essa é Hermione.

A criatura tentou se curvar:

– Majestade, sois generoso demais.

– Não, não, não se curve, por favor. – Harry estava ficando exasperado. – E pode me chamar de Harry.

– Eu sou Berenkor – apresentou-se a criatura, ainda de cabeça baixa. – Mas sou conhecido como o Mais Velho, porque ninguém tem mais idade entre o meu povo.

Harry indagou:

– Seu povo?

– Elementais, meu Rei – respondeu Berenkor. – Sou um gnomo da terra, Sizz aqui é um elfo de fogo, e Plonk é um tritão, pois vem da água. Há algum tempo eu comecei a detectar sinais de Magia Koboldine Mizrahi. Essa é a única magia do mundo dos humanos que chega até o Reino. Então pedi a Sizz e Plonk que viessem investigar. Eles são muito espertos, e sabem se disfarçar muito bem.

Severus olhou os dois elementais, permitindo-se discordar mentalmente de Berenkor. Eles não eram nada discretos, e o disfarce deles era péssimo.

– Nossa! – Hermione ficou impressionada. – Eu pensei que elementais só existissem em lendas. E histórias para crianças Muggle.

Severus esclareceu:

– Em História da Magia, há uma corrente de pesquisa que acredita que os elementais um dia simplesmente desapareceram da face da Terra e voltaram para sua dimensão, que alguns chamam de Tir Na Nog, a Terra das Fadas. Eles teriam deixado alguns descendentes, como os gnomos de jardim e os elfos domésticos.

Berenkor ergueu a cabeça:

– Sim, meu Príncipe. Meus antepassados me contaram histórias de como a maioria dos altivos elfos da floresta decidiu permanecer no mundo humano e ensinar os bruxos a agirem mais civilizadamente. Contudo, os humanos de magia os escravizaram até que eles esquecessem seu passado. Hoje em dia restam poucos elfos nas florestas. Meu próprio povo, os gnomos, também quis ficar para trás. Hoje eles não têm mais lembranças de seu verdadeiro lar. Os que voltaram ao Reino mantêm seus poderes normais, mas os outros foram dominados.

Harry viu os olhos de Hermione brilhando, diante de tantas informações. Mas ele não entendia direito:

– Você sabe por que houve esta separação? Por que os elementais deixaram o mundo dos humanos?

– Foi sugestão do último Rei. Quando os humanos de magia começaram a perseguir Koboldines, os últimos Reis pediram aos elementais que voltassem ao Reino. Eles nos salvaram a todos nós. Poderíamos ter virado escravos, ou ter nossa magia roubada de nós. Mas... parece que, ao fazerem isso, os Reis não garantiram sua sucessão.

– Isso faz muito tempo, não? – perguntou Hermione, penalizada.

– Oh, sim, muito tempo, Senhora – concordou o velho gnomo. – Deve ser por isso que Suas Majestades não nos conheçam. Durante todo esse tempo, o Reino ficou sem o Rei e seu Consorte.

Harry não entendia:

– Koboldines são humanos, não são? Como diz que são reis do seu reino?

– Nem todos os Koboldines são da realeza, meu Rei. Só os Mizrahi, o Casal Celestial. Eles trazem o equilíbrio da Luz e da Treva, do Frio e do Calor, do Claro e do Escuro. A Profecia dizia que eles eram a única esperança contra a Ameaça Sem Alma.

Harry sentiu um arrepio diante dessas palavras, e Severus também estremeceu. Os dois se entreolharam quando Hermione arregalou os olhos:

– Profecia da… Ameaça Sem Alma?

Antes que o gnomo pudesse responder, Harry convidou:

– Por que não nos sentamos todos? Berenkor deve estar cansado de ficar ajoelhado.

Mais do que cansado, o gnomo parecia escandalizado:

– Majestade, não posso me sentar à mesa com o Casal Celestial, como se eu fosse um igual!...

– Berenkor, você é um convidado nessa casa – garantiu Harry. Ele puxou uma cadeira. – Por favor, sente-se aqui. Plonk, Sizz, ali, com Hermione.

Houve alguma hesitação entre os elementais. Plonk foi o primeiro a sentar-se, e Hermione imitou seu gesto, sorrindo. Sizz foi o seguinte, e Harry olhou para Severus, sentindo que Berenkor não se mexeria até que eles estivessem sentados. Severus concordou com aquilo silenciosamente, portanto levou Harry à mesa. Só depois Berenkor (desconfiado e reticente) obedeceu.

– Então, Berenkor, por favor – pediu Harry. – Fale-nos mais sobre a profecia.

O gnomo abanou a cabeça, desolado:

– Durante muitos anos acreditamos que a Profecia iria se perder no esquecimento. A Ameaça viria, roubaria os Elementos do Reino e aí perderia sua alma. O Reino ficaria sem os elementos, e só o Casal Celestial poderia devolvê-los, com as Pedras de Toque. – Berenkor parecia emocionadíssimo. – Eu me lembro quando os Elementos começaram a sumir do Reino e foram corrompidos. Muitos do povo não resistiram.

– Berenkor, diga – pediu Severus, pronunciando bem as palavras. – Sabe dizer quando os Elementos começaram a sumir?

– Não sei dizer, Ó Grande Consorte. O tempo no Reino passa de maneira diversa do tempo aqui na terra dos humanos. Mas sei disso. A Ameaça roubou os Elementos e os corrompeu. Essa Ameaça quer que os Elementos sejam parte de si, quer roubar a magia dos Elementos. Mas agora eu pude sentir a interação da Magia Koboldine com os Elementos novamente! Pelo menos dois deles! Acabamos de sentir isso.

Severus se arrepiou ainda mais e dirigiu-se a Harry:

– Ele está falando do Lord das Trevas e dos artefatos que recuperamos.

Harry não entendeu:

– Como assim? As Horcruxes? Elas são Elementos?

Hermione estalou os dedos:

– É claro! Isso confirma que Voldemort fez Horcruxes de todos os Fundadores de Hogwarts.

– Desde quando essas Horcruxes são Elementos? – insistiu Harry.

– Pelo que entendi – disse Severus –, elas não são os Elementos em si, mas carregam energia desses elementos. Cada um dos Fundadores de Hogwarts é relacionado a um Elemento. Gryffindor é Fogo, Ravenclaw é Ar, Slytherin é Água, e Hufflepuff é Terra. Recuperamos as Horcruxes com artefatos de Slytherin e Gryffindor, por isso os elementais de Água e Fogo puderam vir até o nosso mundo.

– As Pedras de Toque nos permitiram vir – esclareceu Berenkor. – Quando a Magia dos Reis Koboldine tocou as Pedras, nosso povo pôde vir a seu mundo. É uma pena que Suas Majestades não conheçam a história do Reino. Vós sois importantes.

– Por favor – pediu Harry –, não precisa nos tratar como reis. Chame-nos de você.

– Se Vossa Majestade me pede, eu faço – disse Berenkor, submisso. – Vossa Majestade é generoso, magnâmino. Um verdadeiro Rei. Saberá nos liderar quando chegar a hora.

– A hora?

– De derrotar a Ameaça Sem Alma – respondeu o gnomo. – A Profecia diz que o povo do Reino vai ajudar o Rei a derrotar o inimigo. Só a magia conjunta dos Reis aliada à força do povo do Reino poderá conquistar esse malvado.

Severus dirigiu-se à criatura, usando termos que ele conhecia:

– Benrenkor, esse malvado, como você diz, está semeando o terror também entre os humanos. Ele tem grande magia, e sua capacidade de fazer o mal não tem limites. O Rei precisa ser protegido, e eu preciso de ajuda.

– Sim, meu Príncipe. É dever do Consorte proteger o Rei. O povo pode ajudar. – Ele apontou. – Plonk e Sizz são grandes guerreiros. Eles podem ficar aqui no reino dos humanos e ajudar a proteger o rei. Como vocês puderam ver, Sizz e Plonk têm grande facilidade de assumir a forma humana. Sua forma verdadeira é muito diferente dessa.

– Plonk gosta de ser humano – confessou o ser de água. – É seco!

– Eu não gosto muito, aqui é um mundo frio – disse Sizz. – Mas farei isso para ajudar o Príncipe a proteger meu Rei.

– Não vou obrigá-lo a fazer nada que não queira, Sizz – garantiu Severus. – Já basta o que teremos que enfrentar adiante. Vocês são todos bem-vindos a ficar e ajudar no esforço de guerra.

Harry lembrou:

– Severus, tem certeza do que está propondo? Não sei como podemos explicar a presença de criaturas elementais aqui. Além disso, vamos ter que administrar Dobby também. Ele eventualmente vai sair de St, Mungo's e vai precisar ser informado de tudo.

Hermione palpitou:

– Não pode contar isso a Dobby, Harry! É uma responsabilidade muito grande!

– Mas então como explicar a presença de Berenkor, Sizz e Plonk por aqui? A mãe do Ron pode vir aqui a qualquer momento. Isso para não falar de Tonks, que quer ser nossa escolta até mesmo para comprarmos o material escolar – isso se Hogwarts reabrir, claro.

– É, é complicado mesmo. Ainda mais que Ginny está muito desconfiada de sua "opção gay". Na verdade, ela não acredita muito nisso. Ela jura que você tem uma namorada, que eu e Ron estamos escondendo isso, e que essa sua "piranha" é que fez você terminar com ela no casamento de Bill.

Harry sacudiu a cabeça:

– Droga. Ginny é muito teimosa.

– E persistente. Se você não produzir um namorado rapidamente, ela vai ficar ainda mais magoada.

– Mas eu não posso revelar Severus!

Severus apenas sorriu:

– Isso não impede que você apresente um namorado à Srta. Weasley, como ela tanto quer.

Harry arregalou os olhos. Severus tinha um plano.

Próximo capítulo: Harry arruma um namorado