Gostaria de agradecer a todos os meus reviewers. Esta é minha fic com mais reviews até agora, e eu queria só agradecer o carinho de todos. Beijos!
Capítulo 37 – O espírito que anda
Tema: imprensa
Josie Rankster trabalhava há cerca de 70 anos no mesmo local. Ela não reclamava: atender ao público era parte de sua vida, e ela tinha desenvolvido manhas todas especiais ao longo desse tempo. Às vezes, só de olhar para a pessoa, Josie sabia o que ela queria. Alguns queriam apenas visitar entes queridos, outros queriam ser atendidos. Sem mencionar casos de emergência, claro. Ela os encaminhava todos. Sentia-se bem em saber que estava ajudando, pondo as pessoas no seu caminho certo. Ao facilitar suas vidas, Josie se sentia, estranhamente, parte da vida alheia.
Ela gostava disso.
Quando Josie Rankster viu o grupo de jovens entrando na sua recepção, ela já sabia que eles queriam apenas visitar alguém doente. O que ela não entendia era por que as pessoas apontavam para eles, algumas em choque, outras alegres, mas todas abismadas.
Só quando o grupo chegou à sua mesa, Josie entendeu o motivo de tanta comoção..
Não era todo dia que um morto voltava à vida. Ainda mais esse morto.
– Por favor. – O rapaz que era alvo dos olhares de todos dirigiu-se a Josie, um sorriso nos lábios. – Eu vim visitar um elfo que está internado aqui. O nome dele é Dobby. Sabe me dizer onde ele está?
– Mas... mas... Você é...?
– O elfo trabalha para mim. Meu nome é Harry Potter.
De repente, havia uma fila de gente crescendo rapidamente no balcão de informações de Josie. A idosa atendente parecia ter algo muito errado com sua voz ao completar:
– E er... você seria Harry... Potter... o Harry Potter?
– Isso mesmo. Sabe, eu também gostaria de falar com o medibruxo que atendeu Dobby, porque eu acho que o pobrezinho vai ter outro ataque quando me vir. Ele acha que estou morto.
– Você... você... não está morto?
O sorriso voltou, e os olhos também pareciam sorrir:
– Pois é, parece que houve alguma confusão a esse respeito. Eu fui viajar uns dias com meus amigos e aí parece que houve um incêndio. Mas e o medibruxo?
Houve um pouco de confusão, muito constrangimento, mas finalmente, Harry e seus amigos foram liberados para visitar Dobby. O elfo estava numa cama encolhida, a pele muito pálida, as orelhas caídas. Quando ele viu Harry, porém, ele fechou os olhos:
– Dobby ainda pior! Agora Dobby alucinação com Sr. Harry Potter! Dobby vai morrer! Está vendo fantasma de Sr. Harry Potter!!
E caiu em prantos, virando para o lado. Harry tentou dizer:
– Calma, Dobby. Não é um fantasma. Sou eu mesmo, Harry.
– Dobby vai morrer!! Dobby não protegeu Harry Potter, e agora fantasma de Harry Potter está bravo e vai levar Dobby para o Véu!!!
– Dobby! Dobby, escute! Eu não morri, Dobby. Lembra que eu tinha ido viajar com meus amigos? Pois é, eu não estava na casa dos meus tios quando ela pegou fogo.
– Sr. Harry Potter tinha ido viajar, sim – concedeu o elfo, ainda sem encará-lo. – Saiu com amigos de Sr. Harry Potter.
– Dobby, olhe para mim. Eu estou aqui. Meus amigos também.
O elfo obedeceu. Os olhos verdes o encararam cheios de lágrimas:
– Sr. Harry Potter... Está vivo...!
– Sim, Dobby. Desculpe não ter vindo antes, mas chegamos de viagem e...
Foi interrompido quando o elfo se jogou em seus braços:
– HARRY POTTER ESTÁ VIVO!!
De repente, um grito:
– MEU REI!
E a confusão estava formada. Dobby estava agarrado a Harry, e um rapaz moreno de olhos muito pretos pulou na cama para separá-los. A coisa começou a ficar física.
– Plonk! – gritou Harry. – Plonk! Calma! Está tudo bem!
– Proteger o Rei!
Ron e Hermione retiraram o elemental enlouquecido de cima de Harry, e Dobby nada entendia. Harry teve que explicar:
– Dobby, esse é meu amigo Plonk. Desculpe por isso. Plonk, Dobby é meu amigo. Ele jamais me faria qualquer mal. Pode acreditar nisso.
Dobby encarava Plonk, desconfiado.
– Plonk não maltrata Harry Potter?
– Não, Dobby. E agora? Você já sabe quando vai poder ir para casa? Estamos com saudades.
Depois que Dobby conseguiu parar de chorar, de tão emocionado que ficou por Harry Potter ter saudades, eles falaram com o medibruxo, que garantiu alta para o elfo em apenas dois dias. Mais algumas manifestações de Dobby lhe renderam promessas de que, se ele se comportasse, talvez saísse antes.
O grupo desceu as escadas e, no lobby, dezenas de pessoas vieram cumprimentar Harry. Muitas estavam emocionadas por vê-lo vivo, e uma criança, acompanhada pela mãe, pediu um abraço. Um flash de câmera foi acionado, e essa foi a dica para todos rapidamente se dirigirem às lareiras e deixarem o local usando o Floo.
Josie Rankster virou uma estrela, pois ela tinha falado com Harry Potter.
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"Potter Vive!!
Menino-Que-Sobreviveu faz breve aparição em St. Mungo's"
– O Seboso estava certo, Harry – disse Ron, mostrando o jornal trazido por Hedwig. – O Profeta Diário colocou sua "rápida aparição" na primeira página.
Harry estava sentado no chão, em frente à lareira, onde ele e Hermione brincavam com Sizz. O elemental de fogo tinha adquirido a forma de uma pequena chama (que ele dizia ser bem mais confortável do que a forma humana) e agora Harry e Hermione se divertiam, tentando agarrar a pequena chama na mão. Berenkor a tudo observava, seus olhos escuros profundos sem interferir no divertimento dos garotos.
– E eles ainda falaram com Dobby! – Ron estava abismado. – Harry, você não vai acreditar nisso! Aqui fala de um misterioso jovem bem-apessoado que acompanhava o Menino-Que-Sobreviveu e seus colegas de escola. Plonk, você está no jornal!
– Isso é ótimo! – disse Hermione. – Como o Prof. Snape disse! Logo Plonk vai ser apresentado como seu namorado.
– Falem de novo por que isso é bom – pediu Ron, sentando-se ao lado deles, impressionado com as acrobacias que Sizz fazia, fugindo de Harry e Hermione.
– Isso tira o foco, Ron. Enquanto Voldemort achar que Harry só está preocupado em namorar, ele não faz idéia do que realmente estamos aprontando.
Berenkor observou os garotos e comentou:
– Talvez meu Rei possa se beneficiar de meus humildes conhecimentos. Não quero ser pretensioso, mas acho que posso ser de utilidade. Posso ver que nem todos os seus poderes desabrocharam. Seu Consorte pode nos ajudar, e muito.
– Você não precisa fazer isso, Berenkor – Harry deixou claro. – Eu ficaria honrado se você quiser nos ajudar. Será muito útil.
– Meu Rei, a honra será toda minha. Espero apenas poder ser útil no esforço de deter a Ameaça sem Alma.
– Sua ajuda é bem-vinda – disse uma voz grave, vinda do homem que entrava na sala.
O recém-chegado provocou um sorriso imenso em Harry:
– Severus!
Harry correu a abraçá-lo. Ron evitou olhar, e Hermione o repreendeu com os olhos. Berenkor curvou-se:
– Meu Príncipe.
– Não temos muito tempo, Berenkor – garantiu Severus. – O inimigo está se mexendo. Precisamos de todas as armas que pudermos obter.
– Meu Príncipe, farei tudo o que puder.
Eles começaram imediatamente, subindo com Plonk para o quarto de Harry (que Berenkor insistia em chamar de Alcova Real). Sizz ficou com Ron e Hermione, de vigia.
– Meus Reis, usem seu Ponto de Toque para incorporarem suas energias individuais numa só.
– Ponto de Toque?
– O lugar onde suas energias se tocam, claro. – Berenkor encarou-os, franzindo o rosto intrigado. – Meus Reis não têm ainda seu Ponto de Toque?
– Desculpe – disse Harry. – Somos muito novos nisso.
– Nada a temer, meu Rei. É só sintonizarem um no outro.
Harry chegou perto de Severus, meio sem jeito. Aliás, Severus estava tão sem jeito quanto Harry. Os dois tentaram se tocar. Berenkor ajudou:
– Contato físico não será necessário. É só sintonizarem um no outro, no nível mais profundo.
Harry se esforçou para isso. Pensou em Severus, no quanto ele era importante para si. Seu pensamento vagueou, e então ele si viu novamente como o Sol. Ele estava naquele lugar para onde costumava ir para ver o Sol cantar, aonde ele ia sempre que se unia a Severus, sempre que os dois se tornavam um.
Foi ali, naquele lugar, que Harry voltou a ser um Sol. Era um Sol-Harry, que prontamente procurou uma Lua-Severus e viu seu parceiro ali, cheio de luz, vibrante. Mas eles não eram opostos, e sim, complementares, partes de um todo maior: o Universo à sua volta.
A voz de Berenkor chegou a seus ouvidos:
– Este é o seu Ponto de Toque. Aqui é o seu lugar de força, o seu lugar de luz. Vocês podem vir aqui sempre que quiserem ou precisarem, renovar forças e centrar suas energias. Aqui vocês podem se encontrar sem sair de seu corpo. Vocês são Mizrahi, seres de Luz, seres de Vida. Sua energia é única, mas é no seu Ponto de Toque que elas se unem e se canalizam. Este é seu lugar mais íntimo. Não precisam estar conscientes nem próximos para vir para cá. Mas é aqui que vão se encontrar. É aqui que serão um só. Dois em um. Tocando e nunca tocados, separados e nunca distantes.
Harry podia sentir as palavras de Berenkor com uma intensidade que nunca imaginou ser possível. Severus e ele eram um só ainda mais, e ele se via envolvido pela força dessa união, desse amor.
– Agora, meus Reis, vocês devem ir adiante. Unidos, porém separados. Cada um com sua missão, cada um com sua habilidade, contando com o outro para o sucesso. Podem ir em frente, e tudo que precisam estará disponível.
Harry não entendeu direito o que aquilo poderia significar, mas ele obedeceu. Caminhava sozinho no espaço, sentindo Severus a seu lado.
Severus, desconfiado como sempre, também obedeceu, sentindo a presença de Harry perto de si. Não era como o vínculo, era além. Uma conexão desse nível era algo com o qual a Legilimência tinha uma pálida comparação. Muito pálida, aliás. Eles não estavam simplesmente um na mente do outro. Embora não compartilhassem pensamentos, eles estavam juntos.
Juntos como nunca estiveram.
Severus não entendeu o que Berenkor queria dizer com "ir adiante", mas continuou mesmo assim, suspenso entre o tempo e o espaço. Pareceu-lhe sentir um cheiro parecido a asfódelo. Isso o intrigou intensamente.
– Meus Reis... – A voz de Berenkor estava embargada. – Posso sentir a magia Mizrahi! O Reino está em todos nós. Aqui, também.
Harry também sentia. O mais engraçado era que ele sentia também o quarto à volta. Era um pensamento inédito, isso de coexistir em duas dimensões. Ele imaginava se Severus experimentava algo semelhante.
Claro, Harry não podia saber que Severus experimentava no momento uma visão que jamais imaginara ter de novo.
Diante de si, estava uma conhecida figura vestida em mantos púrpura, com bordados de lua e estrelas, cujos olhos azuis brilhavam ainda mais intensamente do que ele se lembrava.
– Olá, Severus.
Severus olhou para Albus Dumbledore sem saber se sonhava.
Próximo capítulo: Hora de treinamento e de mais surpresas
Capítulo 38 – Reencontro
Tema: estratégia
Severus não acreditou no que via:
– A-Albus...?
– É muito bom vê-lo, Severus.
A seu lado, Harry o encarou, intrigado:
– Severus, o... o que... com quem você está falando?
Severus teve um choque ao sentir sua consciência voltar para o quarto e ver o fantasma de Albus ali, junto com eles. Indagou:
– Harry, não está vendo?
– Vendo o quê?
Albus sorriu pacificamente:
– Harry não pode me ver, Severus. Essa é uma habilidade restrita aos Koboldine Shamaran. Você pode ver os mortos. Com isso, você pode derrotar Voldemort.
Harry estava ficando aflito:
– Severus, o que está havendo?
Berenkor tentou explicar:
– Meu Rei, o Príncipe está exercendo sua habilidade mais poderosa. Ele está em contato com o outro lado, o mundo sutil das sombras e dos que não estão nesse mundo.
Harry estava chocado:
– Isso é sério? Ele... ele está mesmo aqui?
– Sim, meu pesseguinho. Mas você não pode vê-lo. Aparentemente, só eu posso fazer isso.
– Oh, que pena – fez Harry, emocionado. – Diga-lhe que ele faz muita falta.
Dumbledore respondeu, e Severus transmitiu o recado:
– Ele diz que esteve sempre aqui. Portanto, não deveria ter sentido sua falta.
Berenkor sugeriu:
– Meu Rei, por que não vamos para o outro quarto? O Consorte deve confabular com o amigo do mundo de baixo. E nós precisamos aperfeiçoar sua habilidade de sintonizar vida.
Dumbledore assentiu:
– Seu amigo é muito sábio. Ele poderá ajudar Harry imensamente. Deixe os dois trabalharem, pois temos muito a resolver, Severus.
Severus beijou a testa de Harry com carinho:
– Vá com Berenkor. Albus diz que ele poderá ajudar muito.
Relutante, Harry beijou Severus com ternura, antes de acompanhar Berenkor ao outro cômodo, Plonk seguindo. O rapaz perguntou ao elemental:
– Ele é um fantasma?
– Não, meu Rei – explicou o paciente Berenkor. – Mas o Príncipe tem a habilidade de se comunicar com os espíritos que estão na Terra. Agora ele poderá falar com seu amigo.
– Isso é fantástico.
– O Príncipe pode guiar meu Rei entre as sombras, e ser seus olhos na escuridão.
– E o que eu posso fazer por ele? Pode me ajudar, Berenkor?
– Será minha honra, meu Rei. – Berenkor fez uma reverência, respeitoso. – Meu rei tem um poder que a Ameaça Sem Alma não conhece. O senhor, meu Rei, é vida, é amor, é calor. Pode derrotar a escuridão e a morte que alimenta os exércitos do Malvado.
– Mas como faço isso? É alguma espécie de raio? Ou luz na varinha?
– Certamente a luz vem de seu generoso coração, meu Rei. Mas as lendas são imprecisas. Contudo, eu não duvido que possa ser assim como o senhor espera. E esse seu pedaço de pau – gesticulou para a varinha – pode ser bem útil para focalizar seu poder. Não quer treinar?
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– Por Morgana, Albus. O que está fazendo aqui? Como...?
– Estou apenas fazendo a minha parte, Severus. Gostaria de ficar e conversar, mas não é assim que as coisas acontecem do outro lado. É muito diferente. Aqui não tenho muito controle sobre as coisas.
– Para alguém manipulador como você, isso deve ser bem frustrante.
– De qualquer modo, quero que saiba que estou orgulhoso de vocês dois. Vocês conquistaram tanto. E atraíram as poderosas alianças com os elementais.
– Mas Albus... Precisamos de você... Agora, por minha causa...
– Precisa deixar essa culpa de lado, Severus. Minha morte era inevitável. Não só já estava mais do que na hora como isto estava previsto e planejado. É por isso que estou aqui: para apressá-lo. Voldemort está acelerando as coisas, procurando Harry. As Horcruxes precisam ser encontradas o quanto antes. Vocês fizeram um excelente trabalho com o medalhão e o chifre de Godric, mas não será tão fácil achar as demais. Por isso estou aqui. Para isso tenho trabalhado no pós-vida.
– Ainda estamos procurando pistas da taça de Hufflepuff, mas não temos sequer idéia do que possa ser a relíquia de Ravenclaw.
– Horcruxes são um grande tabu e uma aberração por serem receptáculos de pedaços de alma arrancados a partir de um crime hediondo: assassinato. O que eu descobri no pós-vida foi extremamente fortuito. Quem mata uma pessoa tem a alma irremediavelmente marcada. Mas, se o assassino usar o crime para criar uma Horcrux, não é só sua alma que se marca. Inadvertidamente, ele também marca a alma de seu assassinado. E mais: o matador une vítima e objeto. A conexão é sutil e não pode ser desfeita.
Severus fechou os olhos, uma sensação pesada em seu peito ao imaginar o estado dessas pessoas, mesmo mortas. No seu estado sutil, Dumbledore era capaz de captar essas nuances. E ele tinha um lado animador para algo tão sombrio:
– Mas essa pode ser justamente a nossa arma para a vitória.
Severus encarou seu antigo mentor, que estava cercado por uma suave luminosidade azul. A luz tornava seus olhos ainda mais brilhantes, e ainda mais azuis. Eles estavam com um brilho perturbadoramente parecido aos que tinham quando Dumbledore era vivo e tinha um grande plano em mente.
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No dia seguinte, Grimmauld Place despertou com a campainha da porta, o que não acontecia há anos. Com o Feitiço Fidelius, ninguém podia mesmo ver a casa, especialmente com as proteções adicionais. Mas Harry mudara as proteções. Gente que normalmente teria acesso à casa agora estava do lado de fora.
Tocando a campainha.
Harry estava pondo o roupão e dizendo:
– Estou indo!
Ao abrir a porta, havia uma intrigada Molly Weasley a encará-lo:
– Harry, querido. Está tudo bem?
– Entre, Sra. Weasley. Está tudo ótimo.
Ele deixou a matriarca Weasley entrar em sua casa, e sorriu para Ginny:
– Olá, Ginny.
– Oi, Harry. Dormindo até essa hora?
Ele enrubesceu e deu graças a Merlin que Severus tinha saído mais cedo.
– Ficamos jogando com amigos até tarde ontem.
Molly sorriu:
– Isso mesmo, Harry. Aproveite as suas férias. Mas eu queria perguntar se está tudo bem por aqui, porque não conseguimos usar a lareira.
– Oh, isso. É que eu resolvi mudar as proteções da casa. Foi precaução, já que o Feitiço Fidelius não me protegeria de... Bom, daquele ex-professor.
– Oh – fez Molly, parecendo um tanto vexada. – Boa idéia.
Ginny franziu o rosto:
– Mas não precisa se proteger da gente, né, Harry?
– Claro que não, Ginny. Eu só pensava em proteção no geral.
Molly disse:
– E foi uma boa iniciativa, Harry. Prevenir nunca é demais.
Um barulhão chamou a atenção dos três, que ergueram a cabeça e mal viram a criatura descer a escada correndo:
– Meu Rei!!
Harry quase foi atropelado pelo elemental possessivo, que se agarrou a ele. Molly e Ginny arregalaram os olhos.
– Calma, Plonk, está tudo bem. – Harry deu um sorriso amarelo. – Este é meu amigo Plonk. Ele está passando uns dias aqui. Plonk, quero que conheça Molly. Ela é a mãe de Ron. E Ginny é a irmã de Ron.
O elemental abriu um sorriso:
– Sim, conheço o Ron. Olá, muito prazer.
Molly cumprimentou-o, mas parecia meio constrangida:
– Olá, Plonk... Prazer em conhecê-lo.
– O prazer é meu, senhora.
– Então você... er... é amigo de Harry?
Harry interveio:
– É! Nós nos conhecemos em Yorkshire.
Ginny ia abrir a boca quando uma voz do alto da escada interrompeu:
– Não, Harry! Foi depois! – Hermione descia as escadas, correndo. – Foi depois, lembra? Tanto foi que Tonks não o conheceu.
Harry fez cara de atrapalhado e sorriu para ela, genuinamente grato:
– Isso mesmo! Obrigado, Hermione!
– Bom-dia, Sra. Weasley.
– Bom-dia, querida. Ronald não acordou?
– Não sei – disse ela, fazendo-se de inocente. – Levantei agora. Ele não desceu?
Ginny fez cara de pouco convencida:
– Deve ter sido um jogo e tanto, esse de ontem à noite...
– Já que estão levantando, por que eu não preparo um café da manhã especial para vocês? – sorriu a Sra. Weasley. – Assim, podemos saber tudo sobre o amigo de Harry. Ginny, vá acordar Ron. Sei que ele está de férias, mas isso é ser anti-social.
A moça obedeceu, olhando de cima a baixo para Plonk. O elemental, grudado em Harry, sentiu a hostilidade, e aí mesmo é que ele se abraçou a Harry. A moça adquiriu um tom de ódio puro no rosto. Harry sentia as ondas de ódio vindas de Ginny.
A coisa ia começar a ficar interessante dali para frente, com certeza.
Próximo capítulo: A hora de decisão se aproxima
